Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[NO TORRENT]
VERSÃO 2009 DE “V” NÃO É MAIS TRASH, É CULT MESMO

Posted: novembro 14th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , | 1 Comment »

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Se você tem mais de 30 anos (não que eu tenha, que fique claro!), você com certeza se lembra da primeira versão de “V”. Exibida na Globo nos anos 80 e posteriormente reprisada à exaustão no SBT, essa série ficou mais conhecida como “V – A batalha final” e também por escatologias como pessoas lindas e esculturais comendo ratos vivos. Lembrou? Pois é, está de volta. Mas na era pós-Lost, nada no mundo das séries de TV pode ser resumido. A nova versão de “V”, portanto, ganhou finalmente a produção que o enredo merecia. E os atores, e a direção, e a tensão… Enfim, “V” deixou de ser uma série trash. Sua nova versão faz jus às idéias até hoje originais do roteiro. Então vamos a elas. Às idéias.

Tudo começa quando na manhã de uma terça-feira qualquer o mundo inteiro é surpreendido pela chegada de gigantescas naves espaciais, que passam a fazer sombra sobre as maiores cidades do mundo. De Nova York a Rio de janeiro, a humanidade literalmente pára com a chegada inesperada dessas naves. Após um tempo de tensão, finalmente os extraterrestres fazem contato. E eis que a surp´resa é geral: através da líder Anna, uma belíssima morena de fala calma, eles se autodenominam “Os Visitantes” e insistem que vieram em paz. São idênticos aos seres humanos, mas com um detalhe: todos são lindos. Se dizem surpreendidos, porque até então acreditavam que eram a única raça inteligente do universo, e propõem algo irrecusável: em troca de água e outros minerais que necessitam para seguir viagem pelo universo, eles oferecem tecnologia à humanidade. Tecnologia no mais amplo sentido da palavra: cura de doenças, aparelhos eletroeletrônicos que deixam o iPhone com cara de telégrafo, domínio sobre a gravidade, etc.

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É neste ponto que temos contato com os personagens principais da série. Erica Evans, agente do FBI; e Padre Jack Landry, responsável por uma pequena paróquia em Nova York. Como dizem por aí, quando a esmola é de mais o santo desconfia. E esses dois descobrirão mais rápido que qualquer outro ser humano que não é apenas água e alguns minerais o que desejam os visitantes.

Pra não estragar surpresa alguma da série, e manter você tenso desde o primeiro episódio, me resumirei a dizer o seguinte: a chegada dos visitantes abala a estruturas da humanidade de uma forma muito profunda. E os roteiristas são felizes ao explorar todos os matizes desse abalo sísmico. Logo nos primeiros minutos do episódio de estréia, já temos uma excelente questão: o que a Igreja diz a respeito? O Vaticano insiste em afirmar que todos são filhos de Deus, mas a ausência absoluta de menção aos Visitantes nas Escrituras Sagradas deixa até o Padre Jack com uma pulga atrás da orelha. Outra vertente interessante explorada no roteiro é a do terrorismo: a chegada dos Visitantes monopoliza todas as atenções da humanidade, desde os adolescentes até às Forças Armadas. Um prato cheio para que atentados terroristas se proliferem com a velocidade de um 11 de Setembro. Mas o detalhe primordial, que dá um nó ainda mais cego nessa trama, é a revelação de que os Visitante não chegaram naquela terça-feira: estão entre nós há anos e anos, disfarçados de seres humanos, ocupando cargos altos na hierarquia mundial. Ah, sim, e não são tão lindos quanto aparentam.

Como dizia no início, “V” finalmente recebeu uma versão à altura de seu roteiro. Com a tecnologia dos anos 80 e a mania que a TV tinha de deixar tudo explicadinho – subestimando o telespectador – a primeira versão parece muito mais uma chanchada que uma série de ação e suspense. A versão 2009, entretanto, faz justiça às idéias contidas no original. E estão todas lá: a dúvida sobre quem é extraterrestre e quem é ser humano; o fascínio que os Visitantes exercem na humanidade, em especial nos jovens, convertendo-se lentamente em devoção; a sensação de incapacidade que todos sentem diante de um inimigo que banca o bonzinho (mas que pode destruir a Terra apertando apenas um botão); enfim, “V” é uam série que fala de extraterrestres, mas não é apenas sobre eles.

A série está apenas no seu segundo episódio e já consigo escrever laudas e mais laudas sobre ela. É porque a premissa é tão boa que dá margem a criar inúmeras histórias paralelas, interessantes, instigantes e originais. Ao seu lado, neste exato momento, pode ter um ser humano. Ou um Visitante. E como se pode saber?


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