[CRÔNICA] EELP – MAIS EMBROMAÇÃO DO QUE RENOVAÇÃO por Antonio Nahud Júnior

26 abril 2010 § 6 comentários

Participei como escritor-convidado de dois proveitosos encontros de literatura lusófona: o primeiro em Sintra, Portugal, no final dos anos 90; o segundo, na Ilha de São Miguel, nos Açores, anos depois. De olhos e ouvidos bem abertos, honrado por estar ao lado de artesãos da palavra, aprendi – e muito – com nomes excepcionais como Mia Couto, José Craveirinha, Pepetela, Germano de Almeida, Vasco Graça Moura etc. Portanto, só posso ficar pasmo com a tímida programação oficial do 1º Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Natal (EELP). Afinal, nem de longe traduz o evento alardeado pela Fundação Capitania das Artes (Funcarte), ou seja, de união e difusão da cultura lusófona.

O talentoso angolano José Eduardo Agualusa representará todas as feras estrangeiras de língua portuguesa? O meu conterrâneo João Ubaldo Ribeiro levará nas costas a ausência de figuras expressivas da literatura brasileira? Grande responsabilidade. Cadê os mais conceituados emissários da palavra de Moçambique, Timor-Leste, Cabo Verde, Angola, Portugal e Guiné Bissau? Quais os resultados positivos que serão extraídos deste desencontro lingüístico/literário em hora tão ingrata e com tantas ausências sentidas? Serão concretizados projetos culturais que visam o bem de todos?

Para além das conferências, não se vê no EELP lançamentos de livros, workshops, leituras, espetáculos de teatro, exposições de artes plásticas etc. Está mais para reunião de notáveis escritores/jornalistas do Rio Grande do Norte com duas ou três ricas belezuras de fora para enfeitar o bolo, justificando a grana preta investida. Esta é a intenção real? Então, tudo bem, mas não se deve vender ao público a inverdade de um suposto encontro lusófono internacional. O EELP nem de longe lembra a qualidade (e a organização) do Encontro Natalense de Escritores (ENE), promovido pela gestão municipal anterior. Sei que a “idéia” não é dar continuidade ao ENE, mas onde está a sabedoria em deixar de lado o que funciona com relevância para investir no superficial, na mesmice? Isso é o que chamam de “renovação”?

Dizem que a coordenação está nas mãos do padrasto da prefeita Micarla de Souza e a Funcarte nada apita. Sendo assim, pergunto: é oferta familiar de mão beijada, sem consultoria especializada, sem nenhuma preocupação com o público ou com os escritores interessados no fazer literário ou na discussão da língua portuguesa? Mas dá no mesmo.

Se a Funcarte apitasse sua equipe saberia a diferença entre um Luandino Vieira e um Antônio Lobo Antunes? Duvido.

Antonio Nahud Júnior é escritor e jornalista. Autor de nove livros. Três deles publicados em Portugal. Participou como escritor-convidado do ENE, da Bienal do Livro da Bahia, da FLIP, da Bienal Internacional do Livro de São Paulo e da Feira do Livro de Porto Alegre. Escreve também no blog Cinzas e Diamantes.

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[RESENHA] PEÇA “AQUELES DOIS” DA CIA LUNA LUNERA, por Larissa Gabrielle Araújo

7 abril 2010 § 3 comentários

“Num deserto de almas também desertas,
uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

Caio Fernando Abreu no conto “Aqueles dois”

Esteticamente não é correto começar uma resenha entre aspas, mas quando se fala em Caio Fernando de Abreu a estética é um detalhe íntimo de um casamento de palavras pontual.

Bem, perdoem os detalhes, não sou critica literária, nem teatral, logo não dêem o desconto se eu deixar transpirar a minha idolatria de fã por cada ponto e vírgula que Caio Fernando de Abreu escreve – escreve, no presente.

O SESC, dentro do seu projeto do Palco Giratório, criado em 1998 com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas do Brasil, trouxe ontem ao Teatro Dix-huit Rosado, em Mossoró, o espetáculo “Aqueles dois”, adaptado do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, escritor que, com sua escrita fragmentária e dramática, já contribuiu muito para o teatro contemporâneo. Contemporâneo. É isso.

Ao entrar no Teatro Dix-huit Rosado, que já é charmoso por si só, o impacto das cortinas abertas, causando o efeito contrário do frisson, abriu-se as portas, entrou o público. O Teatro claramente iluminado, o cenário detalhadamente aconchegante, o público que nem estava concentrado porque luzes acesas não acalmam e não foi ocasional – Caio agita mesmo – parou. Parou quando os quatro atores jovens – e vou frisar, SARADOS – entre 30/40 anos, entraram para se aquecer diante dos olhares perplexos.

1ª chamada – A arrumação dos LPs, o conhaque, as réplicas de Van Gogh.
2ª chamada – Arquitetura, Audrey e Shirley, Gene Kelly, Almodóvar.
3ª chamada – Tú Me Acostumbraste.

Raul e Saul, até rimar, rima. No conto, um amor desenvolvido de laços de cumplicidade entre dois colegas de trabalho. No palco, duelos improvisados por quatro personagens que viviam um, que viviam dois.

Emoção.
Monólogos.
Solidão.
Diálogos.

Uma coreografia de improviso. Um ensaio sem adornos. Simples. Limpo. Um exagero clássico, eu diria. Talvez, quem não conhece Caio, não entenda a agonia.

http://www.ufmg.br/online/arquivos/anexos/AquelesDois_Foto_02_DiegoPisante.jpg

Aqueles Dois – Aqueles Quatro – Sem diretor. Cada ator realiza a sua proposta de direção acumulando edição de roteiro. Com música e ações vocais claras, o elenco consegue simplesmente dar gestos ao processo mental de Caio Fernando de Abreu.

A entrega do público foi sincera e honestamente total.

A trajetória da Companhia Luna Lunera, formada de atores do Curso de Teatro do CEFAR – Centro de Formação Artística do Palácio das Artes, de Belo Horizonte, merece flores. Ontem, na madeira do Teatro Dix-huit Rosado, comemorou sua 172ª apresentação. Até o fim do Circuito 2010 do Palco Giratório, completará 200.

Eu queria que o mundo visse. Mas o futuro do pretérito é um verbo cheio de vontade.

Larissa Gabrielle Araújo é publicitária/marketóloga, pós graduanda em Gestão da Comunicação Empresarial e uma amante de Caio Fernando de Abreu. Atualmente está Gerente de Marketing do Jornal de Fato e Assessora da Prefeitura Municipal de Mossoró. Também tem um blog.

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[POLÊMICA] SINDICATO DE JORNALISTAS DIVULGA NOTA DE REPÚDIO A AGRESSORES DE FÁBIO FARIAS

5 abril 2010 § 1 comentário

O SINDJORN – Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte divulgou no último dia 1º de abril nota de repúdio à agressão sorfida pelo repórter do Novo Jornal Fábio Farias, noticiada aqui no PLOG no texto Jornalista do Novo Jornal é agredido por militantes da Governadora Wilma de Faria. A agressão foi feita por militantes do PSB, quando Fábio cobria a inauguração do Complexo Cultural na zona norte de Natal. O repórter levou um soco e um tapa no rosto quando anotava a placa da van que recolhia militantes após a inauguração feita pela Governadora Wilma de Faria, também do PSB. Segue a nota.

NOTA DE REPÚDIO

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN, no uso do pleno direito que lhe confere a Constituição Brasileira, vem a público repudiar as agressões praticadas contra o repórter do Novo Jornal, Fábio Farias, quando fazia a cobertura da inauguração do Complexo Cultural de Natal, no conjunto Santarém, na zona Norte da capital, na última terça-feira à noite.

Ao mesmo tempo, o SINDJORN se solidariza com o profissional agredido, em pleno exercício de sua atividade jornalística e, disponibiliza, caso considere necessário, o setor jurídico da entidade. É inadmissível que em pleno estado democrático de direito, os jornalistas ainda se deparem com cenas de agressão que são cometidas por pessoas contratadas para fazer a segurança dos convidados e do evento.

Resgatar a truculência como instrumento de intimidação do trabalho jornalístico é uma prática que merece a condenação não apenas da categoria e do SINDJORN, mas também de toda a sociedade. Entendemos que, num momento desses, em que o exercício profissional tenta ser cerceado por meio da agressão física, calar-se pode significar não somente omissão, mas conluio com a violência, o que seria totalmente injustificável em se tratando de uma entidade que defende os jornalistas do Rio Grande do Norte. Aproveitamos para reforçar que não pode haver sociedade justa e livre com a imprensa sob ameaça.

Nelly Carlos Maia
Presidente Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN

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[POLÊMICA] JORNALISTA DO NOVO JORNAL É AGREDIDO POR MILITANTES DA GOVERNADORA WILMA DE FARIA

31 março 2010 § 8 comentários

Violência contra a imprensa é uma coisa que deve ser repercutida ao máximo, à exaustão, sem pena contra os agressores. E é por acreditar nisso que me solidarizo com o repórter Fábio Farias e o fotógrafo Magnus Nascimento, do Novo Jornal. Ambos foram agredidos – física e verbalmente – na noite de ontem, 30 de março, por militantes do PSB, partido da Governadora Wilma de Faria, quando cobriam a inauguração do Complexo Cultural da Zona Norte, em Natal.

Segundo reportagem do Novo Jornal, os jornalistas foram cercados por três jovens e sofreram ameaças verbais. Segundo Fábio, pelo Twitter, no momento ele tomava nota do número da placa da van que recolhia militantes após a inauguração. O agressor, o rapaz de vermelho na foto abaixo, ainda tentou intimidar os profissionais dizendo eles não sabiam com quem estavam mexendo.

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Militante do PSB (de vermelho) agride repórteres do Novo Jornal

Fábio Farias acabou levando um tapa e um soco enquanto fazia seu trabalho de jornalista. Conta Fábio, nas páginas do Novo Jornal desta quarta-feira: “Nos identificamos, mas o cara que me bateu falou que eu não sabia com quem estava mexendo e mandou a gente apagar a foto da máquina e as anotações do número da placa da van que eu fiz”. Depois, não satisfeitos, os agressores ainda disseram aos jornalistas que eles iam se arrepender. Em seguida, foram retirados do local por outros militantes do PSB.

Ainda segundo o Novo Jornal, o grupo de agressores faz parte do que ficou conhecido como “pittboys do PSB”: grupo de jovens, identificados por broches do partido, que marca presença na maratona de inaugurações que o ocaso do Governo Wilma registrou, entoando aplausos, palavras de ordem e, pelo visto, ameaças.

Magnus Nascimento, o fotógrafo agredido, tem inclusive experiência em ter seu trabalho perturbado por truculências. Foi ele o fotógrafo expulso da coletiva de Micarla de Souza, em junho de 2009, quando tentou fotografar a Prefeita de Natal comendo um bolo (absurdo denunciado aqui no PLOG, no texto Jornalista é expulso de coletiva por fotografar Prefeita de Natal).

http://2.bp.blogspot.com/_eTlWymvfTLY/S7NCDOdErPI/AAAAAAAAAL0/vLvBRBpPKwc/s1600/31ult02y.JPG
Jornalistas agredidos por “pittboys do PSB”: repúdio

A violência contra a imprensa é repudiada no mundo inteiro. Não porque jornalistas são espécies raras acima dos outros, mas sim porque necessitam de liberdade para cumprir o nobre papel de registrar a verdade.

A coisa fica ainda mais feia quando se trata do embate Novo Jornal x PSB: o jornal vem fazendo uma oposição declarada ao Governo Wilma, denunciando obras que são inauguradas sem estar terminadas, por exemplo. A própria Wilma de Faria, em seus discursos, tem dirigido críticas diretas ao Novo Jornal, falando que aos veículos de comunicação controlados por políticos não interessa divulgar o trabalho do seu governo. A Governadora se desimcompatibiliza do cargo hoje para tentar uma vaga no Senado ainda este ano.

A agressão, aqui, não pode ser entendida como um simples arroubo de juventude. Foi uma tentativa de intimidar os profissionais do Novo Jornal e fazer calar uma voz de oposição. Contra isso, devemos nos insurgir. Perigoso. Muito perigoso.

Acabei de falar com Nelly Carlos, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN. Segundo ela, o que aconteceu é inadmissível e deve ser punido. “Acredito que nos dias de hoje esse tipo de agressão é ridícula. O SINDJORN repudia totalmente esse tipo de atitude”, disse-me por telefone. Segundo ela, o SINDJORN vai emitir uma nota de repúdio ainda hoje.

Fábio Farias já prestou queixa e agora o assunto será tratado na Justiça. Como deve ser numa verdadeira democracia.

***

Em seu blog, o jornalista Fábio Farias contou em detalçhes o que lhe ocorreu. Para ler, clique aqui.

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[ARTIGO] COMPRA FÁCIL: O RETORNO

19 março 2010 § 1 comentário

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Em novembro de 2009, tive um grande problema com o site Compra Fácil. Os meus leitores acompanharam a novela aqui no PLOG e na minha coluna da Digi, quando publiquei na ocasião o texto Compra Fácil: mas pode chamar de Compra Difícil.

Pra quem não leu, um resumo: adquiri um computador de alto valor no site e comi um dobrado pra receber minha encomenda. Quando da publicação do texto, já fazia mais de 20 dias do pedido e nada do PC chegar. A bem da verdade, a encomenda só chegou depois da repercussão do texto na internet (porque, seguindo o conselho de um amigo, enviei o link para todos os e-mails do Compra Fácil a que tive acesso). Enfim, tive que fazer barulho para garantir meus direitos de consumidor. Infelizmente, nem todos têm colunas e blogs na internet pra repercutir suas insatisfações.

Foi o que percebi com o passar dos meses, quando o citado texto continuou recebendo comentários dos leitores, muitos deles contando seus casos de mau atendimento e má prestação de serviço do Compra Fácil.

A leitora que se identifica como Karine, por exemplo, contou que fez uma compra no site de uma piscina no dia 09/11/09, que foi faturada dia 10/12. Após encerramento do prazo de entrega, ela pediu explicações no atendimento via chat, mas não obteve nenhuma resposta. “A atendente ainda teve a coragem de me fazer esperar um tempão para fazer várias perguntas que constam no meu cadastro. Eu perguntei: essa foi a sua forma de resolução? Por que não tenta rastrear a encomenda junto à transportadora? Resposta: Não há essa opção”. Essa, inclusive, é uma falha grave do Compra Fácil: a ausência de rastreamento de encomendas faz o cliente se sentir um idiota. Na minha espera pelo PC, por exemplo, eu ficava imaginando por onde ele estaria, se estava sendo bem tratado, se estavam transportando com cuidado… enfim, um idiota.

A leitora Leca conta que seu caso guardava semelhanças extremas com o meu: “Estou vivendo uma tormenta por uma compra feita dia 22/10/09 e até hoje – 23/11/09 – estou esperando a entrega do produto que teve também um alto custo! E detalhe, além de eu já estar pagando, o pedido consta como entregue!”. Leca também reclama do atendimento do site:  “O descaso dos atendentes é o pior! Ainda por cima as ligações são interurbanas e os atendentes te fazem esperar um tempão! Hoje mesmo liguei lá para resolver esse problema e fiquei 25 minutos esperando a atendente me dizer que em todas as outras ligações que fiz me passaram informações erradas e que ela abriria uma solicitação para averiguar onde o pedido foi entregue, por quem e quando!”. Dá pra imaginar um site que compras com uma logística assim?

Além dessas duas leitoras, muitos outros contaram seus casos nos comentários. Hoje mesmo, quase cinco meses após a publicação do texto, recebi mais um comentário para ele: O leitor Fernando Santos conta que comprou móveis para seu escritório “pensando que tinha feito um ótimo negocio”. Mas a novela seguiu exatamente o mesmo roteiro da minha: “Fiz a compra dia 07/03/10 e só dia 10/03/10 que autorizou o pagamento via cartao on-line”. E então, a demora na entrega: “Meu pedido foi expedido no dia 11 de março com prazo de entrega – pasmem – para dia 23 de março!”. Lamento informar, Fernando, mas apesar do prazo enorme, ele não será cumprido. Prepare-se para dias de calvário.

A minha novela terminou quando enviei a história para a coluna “Seus direitos” do Estadão – através do e-mail consumidor.estado@grupoestado.com.br. Os responsáveis pela coluna entraram em contato comigo, pegaram mais detalhes e então enviaram e-mail pro Compra Fácil pedindo explicações. A partir daí, o maremoto de incompetências virou um dia claro de eficiência dentro do Compra Fácil. Rapidinho, acharam meu computador em algum ponto do Brasil e no dia seguinte ele já estava em minha casa. Dias depois, o departamento de marketing do site enviou-me um pen-drive de brinde, como pedido de desculpas. Mas o estrago já havia sido feito: não compro mais com eles, e nem aconselho que vocês comprem. A não ser que gostem de se sentir como idiotas.

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[CRONIPOEMONTO] TÍBIA

3 março 2010 § Nenhum comentário ainda

É o osso do teu calcanhar tocando quase suave semi-rude no meu. Esse incômodo do qual tenho medo, recolho os pés, decanto o balé de nossas pernas sob os lençóis. É teu osso. Que não é bem do calcanhar, é um pouco mais acima, é aquele osso arredondado bem no fim da perna início do calcanhar. O que fica na mesma lateral do polegar. Arredondado, saltando de dentro da pele, como dizendo existo. Ressoando no meu osso a vida que corre em você dessa maneira pulsante, desnecessária, bem-vinda. Bem viva. Teu osso que tanto evito, que tomo cuidado, que fujo. Porque é como um alerta de que você existe. Por mais que eu finja às vezes esquecer que ao meu lado há outro corpo, que pela vida sou dois, que pelas estradas sempre terei uma mão instintiva ladeando a minha se por acaso a estendesse. Se por acaso necessitasse. Lá vem teu osso me alertar, quando nós sonolentos, que olha, estou aqui, supervivo em você, posso tocar teu osso do calcanhar quando bem entender. E não é encantador como se procuram nossos pés em meio ao morno das cobertas? Não é realmente intrigante que antes, nas infâncias do que éramos nós, estes mesmos ossos tivessem dificuldade em se bater? E não é realmente surreal que agora, maturados na falta de velocidade dos dias, se encontrem tão facilmente, sem dificuldades, quase como ensaiados? É a síntese perfeita do que é conhecer-se: sei exatamente, sem precisar de olhares, onde está o osso do teu calcanhar. E sei quando está ressecado, apertado pelos pisantes da luta diária por vencer na vida. E sei quando levam cremes para amenizar as rachaduras que você escondia por medo que denunciassem a falta de tua perfeição – como se acaso fôssemos perfeitos ainda estivéssemos juntos (posto que já sabemos, nessa luta de calcanhares diária, que a utopia da perfeição não sustenta a imprecisão da vida). Pisamos firmes, meu calcanhar, pisamos firmes pelos duros caminhos que perseguimos. Sabemos do amargo de alguns olhares, do descaso de alguns dias, da oscilação inevitável do que chamamos sentir. E nos puxamos sem covardias para os itinerários mais ensolarados. Estamos do mesmo lado desse cabo-de-guerra. Estamos, como dizíamos quando descrentes do que nos habitava, encantados. É o osso. O osso do teu calcanhar. Que toca no meu e me alerta. Não é dor. É puro sentir. Destilado sentir. É que se parecem muito.

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[CRÔNICA] DENE – DESENCONTRO NATALENSE DE ESCRITORES

25 fevereiro 2010 § 32 comentários

E a Funcarte (Fundação Confusa das Artes), órgão municipal irresponsável por fazer cultura em Natal, acaba de chegar a um entendimento sobre o antigo Encontro Natalense de Escritores, antigo Encontro Lusófono de Escritores, antigo “Não sabemos ainda qual será o novo nome, mas vai ser revolucionário”. O evento de literatura agora vai se chamar DENE – Desencontro Natalense de Escritores. Será o maior evento de literatura que nunca vai ocorrer em Natal.

Para as mesas do DENE já estão confirmados os nomes de Machado de Assis, Miguel de Cervantes e José de Alencar. Serão mesas brancas, claro. O Presidente da Funcarte dessa semana garantiu que o DENE vai ser um evento único. O da semana que vem já se adiantou dizendo que garante a mesma coisa.

Todos os escritores convidados para o DENE serão substituídos de última hora por apadrinhados do Presidente da Funcarte. E o melhor: saberão que foram preteridos através da imprensa e passarão por esse constrangimento público sem receber nenhum pedido de desculpas da Prefeitura. Segundo o presidente da Funcarte, essa prática tem por objetivo desqualificar o trabalho de escritores profissionais ao mesmo tempo em que prestigia artistas frustrados que se dedicaram mais ao puxa-saquismo do que ao trabalho sério. “Nossa política cultural sempre vai privilegiar quem faz parte da nossa panelinha”, afirmou, “Nós somos um órgão público, que dá oportunidades iguais a todos os artistas, contanto que eles estejam filiados ao partido da situação”.

DEBATES DA GENTE
Os debates terão temas modernos, em consonância com o que é discutido nos maiores eventos de literatura do mundo. Na mesa “Decoração natalina de Natal: uma redundância?”, grandes nomes da literatura de gosto duvidoso discutirão o que os responsáveis pela decoração do “Natal em Natal” fumaram pra achar aquilo bonito. Segundo o Presidente da Funcarte, esta mesa será tão revolucionária e inovadora que as pessoas não vão entender nada – mas a Prefeita vai dar uma entrevista dizendo que aquilo tudo é mágico-lúdico-fantástico e então a cidade toda vai concordar com ela.

Outra mesa que promete gerar uma discussão saudável e edificante é “Usando a retórica para jogar a culpa no seu antecessor”. A própria Prefeita será uma das debatedoras e falará sobre sua experiência em culpar a gestão anterior por todos os problemas da cidade. A mediação deste debate ficará ao cargo de um assessor baba-ovo, que concordará com tudo que a Prefeita disser enquanto segura sua bolsa e não deixa ninguém chegar perto dela. A organização do DENE promete ainda servir um bolo de fubá pra Prefeita e expulsar do recinto quem tentar fotografá-la no momento em que ela come a guloseima.

Na seara da literatura sustentável, teremos debates bem interessantes também. Dias Gomes, autor da novela global “O espigão”, vai compor a mesa “Toma que o espigão é teu”. Na ocasião, ele defenderá a tese de que a novela dos espigões de Ponta Negra é dele. Como ninguém quer tomar pra si a autoria dessa novela, os organizadores crêem que não haverá grandes polêmicas. Mas o Ministério Público já avisou: vai fazer uma reunião com Dias Gomes e depois, magicamente, ele voltará atrás em todas as decisões que tomou. Jogando a culpa no antecessor, claro. Outras mesas da parte verde do evento que merecem destaque são: “Meu pé de algaroba no Midway”; “As escutas telefônicas mais incríveis da Operação Impacto”; e “Plano diretor: quem te viu, quem PV”.

OFICINAS DA GENTE

Mas nem só de debates viverá o DENE. Na oficina “Venda seu blog: pergunte-me como”, uma blogueira inescrupulosa e medonha ensinará como enriquecer às custas de inverdades sem se corroer de remorso. Os presentes aprenderão, por exemplo, como formatar uma tabela de preços para a própria opinião. A blogueira adiantou, em coletiva, um pouco do conteúdo da oficina. “Manipular a verdade dá trabalho: tem que buscar argumentos falsos, escrever de forma dúbia e ainda posar de imparcial: tudo isso gera um custo que deve ser repassado a quem está te prostituindo”, afirmou ela. Durante a oficina, a blogueira promete emitir várias opiniões favoráveis ao grupo político da situação. Isto se ela não receber uma contraproposta da oposição até lá.

Os professores da rede de ensino municipal serão os responsáveis pela oficina “Plano de Cargos e Salários: promessa é dúvida”, na qual mostrarão passo a passo o que você deve fazer para ser ludibriado por propostas de campanha que nunca serão cumpridas. Esta oficina promete atrasar todo o cronograma do evento porque minutos antes de começar os professores entrarão em greve. Mas a Prefeita garantiu que vai receber todos para uma conversa franca assim que sua popularidade cair pelo fato de nossas crianças estarem sem aulas.

Outros destaques são as oficinas “Via Livre, mas nem tanto”, “Inaugurando postos de saúde sem médicos”, “Como trocar seu apoio político pelo silêncio da imprensa” e a grande sensação do evento: “Diga repetidas vezes ‘Eu sou mãe, eu sou mulher’ sem ser taxada de preconceituosa”.

BAIXARIAS DA GENTE
Claro que Câmara Cascudo não poderia ficar de fora. Para homenagear nosso maior intelectual, a organização apresentará algo totalmente inédito: um natalense que leu um livro de Câmara Cascudo! Sim, existe! E o presidente da Funcarte garantiu que o rapaz não freqüenta o Beco da Lama, não dá aulas na universidade e nem é herdeiro do folclorista, fato que torna a descoberta realmente única.

O DENE ainda promete grandes debates que descambarão pra baixaria sem, no entanto, ter seus responsáveis advertidos pelos superiores. O próprio presidente da Funcarte se encarregará de pôr a culpa pelo atraso do evento em ex-funcionários que pediram exoneração porque a Prefeitura não ofereceu condições para que seus trabalhos fossem realizados. “É de suma importância que a gente continue mentindo para o povo, sem jamais assumir a própria inoperância”, afirmou, para em seguida sair cagando e andando.

Anote aí: o DENE ocorrerá em algum dia dos meses de março, abril, maio ou junho, talvez julho, quem sabe agosto, pode ser até em setembro, provavelmente em outubro, no máximo em novembro, se bem que dezembro…

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[ARTIGO] AS CONFUSÕES DO ENE, ELE, SEI LÁ

22 fevereiro 2010 § 2 comentários

A respeitada atriz, diretora e dramaturga Cláudia Magalhães, com a qual gozo de relação amistosa e simpatia mútua, escreve abaixo os motivos que a fizeram pedir exoneração do cargo de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira) da FUNCARTE. Não é segredo pra ninguém que a FUNCARTE, na gestão da Borboleta, virou uma bagunça das grandes. Na carta aberta abaixo, enviada aos artistas e à imprensa, Cláudia Magalhães deixa bem claros seus motivos para sair desse mar de incompetência que é a atual Prefeitura de Natal. Republico aqui a carta por dois motivos: 1) Pelo que tem de contundente, expondo através dos olhos de quem estava lá dentro como as coisas realmente acontecem na gestão cultural de Micarla de Sousa; 2) Pelo respeito e pela simpatia que tenho por Claudia Magalhães, que sempre se mostrou profissional e estimulada quando se tratava de fazer um bom trabalho cultural. Segue a carta.

Carta aberta

Por Cláudia Magalhães

Na qualidade de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira), cargo que ocupei de janeiro de 2009 a janeiro de 2010 (quando fui exonerada a pedido), comunico a todos os citados acima que não faço mais parte da coordenação geral do ENE (Encontro Natalense de Escritores), atual, ELE (Encontro Lusófono de Escritores). Esta carta se faz necessária para esclarecer alguns pontos que dizem respeito ao meu relacionamento com o mundo cultural local e a sociedade em geral, aos quais devo prestar contas enquanto ocupante que era de um cargo público.

1- Por convite do então presidente da FUNCARTE, César Revoredo, aceitei a coordenação geral do então ENE. Portanto, auxiliada por um conselho formado por: Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira, foram enviados convites via e-mail (oficial da FUNCARTE, em nome do presidente César Revoredo, com cópia para o meu e-mail) para: José Eduardo Agualusa, Paulo Lins, Marçal Aquino, Arthur Dapieve, Xico Sá, Ziraldo, Pedro Bandeira, Marcelino Freire, Cassiano Elek Machado, Joca Reiners, Mário Bortolloto, Eduardo Bueno, Shiko, Fernando Bonassi, Milena Azevedo, Chico César, Tárick de Sousa, Edney Silvestre, Antônio Cícero, Tarcísio Gurgel, Gabriel O Pensador, Tácito Costa, Clotilde Tavares, Carlos Magno, Nivaldete Ferreira, Isabel Vieira, Túlio Andrade, Danilo Guanais, Buca Dantas, Abimael, Nei Leandro de Castro, Lívio Oliveira, Sérgio Vilar, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz, Agregados Família do Rap, Cordel do Fogo Encantado. Além do contato com diversos artistas plásticos, poetas e jornalistas que contribuiriam para o ENE.

2- Depois de meses de trabalho, com planilha total feita, convites prontos e confirmados com a garantia do então presidente César Revoredo, a prefeita Micarla de Sousa até então não tinha posição nenhuma sobre um possível cancelamento ou adiamento do ENE, o encontro literário estava confirmado para os dias 26, 27 e 28 de novembro de 2009. Contudo faltando poucos dias para o início do ENE, César Revoredo pede exoneração da FUNCARTE e o vice Rodrigues Neto assume.

3- Dias antes, fui chamada para uma reunião na qual César Revoredo, na presença do então vice presidente, Rodrigues Neto e do Chefe de atividades culturais, Josenilton Tavares, me comunica que não teríamos mais o ENE, e sim, o ELE e que este seria realizado em março de 2010. Confirmou o meu nome na coordenação geral do mesmo, onde manteríamos a participação de todos os que foram convidados para o antigo ENE. Desta feita, comuniquei – via telefone – aos escritores convidados a mudança do nome e da data. Além de pesquisar possíveis escritores internacionais para o ELE.

4- Contudo, após assumir a presidência da FUNCARTE, Rodrigues Neto não me procurou para confirmar ou retirar o meu nome da coordenação geral do ELE. Semanas depois, comunico ao vice presidente Gustavo Wanderley a minha decisão de sair da coordenação do ELE, mas de permanecer na função de chefe da Biblioteca Pública Municipal Esmeraldo Siqueira, visto que várias atividades por mim desenvolvidas na gestão de César Revoredo estavam em andamento ou com editais publicados, o que detalharei nos próximos tópicos.

5- Semanas depois, diante do silêncio apresentado, posto que o presidente Rodrigues Neto não teve nenhuma conversa oficial sobre o ELE e nem sobre outros assuntos do meu núcleo e também observando pela imprensa a conduta e a atuação da presidência, tomei a decisão de pedir exoneração em janeiro de 2010.

6- Uma vez tendo pedido exoneração surpreendi-me com contatos de escritores locais e nacionais, artistas e jornalistas me perguntando sobre o ELE. Percebi, então, que a presidência não comunicou a ninguém que eu não apenas não era mais a coordenadora do Núcleo de Documentação como também não estava mais na coordenação do ELE, antigo ENE.

7- Artistas e produtores culturais envolvidos em projetos que iniciei me procuram por e-mail e por telefone para saber detalhes dos mesmos. Projetos como o CONCURSO DE REDAÇÃO -“O que é ser um cabra das Rocas”, CONCURSO DE FOTOGRAFIA ESCRITORES POTIGUARES com o tema “Escritores potiguares vivos” foram negligenciados, e pior, não houve comunicação aos artistas envolvidos. No dia da Poesia, o qual fui coordenadora geral, O então presidente César Revoredo com a presença da prefeita Micarla de Sousa, comunicou a todos os presentes não somente a continuação dos CONCURSOS CÂMARA CASCUDO E OTHONIEL MENEZES, mas também, além da premiação em dinheiro, a publicação dos livros dos vencedores. Infelizmente, estes dois concursos também foram negligenciados.

8- Na gestão de César Revoredo o meu núcleo ficou responsável pela nova revista cultural da FUNCARTE, A “Ginga”. Ao longo de meses de trabalho, a revista, por meio do editor contratado, Sérgio Vilar com a sua equipe de jornalistas produziu 100% da revista que estava pronta para ir pra gráfica. Com a mudança da presidência a revista teve o lançamento adiado para março de 2010, eu soube disso através do editor Sérgio Vilar, pois nada me foi comunicado oficialmente.

9- Diante disso, por respeito a todos os que estavam envolvidos nesses projetos, aos artistas e amigos, torno todos estes fatos públicos, de maneira a evitar dúvidas, mal entendidos e conversas de bares e corredores que tanto empobrecem e aviltam a cultura natalense. Saio da FUNCARTE com a sensação do dever cumprido, com coragem de me olhar no espelho todos os dias e com o respeito do mundo artistico e cultural, bem mais precioso que consegui nestes meses de FUNCARTE.

Cláudia Magalhães

***

Após a publicação desta carta aberta, o atual presidente da FUNCARTE, o desacreditado Rodrigues Neto, deu declarações em que negava a versão de Claudia Magalhães. A coisa começa a pegar fogo a partir daqui, com a réplica de Claudia às acusações do presidente da FUNCARTE.

***

Resposta de Claudia Magalhães às declarações de Rodrigues Neto

(extraído do blog de Sergio Vilar)

Resposta da dramaturga e atriz Cláudia Magalhães às declarações do presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, ao Novo Jornal:

1- Rodrigues disse quanto ao ENE, atual ELE: “se houve negligência, a culpa foi da própria Cláudia Magalhães”. Ora, se eu era a coordenadora geral do evento, acredito que eu era a principal interessada em que o mesmo acontecesse e que fosse um sucesso. Ademais, como coordenadora, não tinha o poder para liberar dinheiro, fazer empenho ou poder político algum, quem os tinham ou têm são justamente, o presidente da FUNCARTE, Rodrigues Neto e a Prefeita, Micarla de Sousa.

2- Rodrigues Neto afirmou que “ao assumir a presidência do órgão, dei carta branca para Cláudia Magalhães seguir no projeto do ELE”. Se eu tivesse “carta branca” o ENE teria acontecido em novembro de 2009, não teriam nem tempo para mudar de letra!

3- “Rodrigues Neto confirmou o ELE para os dias 29, 30 de abril e 1 de maio no Teatro Alberto Maranhão”, contudo a classe artística não sabe disso e a divulgação fraca atesta a falta de comunicação entre a FUNCARTE e os artistas. Quais os nomes dos escritores locais já convidados? Serão mantidos os nomes já confirmados para o evento ou eles também serão negligenciados pela FUNCARTE? Houve algum conselho pra a escolha dos nomes? O conselho anterior (Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira) também foi negligenciado pela presidência da FUNCARTE?

4- Rodrigues diz que “Cláudia passou quase dois meses sem aparecer na capitania”. Ora, se foi assim por que não fui exonerada logo no primeiro mês de ausência? No fim das contas, eu pedi exoneração, assim como outros que não concordaram com a nova política da FUNCARTE. Mas a frase de Rodrigues é reveladora. Então ele aceitaria ou aceita na sua equipe pessoas que ficam dois meses sem aparecer? Interessante sabermos disso.

5- Rodrigues disse que tentou entrar em contato comigo. Ridículo. Meu e-mail e telefone estão na agenda do gabinete da FUNCARTE e na SEPLAN. Além disso, todo o mundo artístico cultural tem os meus contatos, inclusive o próprio presidente da FUNCARTE. Afinal, Rodrigues telefonou do número da presidência para o meu celular na noite de 16 de novembro de 2009 para pedir o telefone do meu marido, o jornalista Cefas carvalho. A conversa dos dois está registrada no blog de Cefas (www.cefascarvalhojornalista.blogspot.com) em postagem no dia 17 de novembro de 2009. Para completar eu e Rodrigues fazemos parte da comunidade social da internet, o orkut, também um excelente maio de comunicação. Como muitas pessoas da sua equipe pode testemunhar, passei tardes inteiras em seu gabinete na esperança de ser atendida.

6- Rodrigues disse: “Ela sequer enviou e-mails para os escritores” Fiz bem melhor que isso, telefonei para os escritores informando a mudança do nome e da data e a confirmação de seus nomes no novo evento. Ficou acertado em reunião que eu não passaria e-mails e sim telefonaria para os escritores. Nesta reunião, além de mim e de Rodrigues Neto, estavam presentes o então presidente da FUNCARTE e já demissionário, César Revoredo, o chefe do departamento de atividades culturais, Josenilton Tavares, e o então assessor de comunicação, Dionísio Outeda.

7- Com relação aos concursos Câmara Cascudo e Othoniel Menezes, Rodrigues disse que “os editais dos concursos estão prontos e no início de março vamos convocar uma coletiva para divulgar as datas dos editais”. Os editais já estavam prontos desde setembro de 2009 e deveriam ter sido lançados em outubro/novembro do mesmo ano para que em março de 2010, no Dia da Poesia, fossem divulgados os vencedores, como foi prometido pelo então presidente César Revoredo, e pela prefeita Micarla de Sousa. Coletiva para divulgar os editais? Ridículo. Não há nenhum mérito nisso, esses concursos já são realizados há mais de vinte anos e com grande sucesso! Aliás, os concursos poderiam ser viabilizados com uma pequena fração dos recursos gastos no duvidoso Natal em Natal.

8- Sobre a revista GINGA, Rodrigues Neto não deu previsão. “Só vou lançar, quando tiver dinheiro para pagar e mantê-la”. Bem, as palavras de Rodrigues Neto atestam quase tudo que eu escrevi na carta e revelam a triste realidade da política cultural natalense!

Claudia Magalhães

***

Amanhã, aqui no PLOG, escrevo texto comentando toda esta situação. Aguardem.

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[ARTIGO] TURISMO SEXUAL X COPA 2014: UMA EQUAÇÃO IGNORADA EM NATAL

19 fevereiro 2010 § 1 comentário

http://riograndedonorte.org/wp-content/uploads/2009/01/ponta-negra.jpg

Acabo de ler texto do site Repórter Brasil sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes em Natal. E estou chocado. A reportagem, escrita por Bianca Pyl, alerta para um fato perturbador: apesar de toda a verba disponibilizada para Natal depois de sua escolha como cidade-sede da Copa2014, nenhuma ação para combater o turismo sexual que envolve crianças e adolescentes está planejada.

Escreve a repórter, que veio à Natal em setembro de 2009: “Este tipo de ocorrência não se restringe apenas ao período de folia e pode vir associado a outros grandes eventos turísticos que atraem massas de dentro e de fora do país. Álbuns com fotos de adolescentes circulam dentro de um shopping center no bairro de Ponta Negra, na capital potiguar. Escolhida como uma das cidades-sede da Copa do Mundo de futebol de 2014, Natal (RN) já se agita com os preparativos (e as expectativas econômicas) dos jogos.”

Mais à frente, alerta: “A empolgação com as perspectivas de melhoria da infra-estrutura e de atração de investimentos com a Copa do Mundo não se repete quando o assunto é outro: os problemas sociais decorrentes de uma competição esportiva desse porte. O possível aumento da exploração sexual de crianças e adolescentes, que preocupa organizações da sociedade civil e do poder público que atuam na área, está entre as potenciais consequências negativas da Copa.”

Bianca procurou o secretário estadual-adjunto de Turismo, Túlio Serejo, para saber quais ações o Comitê Estadual da Copa 2014 está desenvolvendo para prevenir o aumento da exploração sexual de crianças e adolescentes durante o evento. Ele confirmou que não há representantes da sociedade civil ou de órgãos que trabalhem com a exploração sexual infanto-juvenil no Comitê, criado especialmente para a ocasião e coordenado pelo secretário de turismo Fernando Fernandes de Oliveira. “Esse tema [exploração sexual de crianças e adolescentes] nem deveria ser tratado aqui na Secretaria de Turismo. Nós não temos mecanismos de repressão. O que fazemos é tomar cuidado com a publicidade, que não é focada na exposição das mulheres e adolescentes”, declarou o secretário-adjunto.

Ou seja: seguimos na política do “esse problema não é meu”. Política do empurra-empurra que garantiu que a exploração sexual se tornasse um problema crônico em Natal e saísse totalmente de controle. Durante anos, as autoridades ignoraram o folia de sexo e drogas que vinha acontecendo em Ponta Negra. Durante anos, o sexo-turismo se alimentou desta plácida conivência e foi crescendo, se enraizando e se multiplicando em Natal. Hoje, não está mais restrito ao bairro mais turístico da cidade.

Uma verdadeira cadeia de agentes aliciadores se ramificou pela cidade, indo desde o agente de viagens que oferece meninas, passando pelo taxista que indica lugares onde conseguir sexo fácil com crianças e adolescentes, chegando até os donos de hotel que ignoram a prática e aceitam a presença de turistas acompanhados de menores de idade em seu estabelecimento. Ao contrário do que pensamos, não são apenas europeu idosos que alimentam esta cadeia criminosa. A reportagem traça um perfil do turista sexual e chega a uma conclusão alarmante: mo maior problema são os turistas que chegam sem esta intenção mas, devido a oferta, acabam explorando sexualmente crianças e adolescentes.

Sim, a oferta. Depois de tantos anos de sexo-turismo, tornou-se normal entre crianças e adolescentes carentes adquirir status social se prostituindo. Durval Muniz de Albuquerque Lopes, doutor em História pela Universidade de Campinas (Unicamp) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi ouvido pela reportagem e concluiu: “A identidade do adolescente no seu grupo social é dada pela marca que ele consome. Se ele não consome, é excluído. Para ter acesso, ele se submete à exploração sexual. Estou falando de outro nível de consumo, não de alimentos.” Em outras palavras: o buraco é bem mais embaixo, pois já chegamos ao nível em que os explorados fazem questão de ser explorados.

Recomendo que você leia na íntegra a reportagem clicando aqui. E depois, pense consigo mesmo: o que temos feito para evitar que nossas crianças e adolescentes acabem nas mãos de aproveitadores que enriquecem às custas da perda de sua inocência?

Reportagem na íntegra: Risco de abuso sexual de crianças e adolescentes ronda Natal, por Bianca Pyl.

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[NA FOLIA] BLOCO “POETAS, CARECAS, BRUXAS E LOBISOMENS” AGITA CARNAVAL DE PONTA NEGRA por Rosilene Pereira

11 fevereiro 2010 § 1 comentário

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Quem opta por passar o carnaval em Natal certamente já seguiu a cobra ou um dos 16 bonecos gigantes do “Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens”, agremiação que consolidou a volta das festas de rua de antigamente e que dará o primeiro grito de folia no sábado de carnaval em Ponta Negra.

Pelo 6º ano, cerca de 5 mil pessoas deverão se reunir nessa que é uma das raras manifestações culturais da cidade que unem cultura popular e turismo. “Fortalecemos a identidade do carnaval de rua, proporcionando um espaço democrático onde o folião se sente à vontade para se fantasiar e curtir a festa de forma espontânea; isso é muito gratificante”, afirma Iracema Araújo, diretora do bloco.

Sem cobrar entrada, a única regra é cair na folia: de cara pintada, com fantasia ou sem, puxados pela orquestra de metais regida pelo maestro João da Banda (da Banda Sinfônica da Cidade do Natal). A animação terá show de abertura com Khrystal e Banda, Diogo das Virgens no corredor e de Sueldo Soaress no Praia Shopping.

http://canindesoares.blog.digi.com.br/blog/wp-content/wp-uploads/2009/02/img_8747.jpg

Bonecos retratam cultura nordestina
Ao todo são 16 gigantes: ao lado do poeta, do careca, da bruxa e do lobisomem, estarão a Catirina, o Mateus, a cobra (lenda da lagoa de Extremoz), Edmar e seis galantes. A maioria deles foi concebida pelo artista plástico João Natal, que tem mais de 20 anos de experiência e exposições famosas pelo centenário de Câmara Cascudo. Merece destaque o boneco Edmar Viana, pela sua semelhança com o fundador do bloco, chargista já falecido.

Bloco começou por acaso
Há seis anos, Viana juntou um grupo de amigos apaixonados pelo período momesco, para criar um bloco que animasse o seu bairro, Ponta Negra, carente nesses dias. A idéia foi tomando corpo e agregando mais gente, até ser incorporada ao calendário oficial do período festivo da cidade.

A Prefeitura do Natal e o Governo do Estado, por meio da Emproturn são os maiores patrocinadores do bloco. Na iniciativa privada, o Camarões Restaurante, RN Econômico e Dois A Publicidade contribuem para a realização do evento.

SERVIÇO:
Concentração: sábado, 13, às 16hs, na Pça.Praia de P. Negra (atrás do Camarões Restaurante e do Vilarte)
16h30 – show de Khrystal
17h30 – saída do bloco, pela Av. Praia de Ponta Negra até o Ponto Sete (ao lado do Centro de Artesanato)
19h30 – show de Diogo das Virgens (durante o percurso, na Av. Praia de Ponta Negra)
Veja no Orkut a galera bacana amiga do bloco: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=pv&uid=13663266230668718054

Texto: Rosilene Pereira.
Fotos: Canindé Soares.

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