Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Lembram que virei colunista da Revista Versailles, conforme contei aqui? Pois é, há algumas semanas, saiu a edição com minha primeira coluna. A página está logo abaixo.
E agora, o texto na íntegra pra você comentar:
EM OUTRA DATA,
EM OUTRO LOCAL,
EM OUTRA OCASIÃO
Juliana arremessou o vaso sem mira, mas com raiva — e toda mulher sabe que o sentimento é mais importante que o cálculo. A porcelana estourou na parede perto de Alberto, que acabara de dizer “Eu não sabia o que estava fazendo”. O silêncio da madrugada foi cortado pelos palavrões que ela vociferou, enquanto os cacos circundavam os pés dele exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Juliana deixou que a taça de champanhe escapasse dos dedos e se estilhaçasse aos pés de Alberto sob a luz das três da tarde. Os convidados riram quando o juiz brincou que os noivos só poderiam dar vexame após a troca de alianças.
Alberto implorou pelo perdão de Juliana depois que os cacos do vaso desabaram pelo chão ao mesmo tempo em que as lágrimas desabavam por seus rostos. Desculpou-se pela frase infeliz e tentou se aproximar. Juliana afastou-se dizendo que nunca mais deixaria que ele a tocasse. E como Alberto continuava se aproximando, puxou a cortina da sala com a força da raiva. O voil dançou delicadamente entre eles exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o tule do véu deslizou sobre os cabelos de Juliana enquanto Alberto esperava sob a tenda armada no jardim. Ela sorriu iluminada pelo sol que invadia o quarto da fazenda, ao mesmo tempo em que ele enfiava as mãos nos bolsos da calça de algodão.
Juliana estava preparada para destruir o apartamento inteiro, contanto que isso impedisse Alberto de falar. O amor lhes doía em todos os ossos — talvez por seu fim, talvez pela teimosia em não acabar — enquanto seus olhares colidiam exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando seus olhos se encontraram diante do altar. Alberto pôs suavemente a aliança no anelar da noiva, recitando — como prometera — um poema de Vinícius. Juliana esqueceu o rímel e deixou que a emoção se liquefizesse exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o choro se fez mais forte, o vaso explodiu na parede, a cortina despencou pelo ar da madrugada e ela berrou: “Eu nunca mais quero olhar pra você”.
Alberto e Juliana estavam lindos. Foram beijados, abraçados, fotografados. Ele dançou com a liberdade dos felizes, ela jogou o buquê para as amigas, ele subiu no palco para se declarar, ela subiu para agradecer, os dois se beijaram com a erupção que o amor em carne viva provoca nos corpos despreparados. Exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Alberto deixou de temer vasos e cortinas, retirou do bolso uma caixa de veludo e sussurrou: “Me perdoe e case comigo”. Um ano depois, a cerimônia aconteceu sob o sol das três da tarde. E o amor seguiu seu rumo: às vezes sangrando, às vezes sagrado.
Juliana arremessou o vaso sem mira, mas com raiva — e toda mulher sabe que o sentimento é mais importante que o cálculo. A porcelana estourou na parede perto de Alberto, que acabara de dizer “Eu não sabia o que estava fazendo”. O silêncio da madrugada foi cortado pelos palavrões que ela vociferou, enquanto os cacos circundavam os pés dele exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Juliana deixou que a taça de champanhe escapasse dos dedos e se estilhaçasse aos pés de Alberto sob a luz das três da tarde. Os convidados riram quando o juiz brincou que os noivos só poderiam dar vexame após a troca de alianças.
Alberto implorou pelo perdão de Juliana depois que os cacos do vaso desabaram pelo chão ao mesmo tempo em que as lágrimas desabavam por seus rostos. Desculpou-se pela frase infeliz e tentou se aproximar. Juliana afastou-se dizendo que nunca mais deixaria que ele a tocasse. E como Alberto continuava se aproximando, puxou a cortina da sala com a força da raiva. O voil dançou delicadamente entre eles exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o tule do véu deslizou sobre os cabelos de Juliana enquanto Alberto esperava sob a tenda armada no jardim. Ela sorriu iluminada pelo sol que invadia o quarto da fazenda, ao mesmo tempo em que ele enfiava as mãos nos bolsos da calça de algodão.
Juliana estava preparada para destruir o apartamento inteiro, contanto que isso impedisse Alberto de falar. O amor lhes doía em todos os ossos — talvez por seu fim, talvez pela teimosia em não acabar — enquanto seus olhares colidiam exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando seus olhos se encontraram diante do altar. Alberto pôs suavemente a aliança no anelar da noiva, recitando — como prometera — um poema de Vinícius. Juliana esqueceu o rímel e deixou que a emoção se liquefizesse exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando o choro se fez mais forte, o vaso explodiu na parede, a cortina despencou pelo ar da madrugada e ela berrou: “Eu nunca mais quero olhar pra você”.
Alberto e Juliana estavam lindos. Foram beijados, abraçados, fotografados. Ele dançou com a liberdade dos felizes, ela jogou o buquê para as amigas, ele subiu no palco para se declarar, ela subiu para agradecer, os dois se beijaram com a erupção que o amor em carne viva provoca nos corpos despreparados. Exatamente como em outra data, em outro local, em outra ocasião, quando Alberto deixou de temer vasos e cortinas, retirou do bolso uma caixa de veludo e sussurrou: “Me perdoe e case comigo”. Um ano depois, a cerimônia aconteceu sob o sol das três da tarde. E o amor seguiu seu rumo: às vezes sangrando, às vezes sagrado.
Acabo de voltar da Câmara Municipal de Natal. Fui ver de perto o acampamento do #ForaMicarla. Apoio o movimento, sou a favor do impeachment da Prefeita, mas mesmo assim quis conferir in loco. Sugiro que os críticos ao movimento façam o mesmo antes de saírem disparando asneiras sem fundamento, como tem feito a tuiteira profssional Thalita Moema (@thalitamoema).
Passei cerca de 40 minutos na Câmara. Andei pelo acampamento, conversei com alguns manifestantes e também com jornalistas que cobrem o fato. A conclusão é: o movimento é pacífico sim; é democrático sim; é suprapartidário sim; é legítimo sim.
OPOSIÇÃO MARCA PRESENÇA
No momento em que estava na Câmara, a deputada federal Fátima Bezerra (PT-RN), acompanhada de Hugo Manso, discursava para os manifestantes. A questão do suprapartidarismo é essa: não é apartidário, é supra; o que significa dizer que o apoio de partidos que se alinhem ao pensamento dos manifestantes é bem-vindo. O PT é um deles. Fátima declarou apoio e pediu parcimônia. O medo é que o movimento degringole, deixe de ser pacífico e acabe perdendo legitimidade.
Perguntei pelos vereadores. Vários manifestantes afirmaram que à exceção do presidente da casa, Edivan Martins, apenas os de oposição têm aparecido. Notadamente, Julia Arruda e Sargento Regina, que já apareceram até num twitcam ao vivo declarando o seu apoio.
A JOGADA DE EDIVAN MARTINS
Contra o presidente da Câmara, inclusive, a queixa é geral. Um manifestante relatou que ontem, ao descer no pátio e conversar com integrantes do #ForaMicarla, o vereador pediu que o movimento mantivesse a paz, garantiu que a ocupação iria continuar até quando eles quisessem e prometeu se empenhar em convocar uma audiência pública para discutir a CEI dos Aluguéis e o Impeachment de Micarla.
Quem leu os jornais hoje sabe que Edivan adotou uma postura bem diferente em relação ao movimento: ao apagar das luzes, extinguiu a CEI que investigaria Micarla de Sousa e seus contratos milionários de locação de imóveis, aceitou que a guarda da Câmara deixasse o local e convocou a Polícia Militar para retirar os manifestantes.
O medo que a PM realmente invada o local é impossível de esconder. Todos demonstram apreensão. Sabem que a partir do momento em que a polícia entrar para retirá-los à força, manter a paz será praticamente impossível. “Só quem vai perder se isso acontecer é a própria prefeita”, garantiu um dos manifestantes, “Nós vamos fotografar, filmar e espalhar para o mundo”. A internet continua sendo o maior aliado do movimento.
DE ONDE VEM A COMIDA?
Passava de uma da tarde e chamou minha atenção que muitos manifestantes comessem marmitas quentinhas. Procurei saber de onde estavam vindo. Fui apresentado ao quadro de prestações de contas: doações chegam dos mais diversos locais (do DCE da UFRN ao gabinete do vereador Fernando Lucena). Todo o dinheiro que entra e sai é anotado neste quadro, aberto para que qualquer um possa consultar. O jantar de ontem, por exemplo, foi um sopão organizado por professores da UFRN.
De doação em doação, o #ForaMicarla vai provando que não é apenas uma ação isolada de uniões estudantis insatisfeitas com a perda do dinheiro da carteira. A insatisfação é geral.
TERROSIMO CONTRA O MOVIMENTO
O acampamento tem um clima de Fórum Social. Mas ações torpes cometidas por grupos que não concordam com o #ForaMicarla tem tirado a paz dos manifestantes. Ontem camisinhas abertas e um pacote de maconha foram encontrados no banheiro da Câmara. Os próprios manifestantes trataram de chamar a Guarda da casa, que se recusou a receber os objetos. Um dos integrantes do #ForaMicarla acabou tendo que ir à delegacia prestar queixa e entregar a droga.
Ainda no quesito “Vamos desestruturar esse movimento”, algumas barracas foram quebradas quando todos se reuniram para conversar com vereadores de oposição.
O terrorismo em cima dos manifestantes é flagrante. Antes de chamar a PM, o presidente deveria tomar medidas para garantir a segurança de quem está ocupando a CMN num protesto pacífico e totalmente dentro das normas da democracia.
A CASA DO POVO
Saí da Câmara por volta das 14h30 para voltar ao trabalho. Vi de perto que não são jovens acéfalos e baderneiros que estão engajados nesse movimento. São jovens politizados, fartos de ver desmandos na política, ávidos por transformar a realidade em que vivem.
São jovens que estão fazendo o que você, que lê este texto agora, deveria fazer. Levantaram de suas cadeiras, berraram a sua vontade e, dentro das leis da democracia, estão se fazendo ouvir.
Não esqueçamos que a atual Prefeita tem 80% de desaprovação, segundo pesquisas. Defendamos, portanto, os jovens do #ForaMicarla que estão nos representando na Câmara Municipal de Natal. Por mais irônico que isto possa parecer.
Ps.: Infelizmente, usei uma configuração errada no meu celular e as fotos que tirei ficaram minúsculas. Preferi não postá-las aqui, mas prometo voltar à Câmara com uma digital.
Dia 01 de Abril, no TAM, Tripé da Comédia, formado por Murilo Gun, Nil Agra e Hugo Esteves e a presença especial de Rogério Morgado (SP).
- MURILO GUN
Murilo Gun é o pioneiro do stand-up comedy no Nordeste. Integra o grupo TriPÉ da Comédia, que se apresenta semanalmente em Recife, e já participou dos grupos Comédia em Pé (RJ), Clube da Comédia Stand-up (SP), Comédia ao Vivo (SP), Santa Comédia (PR) e Cabaret do Diogo Portugal (PR). Seus vídeos de humor no YouTube já foram vistos por 2 milhões de pessoas e, recentemente, participou por duas vezes do quadro “Quem chega lá” do programa Domingão do Faustão e da Risospectiva 2008 do Fantástico. Aos 14 anos, Murilo ganhou o prêmio iBest com o melhor site pessoal do Brasil (sendo inclusive entrevistado no programa do Jô Soares) e recentemente participou novamente do programa do Jô no quadro Humor na Caneca.
- NIL AGRA
Nil Agra é uma das revelações do stand-up em Recife. Integra o grupo TriPÉ da Comédia, que se apresenta semanalmente em Recife, e comanda o Comédia de Quinta, um laboratório de stand-up comedy que abre espaço para apresentação de comediantes amadores. Já participou de diversos grupos como Comédia em Pé (RJ), Divina Comédia (SP), ImproRiso (SP) e Santa Comédia (PR).
- HUGO ESTEVES
Hugo Esteves é jornalista da Rede Globo do Recife (PE), ator, radialista, músico e comediante stand-up. Integrante do Tripé da Comédia.
- ROGÉRIO MORGADO
Rogério Morgado iniciou sua carreira em 2005 como locutor de radio em São Paulo fazendo um programa de humor diário com imitações e personagens criados por ele. No inicio de 2007 dedicou-se a fazer outro tipo de humor, o “Stand-Up Comedy”, com a influncia de Danilo Gentili que sempre acreditou que seu blog renderia bons textos para o palco, se apresenta inicialmente no show “Comédia Ao Vivo”. Atualmente integra o elenco do show “Divina Comédia”, tendo um publico de 20 mil espectadores em um ano. Participou recentemente da seleção do Oitavo Elemento do CQC (Tv Band) onde chegou ate a semi-final, lugar de destaque que rendeu bons frutos ao seu trabalho como comediante.
O evento tem apoio da rede InterCity Hoteis.
Vendas antecipadas na NOBEL Livraria (Petrópolis, ao lado do CCAB), no telefone 3222-2565 e na bilheteria do TAM.
Meia: R$ 25,00
Inteira: R$ 50,00 (informe-se pelo telefone de possíveis promoções!)
Ok, eu tive que ouvir. E depois, eu tive que ver. E mais tarde, umas cervejinhas na cabeça, eu tive que dançar. Estou falando de Lady Gaga. O mais recente fenômeno da música pop, que tanto repele os que não acreditam em previsões do tipo “ela é a nova Madonna”. Não, não é. Não é a nova nada. Mas está num excelente caminho artístico.
Antes de ouvir a tal Gaga, eu tive preconceitos. Mas cedi aos encantos dos amigos que repetiam como um mantra: ouça, ouça, ouça. Ouvi “The Fame Monster” todinho. Tirando um ou outro hit bem dançante, desses que sacolejam qualquer festinha (“Poker face”, “Paparazzi”, “Beautiful dirty rich” e a irresistível “Bad romance” são minhas preferidas), não vi nada demais em Lady Gaga. Popzinho bem feito, batidinhas na medida, atmosfera estranha – mas bem familiar pra quem passou os anos 90 ouvindo o álbum “Debut” de Björk.
Mas eis que me alertam: veja os clipes dela. Foi Marcílio Amorim, DJ e produtor cultural, numa reunião de amigos. Ele foi enfático: veja e você vai se apaixonar. Ok, lá vou todo cético procurar os clipes de Lady Gaga no Youtube. E pronto. Pirei.
A atmosfera estranha de “The fame monster” é elevada à quinta potência nos clipes da cantora. Tudo limpo, plástico, ultrassaturado e muito, muito, muito bizarro. Lady Gaga faz do grotesco a matéria-prima de seus clipes e isso rende imagens realmente impactantes.
Em “Paparazzi”, por exemplo, ela faz a coreografia com muletas, enquanto cenas de modelos lindas (e mortas) entrecortam-se na edição. Em “Bad romance”, a magreza da cantora é explorada de forma perturbadora, enquanto um efeito pra lá de bizarro aumenta os olhos de Lady Gaga. Tem ainda a farra de dinheiro em “Beautiful dirty rich” que chega a ser medonha.
Veja o clipe de “Paparazzi” antes de seguir lendo. Vai fazer você entender melhor o que estou dizendo.
Lady Gaga: “Paparazzi”
Enfim, não me apaixonei pela música de Lady Gaga, mas sim pelo seu senso estético. Distorcido, cruel, perturbador. Lembrei de uma amiga que sempre dizia: “Essa semana saiu o clipe da próxima música que você vai amar”. Pois é, os clipes de Lady Gaga fazem você gostar da música.
Falei tudo isso pra você chegar em “Telephone” com certo conhecimento do universo de Lady Gaga. Em parceria com Beyoncé, o clipe é uma profusão de bizarrices atrás da outra: desde óculos escuros feito com cigarros acesos (!) até uma aula de culinária que ensina como fazer sanduíches envenenados (!!!). Mas o melhor detalhe é a caminhonete que as duas dirigem: a “Pussy wagon”, picape que Uma Thurman rouba quando foge do hospital em “Kill Bill II”. Clássico!
Lady Gaga e Beyoncé: “Telephone”
Não é uma obra-prima, mas garante boas risadas. E, no fim das contas, é justamente pra isso que o pop serve. Não é?
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.