Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Pra começar, um feliz ano novo pra todo mundo. E antes que você argumente que o ano já não é tão novo assim, afirmamos que não faz a menor diferença. Afinal, nós também já não somos tão jovens assim e nos autodenominamos Jovens Escribas. Não é verdade? Então, feliz 2011 pra todos vocês.
# JOVENS ESCRIBAS
Para começar, vamos voltar a publicar ficção. E em altíssimo estilo. Logo depois do carnaval o escritor Pablo Capistrano estreia pela editora com o livro “É preciso ter sorte quando se está em guerra.” Uma honra para nós e um belíssimo cartão de visitas para começar bem os trabalhos.
Por falar no livro de Pablo, estamos vendendo camisas dos Jovens Escribas para cobrir as despesas gráficas. O primeiro modelo (o branco) foi um sucesso de vendas. Restam apenas 3 unidades nos tamanhos P (Feminino) M (Feminino) e M (masculino).
E já está a venda também o novo modelo (verde) nos modelos feminino e masculino e em todos os tamanhos pela pechincha de R$ 35.
Comprando nossas camisetas vocês estarão ajudando este escritor a lançar seu novo livro.
Pablo Capistrano
# BONS COSTUMES
Junto ao livro de Pablo Capistrano também publicaremos “Pés no caminho, campo de estrelas – O caminho de Santiago pela Galícia”. Esta obra da professora Ana Célia Cavalcanti resultou num relato leve, divertido e muito útil a todos aqueles que pretendem percorrer o tradicional Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Será o segundo lançamento do nosso selo de não-ficção, o “Bons Costumes” e devido à abrangência do assunto ganhará distribuição inclusive em outros Estados.
# DISTRIBUIDORA DAGOTA
Este ano também estamos resolvendo um problema histórico que aflige as editoras independentes há vários anos: a (falta) de distribuição. Para isso nasce a Distribuidora Dagota que levará os livros dos Jovens Escribas, Bons Costumes, Flor do Sal, Sebo Vermelho e Não Editora (RS) para os Estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Também iniciamos as vendas dos livros em bancas de revistas e no decorrer do ano, diversificaremos mais ainda os pontos de venda para chegarmos a um público mais amplo.
# ESCRIBAS DE BOLSO
Também serão lançados até maio as primeiras edições de bolso dos Jovens Escribas. É a coleção Escribas de Bolso que vai oferecer ótimos livros a preços mais acessíveis.
# EM BREVE MAIS NOVIDADES.
Estas são as notícias que temos para começar o ano. Mês que vem voltaremos com mais. Um feliz ano não tão novo assim. São os votos dos já não tão Jovens Escribas.
À praia. Mas antes disso, a preparação para ir à praia. Celulares, chaves, livros: tudo solto numa bolsa bem grande. E você imitando as coisas: solto numa embalagem maior que as habituais, o importante é não pesar em si mesmo. Então, é aquele cheiro de protetor solar com suor, que as narinas identificam de muito longe: o cheiro que o corpo exala quando sabe que será exposto ao sol. Resta fechar a casa, conferir a bolsa, perder as chaves, encontrá-las. E chamar todo mundo pra dentro do carro, e vamos logo, e não quero chegar muito tarde, e o sol já está esquentando.
O caminho para a praia. E mais: as músicas, as conversas, as expectativas do caminho para a praia. Porque não combina a música de segunda-feira indo pro trabalho: aquela música de ar-condicionado ligado e vidros fechados, porque não se pode suar numa manhã de segunda-feira. O que combina é a música dos vidros abertos, do vento entrando feroz pelas quatro janelas, da conversa cada vez mais alta porque mais alto o som e mais alto o vento e mais alta a conversa. Combinam as músicas com alta emissão de UVA/UVB.
O chegar à praia. O estacionar na praia. O descer do carro na praia. Os pés tocando a quente areia branca da praia. As pupilas se apertando pela luz multiplicada por luz que é a praia. O buscar um lugar pra ficar, o deitar roupas e bagagens sobre a canga, o armar um guarda-sol que nos guarde dele, o refrescar-se pela brisa, pelo riso, pela bica. O estar na praia. Mas, acima disso, estar praia. Ser praia.
Os detalhes que formam a praia. O sol subindo do firmamento em direção ao céu-teto. Os pés que fogem da areia quente como se acreditassem dois grãos de milho entregues ao ato de pipocar. Os olhos apertados buscando os óculos escuros dentro da bolsa, as pupilas tão diminutas em suas casinhas fotofóbicas. E os corpos. Despidos que estão dos disfarces, expostas que estão as estrias, visíveis que ficam as curvas, os músculos, a pele.
A comida da praia. Já depois do meio dia, nas horas em que os copos estão todos meio cheios. Nunca meio vazios. Já nessas horas é que vêm as comidas tão diferentes do feijão-arroz-e-bife. Com escamas que precisam ser extraídas, com patas que devem ser quebradas, com cheiros que podem empolar os mais alérgicos. Afogadas no leite de coco, dorminhocas em folhas de alface, decoradas por rodelas tomate (que lindas são as rodelas de tomate à luz desse sol das duas da tarde!). Mergulhamos na comida que faz esquecer a semana.
O sol descendo na tarde da praia. Se antes dourava as peles ao despetalar-se em raios de incidência, agora beija as casas alvas com seu dourado ameno. Vai descendo ali por trás do morro, você imaginando como seria vê-lo morrer no oceano. Antes impossível de olhar, agora é encarado com um sorriso de satisfação.
O cochilo, a rede e a praia. Que é como um ménage à trois permitido por Deus. A rede beijando a praia, a praia acariciando o cochilo, o cochilo penetrando a praia. E os três gozando. Ao mesmo tempo. Sincronizados.
As palavras da praia. Canga, bica, marola. Sargaço, restinga, duna. Maresia, tapioca, beira. Essas palavras redondas, gostosas, sonoras. Essas palavras que a gente espera a semana inteira pra dizer, formulando frases mentalmente, segunda-feira você já acorda pensando se vai demorar a dizer com todas as suas cacofonias: eu vou pra praia.
O cansaço de praia. Que é por ele, só por ele, que tudo isso se justifica. Ah, esse cansaço de praia…
Como alguns já sabem, o Baixo de Natal vem aí. O que começou como uma brincadeira da atriz Quitéria Kelly no Twitter (“Ah, gente, em vez de um Auto de Natal, vamos fazer um Baixo de Natal”) acabou se transformando no Circuito Cultural Baixo de Natal, grande evento que vai movimentar a cidade durante cinco dias, entre 15 e 19 de dezembro.
Entre música, dança, teatro, performances, saraus e etc, está o espetáculo itinerante “The Baixo de Natal”, ponto alto do evento e meu maior desafio do ano: a pedido dos organizadores, eu e Carlos Fialho assumimos a dramaturgia da peça. Em única apresentação, dia 18 de dezembro, na Praça André de Albuquerque, no Centro, a partir das 17h.
A programação completa do Circuito cultural Baixo de Natal você confere logo mais:
Baixo de Natal
Programação
15/12 – QUARTA
Oficina de clown com Berto Matys
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 10h
Inscrições: baixodenatal@gmail.com | 9921 7895.
Performance “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, com a atriz Carol Piñheiro
Local: passarela do Natal Shopping
Hora: 16h
Mesa-redonda “Arte e Independência – Novas Formas de Sobrevivência”
Local: Casa da Ribeira (rua Frei Miguelinho, 52, Ribeira)
Hora: 18h
Esquete Palhaços, com a Tropa Trupe Cia de Arte, stand-up comedy com Rhiana Negreiros e shows
de Los Costeletas Flamejantes, Lunares, Simona Talma e Clara e a Noite
Local: Buraco da Catita (rua Câmara Cascudo, 185, Ribeira – próximo ao Teatro Alberto Maranhão)
Hora: 20h
16/12 – QUINTA
Oficina de clown com Berto Matys
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 10h
Palestra sobre arte contemporânea: “Desentendimento sofisticado em palcos pós-estruturados”, com
a professora Naira Ciotti
Local: Casa da Ribeira (rua Frei Miguelinho, 52, Ribeira)
Hora: 16h
Bode-arte: mostra de performance arte
Local: Tecesol (rua Governador Valadares, 4853, conjunto Pirangi)
Hora: 18h
17/12 – SEXTA
Espetáculo “ReCiclus”, com Berto Matys
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 17h30
Exposição de diversos artistas e jantar temático
Local: Bardallo’s (rua Gonçalves Ledo, 678, Cidade Alta)
Hora: 19h
18/12 – SÁBADO
Espetáculo itinerante “The Baixo de Natal”
Locais: rua João Pessoa (Cidade Alta), praça André de Albuquerque (Cidade Alta) e largo Dom Bosco (Ribeira)
Saída: 17h
Shows com as bandas Curta-metragem, Evol, O Holandês Voador, Dessituados, Calistoga e Projeto Trinca
Local: Centro Cultural DoSol (rua Chile, Ribeira)
Hora: 21h30
19/12 – DOMINGO
Peça “Cleansed”, do Projeto ES3
Local: Departamento de Artes da UFRN
Hora: 16h
Espetáculo “Achado não é roubado”, da Tropa Trupe Cia de Arte
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 17h
Peça “Alice”, com Carol Piñheiro / show de encerramento com o grupo Pau e Lata
Local: Tecesol (rua Governador Valadares, 4853, conjunto Pirangi)
Hora: 19h
BAIXO DE NATAL
Dias: 15 a 19 de dezembro
Atrações: música, dança, teatro, exposições, mesa-redonda, palestra, cortejo e oficinas.
Entrada gratuita
Mais informações: www.baixodenatal.blogspot.com.br
Com o Gringo’s lotado, aprendemos uma lição: quanto menos parecer lançamento de livro, melhor
A gente misturou rock’n’roll, cerveja, amigos e livros. Nossas paixões, de certo. E a mistura parecia mais que óbvia. A pergunta é: por que demoramos tanto a perceber que o jeito certo de lançar livros é assim: num bar, cercado de amigos, bebendo cerveja, conversando alto e ouvindo muito rock?
Pois bem, essa era a pergunta que passava pela minha cabeça e pela de Carlos Fialho quando vimos o Gringo’s Bar lotado na última segunda, dia 22 de novembro, para o lançamento de “Cachalote”, graphic novel (ou romance em quadrinhos) da dupla Daniel Galera e Rafael Coutinho.
O evento, promovido pelo Jovens Escribas com o apoio da Potylivros e da Cia das Letras, foi inesquecível. O motivo é mais que claro: quanto menos parece um lançamento de livro, melhor é o lançamento de um livro.
Ao contrário do que geralmente acontece com os autores, Daniel Galera e Rafael Coutinho aproveitaram muito bem a noite. Explico: lançar um livro da forma tradicional é ficar sentando, assinando exemplares, diante de uma fila que tem de andar o mais rápido possível. Já no formato mais informal, o autor papeia com os leitores, bebe junto com eles, brinca e assina muitos exemplares. Foi exatamente o que os dois fizeram.
Não restam dúvidas que sair do comum será a regra para os próximos lançamentos do Jovens Escribas. Que serão, vale salientar, muitos. Mas isso é assunto pra outro post, tá? Por hora, vou abrir uma Heineken e ler meu “Cachalote”.
Ótima oportunidade para escutar boa música nesta sexta-feira (26) em Natal. Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz se apresentam na Casa da Ribeira, dentro do projeto Cena Aberta. .
Exatamente um ano após gravarem um DVD ao vivo no palco da Casa, os músicos retornam ao teatro com um show repleto de novidades. O repertório continua seguindo o estilo criativo de misturar ritmos, que deu fama ao grupo potiguar.
Com duas turnês internacionais, três CDs e um DVD gravados, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz preparam agora o próximo album, e o público já pode conferir um pouco do que vai ser o novo trabalho, assistindo ao show da Casa da Ribeira.
Começa às 20h e o ingresso custa R$ 5,00.
O que: Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz
Quando: Sexta, dia 26 de novembro, às 20h
Onde: Casa Da Ribeira
Quanto: R$ 5,00
Informações: 3211 7710 (Casa da Ribeira) ou 8701 5862 (Raphael Bender)
Dia 03 de dezembro, às 08h30, no auditório dos Diários Associados em Recife, vai acontecer algo inédito: Armando Ruivo, diretor de Planejamento e Marleting Publicitário do Grupo Estado e representante oficial do Cannes Lions no Brasil, ministrará palestra na qual explicará como e por quê as agências do Nordeste devem participar do maior festival de publicidade do mundo. Em outras palavras: estamos no circuito.
Por que devemos participar do Cannes Lions… será mesmo que alguém ainda precisa de motivos? Trata-se do maior prêmio publicitário do mundo. E pros pessimistas de plantão, uma nota: vem em suas últimas edições premiando mais e mais agências que não são as óbvias (ou seja, as gigantes, de verbas milionárias, concentradas nos poucos e enormes mercados do mundo). Pode ser sua chance de pisar no tapete vermelho de Cannes.
O evento é organizado pelo Clube de criação de Pernambuco, que me enviou e-mail pedindo que transmitisse o convite a todos do mercado de Natal. Mais uma vez, é nítido: estamos no circuito.
O convite, extensivo a todos os profissionais de agências de propaganda (em especial, obviamente, aos da Criação) segue abaixo. Nos vemos em Recife?
Livro em quadrinhos de Daniel Galera e Rafael Coutinho em lançamento no Gringo’s Bar, em Ponta Negra
O escritor Daniel Galera e o ilustrador Rafael Coutinho estarão em Natal na próxima segunda-feira (22) para lançaram HQ Cachalote (Cia das Letras, 2010), no Gringos Bar em Ponta Negra às 20h. A obra, de 300 páginas, demorou dois anos para ser finalizada foi lançada nacionalmente em junho deste ano.
O lançamento vai ocorrer no bar a pedido dos autores. No local estarão a venda exemplares da Cachalote a R$ 40 e os livros Cordilheira, Mãos de Cavalo e Até O Dia Que o Cão Morreu de autoria do escritor Daniel Galera.
Recebida com elogios pela crítica especializada, a Cachalote alterna seis dramas de temática contemporânea que tratam essencialmente de conflitos existenciais. O livro em quadrinhos é fruto da parceria de dois autores promissores, um na literatura, outro na área de ilustração.
A parceria entre Daniel Galera e Rafael Coutinho faz parte de uma iniciativa da Companhia das Letras de unir novos desenhistas e escritores promissores para a criação das chamadas ”graphic novels”. O gênero está alta no momento e tem como expoentes autores como Robert Crumb e Allan Moore.
Daniel Galera publicou seu dois primeiros livros (“Dentes Guardados” e “Até o dia em que o cão morreu”) pela editora independente Livros do Mal que havia articulado com outros autores. A partir de 2006 passou a publicar pela Cia das Letras, onde lançou “Mãos de Cavalo”, “Cordilheira” e “Até o dia em que o cão morreu” (relançamento). Sua obra também já foi adaptada para o teatro pelo dramaturgo Mario Bortolotto e para o cinema pelo diretor Beto Brant.
Rafael Coutinho faz parte de uma nova geração de desenhistas brasileiros. Ganhou destaque ao participar da antologia “Irmãos Grimm em quadrinhos” lançada pela editora Desiderata. Uma curiosidade é que Rafael também é filho do consagrado cartunista Laerte.
Serviço:
Lançamento do em quadrinhos “Cachalote” (Autores: Daniel Galera e Rafael Coutinho)
Local: Gringo’s Bar em Ponta Negra (por trás do restaurante Camarões Original)
Data: 22 de novembro (Segunda-feira)
Hora: A partir das 20hs
Contato da organização: cruvinelcamisa9@gmail.com ou (84) 9402-4256
E ainda tem promoção no Gringo’s:
Até 23h, o bar vai vender Heineken a preço de Skol.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.