[RESENHA] PEÇA “AQUELES DOIS” DA CIA LUNA LUNERA, por Larissa Gabrielle Araújo

7 abril 2010 § 3 comentários

“Num deserto de almas também desertas,
uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

Caio Fernando Abreu no conto “Aqueles dois”

Esteticamente não é correto começar uma resenha entre aspas, mas quando se fala em Caio Fernando de Abreu a estética é um detalhe íntimo de um casamento de palavras pontual.

Bem, perdoem os detalhes, não sou critica literária, nem teatral, logo não dêem o desconto se eu deixar transpirar a minha idolatria de fã por cada ponto e vírgula que Caio Fernando de Abreu escreve – escreve, no presente.

O SESC, dentro do seu projeto do Palco Giratório, criado em 1998 com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas do Brasil, trouxe ontem ao Teatro Dix-huit Rosado, em Mossoró, o espetáculo “Aqueles dois”, adaptado do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, escritor que, com sua escrita fragmentária e dramática, já contribuiu muito para o teatro contemporâneo. Contemporâneo. É isso.

Ao entrar no Teatro Dix-huit Rosado, que já é charmoso por si só, o impacto das cortinas abertas, causando o efeito contrário do frisson, abriu-se as portas, entrou o público. O Teatro claramente iluminado, o cenário detalhadamente aconchegante, o público que nem estava concentrado porque luzes acesas não acalmam e não foi ocasional – Caio agita mesmo – parou. Parou quando os quatro atores jovens – e vou frisar, SARADOS – entre 30/40 anos, entraram para se aquecer diante dos olhares perplexos.

1ª chamada – A arrumação dos LPs, o conhaque, as réplicas de Van Gogh.
2ª chamada – Arquitetura, Audrey e Shirley, Gene Kelly, Almodóvar.
3ª chamada – Tú Me Acostumbraste.

Raul e Saul, até rimar, rima. No conto, um amor desenvolvido de laços de cumplicidade entre dois colegas de trabalho. No palco, duelos improvisados por quatro personagens que viviam um, que viviam dois.

Emoção.
Monólogos.
Solidão.
Diálogos.

Uma coreografia de improviso. Um ensaio sem adornos. Simples. Limpo. Um exagero clássico, eu diria. Talvez, quem não conhece Caio, não entenda a agonia.

http://www.ufmg.br/online/arquivos/anexos/AquelesDois_Foto_02_DiegoPisante.jpg

Aqueles Dois – Aqueles Quatro – Sem diretor. Cada ator realiza a sua proposta de direção acumulando edição de roteiro. Com música e ações vocais claras, o elenco consegue simplesmente dar gestos ao processo mental de Caio Fernando de Abreu.

A entrega do público foi sincera e honestamente total.

A trajetória da Companhia Luna Lunera, formada de atores do Curso de Teatro do CEFAR – Centro de Formação Artística do Palácio das Artes, de Belo Horizonte, merece flores. Ontem, na madeira do Teatro Dix-huit Rosado, comemorou sua 172ª apresentação. Até o fim do Circuito 2010 do Palco Giratório, completará 200.

Eu queria que o mundo visse. Mas o futuro do pretérito é um verbo cheio de vontade.

Larissa Gabrielle Araújo é publicitária/marketóloga, pós graduanda em Gestão da Comunicação Empresarial e uma amante de Caio Fernando de Abreu. Atualmente está Gerente de Marketing do Jornal de Fato e Assessora da Prefeitura Municipal de Mossoró. Também tem um blog.

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[NA ARTE] EUROPEUS RECRIAM O FLICKR NO MUNDO REAL COM O PROJETO WALLPEOPLE

6 abril 2010 § 3 comentários

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A arte urbana é uma das expressões da arte contemporânea mais populares que existem. Foi através dela que vedetes atuais da propaganda, como o flash-mob e o ambient media, surgiram e se popularizaram. Parece incrível, mas o flash-mob da T-Mobile, por exemplo, só foi possível por causa da influência da arte contemporânea na comunicação.

Sendo assim, não estranhe se logo mais algum anunciante (Sony? Canon? Nikon?) usar de algo muito semelhante ao Wallpeople para divulgar sua marca. A iniciativa começou em Barcelona, na Espanha, através das mãos de dois publicitários muito a fim de fazer arte. David Marcos e Pablo Quijano pretendem compor uma obra urbana inspirada na Internet: o maior mural fotográfico da cidade. O projeto, entretanto, já ganhou o mundo: até agora, cidades como Madri, Valência, Lisboa, Roma, Budapeste, Buenos Aires e Cidade do México já aderiram ao Wallpeople, que se realizará dia 10 de abril de 2010, simultaneamente em todos esses lugares.

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Através de páginas no Facebook, pessoas serão convocadas a levar suas fotos para o local em que o Wallpeople acontecerá em cada cidade. Lá, elas colaram seus retratos lado a lado, montando um gigantesco mural coletivo. Segundo David Marcos, em entrevista ao blog Yorokobu, “A exibição desses pequenos fragmentos da vida, reais ou irreais, sempre foi uma atividade própria de espaços fechados. Está na hora de sair às ruas”.

O grande objetivo é resgatar o espírito artístico das cidades, muito atrapalhado por legislações que impediram o desenvolvimento da arte urbana. A inspiração, óbvio, vem do Flickr, maior site de compartilhamento de fotos da atualidade. Para saber mais, busque a ação na internet: tem site, blog, Facebook e Twitter.

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[NO PALCO] PEÇA BASEADA EM CONTO DE CAIO FERNANDO ABREU CHEGA EM MOSSORÓ

5 abril 2010 § 1 comentário

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Ano passado, no Festival Agosto de Teatro, os mineiros da Cia Luna Lunera apresentaram em Natal o espetáculo “Aqueles dois”, baseado no conto homônimo de Caio Fernando Abreu. Amanhã, terça, 6 de abril de 2010, os mossoroenses terão a oportunidade de ver essa peça dentro do projeto Palco Giratório, do Sesc. A companhia se apresenta no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, a partir das 20h e a entrada será apenas 1kg de alimento não perecível. O programa é imperdível.

Caio Fernando Abreu é uma grande influência minha. Li quase todos os seus livros, alguns inclusive repetidas vezes (como foi o caso de “O ovo apunhalado”). Por isso, fui ao teatro conferir a peça com grande desconfiança sobre o sucesso da transposição do conto para os palcos.

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A história gira em torno da relação de Raul e Saul, dois servidores públicos que em meio à rotina de uma repartição, entre máquinas de datilografar e pausas para o cafezinho, descobrem-se apaixonados um pelo outro. No conto, Abreu carrega as tintas na atmosfera opressiva que a repartição representa, com as maledicências comuns em ambientes onde convivem pessoas frustradas. Incrivelmente, os mineiros conseguem levar toda essa atmosfera para os palcos com sucesso.

O trabalho cênico, focado num cenário multifuncional, que se transforma em repartição, apartamento, rua, tudo num piscar de olhos, faz a história fluir exatamente da maneira como flui no conto: poeticamente, sem apelações, dando muito mais destaque aos sentimentos do que aos atos. A cena final, quando finalmente “Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre”, é de um impacto visual fortíssimo. Estranhamente, em Natal ela provocou risos nervosos e um ensaio de vaia infantil. Dêem-me notícias sobre as reações em Mossoró.

Se ficou curioso, veja um trechinho da peça:

O projeto Palco Giratório levará ainda uma oficina de atores para Mossoró, com os próprios rapazes da Cia Luna Lunera. A programação completa segue abaixo.

Projeto Palco Giratório

Programação

Dia 05/04
Oficina “Ator Criador” – Cia. Luna Lunera (MG).
(Classificação: 17 anos)
Local: Sala de Ensaio do Teatro Dix-Huit Rosado
Horário: 18h às 22h
Inscrições pelo telefone: 3316-3665

Dia 06/04
Oficina “Ator Criador” – Cia. Luna Lunera (MG).
(Classificação: 17 anos)
Local: Sala de Ensaio do Teatro Dix-Huit Rosado
Horário: 14h às 17h
Inscrições pelo telefone: 3316-3665

Espetáculo “Aqueles Dois” – Cia. Luna Lunera (MG).
(Classificação: 16 anos)
Local: Teatro Municipal Dix-Huit Rosado
Horário: 20h
Entrada: 1kg de alimento não perecível.
(Senhas antecipadas no SESC-Mossoró e no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado)

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[NA REDE] FRANCÊS REALIZA A VOLTA AO MUNDO EM 80 SEGUNDOS

5 abril 2010 § 1 comentário

O projeto Le tour du monde en quatre-vingts secondes (“A volta ao mundo em 80 segundos”) é uma dessas idéias ‘zecacamargueanas’: o fotógrafo francês Alex Profit caminhou mais de 32km a pé, por diferentes cidades do mundo, sempre registrando com uma câmera fotográfica as suas andanças; depois, reuniu tudo num vídeo de 80 segundos, que é uma grande caminhada por cidades como Cairo, Hong Kong, Londres e São Francisco.

Foram tiradas 640 fotografias a uma velocidade de 8 por segundo, em 8 semanas de viagens intensas. Zeca Camargo total! O projeto foi patrocinado pela Sony e o site da ação está hospedado dentro do site da marca. É o supra-sumo do advertainment: divertido pra quem assiste e mais ainda pra quem produziu. Vejam o vídeo abaixo.

Alex Profit: “Le tour du monde en quatre-vingts secondes”:

Via @terezaratts.

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[POLÊMICA] SINDICATO DE JORNALISTAS DIVULGA NOTA DE REPÚDIO A AGRESSORES DE FÁBIO FARIAS

5 abril 2010 § 1 comentário

O SINDJORN – Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte divulgou no último dia 1º de abril nota de repúdio à agressão sorfida pelo repórter do Novo Jornal Fábio Farias, noticiada aqui no PLOG no texto Jornalista do Novo Jornal é agredido por militantes da Governadora Wilma de Faria. A agressão foi feita por militantes do PSB, quando Fábio cobria a inauguração do Complexo Cultural na zona norte de Natal. O repórter levou um soco e um tapa no rosto quando anotava a placa da van que recolhia militantes após a inauguração feita pela Governadora Wilma de Faria, também do PSB. Segue a nota.

NOTA DE REPÚDIO

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN, no uso do pleno direito que lhe confere a Constituição Brasileira, vem a público repudiar as agressões praticadas contra o repórter do Novo Jornal, Fábio Farias, quando fazia a cobertura da inauguração do Complexo Cultural de Natal, no conjunto Santarém, na zona Norte da capital, na última terça-feira à noite.

Ao mesmo tempo, o SINDJORN se solidariza com o profissional agredido, em pleno exercício de sua atividade jornalística e, disponibiliza, caso considere necessário, o setor jurídico da entidade. É inadmissível que em pleno estado democrático de direito, os jornalistas ainda se deparem com cenas de agressão que são cometidas por pessoas contratadas para fazer a segurança dos convidados e do evento.

Resgatar a truculência como instrumento de intimidação do trabalho jornalístico é uma prática que merece a condenação não apenas da categoria e do SINDJORN, mas também de toda a sociedade. Entendemos que, num momento desses, em que o exercício profissional tenta ser cerceado por meio da agressão física, calar-se pode significar não somente omissão, mas conluio com a violência, o que seria totalmente injustificável em se tratando de uma entidade que defende os jornalistas do Rio Grande do Norte. Aproveitamos para reforçar que não pode haver sociedade justa e livre com a imprensa sob ameaça.

Nelly Carlos Maia
Presidente Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN

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[NO PLAY] SGT PEPPERS LANÇA FESTIVAL PARA COMEMORAR ANIVERSÁRIO DE MAIS FAMOSO ÁLBUM DOS BEATLES

2 abril 2010 § 1 comentário

Começando pelo nome, o Sgt Peppers Rock Bar – na minha humilde opinião, o bar mais legal de Natal – tem uma forte ligação com o quarteto mais famoso do mundo. O Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band é o oitavo álbum lançado pelos Beatles e é sempre citado como o melhor e mais influente álbum da história do rock e da música. Foi lançado em 1 de junho de 1967 e é considerado como álbum inovador desde sua técnica de gravação até a elaboração da capa. Clássicos dos Beatles como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, With a Little Help from My Friends e a psicodélica Lucy in the Sky with Diamonds fazem parte do álbum.

http://fotos.sapo.pt/R9lSgOJmyAJzqsIdjhTr/500x500
Capa clássica: há milhões de réplicas dela pela internet

Com um mote desses, surge a pergunta: como celebrar os 43 anos do álbum da melhor forma?

O release enviado pelo Sgt Peppers responde: “Nada mais interessante que movimentar a produção musical da cidade e fãs de carteirinha dos Beatles num festival, que tivesse muita música, qualidade, surpresas e prêmios para todo mundo sair ganhando nessa história”. Fãs de carteirinha do quarteto de Liverpool é o que mais tem. Então, perfeito.

Assim, o Sgt Peppers  abre esta semana as inscrições para as bandas que desejarem participar do Sgt Peppers Beatles Fest. O festival que acontecerá em 3 etapas. Até 15 de abril, os interessados devem se inscrever para o festival que no mês de maio terá as seletivas e na semana de 01 a 05 de junho chegará às finais.

A banda vencedora ganhará um prêmio de R$ 3.000,00 e as 8 finalistas gravarão músicas dos Beatles num álbum promocional que será produzido pelo Sgt Peppers juntamente com o Rocket Estúdio.

Excelente forma de comemorar, né?

O Edital e as fichas de inscrição estão disponíveis no site do Sgt.  E para mais informações ée só entrar em contato pelo 8855-3916 ou pelo inscricao@sgtpeppers.com.br.

Pra quem se animou, deixo um trecho do excelente Across the universe, filme americano de 2007 que conta a história de um grupo de jovens através de músicas dos Beatles. O trecho abaixo é de “All you need is love”. Vai esaquentando aí pro Sgt Peppers Beatles Fest.

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[POLÊMICA] JORNALISTA DO NOVO JORNAL É AGREDIDO POR MILITANTES DA GOVERNADORA WILMA DE FARIA

31 março 2010 § 8 comentários

Violência contra a imprensa é uma coisa que deve ser repercutida ao máximo, à exaustão, sem pena contra os agressores. E é por acreditar nisso que me solidarizo com o repórter Fábio Farias e o fotógrafo Magnus Nascimento, do Novo Jornal. Ambos foram agredidos – física e verbalmente – na noite de ontem, 30 de março, por militantes do PSB, partido da Governadora Wilma de Faria, quando cobriam a inauguração do Complexo Cultural da Zona Norte, em Natal.

Segundo reportagem do Novo Jornal, os jornalistas foram cercados por três jovens e sofreram ameaças verbais. Segundo Fábio, pelo Twitter, no momento ele tomava nota do número da placa da van que recolhia militantes após a inauguração. O agressor, o rapaz de vermelho na foto abaixo, ainda tentou intimidar os profissionais dizendo eles não sabiam com quem estavam mexendo.

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Militante do PSB (de vermelho) agride repórteres do Novo Jornal

Fábio Farias acabou levando um tapa e um soco enquanto fazia seu trabalho de jornalista. Conta Fábio, nas páginas do Novo Jornal desta quarta-feira: “Nos identificamos, mas o cara que me bateu falou que eu não sabia com quem estava mexendo e mandou a gente apagar a foto da máquina e as anotações do número da placa da van que eu fiz”. Depois, não satisfeitos, os agressores ainda disseram aos jornalistas que eles iam se arrepender. Em seguida, foram retirados do local por outros militantes do PSB.

Ainda segundo o Novo Jornal, o grupo de agressores faz parte do que ficou conhecido como “pittboys do PSB”: grupo de jovens, identificados por broches do partido, que marca presença na maratona de inaugurações que o ocaso do Governo Wilma registrou, entoando aplausos, palavras de ordem e, pelo visto, ameaças.

Magnus Nascimento, o fotógrafo agredido, tem inclusive experiência em ter seu trabalho perturbado por truculências. Foi ele o fotógrafo expulso da coletiva de Micarla de Souza, em junho de 2009, quando tentou fotografar a Prefeita de Natal comendo um bolo (absurdo denunciado aqui no PLOG, no texto Jornalista é expulso de coletiva por fotografar Prefeita de Natal).

http://2.bp.blogspot.com/_eTlWymvfTLY/S7NCDOdErPI/AAAAAAAAAL0/vLvBRBpPKwc/s1600/31ult02y.JPG
Jornalistas agredidos por “pittboys do PSB”: repúdio

A violência contra a imprensa é repudiada no mundo inteiro. Não porque jornalistas são espécies raras acima dos outros, mas sim porque necessitam de liberdade para cumprir o nobre papel de registrar a verdade.

A coisa fica ainda mais feia quando se trata do embate Novo Jornal x PSB: o jornal vem fazendo uma oposição declarada ao Governo Wilma, denunciando obras que são inauguradas sem estar terminadas, por exemplo. A própria Wilma de Faria, em seus discursos, tem dirigido críticas diretas ao Novo Jornal, falando que aos veículos de comunicação controlados por políticos não interessa divulgar o trabalho do seu governo. A Governadora se desimcompatibiliza do cargo hoje para tentar uma vaga no Senado ainda este ano.

A agressão, aqui, não pode ser entendida como um simples arroubo de juventude. Foi uma tentativa de intimidar os profissionais do Novo Jornal e fazer calar uma voz de oposição. Contra isso, devemos nos insurgir. Perigoso. Muito perigoso.

Acabei de falar com Nelly Carlos, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN. Segundo ela, o que aconteceu é inadmissível e deve ser punido. “Acredito que nos dias de hoje esse tipo de agressão é ridícula. O SINDJORN repudia totalmente esse tipo de atitude”, disse-me por telefone. Segundo ela, o SINDJORN vai emitir uma nota de repúdio ainda hoje.

Fábio Farias já prestou queixa e agora o assunto será tratado na Justiça. Como deve ser numa verdadeira democracia.

***

Em seu blog, o jornalista Fábio Farias contou em detalçhes o que lhe ocorreu. Para ler, clique aqui.

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[NA ARTE] PEDRO, O TERÇO E UMA DÚVIDA: POR QUE ESTÃO CHAMANDO ISSO DE ARTE?

30 março 2010 § 18 comentários

Essa semana, finalmente, caiu na rede a polêmica performance do artista Pedro Costa. Dentro do Salão de Artes de Visuais de Natal, organizado pela Funcarte, o artista tirou a roupa, ajoelhou-se e retirou um terço de dentro do ânus. Lentamente. Sob o olhar de toda a platéia. E tudo devidamente registrado pela curadoria do evento.

Depois, com a polêmica que a performance gerou, Pedro Costa explicou em matéria publicada no site Revista Catorze: “É uma forma de expressar a descolonização do corpo através da excretação do terço, um dos símbolos do domínio colonialista. E, ao mesmo tempo, expurgar a interdição católica sobre o prazer anal e afirmar o prazer da sodomia”.

Performance de Pedro Costa:

Há muito tempo – muito mesmo, pra lá de 10 anos – que eu não via meus companheiros de trabalho discutindo arte contemporânea. Veja bem, discutindo – apaixonadamente, defendendo seus pontos de vista, concordando e discordando. E olha que trabalho num meio que, teoricamente, tem alto nível cultural. A provocação da discussão, a meu ver, foi a grande contribuição de Pedro Costa para a – combalida – cultura local. A performance dele despertou opiniões iradas no Twitter, gerou discussões em mesas de bar, foi contada como piada, como episódio bizarro, como absurdo. Mas ninguém ficou indiferente. Isso é bom.

A parte ruim – e sim, sempre há uma parte ruim – é que é difícil enxergar arte na tal performance, por mais legendas e explicações e sobrescritos que se coloquem nela. Peço desculpas a meus amigos e leitores que, por ventura, tenham se solidarizado com Pedro Costa. Mas, sinceramente, de arte a coisa toda tem muito pouco. Talvez protesto. Arte, meus amigos, é um pouco mais.

Não estava em Nalva Melo no dia da performance, por isso esperei pacientemente ver o vídeo antes de emitir qualquer opinião. Não esperava que a performance fosse essa coisa seca de sentidos, recheada de aplausos nervosos, desprovida emoções. Quando soube do terço descomido, imaginei algo mais elaborado. Talvez o ponto culminante de um poema sobre sodomia. Ou, quem sabe, o gran-finale de coreografia visceral que revelava um erotismo velado. Mas não. Foi – como se pode ver no vídeo – simples assim: em dado momento, ele tirou a roupa, se prostrou de joelhos e retirou um terço do ânus.

E eu fiquei com essa cara de trouxa que estou até agora, pensando que passo mais de dois anos escrevendo um romance, suando em noites de insônia, cansado em minhas lesões por esforço repetitivo, para ver algo tão pobre ser chamado de arte.

(Arte, pra mim, é a confusão mental e o embrulho no estômago que dá quando encaramos de frente o quadro “Guernica”, de Pablo Picasso, que retrata a matança da Guerra Civil Espanhola num cubismo embasbacante – pessoas mutiladas, sangue, carrancas diabólicas, tudo misturado e tão harmônico que se torna lindo. Perfeito. Numa tela gigante, que mede mais de 7m x 3m. Que nos mostra como somos pequenos em relação aos gênios.

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Arte é a sensação de completude que a gente sente quando sai de um Clarice Lispector, após sermos arrebatados pelo talento mágico da escritora em trabalhar seu texto como se fosse um organismo vivo, tudo tão perfeitamente encaixado para soar bem, fazer sentido, ser esteticamente agradável na página. Como quando no romance “Perto do coração selvagem”, ela compôs: “Ainda não se cansara de existir e bastava-se tanto que às vezes, de grande felicidade, sentia a tristeza cobri-la como a sombra de um manto, deixando-a fresca e silenciosa como um entardecer.”

A gente sai dessas coisas sem dúvida de que viveu arte. E pra mim, em minha pouquíssima experiência artística, a arte não deixa dúvidas de que é arte. Contestadora, sim. Gratuita, jamais.)

Parabenizo Pedro Costa pelo ato de coragem, pela polêmica que gerou, pelo choque elétrico de realidade que deu numa cidade acostumada a nunca ser perturbada em seu eterno sono de final de tarde. Mas não pela arte. É preciso mais que um terço excretado para provocar meu aplauso.

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[AGENDA] STAND-UP COMEDY EM DOSE QUÁDRUPLA NO TAM

30 março 2010 § 1 comentário

https://mail.google.com/mail/?ui=2&ik=4632dae642&view=att&th=127b00aa11cba1e9&attid=0.1&disp=inline&realattid=f_g7eyexmy0&zw

Dia 01 de Abril, no TAM, Tripé da Comédia, formado por Murilo Gun, Nil Agra e Hugo Esteves e a presença especial de Rogério Morgado (SP).

- MURILO GUN
Murilo Gun é o pioneiro do stand-up comedy no Nordeste. Integra o grupo TriPÉ da Comédia, que se apresenta semanalmente em Recife, e já participou dos grupos Comédia em Pé (RJ), Clube da Comédia Stand-up (SP), Comédia ao Vivo (SP), Santa Comédia (PR) e Cabaret do Diogo Portugal (PR). Seus vídeos de humor no YouTube já foram vistos por 2 milhões de pessoas e, recentemente, participou por duas vezes do quadro “Quem chega lá” do programa Domingão do Faustão e da Risospectiva 2008 do Fantástico. Aos 14 anos, Murilo ganhou o prêmio iBest com o melhor site pessoal do Brasil (sendo inclusive entrevistado no programa do Jô Soares) e recentemente participou novamente do programa do Jô no quadro Humor na Caneca.

- NIL AGRA
Nil Agra é uma das revelações do stand-up em Recife. Integra o grupo TriPÉ da Comédia, que se apresenta semanalmente em Recife, e comanda o Comédia de Quinta, um laboratório de stand-up comedy que abre espaço para apresentação de comediantes amadores. Já participou de diversos grupos como Comédia em Pé (RJ), Divina Comédia (SP), ImproRiso (SP) e Santa Comédia (PR).

- HUGO ESTEVES
Hugo Esteves é jornalista da Rede Globo do Recife (PE), ator, radialista, músico e comediante stand-up. Integrante do Tripé da Comédia.

- ROGÉRIO MORGADO
Rogério Morgado iniciou sua carreira em 2005 como locutor de radio em São Paulo fazendo um programa de humor diário com imitações e personagens criados por ele. No inicio de 2007 dedicou-se a fazer outro tipo de humor, o “Stand-Up Comedy”, com a influncia de Danilo Gentili que sempre acreditou que seu blog renderia bons textos para o palco, se apresenta inicialmente no show “Comédia Ao Vivo”. Atualmente integra o elenco do show “Divina Comédia”, tendo um publico de 20 mil espectadores em um ano. Participou recentemente da seleção do Oitavo Elemento do CQC (Tv Band) onde chegou ate a semi-final, lugar de destaque que rendeu bons frutos ao seu trabalho como comediante.

O evento tem apoio da rede InterCity Hoteis.

Vendas antecipadas na NOBEL Livraria (Petrópolis, ao lado do CCAB), no telefone 3222-2565 e na bilheteria do TAM.

Meia: R$ 25,00
Inteira: R$ 50,00 (informe-se pelo telefone de possíveis promoções!)

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[NA PASTA] GREENPEACE PROTESTA CONTRA A NESTLÉ E CONSEGUE ADESÃO DE INTERNAUTAS

23 março 2010 § 3 comentários

Poucas organizações conseguem usar o marketing viral de forma tão contundente e impactante como as ONGs ambientais. Lembra do cartaz gigante do Greenpeace na Ponte Rio–Niterói durante a reunião do G20? E da piscina de sangue do PETA em Berlim, para protestar contra a matança de animais? Lembra das pessoas de gelo que derretiam lentamente nas escadas do Gendarmenmarkt, em Berlim, em protesto da WWF contra o aquecimento global? Pois é, eles são fodas em criar burburinho e chamar a atenção de todo mundo pras suas causas.

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Protesto na Ponte Rio-Niterói: “Clima e pessoas primeiro”

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Piscinas de sangue contra a matança de animais

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Figuras de gelo derretem em protesto da WWF contra o aquecimento global

Mas nas duas últimas semanas, os protestos ultrapassaram os limites da mera curiosidade e despertaram nas pessoas a vontade de reagir contra abusos cometidos por empresas. Tudo começou com um VT do Greenpeace veiculado dia 17 de março. Nele, um jovem entediado resolve fugir das agruras do seu dia-a-dia moroso comendo um chocolate Nestlé. Quando abre a embalagem, percebemos que o chocolate, na verdade, é um dedo de orangotango! Que o rapaz come naturalmente, derramando sangue sobre o teclado, deixando seus companheiros de escritório chocados. A mensagem final explica a situação absurda: “Exija que a Nestlé não elabore mais seus chocolates com óleo de palma procedente da destruição das selvas da Indonésia”.

Veja o vídeo:

Poderia ser apenas mais um VT grotesco, que vemos por simples curiosidade, não fosse a reação desencadeada na página da Nestlé no Facebook. Os internautas se sensibilizaram com a mensagem e passaram a deixar centenas de comentários no muro da Nestlé, pedindo que ela parasse de destruir florestas para fazer chocolates. Neste ponto, então, a ação tomou um caminho totalmente inusitado.

A Nestlé, por meio dos assessores que cuidam da página, passou a responder os internautas de forma raivosa. Agindo como se fosse uma pessoa sendo agredida, a Nestlé partiu pro mano a mano com o público, respondendo coisas como “Nós temos que ser educados o tempo todo, mas vocês podem se referir a nós como idiotas e até filhos de Satã, com obscenidades e acusações de práticas sexuais incomuns”. Se fosse o perfil de um adolescente vítima de bullying, a resposta não causaria reação alguma. Mas trata-se da página de uma gigante multinacional. E o público não deixou barato.

O fato é que as respostas mal educadas da Nestlé repercutiram muito, muito, muito mal. E sua página passou a receber, ao invés de centenas, milhares de comentários depreciativos. Em média, 10 novos comentários são postados por minuto, segundo o blog Yorokobu.

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Resultado: uma séria crise de comunicação na Nestlé; extração do óleo de palma na berlinda da imprensa; marca do Greenpeace valorizadíssima perante o público. Quem quer saber mais sobre a campanha, pode visitar a página do Greenpeace especialmente criada pra ação, denominada Nestlé Killer. Ou, ainda, protestar também na página da Nestlé no Facebook.

Ainda há quem diga que protestos não levam a nada, não é mesmo?

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