Surgido do mesmo solo básico de influências que constrói essa nova safra de prosadores brasileiros e estrangeiros (gente como Amanda Stern, André Takeda, Martin Page) o texto do Patrício Júnior presta sua referência ao cinema, que ajudou nossa geração a pensar formas rápidas e pouco ortodoxas de narrativa e a música contemporânea (com traços do rock do Radiohead e Nirvana), que compõe a trilha sonora de boa parte das comédias e tragédias de quem nasceu no pós-68. O tripé cinema-rock-quadrinhos parece ser um bom indicador do ponto de partida de diversos escritores que, a despeito da distância cultural, aprenderam a escoar um mesmo tipo de náusea diante de um estado de coisas avassalador, de uma imensa máquina de moer carne humana, escondida por trás de uma vida de consumo, sexo vazio, drogas sintéticas, futilidades mídiaticas, dinheiro, trabalho, trabalho, trabalho e banalidades eletrônicas. É possível que você fique um pouco tonto com a velocidade do verbo do Patrício, ou mesmo um pouco escandalizado com a temática soturna e falta de esperança que às vezes salta na nossa cara e soca o nosso estômago.
Pablo Capistrano, escritor e filósofo
A linguagem envolvente e jovem (que revela que o livro não é tão “dark” e “deprê” quanto aparenta), a abordagem refinada e autêntica e sem falsos moralismos de temas comuns à juventude de nossos dias (solidão, virgindade, drogas, suicídio, conflitos familiares etc), a qualidade, enfim, da obra, tudo isso dispensaria esta metalinguagem, digamos, intrusa. Mas eu não serei também intruso e não revelarei o que rolou do encontro destes dois exemplos de como as pequenas escolhas podem influir fortemente em nossas vidas.
Thiago de Góes, jornalista e escritor
Há que se elogiar a inventividade do autor ao tentar fugir do lugar comum e dos tiros certeiros, evitando assim que se torne previsível qualquer virar de página. E, pode se perceber, a cada capítulo é trabalhada alguma boa sacada de forma a fazer desta uma obra especial.
Marlos Ápyus, jornalista e webdesigner