[OPINIÃO]
QUADRINHOS: 140 ANOS DE HISTÓRIAS NO BRASIL – por milena azevedo
Posted: janeiro 30th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: opinião, quadrinhos | 3 Comments »
Os imigrantes que chegaram ao Brasil entre os séculos XIX e XX impulsionaram a olhos vistos a nossa economia. Porém, teve um que foi além. Ele colocou o Brasil entre os primeiros países do mundo a criar uma mídia chamada “história em quadrinhos”. O nome dele: Angelo Agostini.
Agostini, um rapazote italiano de dezesseis anos de idade, aportou em São Paulo no ano de 1859. Ele já havia estudado belas artes na Itália e em Paris, tinha uma personalidade contestadora agudíssima e fazia questão de propagar o papel de conscientização político-social do artista.
Isso fez com que Agostini criasse um hebdomadário satírio chamado Diabo Coxo, em 1864, inspirado em outros hebdomadários europeus e no famoso hebdomadário carioca Semana Ilustrada, fundado quatro anos antes, por Henrique Fleiuss.
O Diabo Coxo fechou suas portas em 1865, mas em 1866, Agostini já criava O Cabrião, que apesar da existência efêmera devido às perseguições e pressões que Agostini sofria porque que fazia um jornalismo sem rabo preso e sem papas na língua, em sua penúltima edição, a de número 50, do ano 1867, já trazia uma página com uma história chamada As Cobranças, a qual apresentava desenhos em sequência, emoldurados em requadros, com textos sob os desenhos.
Não vendo outra alternativa a não ser fugir para o Rio de Janeiro, Agostini parte e por lá também não consegue se conter por muito tempo. Cria e participa de vários hebdomadários satíricos, entre eles: O Arlequim (1867), Vida Fluminense (1868) e Revista Illustrada (1876), sempre fazendo caricaturas e charges mordazes, criticando principalmente os artistas Pedro Américo e Victor Meirelles, e todos os artistas, políticos, literatos e jornalistas brasileiros contrários às causas abolicionista e republicana.
Foi nas páginas do Vida Fluminense, inclusive, que ele deu vida ao primeiro personagem de história em quadrinhos do Brasil, chamado Nhô-Quim, numa história de página dupla chamada As Aventuras do Nhô-Quim ou Impressões de uma viagem à Corte, publicada em 30 de janeiro de 1869.
Antes do Nhô-Quim, podemos citar como personagens precursores das histórias em quadrinhos o suíço M. Vieux-Bois, de Rodolphe Töpffer (1827), e os encapetados Max und Moritz, do alemão Wilhem Busch (1865).
O Nhô-Quim era um rapaz que habitava uma província do interior do Brasil e que pela primeira vez ia ao Rio de Janeiro, sede da Corte, e se maravilhava – e se atrapalhava – com os costumes, os trejeitos e a vida nova que descobriu por lá. Foi um sucesso absoluto, sendo republicado bem depois nas páginas de O Malho.
No entanto, o sucesso maior ainda estava por vir. Em 1884, na Revista Illustrada, Agostini criou o primeiro fenômeno de mídia impressa nunca antes visto no Brasil. Foram as histórias de um personagem chamado Zé Caipora, cujo título era As Aventuras de Zé Caipora, com o qual Agostini fazia uma magnífica caricatura de costumes dos oitocentos tupiniquim.
O Zé Caipora foi um dos responsáveis pelas vendas extraordinárias da Revista Illustrada, que chegou a ter quatro mil assinantes – os analfabetos a compravam e se divertiam apenas vendo as imagens das histórias do Zé Caipora – e se manteve como um periódico independente até 1889 (não aceitava anúncios publicitários ou de membros da Corte), quando Agostini teve que fugir do Brasil por questões pessoais e a deixou sob o comando do também caricaturista Pereira Neto, o qual terminou desvirtuando a linha editorial concebida por Agostini, que por sua vez teve tanto desgosto de saber do ocorrido ao voltar ao Brasil, que vendeu a sua parte e fundou o Dom Quixote (1895).
Nos períodos em que Agostini deixou de publicar as aventuras de José Corimba (o nome verdadeiro do Zé Caipora), a Illustrada recebeu cartas de leitores de várias províncias e também do Rio de Janeiro, suplicando pelo retorno daquele anti-herói à brasileira. A popularidade era tamanha, que ele continuou sendo publicado no Dom Quixote e na histórica revista O Tico-Tico.
Agostini faleceu no dia 23 de janeiro de 1910.
A partir de seu trabalho, que não se resumiu apenas às caricaturas, charges e histórias em quadrinhos, haja vista o importante papel de Agostini como crítico de arte, outros artistas do traço foram surgindo, passando a tomá-lo como exemplo, estudando o seu traço e estilo, sendo J. Carlos um dos mais ilustres.
Nesse ano de 2009, comemoramos 140 anos de histórias em quadrinhos no Brasil. De lá pra cá, foram diversas publicações, com períodos áureos de produção e destaque para os artistas nacionais. Hoje o cenário está muito bom, com uma garotada que insiste em dizer a que veio, chamando a atenção até mesmo do país em que alguns dizem que as histórias em quadrinhos foram criadas, devido a um certo garoto amarelo.







Aqui tem muita gente talentosa mesmo. Aqui também tem muito desenhista que trabalha para estes grandes estúdios de desenho e hq de fora do país. Muito bom.
É isso aí Igor. No Brasil (e em Natal também) tem muita gente boa fazendo quadrinhos pros gringos, mas que também aposta em trabalhos autorais, publicados de forma independente, seja impresso ou virtual.
Viva a HQ Nacional!
Quem ainda não leu nenhum título, aconselho: Chibata!, O Cabeleira, Nanquim Descartável 1 e 2, O Contínuo, Menina Infinito, Mesmo Delivery, Quadrinhofilia, O Circo de Lucca, Estórias Gerais e Destino Oeste.
Olá!
Estava procurando na rede alguma aquarela de Henrique Fleiuss (que dá nome à rua onde moro, no Rio), um alemão que veio para o BR, criador da Semana Ilustrada, segundo a Wikipedia. Ainda não achei nenhuma, mas achei o seu texto (muito interessante!) “140 anos de Histórias em Quadrinhos no Brasil” sobre o Angelo Agostini, que, não deve ser coincidência, dá nome à uma rua transversal.
Obrigado!
Eugenio.
Recomendo (claro!): Les Maîtres du Temps, do Moebius/Laloux (do La Planète Sauvage!)
E saiu no BR o RanXerox completo, que eu, como leitor da Heavy Metal, gostei…