Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[OPINIÃO]
HOLLYWOOD SE RENDE A BOLLYWOOD EM “SLUMDOG MILLIONAIRE” – por milena azevedo

Posted: janeiro 26th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , | No Comments »

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A 66ª edição do Globo de Ouro, realizada no dia 11 de janeiro de 2009, surpreendeu àqueles que apostavam suas fichas em O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button), drama de fantasia estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, adaptação do conto homônimo de F. Scott Fitzgerald.

Quem roubou a cena, merecidamente, foi um filme feito por ingleses, homenageando Bollywood: Slumdog Millionaire (cujo título brasileiro é Quem quer ser um milionário?), que levou para casa os prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro e melhor trilha sonora.

O roteiro de Slumdog Millionaire também não é original. Trata-se de uma adaptação do romance de Vikas Swarup, Q & A, pelo roteirista, diretor e produtor Simon Beaufoy (De cabelos em pé), e dirigida por Danny Boyle (Trainspotting e Sunshine – alerta solar).

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No filme, a infância e a adolescência dos irmãos Jamal e Salim Malik é recontada quando Jamal, cujo emprego é servir chá numa operadora de telemarketing, resolve participar do programa “Quem quer ser um milionário?” – uma espécie de Show do Milhão indiano –, e é suspeito de ter fraudado as respostas. Na delegacia, ele recebe tratamento especial (apanha, é torturado, toma choque), mas convence o delegado que cada momento de sua vida continha a resposta para cada pergunta que lhe foi feita no programa, seguindo o princípio árabe do maktub. Também ficamos sabendo que Jamal não está interessado no prêmio em dinheiro. Ele quer é um meio de reencontrar o seu amor, a jovem Talika, que está sob o poder de um chefão do submundo local, para quem seu irmão trabalha.

Pela descrição acima, os mais afoitos podem pensar que se trata de um novelão mexicano que tem como cenário a Índia do ano de 2006 (período em que se passa a trama). Poderia até ser, mas o ritmo empregado por Boyle, entrelaçando sequências de passado e presente, alternando momentos dramáticos, românticos, de ação e de suspense – todos envoltos na excelente trilha sonora de A.R. Rahman – em quase duas horas de projeção, ingredientes de um legítimo bollywood (com direito até a cena de dança – o item number – no final), e o estreante Dev Patel (que antes só havia feito a série de TV Skins), como Jamal Malik, que fala ao delegado como se estivesse falando para nós, os espectadores, ora timidamente, ora de forma mais descontraída, relembrando os fatos mais significativos de sua vida e sua persistência de seguir à procura da amada.

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A premiação de Slumdog Millionaire é uma forma de Hollywood prestar reverência à maior indústria cinematográfica de língua hindi, extremamente popular e rentável em toda a Índia, e que vem conquistando pouco a pouco o ocidente (eita, até a nova novela de horário nobre da Rede Globo agarra com unhas e dentes essa estética!).

Na lista dos indicados ao Oscar 2009, o filme de Danny Boyle concorre em dez categorias, contra treze de Benjamin Button, inclusive batem de frente em: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor efeitos sonoros, melhor montagem e melhor trilha sonora.

Tradicionalmente, o Globo de Ouro é uma premiação menos comercial do que o Oscar – e o O Curioso Caso de Benjamin Button tem cheiro, trejeito e formato de Oscar, isso é inegável para quem o assiste –, mas aposto minhas fichas numa parelha acirrada esse ano, pois Benjamin Button é Brad Pitt e Taraji P. Henson (que concorre a melhor atriz coadjuvante), já Quem quer ser um milionário? é uma inspiração coletiva.

close_milenaMilena Azevedo é Mestre em História pela UNISINOS (RS), empresária, poeta, contista e roteirista de HQ. Tem dois livros de poemas publicados: O Perfil da Águia (1999) e Prometeu Livre – um outsider no Olimpo (2005), já ganhou prêmios no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro (participando inclusive da coletânea com os 100 melhores poemas dos anos de 2003/04 e 2004/05, além de estar presente também no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea/2005, todos da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores). Tem contos e poemas publicados aqui e acolá nessa imensa teia eletrônica que é a Internet, além de participar de antologias da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores e da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.


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