No dia 27 de janeiro de 2004 (portanto, alguns bons anos atrasado) eu joguei pra cima todas as timidezes, medos e frescurites em geral e, pra espanto de muitos, estreei na blogosfera. O primeiro texto que bloguei se chamava “Retratos” e segue abaixo na íntegra:
“Inconcebível, inviável, improcedente, imoral: tenho um blog. Se as pessoas que convivem comigo já sentiam um pequeno arrepio ao saber que escrevo minhas idéias sistematicamente (instantaneamente, o medo de ser retratadas em meus contos/poemas/crônicas lhes perpassava a coluna vertebral), imaginem agora, com o risco iminente de serem retratadas na internet. Estão em alerta laranja. Aliás, estarão, quando souberem. Não contei a ninguém ainda. Alguns amigos, ao ouvirem minhas alucinações verbais lançadas aos perdigotos em mesas de bar, sugeriam às gargalhadas: cara, você tem que ter um blog. Nunca pensei que fosse este realmente o meu destino. Até hoje, entre um trabalho e outro, resolver fazê-lo. Por quê? Não sei. Acho que finalmente (vinte e uma mil trezentas e dezenove sessões de terapia depois) resolvi aceitar pacificamente meu quê de exibicionista. Bem, começa aqui este algo que não sei o que será: se bom, se ruim, se memorável, se totalmente irrelevante. Aí é com vocês. Só sei que começou.”
Era no The Blog, tinha limite de caracteres por textos e nenhuma funcionalidade multimídia – como colocar vídeos ou fotos. Hoje em dia, meu primeiro blog seria qualificado como uma página com template minimalista. Porra nenhuma. A verdade é que os blogs ainda estavam em evolução e já era o máximo de uma existência conseguir postar um texto e ser lido pelos amigos sem ter que implorar por isso.
Depois de um tempo, veio a era do Blogspot. textos, fotos, vídeos, enquetes. As funcionalidades cresceram, a rede de usuários também e de veículo os blogs passaram a ser uma linguagem. Empresas, artistas, grupos terroristas: todo mundo bloga. Com tanta facilidade em estar na rede, segui o caminho natural e resolvi evoluir o PLOG pra algo mais.
Cinco anos depois, o PLOG recebe sua terceira roupagem. Diante de tantas alegrias e tristezas que esse veículo já me causou (amigos que fiz, amigos que perdi, paqueras que atraí, paqueras que repeli, aprendizados, burradas, vivências), tive que investir nele. Dinheiro, tempo, neurônios. Começo então a era do domínio próprio.
Lá longe no passado, eu não sabia até onde iria com essa brincadeira de escrever e mostrar aos outros. De lá pra cá, publiquei um livro, tô com outro no prelo, participei de eventos de literatura, dei palestras sobre blogs, morei fora do país. Definitivamente, não sou mais o mesmo daquele 27 de janeiro de 2004. O PLOG, não sei, talvez seja o mesmo, talvez mude radicalmente, talvez seja uma merda, talvez melhore algo. Já aprendi que não dá pra prever o que pode acontecer quando falamos do mundo virtual.
Mas nesse jogo de não saber, sei de uma coisa: começou de novo.
Patrício Jr, janeiro de 2009

