Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

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WHITE LIES FOR DARK TIMES, DE BEN HARPER, É O MELHOR DISCO DO ANO

Posted: maio 8th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , | 2 Comments »

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Vou correr o risco de fazer uma previsão errada. Mas vamo lá: “White lies for dark times”, mais recente álbum de Ben Harper, é o melhor disco de 2009. Acredite.

harper0003Dito isso, corra para ouvi-lo. Harper retorna a fontes como Jimi Hendrix e Neil Young, deixa a chatice de lado, acrescenta um pouco de fúria e faz um álbum redondinho de puro rock’n’roll. Puro mesmo. Gravado em parceria com a banda Relentless 7, ao ouvir você tem a nítida sensação de que retornou alguns anos no passado, no tempo do rock arte, do rock moleque, não esse rock de resultados.

O disco abre com “Number with no name”, rockzão dos clássicos que em muito lembra a cadência do Led Zeppelin. A voz, quase rasgada, tem muito pouco do parceiro de Vanessa da Mata em “Boa sorte/Good luck”. “Up to you now” continua o álbum, que toma um viés mais radiofônico. Mas rádio das boas. O rock ainda está lá e a gente sente na forma nervosa com que ele canta. Em “Shime and shine”, terceira música, a pedreira vem com tudo. Tem horas que lembra Lenny Kravitz do tempo de “Fly away”, mas Harper está mesmo é com o pezinho lá atrás, em Jimi Hendrix.

“Lay there and hate me” já bebe na fonte de Marvin Gaye, com um balanço funk muito bem aplicado ao som de guitarras distorcidas e bateria bem marcada. Em “Why must you always dress in black” o que toma forma é um rock de bater o pé, uma espécie de blues mais acelerado.

O momento açúcar fica com “Thin skin”, balada das boas, daquelas feitas pra sofrer. Como diria uma amiga, “é uma música que dá vontade de começar a namorar e acabar o namoro em seguida só pra poder sofrer com ela”.

(Confesso que fui ouvindo o CD e anotando num bloquinho quais músicas iria destacar neste texto. Com meia hora de audição, percebi que estava anotando o nome de todas.)

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“Fly one time” continua o tom suave iniciado com “Thin skin”. É boa de ouvir, passa uma coisa legal, tem uma certa melancolia ali por trás. Mas o momento docinho termina com “Keep it together (So I can fall apart)”, que já inicia com um indomável Ben Harper gritando seu “yeah” cheio de rock. Dá vontade de bater a cabeça como faziam em Woodstock, juro!

“Boots like this” é meio folk mas me agradou bastante. E tem ainda, terminando o CD, duas excelentes músicas: “World suicide”, que é lentinha, sofrida e tem até um coral semi-gospel; e “Faithfully remain”, essa sim muito Ben Harper, mas nem por isso ruim.

Exagerado? Deslumbrado? Sem noção? Não importa do que me taxem. Eu digo que desde “All that you can’t leave behind”, do U2, não tinha essa sensação de estar diante de um clássico dos tempos modernos. Ben Harper mandou muito bem. Crasse A.


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