Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[NO LIVRO]
SARAMAGO É ACUSADO DE PLÁGIO COM “INTERMITÊNCIAS DA MORTE”

Posted: janeiro 28th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , | 4 Comments »

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Vida de Nobel não é fácil. E Saramago está aí pra comprovar. O autor de “Ensaio sobre a cegueira”, que entrou de vez pra história como primeiro (e até agora único) escritor de língua portuguesa a ganhar um Nobel, está sendo acusado de plágio pelo mexicano Teófilo Huerta. Segundo o suposto plagiado, “As intermitências da morte”, 16º romance do portuga boa praça, é uma cópia descarada de seu conto “Últimas noticias”, que faz parte do livro “La segunda muerte” de 1987.

Pra quem ainda não se localizou no espaço e no tempo, “As intermitências da morte” parte de um pressuposto pra lá de saramagueano: e se ninguém mais morresse? Em cima dessa premissa, o livro narra as conseqüências ironicamente funestas dessa greve da Morte, desde a falência das empresas de seguro de vida até a impossibilidade de se livrar de pessoas que, apesar de não morrerem, se tornam insuportavelmente caquéticas.

Pois bem, o conto de Teófilo Huerta não vai tão longe na investigação das possibilidades, mas estão lá muitas das coisas exploradas no livro: a euforia inicial, os primeiros problemas, a posição oficial dos governos, a derrocada de algumas instituições. Enfim, pra quem leu o livro de Saramago, como eu, foi realmente um susto se deparar com “Últimas noticias”.

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Como a história tem cheiro de golpe dos brabos, Huerta criou o blog Saramago Plagiário para expor os pontos que sustentam sua denúncia e conseguir chamar a atenção da mídia. No blog, alguns argumentos a favor do acusador são expostos de forma contundente.

O mais forte é a conexão direta entre ele e Saramago através do agente literário Sealtiel Alatriste, que recebeu o conto do mexicano para avaliação da editora Alfaguara em 1997. Em 2003, o agente exercia o cargo de cônsul do México em Barcelona e, segundo Huerta, “tinha contato e proximidade com José Saramago”. No blog, ainda é possível acompanhar uma planilha comparativa entre “Últimas noticias” e “As intermitências da morte”. O mexicano expõe didaticamente passagens semelhantes entre as duas obras – algumas, inclusive, que usam as mesmas expressões.

A notícia chegou aos jornais europeus e o português já teve que dar explicações. No melhor estilo Saramago, o autor falou aos jornais que “Não li, não vi, não toquei nem sequer com a ponta dos dedos no conto do reclamante”. Pra quem ficou curioso sobre a obra de Huerta, o site Cronópios disponibilizou uma tradução em português de “Últimas noticias”.

O mexicano indicou que não reivindica a autoria do romance, mas sim da idéia de partida e de vários pontos dos primeiros capítulos do livro. Segundo o blog, há mais de 20 passagens no livro em que fica claro o suposto plágio. E eu, do alto de minha humilde insignificância, sigo torcendo para que Saramago um dia me copie.


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