Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[NA REDE]
POLÊMICA: MARCELO TAS FARÁ PROPAGANDA NO TWITTER PARA A TELEFÔNICA

Posted: março 19th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , | 4 Comments »

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Pronto, começou. Depois de invadir blogs, a publicidade chega até o Twitter. Marcelo Tas, um dos mais famosos tuiteiros do Brasil e integrante da trupe do CQC, fechou contrato com a empresa Telefônica para divulgação do Xtreme, serviço de TV por assinatura e banda larga da multinacional espanhola.

Por ser uma celebridade e gozar de muito prestígio e credibilidade entre os internautas, a notícia não deveria ser uma pauta importante. Um produto tão segmentado, afinal, não poderia ter uma estratégia mais acertada. O problema começa, entretanto, pela forma de campanha que a Telefônica bolou. Marcelo Tas não vai ser um garoto propaganda convencional, desses que anunciam promoções com sorrisos largos em VTs no horário nobre. Pelo contrato, Tas deverá postar ao menos 20 mensagens por mês referentes ao Xtreme no seu Twitter. Formou-se, então, a polêmica.

Se você já sabe o que é Twitter, pode pular pro parágrafo seguinte. Se não sabe, se ligue: o Twitter é uma espécie de microblog onde as pessoas postam textos de até 140 caracteres. Inicialmente sem grande utilidade, virou febre quando descobriram que ele possibilitava compartilhar informação de uma forma rápida e precisa. Por meio da ferramenta “Follow” você escolhe quem quer seguir – e assim, ficar por dentro de todas as atualizações desta pessoa. Isso torna possível ter informações direto da fonte, principalmente quando se trata de jornalistas e blogueiros renomados como Marcelo Tas.

Pelo caráter tão pessoal do Twitter, a estratégia da Telefônica causou estranheza até fora dele. Além das centenas de mensagens sobre a polêmica (que podem ser achadas no Twitter com a tag #twitterdealuguel), o fato repercutiu pela imprensa. O Wall Street Journal publicou matéria noticiando o ocorrido e comentando a influência que Marcelo Tas pode ter sobre seus “seguidores”.

O assunto é complicado. E como humilde publicitário, tenho minha opinião formada: Marcelo Tas não está fazendo nada demais. A publicidade que ele vai postar no Twitter não será disfarçada, será explícita. Ou seja, todo mundo vai saber que é publicidade. Na sua página, a marca da Telefônica vai aparecer (de forma discreta, que seja, mas vai aparecer). E até o número de propaganda que ele vai exibir é limitado. 20 por mês, minha gente. E tem mais: vai ser melhor que as atualizações do tipo “Carnaval de Olinda, aí vou eu” ou “Ai, tô tão triste hoje”. Como ferramenta de compartilhamento de informação, o Twitter cumprirá seu papel: quem segue Marcelo Tas, terá a oportunidade de conhecer um produto novo. E o melhor: a ação é completamente transparente.

Muito pior são as subcelebridades que emprestam suas vidas à propaganda sem dizer a ninguém que estão sendo pagas (como o falso namoro de Karina Bach com o Baixinho da Kaiser, por exemplo). Ou ainda as execráveis “matérias pagas” nos jornais, que não levam a inscrição “Informe publicitário” (como diz a lei) e acabam por aproveitar-se da credibilidade do veículo para promover produtos sem que o público saiba que aquela informação foi paga (prática, inclusive, que já tem seu similar na internet, o tal do post pago, que funciona exatamente do mesmo jeito: na surdina, uma empresa paga para que aquele veículo, no caso um blog, fale bem dela sem que ninguém saiba que o veículo está recebendo pra isso).

Além de todos esses fatores, ainda há a questão do “Unfollow”. Ou seja, quem não quiser receber propaganda do Marcelo Tas, basta deixar de segui-lo no Twitter. Simples assim. Muito mais democrático que os spams, muito menos invasivo que a mídia exterior.

Ou seja, no meu tribunal, o Marcelo Tas é inocente. E o fato de ter aceitado a proposta da Telefônica foi bom pra todo mundo, por ter levantado um debate bem interessante entre ética e propaganda. Que as opiniões conflitantes continuem a surgir.

Ps.: esse post não foi pago pelo Marcelo Tas, ok?


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