[NA PASTA] VODKA ABSOLUT SE UNE COM SPIKE JONZE PARA LANÇAR O CURTA “I’M HERE”
Posted: março 22nd, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: absolut, advertainment, bmw, cinema, curta, curta-metragem, madonna, propaganda, publicidade, spike jonze | No Comments »
O advertainment é a união máxima entre o entretenimento e a publicidade. E esse método “novo” de fazer publicidade já tem até seus clássicos, como o curta de Guy Ritchie (de sucessos como “Jogos trapaças e dois canos fumegantes” e “Rock’n’Rolla”) pra BMW, de 2001, estrelado por ninguém menos que Madonna. Usei “novo” assim entre aspas porque o tal advertainment existe desde o início dos anos 2000 e já extrapolou os limites do cinema, migrando para vídeo-games, webséries, RPG etc.
Entretanto, a fórmula “diretor consagrado + marca fodástica” é a maneira tradicional de fazer advertainment. E é a que, em geral, gera mais buzz (em outras palavras, propaganda boca a boca pra marca patrocinadora). Embora seja comum que o produto figure no roteiro (o filme com Madonna, por exemplo, se passa todo dentro de uma BMW), algumas marcas querem mesmo é causar impacto com uma obra de arte e não com uma propaganda longa. Daí, nada estranho que o curta que uniu a vodka Absolut e o diretor Spike Jonze (que tem no currículo obras-primas do cinema contemporâneo como “Quero ser John Malkovich” e “Onde vivem os monstros”) tenha estreado no Festival de Sundance, o mais importante do cinema independente.
“I’m here”, trailler:
“I’m here – a love story in an absolut world” é o título do curta. E as menções à Absolut terminam em seu nome. A história mostra o amor entre dois robôs num mundo em que ser robô não é nada fácil. Claro, muitas supresas fazem parte desde roteiro, incluindo aí o site da ação. Lá, você tem duas formas de assistir ao curta: a versão light, em que você tradicionalmente dá play e assiste ao filme; e a versão absolut, em que você se conecta ao Facebook, convida seus amigos pra uma sessão de cinema virtual, marca a hora em que o filme vai começar e espera todos se conectarem na mesma hora, cada um em seu computador, para assistir “I’m here”.
Em qualquer uma das duas opções, o que vale mesmo à pena é o filme. E ele é Spike Jonze do início ao fim – leia-se: trilha impecável, protagonistas desajustados, elementos dissonantes (como um robô gay que namora namora um ser humano) e um lirismo que poucos diretores da atualidade conseguem extrair de situações estapafúrdia como um robô perdendo um braço num show de punk rock.
Ficou curioso? Duas opções: vá ao site de “I’m here” ou assista o curta todinho, em três partes, aqui mesmo no PLOG.
“I’m here”, parte 1:
“I’m here”, parte 2:
“I’m here”, parte 3:
Bônus track: minha opinião como publicitário
Para um cliente pode ser difícil entender como um curta-metragem que fala de robôs apaixonados pode aumentar as suas vendas. A resposta é: pertinência. A Absolut foca num público jovem, descolado e bem-sucedido financeiramente. E não há melhor maneira de atingir este público do que contando uma história que carrega diversos códigos que estão de acordo com seus perfis. Mesmo sem menções diretas à vodka (um merchanzinho sequer), o curta é uma puta estratégia de marketing. E já nasceu clássico.

