#ForaMicarla: o dia em que a revolta realmente começou
Sobre a Prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV-RN) e sua administração, escrevi algumas crônicas em tom jocoso. Renderam-me muitos acessos, sessões impagáveis de gargalhadas e centenas de comentários. Após os acontecimentos dos últimos dias, pensei que era hora de continuar a série. Mas percebi que não era mais o caso. Ultrapassamos o limite do “é rir para não chorar”, meus amigos. Brincar com essa situação seria, no mínimo, falta de sensibilidade.
Micarla e seu governo sem rumo, com ingerências que vão da proliferação de buracos pela cidade por pura falta de manutenção até as desastrosas substituições de secretariado, conseguiu despertar na cidade o sentimento de guerrilha. A população está armada com gritos de “Fora Micarla” e todo o poder que as redes sociais dão. Não é mais o caso de fazer piada, pois esse sentimento vai evoluir. Vai se tornar realmente perigoso.
O dia 25 de maio de 2011 ficará para sempre na memória dos natalenses. Foi o dia em que a população saiu de sua habitual inércia e foi às ruas protestar. Claro que alguns criticarão as ruas bloqueadas (“E meu direito de ir e vir?”), tentarão taxar de baderna estudantil a revolta popular. Claro que toda esta movimentação vai dividir opiniões e gerar ainda mais discussões nas redes sociais, nas conversas de bar, nas horas do jornal após o jantar. Mas nada apaga o que aconteceu ontem: o povo se uniu, foi às ruas e gritou em alto e bom som o seu desejo. Natal quer Natal de volta.
O que me preocupa agora é o que está por vir. Não tardará para que os protestos se tornem ainda mais violentos e as palavras de ordem sejam substituídas placidamente por atos de vandalismo. Não tardará para que a revolta evolua e se transforme no superlativo da revolta: o anarquismo. Não tardará para que algo realmente violento aconteça. É assim o comportamento da massa. Uma hora a euforia coletiva se transforma em algo primitivo e incontrolável.
Nos protestos de ontem, duas amostras dessa iminente evolução foram dadas: um pneu queimado no cruzamento da Bernardo Vieira com a Prudente de Moraes e um outdoor da Prefeitura de Natal derrubado por manifestantes no final da Romualdo Galvão.
Outdoor da Prefeitura é derrubado por manifestantes:
A culpa pelo vandalismo, entretanto, não é dos manifestantes. A má administração, o descaso com as necessidades da população, a irresponsabilidade com o dinheiro público: todos esses pequenos pecados que Micarla de Sousa vem cometendo há mais de dois anos incitaram o comportamento violento. Finalmente, o caos da administração contaminou a população.
A culpa, meus amigos, não é de quem vai às ruas gritar pelo que tem direito. A culpa é de quem foi eleito para garantir esses direitos, mas parece se importar mais em retocar as raízes do cabelo.
Há uma luz no fim do túnel. Blogs já noticiam que uma pesquisa comprovou que apesar da campanha publicitária milionária, orquestrada há semanas pela Prefeitura de Natal, a avaliação da administração de Micarla continua ruim. O Ministério Público está atuante, impedindo que desmandos ainda maiores sejam cometidos. Hoje mesmo, por exemplo, o MP ganhou na justiça ação que impetrou contra a Prefeitura na qual alega que a terceirização dos serviços de saúde é inconstitucional. A CEI dos Aluguéis, que vai investigar suspeitos contratos de imóveis da Prefeitura, já está constituída. Espera-se que investigue de verdade. Há rumores que vereadores já articulam um pedido de impeachment.
Mas até lá?
Manifestantes continuarão nas ruas. Atos de vandalismo inevitavelmente ocorrerão. Mais e mais propagandas da Prefeitura tentarão negar o óbvio. E eu seguirei me perguntando: quem, além de Micarla e sua prole, seguirá de braços cruzados?
Um resumo da manifestaçãop #ForaMicarla:

Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da
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Patrício, My dear.
Você com palavras doces, falou exatamente o que está ocorrendo e ocorrerá. Ontem quem participou viu nos olhos do que ali estavam um alto grau de insatisfação, indignação e vergonha pela atual administração da nossa Cidade Natal.
Não sou Potiguar de berço, mas sou de coração e amo essa cidade em tudo. Sinto falta de seus jardins verdes e floridos (Mesmo que antes fosse maquiagem!). Hoje me envergonho em ter a minha cidade estampada em todos os jornais com mídia negativas. Mas, fazer o que? O povo escolheu e agora estamos a pagar o pato.
Mas, espero que isso se resolva e que não chegue ao ponto alto da violência nos próximos atos de protesto.
Ah, esqueci só de acrescentar uma coisa:
Foi muito bonito ver tantos reunidos por uma causa só. Quem participou, tenho certeza que se emocionou.
A culpa, meu caro Patrício, na verdade é de quem elegeu e garantiu a colocação da prefeita no posto. A culpa é de uma política oligarquica, populista e coronelista que ainda toma conta da nossa sociedade. A culpa é, muitas vezes, de quem cobra as desgraças mas na hora de votar não se pauta por projetos, por passados, por caráter, mas por um discurso pseudo-carismático e por uma imagem de bom moço. Lembro de uma discussão na época da campanha para prefeitura em que um colega argumentava comigo: voto em Micarla porque ela saber falar. Massa. Mas e o fazer? Collor sabe falar. Serra sabe falar. Os Maias são ótimos oradores. Mas discurso não paga a conta da população. Discurso só paga a conta das alianças políticas mal engendradas e arquitetadas para garantir vitória em cima de um eleitor alienado pela tomada política nos veículos de comunicação de massa. Acho ótimo que as pessoas se manifestem. Faço parte dessa manifestação. Mas faço parte dela com a consciência tranquila de ter feito, antes, parte dos que ficaram roucos de tanto gritar, sem serem ouvidos: essa mulher vai afundar a nossa cidade. Em todo caso, mãos aos panfletos e pés nas ruas! Natal merece, no mínimo, respeito e satisfação. Dignidade não se constrói do dia para a noite.
Gostei… Valeu!
Muito bom ler um texto tão completo que resume os sentimentos de todos nós que nos sentimos agredidos por uma administração tão ruim, incapaz de sequer maquiar as principais ruas, vai ser muito bom ter nossa Natal de volta…vamos descruzar os braços, a hora é essa.