[ESCRIBAS]
BUDAPESTE – por fábio farias

19 janeiro 2009 § Nenhum comentário ainda

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Os prédios cinzas, os muros pichados, o vento incessante. Budapeste ameaçava chuva. Ela me chamou para tomar um café, na cidade de Peste às margens do Danúbio. Rosto branco, cabelo preto, nariz afinado e um lindo inglês com sotaque húngaro. Eram 15h40 e o céu estava escuro. O café descia quente na minha garganta.

– Vou passar o final de semana fora, volto na segunda.

Seus pequenos olhos magiares tinham uma expressão indecifrável e seu inglês com o R puxado quase não me fez entender o que ela dizia.

– Você vai de que horas?

– Vou hoje, às 10 horas.

Quis identificar tristeza no seu olhar, mas seus dois olhinhos continuavam expressando algo que eu não entendia. Sorri, falei que tudo bem e disse que a esperaria para continuarmos a conversa que começamos assim que cheguei em Budapeste. Ela tomou um longo gole do café e agora eu pude identificar um pouco de carinho e afeto naquele belo par de olhos escuros.

Szofia era de uma beleza magnética que conseguia atrair para o seu redor tudo o que queria. Disse para mim que adorava o Brasil e queria muito conhecer o país. Me encantei com o seu jeitinho de falar inglês, a sua forma de mover os cabelos, o seu jeito de indecifrável de olhar e de sorrir. Estava há dois dias com ela, numa espécie de amor platônico autoflagelado, ao qual eu me culpava e me torturava por cada momento em que poderia me declarar mas me perdi diante dos seus encantos. Eu iria sentir falta dela.

Às 10, fui com ela na estação de trem. Fazia por volta de 2 graus na capital húngara. Ela pegaria um velho trem azul, resquício do governo comunista numa estação velha e lotada de pessoas vestidas com casacos e sobretudos pretos e sacolas e malas nas mãos, além da tristeza no rosto. Abracei-a, beijei sua pele branca e macia, desejei boa viagem e vi o trem partir com a chegada de uma forte chuva na cidade.

Budapeste chorou os três dias de sua ausência.

atgaaadeukpstls_cl8nkblx3i9zwxkt7anwpjy1qdqmw9xranobbh0-fsm9udhuzksd-3ubhqfdlmmmslnpt6pv10juajtu9vdmjlhs2ozchckhim2u-j_zx6pbew Fábio Farias
é jornalista
e escreve
no Blog do Rosk
e no coletivo Catorze.

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