Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

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DE NOVO, EX DE GALISTEU?

Posted: abril 14th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , | 3 Comments »

fabiogalisteu

Sem julgamentos de valores, ok? O deputado federal Ex de Galisteu (PMN-RN) usou sua verba de passagens da Câmara para pagar viagens de sua então namorada, Adriane Galisteu, de sua então sogra, Emma Galisteu, e de seus então garotos-propaganda do camarote carnatalesco da Academia Athletica, os globais Kayky Brito, Sthefany Brito e Samara Felippo. Isso é um fato. Que o próprio deputado, em nota enviada por sua assessoria de imprensa no início da tarde da última terça (14/04), admitiu.

Com julgamentos de valores agora. O deputado federal Ex de Galisteu (PMN-RN) usou dinheiro público para custear passeios de sua celebridade preferida, da mãe dessa celebridade e de atores globais que estavam a serviço de sua empresa. A notícia, quando lida nas páginas da Folha de São Paulo, sem o verniz de cordialidade que a imprensa local costumeiramente empresta aos famosos potiguares, soa ainda mais contundente. E vergonhosa.

Contundente porque é clara a irregularidade. Apontado como “falha eventual” pelo deputado, o episódio das passagens (noticiado em detalhes em reportagem do site Congresso em Foco) é um retrato cru de como nossos políticos vêm tratando a coisa pública. Ora, se o excelentíssimo senhor Ex de Galisteu tem uma empresa em Natal, que ela fique bem distante de seu gabinete em Brasília. Geográfica e ideologicamente. Não entendo como uma “falha eventual” pode fazer com que passagens que deveriam ser pagas pela pessoa jurídica Academia Athetlica acabem sendo emitidas pela pessoa pública Gabinete do Deputado. A única explicação é: o supracitado político não separou seus negócios privados dos seus negócios públicos. Se investigarem direitinho, é a essa conclusão que chegarão.

Vergonhosa pela forma como expõe a pequenez de Natal ao resto do Brasil. Para ser o maior camarote do Carnatal, para ser o político mais cool, para ser o mais descolado dos playboys, vale qualquer coisa. Você tem idéia do quanto tudo isso soa ridículo quando cai na imprensa nacional?

Não quero ser do tipo que vive de revirar o passado. Mas o deputado metrossexual já foi alvo de denúncias semelhantes aqui no Estado. Na campanha de 2006, embarcou com seu pai num vôo de Natal a Pau dos Ferros para fazer campanha no carnaval fora de época desse interior. O único problema é que eles pegaram um avião oficial do Governo do Estado. Como era período eleitoral, como o papai tinha cargo público e como o filhote era candidato, ficou bem claro o uso de bem público para fins eleitoreiros. Pegos em flagrante, ambos foram inocentados, eleitos e o resto da história você já conhece.

Talvez por isso Ex de Galisteu não tenha se preocupado com a origem do dinheiro que pagou tantas idas e vindas pelo mundo aos seus coleguinhas. Houvesse sido penalizado pela primeira “falha eventual”, a segunda jamais teria ocorrido. Estaria, agora, poupado de tanto vexame. Como, por exemplo, a declaração da assessoria de imprensa de sua ex: “Adriane paga suas passagens. Teve momentos em que até pagou para ele. Mas quando eles estavam namorando, teve momentos em que, de repente, ele pagou. Mas ela não tinha conhecimento da origem do dinheiro para esses pagamentos”. O amor é lindo, não é?

O que mais falta acontecer para que o mais famoso playboy potiguar compreenda que não deve misturar carnavais fora de época com vôos suspeitos? O que mais precisa acontecer para que o papa-jerimum pegador de celebridades entenda que sua academia não é em Brasília? O que mais precisa acontecer para que o excelentíssimo filhinho de papai perceba que a política não é uma área VIP de boate local em que tudo acontece como ele quer só porque está pagando? E a propósito: o Ex de Galisteu é Fábio Faria. É que se eu não o chamasse assim, ninguém ia saber de quem eu estava falando.


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