[CRÔNICA] VERÃO DE TODOS, MAS NEM TANTO

18 janeiro 2010 § 22 comentários

http://guspress.files.wordpress.com/2009/10/verao.jpg

Ontem fui ao projeto Verão de Todos, iniciativa do Governo do Estado que leva bandas de renome nacional ao nosso litoral, em apresentações gratuitas à beira-mar. O show de ontem foi da banda carioca Monobloco, que reuniu uma multidão das boas na orla da praia de Pirangi, litoral sul do Estado. Além dos cariocas, ainda passarão pelo litoral potiguar, todos em apresentações gratuitas, Ricardo Chaves, Netinho e Daniela Mercury, entre outros.

A iniciativa é louvável. E feita com a estrutura que o Governo do Estado disponibilizou fica ainda melhor. Palco grande, bom som, muitos banheiros químicos, policiais pra todos os lados. Enfim, foi uma produção caprichosa, independente das intenções políticas – e óbvias – que o evento tem. Afinal, não é comum anunciar uma atração musical dizendo que ela veio por obra da Governadora Vilma de Faria e “do vice-governador Iberê” (assim, em destaque, pra todo mundo memorizar o nome bem direitinho).

Enfim, consegui me abster dessas análises políticas e aproveitar o evento. Pirangi está, como sempre, lotada. E a alegria da multidão dançando com o repertório impecável de Monobloco deixou a praia ainda mais bonita. Consegui ficar num lugar legal, num espaço vazio entre o palco e o camarote, vendo… Como é que é?!?! Camarote?!?! Pois é, eu fiquei chocado quando vi o tal camarote.

Em eventos privados, que separam uns dos outros através do preço do ingresso, é normal ter camarote. E eu acho uma idiotice criticar quem paga mais pra ter mais conforto. Afinal, se você tem dinheiro e quer, de alguma forma, mais espaço, mais comodidade ou mais destaque, não vejo mal algum em pagar por ele. Agora, não esqueçamos, eu estava num evento público. Promovido pelo Governo do Estado. Pago com o dinheiro dos meus impostos. Fato que tornava a folia de jovens abastados dentro daquele camarote um insulto à minha pessoa.

Eu entendo a necessidade de um camarote em eventos públicos para receber autoridades, pessoas que pelo seu cargo ou importância política não podem se dar ao luxo de ficar entre os seus, por mais vontade que tenham. Por exemplo, a Governadora deveria estar num camarote. O vice, vá lá, também merecia. Agregados e imprensa… bem, amigos, aí a coisa já descamba pra falta de vergonha.

Eu pergunto: por que o dinheiro público deve pagar a farra dos filhos dos assessores? Por que o dinheiro público deve separar a filhinha do secretário do resto do povão? Por que o dinheiro público deve ciceronear a blogueira baba-ovo e seu marido com uísque e quitutes? Não, algo está errado.

O Verão de Todos, no fim das contas, não é tão de todos assim. Naquele camarote, meia dúzia de agregados apartava-se do empurra-empurra da multidão, gozava de mais espaço pra dançar, bebia e comia como bacantes, tudo às custas do povão que acotovelava-se com o pé na areia para receber seu quinhão de circo patrocinado pelo Estado. Eis que Monobloco, de repente, perdeu a graça.

Post to Twitter

Tagged: , , , , ,

22 Comentários

(Required)
(Required, will not be published)

What's this?

You are currently reading [CRÔNICA] VERÃO DE TODOS, MAS NEM TANTO at PLOG.

meta