Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[CRÔNICA] QUERO UM IPAD MESMO SEM PRECISAR DELE

Posted: janeiro 28th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , , | 6 Comments »

Sejamos francos: você viveu até hoje muito bem sem ter um computador em formato de prancheta sempre dentro da mochila. Eu até acredito que uma ou outra pessoa necessite estar hiperconectada em todas as situações – um super-executivo de multinacional, ou o chefe de programação do Google, ou ainda o Perez Hilton. Mas você, meu amigo, minha amiga, definitivamente não precisa. O que não significa que você vai abdicar dos encantos dos tablets – e mais ainda, dos encantos do iPad, o tablet da Apple lançado com estardalhaço ontem.

Pra quem está voando no assunto, um rápido resumo (que não constará na versão em livro desta crônica): ontem, a Apple lançou seu novo “mais inovador e fantástico produto”: o iPad. Trata-se de um tablet (basicamente, um netbook sem teclado com tela touch screen). Custará a partir de US$ 499,00 e promete criar uma revolução na forma como navegamos na internet, compartilhamos fotos e vídeos, jogamos games, etc.

Ok, você não precisa de um iPad. Eu não preciso de um iPad. Mas eu quero um. Porque desde o lançamento do iPod (e lá se vão quase 10 anos), a Apple vem se especializando em criar soluções para problemas que não existem. Esse é o grande mérito da gigante de tecnologia de Steve Jobs: criar necessidades até então inexistentes.

Não sei se você lembra, mas antes do iPod não era necessariamente um problema sair na rua sem estar ouvindo música. Era até normal. Eu lembro que tirava uma ou duas horas da minha atribulada semana para sentar no sofá, ouvir meus CDs, manipular os encartes, ler as letras. Consumir música, pra mim, era isso. Mas que coisa mais antiga essa história de sentar pra ouvir música, não é mesmo? A Apple e seu aparelhinho de fones de ouvidos brancos mudou tudo: agora a gente ouve música no ônibus, no metrô, na aula, no trabalho.

De lá pra cá, teve o iPhone (que solucionou o problema inexistente de ter aplicativos no celular que fazem das coisas mais estúpidas até as mais incríveis), o iPod Touch (que aniquilou os teclados sem que ninguém tivesse reclamado, até então, por ter que usá-los), a App Store (que vende aplicativos que você não sentiria necessidade alguma de ter caso não tivesse um iPhone), a iTunes (que vende músicas que você pode conseguir de graça) e agora o iPad.

Que disponibiliza internet, fotos, games, filmes, música, livros e mais um monte de coisas: mas agora, de qualquer lugar, a qualquer hora, com tela multitouch (porque touch screen já é passado) e a incrível convergência à tecnologia 3G. Tudo isso em 10 polegadas do mais puro design.

Sejamos francos. O seu netbook que pesa pouco mais de um quilo (na pior das hipóteses) já faz tudo isso. Mas ele tem teclado e de repente, ao estalar dos dedos de Steve Jobs, teclados passaram a ser coisa do demônio. Mais antigos que, sei lá, salvar arquivos no HD. Sim, pois o iPad não foi feito pra isso. A capacidade de armazenamento deles é de, no máximo, 64GB. Pra você uma idéia, meu netbook surrado tem capacidade de 250GB de armazenamento. Não estou falando que o produto é ruim, obviamente. Este julgamento só um especialista em tecnologia pode fazer. Mas à luz da lógica, há de se convir, não faz sentido abandonar meu netbook e investir US$ 500,00 nesse novo brinquedo.

Mas eu quero um iPad. Você quer um iPad. Todo mundo quer um iPad. A Apple sabe criar, como poucas empresas, isso que chamo de “desejo de ter uma necessidade”. Explico: logo que o anúncio foi feito, na tarde de ontem, eu fiquei pensando em todas as situações que poderia fazer uso de 100% das funcionalidades do iPad. Numa viagem, por exemplo, poderia postar textos no PLOG a qualquer momento. Poderia enviar fotos pros amigos quase instantaneamente. Em casa, poderia ler e-books sentado em frente à TV, confortavelmente, sem aquele trambolho de netbook esquentando minhas pernas. Poderia compartilhar arquivos sem a necessidade de plugar milhões de fios, e acessar meu e-mail onde quer que eu estivesse, e ler confortavelmente as notícias do dia. É o desejo de ter uma necessidade. Porque, convenhamos, postar textos no blog a qualquer momento não é bem uma necessidade, não é mesmo?

E a economia gira sua grande roda. E eu, engrenagem desse sistema, faço a minha parte. Eu quero um iPad como quem desejou, há uns bons 12 anos, seu primeiro computador 486. Como se fosse minha tablet da salvação. Em cinco ou seis anos, podem acreditar, todos nós vamos nos perguntar: “Como consegui viver até hoje sem ter um iPad?”. E então riremos todos desta crônica enquanto dizemos: “Patrício Jr é tão 2010, né?”.


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