[CRÔNICA]
A POLÊMICA DO DIA
Posted: novembro 12th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: crônica, internet, polêmica | 1 Comment »
Estamos vivendo uma era perigosa. Ou deliciosa. A era da superexposição. Amanhã, você pode ser o pivô da próxima polêmica na internet. Basta vestir uma saia curta e provocar uns neanderthais na universidade. Ou brigar pela prioridade de entrevistar um secretário de Estado. Ou fazer um escândalo na porta da casa do seu ex, pedindo que ele te devolva o chip. Em suma, basta existir. A internet fez com que qualquer um possa se transformar em celebridade instantânea. Não precisa nem de teste do sofá. No futuro, ninguém terá nem cinco minutos de anonimato.
A mais recente webceleb atende pelo nome de Coronel Marcondes Rodrigues. Este ilustre desconhecido é comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e seu mais notório feito até hoje foi dançar a intragável música “Mexa que é de ameixa”, do grupo potiguar Grafith. O coronel estava fardado, em cima de um palco, na formatura dos novos PMs do Estado. Como é de praxe, alguém filmou. Como é de praxe, caiu na internet. Como é de praxe, instaurou-se a polêmica da semana (do dia?, da hora?): como fica a reputação da PM após a dancinha do Coronel Marcondes?
Pra não me alongar no assunto, o baile de Coronel Marcondes não muda nada. Ele não foi, como alguns disseram, flagrado em uma dança sensual. Ele estava numa festa, num ambiente fechado, cercado de pessoas conhecidas e apenas agiu como um ser humano normal: dançou, no auge da alegria, calibrado ou não por algumas canjimbrinas. Isso não importa. O que o fato realmente deve levar a pensar é: e amanhã, será que o flagrante será com você?
A superexposição que a internet causa, obviamente, é o deleite de muitos internautas. Tem gente que reza pra abrir o computador de manhã e já ter acesso ao fato do dia: quer seja a estudante hostilizada da Uniban, quer seja o PM alegre do RN. Nossa ânsia pelas videocassetadas do dia-a-dia não se satisfaz apenas com o Faustão. Precisamos de mais. E tome ex-mulher de Ronaldinho transando na praia, nutricionista gaguejando em entrevista ao vivo, criança voltando dopada do dentista. Quando será que vai chegar a sua vez?
O mais interessante é perceber que nem sempre o flagrante de terceiros é o culpado por expor figuras ao ridículo. Tome-se como exemplo o caso do vereador natalense Paulo Wagner (PV-RN). Eleito em 2008 como vereador mais votado da cidade, Paulo Wagner protagonizou um pequeno escândalo na net esta semana: dirigindo-se ao enterro de um ex-companheiro de profissão, publicou em seu Twitter (@pwagner43) a seguinte pérola: “Tou indo pra Mossoro enterrar uma bicha que morreu era antiga no rádio virou purpurina [sic]”. Paulo Wagner poderia estar apenas confundindo o público e o privado, expondo na internet uma forma carinhosa de tratar um amigo.
Mas o que se seguiu a isso provou que não.
Ricardo Rosado, do blog FatorRRH, reproduziu o que Paulo Wagner publicou em seu Twitter. E foi aí que o vereador mostrou que a linguagem chula e a falta de decoro não são dispensadas apenas aos seus mais próximos. Em resposta ao post do jornalista, que – reafirmo – limitou-se a reproduzir o que o vereador havia escrito sem tecer nenhum comentário a respeito, veio uma enxurrada de impropérios no Twitter do representante do povo. Numa das
mensagens mais leves, Paulo Wagner dirigiu-se ao jornalista da seguinte forma: “Ricardo Rosado bicha da Holanda vai tomar no cu”. O “bicha da Holanda” foi uma alusão ao nome completo do jornalista, Ricardo Rosado de Holanda – um exemplo de como o nosso vereador domina bem as figuras de linguagem.

Em poucas horas, a mensagem foi retuitada inúmeras vezes, com críticas pesadas ao comportamento indecoroso do parlamentar. Ao ver o estrago, Paulo Wagner apagou as mensagens e se confundiu nas explicações: uma hora disse que havia perdido a senha do Twitter e que as mensagens não eram de sua autoria, outra hora pediu desculpas afirmando que errar era humano. Mas o esforço em se retratar foi em vão. A verdadeira face do vereador,. Que não sabe a difedrença entre linguagem popular e linguagem de baixo calão, já tinha vindo à tona. Num caso clássico de flagrante internético provocado por si mesmo.
Como podemos ver, a era da superexpsoição tem suas vantagens.


[...] o tema, leia mais essa aqui, do jornalista Patricio [...]