Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[ARTIGO]
WATCHMEN: A RESENHA DE QUEM NÃO LEU A HQ
por rosilene pereira

Posted: março 23rd, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , | 6 Comments »

Watchmen

- Você já ouviu falar em “Watchmen”?
- Não.
- Ótimo!
- É o quê?
- Um filme. E a gente vai escrever uma resenha sobre ele!
- Vou escrever assim, sem nem saber que filme é esse?
- Sim!

Esse foi o diálogo emeesseênico entre mim e Patrício, no qual eu topei essa espécie de “teste-cego” pra escrever sobre Watchmen – O Filme. A essa hora (terceiro intervalo do dominical “Fantástico”) penso que ele, fã da HQ que originou a película já, deve ter uma resenha rebuscada, profunda e toda amarradinha com argumentos convincentes sobre as suas impressões. Eu fui pro cinema sabendo apenas que era um filme inspirado nos quadrinhos desenhados por Dave Gibbons e escrito por Alan Moore pelos idos de 1985 (o que, de fato, não quer dizer nada a quem vive à margem desse tipo de revista, como eu). Mas senti a importância da matéria quando estava indo, atrasadíssima, ao Cinemark pegar a sessão das três e cinco, e por acaso comentei com meu sobrinho de quinze anos que estava indo ver o tal longa.

- Ai, eu quero ir com você!
- Pois então corra!

Chegamos a tempo, mas ele não pôde entrar. Não imaginei que um filme “de desenho” pudesse ser proibido para menores de dezoito anos. Mas era. E não adiantou dizer que eu era responsável por ele, nem mostrar a identificação de jornalista, que iria escrever um texto, nada. A bilheteira sugeriu que ele fosse assistir ao besteirol “Um hotel bom pra cachorro”, o que lhe soou como um insulto à sua inteligência. À contragosto, teve que se contentar com “Jogo entre Ladrões”, para não ficar boiando durante as mais de duas horas e meia de “Watchmen” que eu tinha pela frente.

Mais ou menos, a ficção mostra uma realidade futurista – só que ambientada nos já passados anos oitenta – na qual super-heróis que curtem uma merecida aposentadoria se reúnem para investigar a morte de um colega. Nisso, descobrem um traidor no grupo e por aí se desenrola uma trama com focos oscilantes os quais o espectador tem que ficar ligado para acompanhar. O fim da Guerra Fria e um relógio que mede a tensão entre os Estados Unidos e a falecida União Soviética está sempre parado nos cinco minutos para a meia-noite, anunciando que uma tragédia pode acontecer a qualquer momento.

A garota da fila de trás não devia ter capacidade intelectual mínima para entender a história e, por isso, se refestelava fazendo comentários óbvios o tempo inteiro. O herói fora assassinado? Ela dizia que ele havia sido assassinado. Em voz alta, friso. Eu, que nunca fui fã de desenhos nem nada, e já estava ali com a capacidade máxima da minha boa vontade, fui ficando aborrecida. Para que o leitor não diga que eu estou sendo injusta, conto que a excelente trilha sonora me fez desistir de abandonar a sala lá pelo final da segunda hora. Me alegrou o coração ouvir a romântica “The Sounds of Silence”, de Simon e Garfunkel; a melódica “Hallelujah”, de Leonard Cohen; e alguns clássicos do trio de inquestionável qualidade Jimmy Hendrix, Janis Joplin e Bob Dylan. E nas horas em que subia o áudio, iupi!, não se podia ouvir a comentarista para quem eu já havia pedido silêncio duas vezes.

A produção jorra um pouco de sangue demais, é verdade, e mostra uma cena de sexo – mas nada que não se veja em um canal de TV aberta, por exemplo. Por isso não vi motivos para uma classificação etária tão alta.

Quando saí, meu sobrinho Mateus já me esperava à porta, com a pergunta ansiosa na ponta da língua:
- E aí?
- Ah, a trilha é muito boa, mas resumindo, eu não gostei não…
- Deve ser mais interessante pra quem gosta mesmo de quadrinhos, como eu, né?
Resumiu o meu conceito final.

Para saber mais sobre “Watchmen”, que lá pelas salas inglesas já desbancou o vencedor do Oscar desse ano, indico acessar a bíblia dos filmes, o IMDB.

Para ler a resenha de quem já leu o gibi “Watchmen”, clique aqui.


[ARTIGO]
WATCHMEN: A RESENHA DE QUEM LEU A HQ
por patrício jr

Posted: março 23rd, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , | 8 Comments »

watchmenhq1

A pergunta “o que vai ser dos filmes de super-heróis depois de ‘Watchmen’?” é totalmente pertinente. Dito isso, passemos aos comentários.

“Watchmen” é uma das revistas em quadrinhos mais celebradas entre os iniciados. Tem um enredo complexo, repleto de subtextos, histórias paralelas que se cruzam, dados complementares, personagens com vidas entrelaçados. Pra você ter idéia, o volume completo da história tem mais de 400 páginas. É muita coisa, principalmente quando se trata de uma trama de super-heróis. Escrita com Alan Moore na década de 80, carregou por anos a pecha de ser “infilmável”. Até 2009.

Zack Snyder, mesmo diretor da adaptação de “300”, fez mágica. Simplificou o enredo, cortou histórias paralelas, centrou-se nos personagens mais importantes da trama e fez um filmaço.

A história se passa num mundo em que os super-heróis realmente existem. Mas não do jeito que conhecemos. São, na verdade, pessoas comuns que passam a fantasiar-se com roupas coladas e coloridas para sair às ruas combatendo o crime. Em meio a este cenário, um assassino de heróis surge, matando de maneira engenhosa membros desse estranho grupo da sociedade. Paralelamente a isso, vemos a Guerra Fria entre EUA e URSS (fato histórico mais importante da década de 80) evoluir lentamente para um conflito nuclear que pode dizimar toda a humanidade. As duas tramas, apesar de díspares, podem estar diretamente relacionadas.

“Watchmen” (o filme) expõe para platéias mais amplas questionamentos que a HQ já vinha fazendo aos iniciados há algumas décadas. Já pensou se os super-heróis realmente existissem? Que usos os governos fariam desses combatentes altamente treinados? Que prejuízos morais causaria a interferência das empresas nesse mercado? Qual o impacto que essas figuras teriam sobre a cabeça das pessoas? Como a sociedade se comportaria diante de eventuais erros dos mascarados? Que participação a imprensa teria sobre a construção de ídolos e a subseqüente destruição da imagem deles? E o mais importante: sendo pessoas comuns, quem garantia que a moral deles seria completamente correta? Como se pergunta logo no início do filme: quem vigia os vigilantes?

Com excelentes atuações e efeitos especiais impressionantes, o filme tem o grande mérito de conseguir com que uma história de adultos em roupas de lycra tentando salvar o planeta soe plausível. Além disso, outro grande problema é solucionado com maestria: a ameaça de uma guerra nuclear entre URSS e EUA. Explico: a HQ foi publicada em plena Guerra Fria. Portanto, na época, a ameaça do conflito ideológico evoluir para uma guerra real era iminente. Hoje em dia, essa ameaça não existe mais. Mas o diretor tira proveito de tragédias reais para dar força ao seu conflito fictício. E faz isso de uma forma muito competente.

Outra boa notícia é que para os fãs ferrenhos, que leram a HQ, esperaram pela adaptação e sabem de cor cada uma das passagens do gibi, o filme não decepciona. Apesar dos cortes nas histórias paralelas, de certa forma todos os personagens estão ali. Claro, não vou estragar a surpresa. Mas pra quem leu a revistinha e ainda não viu o filme, um aviso: vale a pena, porque o final é diferente. Apesar de igual.

Por fim, só devo comentar que mordi minha língua quanto à classificação do filme. Cheguei a dizer que era um absurdo ser proibido para menores de 18. Errei. O diretor manteve todos os elementos do gibi (incluindo a violência explícita). Acertou. Pra quem lê gibi, dá nervoso ver que Wolverine, nas adaptações pro cinema de X-Men, quase nunca usa suas garras para matar os oponentes. Em “Watchmen”, nenhum dos heróis tem esse puritanismo. E tome sangue.

Depois que você assiste a esse excelente filme, fica difícil engolir os padrões morais de Superman ou a aversão a armas de Batman. “Watchmen” desglamouriza completamente o mundo dos super-heróis. Nada é heróico na história de Alan Moore. E a fidelidade com que foi adaptado à tela grande – com diversos diálogos diretamente transpostos da HQ pro roteiro de cinema – faz a gente pensar: e agora, super-heróis, como é que vocês vão conquistar nossa confiança depois de tudo que vimos? Ou, em outros termos: quem vigia os vigilantes?

Para ler a resenha de quem nunca leu o gibi “Watchmen”, clique aqui.


[DIÁRIO]
“WATCHMEN” TERÁ RESENHA EM DOBRO NO PLOG

Posted: março 12th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: MICROSCÓPIO | Tags: , , | No Comments »

Nos próximos dias, o PLOG publicará duas resenhas do filme “Watchmen”: uma escrita por mim, que li o gibi, acompanhei as notícias e torci ansiosamente pela estréia; e outra escrita pela amiga jornalista Rosilene Pereira, que nunca ouviu falar em “Watchmen” e vai pro cinema completamente leiga na incrível trama de Alan Moore.


[NO GIBI]
WATCHMEN EDIÇÃO DEFINITIVA

Posted: março 6th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , | No Comments »

watchmen

Chegou, chegou, chegou! A edição definitiva de uma das HQs mais aclamadas do mundo, lançada hoje pela Panini Books, chegou às minhas mãos. Comprei há algumas semanas, em pré-venda. Chegou, chegou, chegou!

Todo mundo que curte quadrinhos de alguma forma já passou por “Watchmen”. Quer seja pelos comentários que ouve a respeito, quer seja pelas influências que esta história mirabolante da década de 80 deixou aos seus herdeiros, quer seja pelas páginas do próprio. A questão é: “Watchmen” é uma obra fundamental pra quem curte gibi.

Com a euforia (totalmente justificada) causada pela estréia mundial do filme, que é hoje!, a Panini lançou essa pérola. Lembro que vivia ouvindo coisas sobre “Watchmen”, mas só mesmo há uns dois anos foi que tomei vergonha na cara e resolvi ler. Por incentivo de Carlos Fialho que, numa dessas bienais que a gente foi por causa do Jovens Escribas, me disse que eu tinha que ler. Mas disse com tanta convicção, que resolvi levar a sério.

Arranjei o dito-cujo, li todinho, delirei e fiquei esperando pacientemente o lançamento do filme. Eu sabia que pertinho disso sairia uma versão completa da saga. Chegou, chegou, chegou!

O livro tem 460 páginas, numa edição luxuosa, com capa dura e impressão impecável. Além da história completa, que compila todos os números da série de Alan Moore que foi publicada entre setembro de 1986 e agosto de 1987, a edição traz alguns extras imperdíveis para os fãs: estudos da criação dos personagens, trechos do roteiro, posfácios do roteirista Alan Moore e do desenhista Dave Gibbons, além de desenhos extras usados em campanhas beneficentes, testes de aprovação da DC Comics etc.

A história em si, devido a quantidade de posts que já pipocaram pela net, você já deve saber. Vou tentar não tomar seu tempo: o grupo de super-heróis Minutemen está aposentado e um assassino misterioso passa a aniquila-los. Claro, isso é a ponta do iceberg. Alan Moore imaginou um mundo em que os super-heróis realmente existem e em cima dessa premissa criou situações que mudaram pra sempre o mundo dos quadrinhos.

Como um bom nerd que sou (sim, eu admito, sou!), vou reler o volume inteiro antes de entrar no cinema para ver a adaptação. Isso porque serei, com certeza, aquele chato que fica comentando de soslaio que “isso está acontecendo por causa disso, sabia?”. Ah, se vou!


[NOTÍCIA]
“WATCHMEN” ENTRA EM CARTAZ COM CENSURA 18 ANOS

Posted: março 6th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: MICROSCÓPIO | Tags: , , | 2 Comments »

Talvez seja um erro de digitação. Mas “Watchmen” aparece como proibido para menores de 18 anos no site do Cinemark. Estreando hoje nos dois cinema da cidade, nada na história de Alan Moore justifica essa classificação. No site do Moviecom, os limites de idade não estão disponíveis.