O Pomegranate NS08 é um celular que vai deixar o iPhone e o Blackberry no chinelo. Com tecnologia canadense, o lançamento promete revolucionar o mercado de telefonia móvel mundial. E não é pra menos.
O aparelho com design inovador reúne diversas funções até então jamais postas num celular. Além das tradicionais – telefone, e-mail, navegador de internet, câmera digital, localizador GPS e MP3 player – o Pomegranate, “the all-in-one device”, tem outras funções inimagináveis até então. Pode ser usado como projetor de slides, projetor de filmes, tradutor de voz em tempo real, barbeador, gaita e cafeteira. Isso mesmo. Até cafeteira!
No genial site de lançamento do produto – que ainda não tem data para chegar ao Brasil – todas as funções estão devidamente explicadas, com vídeos de demonstração e exemplos da utilização.
Se você ainda não clicou no link acima e continuou lendo a notícia, relaxe que seu iPhone ainda não vai ficar obsoleto. É que toda a campanha de divulgação do Pomegranate (que significa “romã” em português) nada mais é que uma campanha viral para divulgar a região da Nova Escócia, no Canadá. Não achou a ligação? Vou explicar.
Após cada vídeo que você visualiza no site do Pomegranate, aparecem dois botões: “continuar explorando” e “já vi o suficiente”. Se você clica no primeiro, volta ao site e continua vendo as maravilhas do celular revolucionário. Mas se clica no segundo, é redirecionado ao site de Nova Escócia, que inicia com a seguinte mensagem: “Um dia você terá tudo que precisa num só dispositivo. Hoje você tem tudo que quer num só lugar”. Então, as belezas de Nova Escócia surgem pros internautas.
Uma ação original e muito divertida. E que chegou até mim através de uma amiga que mora na França (valeu, Tereza!). O site é muito bem feito, apesar de demorar pra carregar. Mas vale cada frame descarregado, porque é um show de navegabilidade.
Aos que acharam a ação indireta demais, uma pergunta: quando é que uma propaganda turística da Nova Escócia no Canadá me atingiria aqui no Brasil?
Sabe aquelas campanhas publicitárias que têm tudo pra ser sensacionais, mas quando vão pro ar ninguém acha a menor graças? Pois é, esse é o caso do concurso cultural “Redondo é rir da vida”, criado pela agência paulista F/Nazca pra Skol.
A idéia é de primeira: convocar o público a enviar vídeos em que contem histórias engraçadas pelas quais passaram (do tipo “um dia ainda vou rir disso tudo”). Todos os vídeos serão hospedados no site da ação. E os melhores virarão peças publicitárias da Skol e serão veiculados na TV aberta. Para divulgar o concurso, vídeos com estrelas do stand-up comedy nacional (no caso, Rafinha Bastos e Danilo Gentili, ambos do CQC) contando histórias engraçadas foram postados na internet.
Foi com esse tipo de vídeo que os dois (e mais uma galera afiada) fez fama na internet e passou a lotar teatros por todo o Brasil. O stand-up comedy chegou para ficar. Um ator, um palco, um bom texto: pronto, garantia de gargalhadas. E foi essa fórmula que a F/Nazca quis reutilizar em seus vídeos para a Skol. Como exemplo, peguei a peça estrelada por Rafinha Bastos.
Como você mesmo pôde ver, não funcionou. Qualquer outro vídeo de Rafinha Bastos (incluindo aí os excelentes esquetes do espetáculo Improváveis postados no YouTube) é mais engraçado que essa peça produzida pela F/Nazca. A exemplo do que aconteceu com Ruth Lemos (lembra dela?), tiraram a espontaneidade do cara e deixaram tudo com gosto de plástico. Pra quem não lembra de Ruth Lemos, ela foi aquela nutricionista que gaguejou numa entrevista ao vivo e virou uma das primeira webcelebridades do Brasil. A companhia telefônica Intelig contratou a coitadinha pra fazer um comercial e resultado deu vergonha alheira. O mesmo sinto ao ver esse vídeo do Rafinha Bastos.
Não é culpa dele, claro. Nem de Danilo Gentili. Ambos já provaram que têm talento de sobra pro stand-up comedy, fazendo as platéias se rasgarem em gargalhadas com seus textos. O problema é que algumas agências ainda pensam que basta reproduzir fórmulas. Esquecem que o público já está mais que atento às pasteurizações da publicidade. E não engole qualquer coisa.
Pra completar o festival de arrogâncias, um fato triste acabou colado à campanha. O comediante Ronald Rios (que inclusive é amigo de Rafinha Bastos) resolveu postar uma paródia da campanha na internet. No vídeo, ele conta histórias de desastres de automóveis e espancamentos de um pai alcoólatra como se fossem a coisa mais engraçada do mundo. A intenção era apenas fazer rir. Mas a F/Nazca provou – pela segunda vez, inclusive – que não tem senso de humor. Enviou e-mail pro cara pedindo a retirada do vídeo do ar, alegando uso indevido da marca Skol. Ou seja, a agência cagou para o fato de que estava fazendo uma campanha pretensamente viral – e que um dos efeitos de uma bem-sucedida campanha viral é justamente a paródia. Sem querer confusão, Ronald Rios substituiu o vídeo por uma versão “censurada”, sem menções à Skol. E quer saber? É muito mais engraçado que a versão original.
Fica a pergunta: se redondo é rir da vida, porque escolher uma ag~encia que não sabe rir de si mesma?
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