Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Os VTs estão em árabbe, sem legendas, mas tudo que você precisa saber pra entender é: em dado momento, alguém recusa um queijo Panda e… bem, aí você vê o que acontece. Os filmes são sempre assinados com o conceito da campanha: “Nunca recuse um queijo Panda”. Genial!
O projeto Le tour du monde en quatre-vingts secondes (“A volta ao mundo em 80 segundos”) é uma dessas idéias ‘zecacamargueanas’: o fotógrafo francês Alex Profit caminhou mais de 32km a pé, por diferentes cidades do mundo, sempre registrando com uma câmera fotográfica as suas andanças; depois, reuniu tudo num vídeo de 80 segundos, que é uma grande caminhada por cidades como Cairo, Hong Kong, Londres e São Francisco.
Foram tiradas 640 fotografias a uma velocidade de 8 por segundo, em 8 semanas de viagens intensas. Zeca Camargo total! O projeto foi patrocinado pela Sony e o site da ação está hospedado dentro do site da marca. É o supra-sumo do advertainment: divertido pra quem assiste e mais ainda pra quem produziu. Vejam o vídeo abaixo.
Alex Profit: “Le tour du monde en quatre-vingts secondes”:
Ok, eu tive que ouvir. E depois, eu tive que ver. E mais tarde, umas cervejinhas na cabeça, eu tive que dançar. Estou falando de Lady Gaga. O mais recente fenômeno da música pop, que tanto repele os que não acreditam em previsões do tipo “ela é a nova Madonna”. Não, não é. Não é a nova nada. Mas está num excelente caminho artístico.
Antes de ouvir a tal Gaga, eu tive preconceitos. Mas cedi aos encantos dos amigos que repetiam como um mantra: ouça, ouça, ouça. Ouvi “The Fame Monster” todinho. Tirando um ou outro hit bem dançante, desses que sacolejam qualquer festinha (“Poker face”, “Paparazzi”, “Beautiful dirty rich” e a irresistível “Bad romance” são minhas preferidas), não vi nada demais em Lady Gaga. Popzinho bem feito, batidinhas na medida, atmosfera estranha – mas bem familiar pra quem passou os anos 90 ouvindo o álbum “Debut” de Björk.
Mas eis que me alertam: veja os clipes dela. Foi Marcílio Amorim, DJ e produtor cultural, numa reunião de amigos. Ele foi enfático: veja e você vai se apaixonar. Ok, lá vou todo cético procurar os clipes de Lady Gaga no Youtube. E pronto. Pirei.
A atmosfera estranha de “The fame monster” é elevada à quinta potência nos clipes da cantora. Tudo limpo, plástico, ultrassaturado e muito, muito, muito bizarro. Lady Gaga faz do grotesco a matéria-prima de seus clipes e isso rende imagens realmente impactantes.
Em “Paparazzi”, por exemplo, ela faz a coreografia com muletas, enquanto cenas de modelos lindas (e mortas) entrecortam-se na edição. Em “Bad romance”, a magreza da cantora é explorada de forma perturbadora, enquanto um efeito pra lá de bizarro aumenta os olhos de Lady Gaga. Tem ainda a farra de dinheiro em “Beautiful dirty rich” que chega a ser medonha.
Veja o clipe de “Paparazzi” antes de seguir lendo. Vai fazer você entender melhor o que estou dizendo.
Lady Gaga: “Paparazzi”
Enfim, não me apaixonei pela música de Lady Gaga, mas sim pelo seu senso estético. Distorcido, cruel, perturbador. Lembrei de uma amiga que sempre dizia: “Essa semana saiu o clipe da próxima música que você vai amar”. Pois é, os clipes de Lady Gaga fazem você gostar da música.
Falei tudo isso pra você chegar em “Telephone” com certo conhecimento do universo de Lady Gaga. Em parceria com Beyoncé, o clipe é uma profusão de bizarrices atrás da outra: desde óculos escuros feito com cigarros acesos (!) até uma aula de culinária que ensina como fazer sanduíches envenenados (!!!). Mas o melhor detalhe é a caminhonete que as duas dirigem: a “Pussy wagon”, picape que Uma Thurman rouba quando foge do hospital em “Kill Bill II”. Clássico!
Lady Gaga e Beyoncé: “Telephone”
Não é uma obra-prima, mas garante boas risadas. E, no fim das contas, é justamente pra isso que o pop serve. Não é?
A moda mais uma vez ultrapassa a fronteira dos briefings publicitários e surpreende. Enquanto a maioria dos produtos vende a idéia de que seu público é mais forte, mais esperto, mais saudável, mais bonito, enfim, mais alguma coisa que dê status na sociedade, a Diesel vai na contramão da propaganda que fomenta a competição individual e sugere: “Seja estúpido”.
Sim, este é o novo conceito que a Diesel lança globalmente. Algo como: quem usa Diesel é panaca. Parece um tiro no pé, mas através de uma argumentação bem feita essa sentença se transforma em um convite irrecusável para aproveitar a vida sem amarras.
Frases como “Os espertos têm planos, os estúpidos têm histórias” transmitem a idéia de que quem vive cheio de certezas está, na verdade, preso num mundinho medíocre.
“Os espertos criticam, os estúpidos criam” também é uma excelente amostra do novo posicionamento da Diesel.
Mas a minha preferida é mesmo essa aí de cima. Numa tradução livre, seria algo como “Os inteligentes têm cérebro, os estúpidos têm colhões”. Síntese perfeita do posicionamento que a marca assume, fomentando atitudes livres e impulsivas (típicas do jovem) em detrimento da racionalidade planejada que é comum nos adultos.
Um vídeo simples, todo cartelado, transmite perfeitamente a extensão desse novo conceito. E sem mostrar, em nenhum momento, uma calça jeans.
A expectativa é grande e não é pra menos. Em setembro, a Microsoft lança o aguardado jogo “The Beatle Rock Band” para o Xbox. Os usuários poderão, através de instrumentos de plástico, tocar as canções da maior banda de todos os tempos. Incluindo os vocais. Para promover esse grande lançamento, esta semana caiu na rede a abertura do jogo.
O vídeo é um resumo da história dos Beatles, desde o tempo dos pubs em Liverpool até o estouro de sucesso mundial com toda a psicodelia que se tem direito. Show de animação, que lembra um pouco os clipes do Gorillaz, mas com o charme de ter uma trilha sonora bem melhor. Pode dar play e se deliciar.
>>>>>>>> Patrício Jr, Thiago de Góes, Carlos Fialho e Daniel Minchoni: lançamento do JE em São Paulo
Era 2004 e eu recebi um telefonema meio estranho. Carlos Fialho me chamando pra uma reunião. Tinha uma idéia pra me contar. Éramos então não mais que meros conhecidos. Em comum, apenas alguns amigos. Pensei sinceramente: o que esse playboy quer comigo? Mal sabia eu que Fialho não era playboy. E estava falando sério quando dizia que tinha uma idéia.
A tal idéia se chamava Jovens Escribas. E a tal reunião foi entre eu, ele e Daniel Minchoni (Thiago de Góes, do qual dizíamos que era um amigo imaginário de Fialho, só apareceu de verdade algumas semanas depois). Esmiuçando a idéia: ele queria se reunir conosco para criar uma coleção de quatro livros, cada um assinado por um de nós. Topamos.
E então foi pesquisar sobre leis de incentivo, papel pra livro, tipos de capa, formatos, distribuição. No meio do caminho, percebemos que aquilo que estávamos fazendo poderia ser maior. Poderia ir além de uma coleção de quatro livros. Poderia ser algo realmente grande. A maior coisa que todos nós já tinham feito na vida.
Assim, marcamos uma reunião na AS Livros. Chamamos todos os amigos, colegas e conhecidos que sabíamos que escreviam. Estavam presentes umas 30 pessoas. Falamos sobre a idéia de começar a publicar autores inéditos, de mudar a forma como se consumia literatura no RN, de ir além. Alguns acreditaram, outros não.
Pois bem, a idéia maluca está completando 5 anos. E foi coroada com o lançamento de “Mano Celo”, terceiro livro de Carlos Fialho e décimo livro do Jovens Escribas. A coleção de quatro exemplares virou selo literário. Já fomos pra grandes eventos de literatura, já lançamos livros em São Paulo, já percorremos muito chão. Abaixo, você tem um vídeo que conta um pouco dessa história. E se um dia um playboy te ligar com uma idéia maluca, pare pra ouvir. Pode mudar sua vida.
Ps.: Receber a ligação de Fialho hoje me passando o link desse vídeo foi especialmente marcante. Estou finalizando meu segundo livro, o 11º do Jovens escribas. Chama-se “A Cega Natureza do Amor” e deve ir pra gráfica amanhã. Lançamento em julho. Fez todo o sentido repassar a nossa história hoje.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.