Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
O Twitter tem uma coisa bem interessante: você quebra a cabeça pra espalhar alguma coisa, viralizar uma idéia, fazer com que algo ganhe um alcance global… e nunca consegue. Então, certo dia, cansado de levar essa coisa de internet tão a sério, você inventa uma brincadeira idiota, posta no Twitter e de repente… ela entra no Trending Topics (ranking dos assuntos mais comentados do Twitter).
Foi o que aconteceu com a tag #FrasesTipicamenteNatalenses, que criei ontem na hora do almoço enquanto conversava com a amiga @kmilaferraz. Ela me disse que era muito comum ouvir de suas amigas a seguinte frase: “Preciso emagrecer pra entrar na academia”. E eu, prontamente, identifiquei nessa setença um alto teor natalense (cidade que se presta a valorizar muito mais a aparência do que qualquer outra coisa). Postei imediatamente a pérola no Twitter, sinalizando-a ironicamente com a hashtag #FrasesTipicamenteNatalenses.
A intenção era bem clara: criticar a cidade e talvez, por meio desse humor sardônico, mostrar para nós mesmos o ridículo de sermos tão provincianos. Por isso, segui as postagens com a tag criada, escrevendo no Twitter pérolas da ignorância natalense como “Essa peça de teatro é com algum artista da Globo?” ou “Comprei essa calça em 10 vezes sem juros”. Ridicularizar a mania dos natalenses de viver de aparências é algo que gosto bastante. Mas…
Logo outros natalenses passaram a postar expressões locais, gírias típicas da cidade e outras particularidades da região, como “Tu é galado, visse?” ou “Esse ômi é esse ômi mermo, esse ômi” (acreditem, moradores de outras cidades, essa é a linguagem corrente da minha amada Natal, intraduzível e inconfundivelmente natalense). A autocrítica inicial se perdeu e se transformou num grande documentário sobre a linguagem vigente na cidade (não menos importante do ponto de vista sociológico, visto que os desvirtuamentos de linguagem são tão ou mais interessantes do que a linguagem culta).
A brincadeira foi se espalhando, ganhando adeptos, viralizando-se. Chegou, rapidamente, a 1º lugar no Trending Topics Brasil. Hoje, menos de 24 horas depois, a tag #FrasesTipicamenteNatalenses está em 3º lugar no Trending Topics mundial (ou seja, é o terceiro assunto mais comentando entre os mais de 145 milhões de usuários do Twitter em todo o mundo!).
Se estou feliz com essa “conquista”? Não digo que estou triste, obviamente. De alguma forma, mexe com meu ego saber que esse bando de gente está seguindo uma sacada que eu tive.Mas acho que ganharíamos muito mais se o caminho não tivesse sido desvirtuado e continuássemos a brincadeira com uma saudável autocrítica de nossos nocivos hábitos provincianos. Mas não vou reclamar. Afinal, o mundo inteiro agora tem a oportunidade de comprovar o que eu tentava dizer lá na minha primeira postagem com a tag #FrasesTipicamenteNatalenses: nós, dessa linda cidade chamada Natal, somos meio ridículos mesmo.
Ps.: Até tentei emplacar a tag #FrasesTipicamenteMicarlenses, para compilar as pérolas de nossa prefeita… mas não colou. Segundo alguns usuários, tem muita gente de rabo preso em Natal…
Eu concordo com a lei antifumo. Ipsis litteris. Acho, inclusive, que deveria se estender a todo o país. Com benefícios coletivos inumeráveis. Por exemplo, os não-fumantes não vão se incomodar com a fumaça, os fumantes vão se envenenar menos e todo mundo vai sair ganhando nessa história. Ponto.
Dito isso, passemos ao que realmente importa.
Esta manhã, fiz a seguinte postagem no Twitter: “Quando me dizem ‘eu odeio fumantes’ sinto vontade de responder ‘eu odeio gordos’”. Obviamente, não odeio gordos. Mas a frase, por sua concisão e contundência, dá margem a diversas interpretações. Principalmente as erradas. Por isso, me dou ao direito de estender o tópico.
Não gosto de ouvir “odeio fumantes” porque sou fumante. Me incomoda saber que todos são colocados no mesmo bolo e tratados como mal educados que saem baforando suas fumaças independente de quem está respirando ao seu lado. Eu tomo cuidados. Para não incomodar os outros, para não ficar fedendo, para não deixar que o fato de ser fumante seja a principal característica da minha personalidade. Já imaginou? “Fulano? Ah, é inteligente, fumante, engraçado”. Não, não gosto de generalizações. E sou fumante mas sou limpinho.
Essa sentença, dita com tanto orgulho por alguns não-fumantes, é hipócrita. “Odeio os fumantes porque eles fedem”. Bom, eu não fedo, apesar da lógica dizer que eu deveria feder. Veja bem: gordos suam mais e, portanto, têm maior probabilidade de exalar maus odores. Seria justo dizer “odeio gordos porque eles fedem”? Não, meus amigos, seria cruel. E desnecessário. “Odeio fumantes porque eles me incomodam”. Apesar de sentir vontade de dizer “os incomodados que se retiram”, não serei infantil a tal ponto. Direi apenas que pedintes nas ruas me incomodam. E não os odeio. E até mais: direi que você, leitor, provavelmente faz algo que me incomoda profundamente. E não te odeio.
Depois vem toda a desinformação característica de quem quer ser o dono da verdade. O cigarro é um problema de saúde pública. Por mais que, teoricamente, a venda de cigarros cubra os gastos públicos com tratamentos de câncer e outras mazelas, se houvesse menos problemas de saúde decorrentes do tabagismo o imposto gerado pela venda de cigarros poderia ser empregado para salvar a vida de pessoas que não estão se autoinfligindo doenças. Como a realidade não é essa, o Governo intervém. Não porque quer garantir o direito de você, não-fumante, sair da balada com o cabelo cheiroso. Nem muito menos porque quer perseguir os que gostam de acender seus caretas. O Governo intervém porque precisa equilibrar as contas. Tudo se resume a dinheiro.
A obesidade também é um problema de saúde pública. Milhões são gastos no SUS com malefícios que advêm desse péssimo hábito (doenças cardíacas, cânceres, hipertensão, etc). Houvesse menos obesos mórbidos ou sedentários, sobraria mais dinheiro para tratar pessoas que não estão ficando doentes porque querem. Simples assim.
Não estou defendendo a restrição dos direitos dos gordinhos. Nada disso. Entendo perfeitamente que no aspecto da saúde pública a obesidade e o tabagismo guardam diferenças gigantescas (a principal delas, a meu ver, é que quando somos pequenos nossas mais não ficam o tempo todo repetindo “fume esse cigarrinho todinho senão fica sem sobremesa”). Mas no aspecto social, podemos sim comparar as duas facções. Fumantes e gordos estão unidos.
Gente mal educada tem de todo tipo. Fumante, não-fumante, gordo, anoréxico. Mas, por mais desagradável que seja ter que compartilhar espaços com pessoas de diferentes características, o caminho do ódio só leva a uma coisa: recíproca (essa você já sabia, tenho certeza, falei só por falar mesmo). Posso listar inúmeras razões para odiar não-fumantes. Mas eu gosto deles. Afinal, se todo mundo fumasse, ninguém tentaria me livrar desse hábito terrível que assumo sem nenhum prazer.
Arthur Xexéo, juntamente com Carlos Heitor Cony, tem uma das colunas de comentários mais legais da rádio CBN. Às vezes falam besteira, mas muitas vezes são esclarecedores. Não chego a ser fã dos caras, mas me agrada ouvir suas opiniões (e até discordar delas) sempre que estou indo ao trabalho.
Mas ontem, fui além de discordar de Xexéo: eu simplesmente duvidei da capacidade dele de estar ali. Talvez tenha sido pela ausência de Cony, seu contraponto e escada; talvez tenha sido só mau humor matinal. Enfim, Xexéo meteu o pau no Twitter (e em todas as outras redes sociais) ignorando todos os argumentos a favor dessa tecnologia. E sem usar um só argumento plausível contra.
O que me espantou no comentário não foi “o Twitter é inútil”. Afinal, ele tem o direito de dizer isso e, vamos e convenhamos, para muitas pessoas o Twitter realmente é inútil. Meu espanto veio do fato de ter percebido que Xexéo simplesmente não sabe o que é o Twitter.
A opinião dele, por rasa e sem embasamento, me lembrou certos blogueiros que não têm do que falar e acabam trocando alhos por bugalhos. Mas Xexéo é um jornalista experiente, um comentarista de renome. Não entendo como teve coragem de falar de um assunto que não domina, resumindo o Twitter a algo que já não existe mais há tempos: um microblog onde você diz o que está fazendo.
Xexéo ignorou o poder do Twitter para o jornalismo. Ignorou que diversas tragédias foram cobertas primeiro lá para poder chegar à imprensa tradicional. Ignorou que um comentarista não deve falar do que não entende. E provou que está velho. No pior sentido da palavra.
Vivemos uma época de transição, em que a tecnologia muda tão rapidamente (e afeta tão rapidamente nossas vidas que só nos deixa uma saíde: experimentar. Propor o novo. Fomentar algo que talvez não tenha significado agora, mas que pode abrir portas para infinitos significados no futuro. É mais ou menos isso que o coletivo paulista C.A.O.S (Coletivo de Amor e Ódio em Segundos) está fazendo ao unir Twitter, blog e QR Codes (aquele novo código de barras que pode ser lido por câmeras de celular) num só projeto.
Trata-se do auto-intitulado livro vivo “Instantes de Amor e Ódio”. Uma inteligente brincadeira que leva às ruas os instantes de amor e ódio coletados diretamente do Twitter. Como? Usando criatividade e tecnologia para compor arte.
Explico…
O coletivo criou um perfil no Twitter (@caos_euconcordo). Se você passa a seguir este perfil, concorda automaticamente em ceder os direitos das postagens que contêm as palavras AMOR ou ÓDIO. Essas postagens são republicadas no site do projeto e de lá ganham as ruas em cartazes que usam tecnologia QR Code (ou seja, as pessoas, na rua, poderão ler os instantes de amor e ódio simplesmente fotografando os cartazes). Mas por enquanto, os tais cartazes só estão espalhados por São Paulo.
No manifesto do projeto, o coletivo C.A.O.S. enfatiza que este será “o primeiro livro vivo do mundo. escrito por imagens que só podem ser lidas em um celular”. E completa: “Páginas vivas, de conteúdo efêmero, mudando randomicamente a cada semana. Frases verdadeiras, vindas do mundo virtual, invadindo o mundo real por meio de uma enigmática poesia visual”.
Pode não ter significado algum hoje. Mas é essencial que experimentemos esse tipo de convergência de tecnologia para descobrir até onde elas poderão nos levar. Afinal, quando inventaram o raio laser ele não tinha utilidade alguma.
Nos últimos dias andei imerso no mundo dos microcontos. Esses textinhos curtos, de até 140 caracteres, que incrivelmente conseguem contar histórias emocionantes. Tudo aconteceu meio por coincidência: recebi uma pauta sobre microcontos, presenteei um amigo com Os menores contos brasileiros do século, recebi na caixa de e-mails microcontos escritos por uma amiga. E quando dei por mim, já estava completamente absorvido por esse microuniverso.
Pra quem ainda não aprendeu a apreciar essa nova tendência da literatura, indico dois autores: o Tiago Moralles e o Samir Mesquista.
O primeiro, conheci pelo Twitter. Tiago Moralles (@tfmoralles) publica seus microcontos religiosamente no blog Penates e ainda é inédito em livro. Redator da agência paulista Lew/Lara, Thiago tem um estilo certeiro, ácido e por vezes constrangedor. Olha só alguns exemplos:
Microconto #83
A melhor visão daquele acidente deveria ser a de fora. Que por sinal, ele não pode ver.
Microconto #81
Por mais que tentasse começar uma história com era uma vez, sabia que no final não viveriam felizes para sempre.
Microconto #80
Arrancar a rosa foi doido, mas devolvê-la à terra em forma de coroa, a 7 palmos, foi muito mais.
Microconto #79
Lembrava sempre de não passar em baixo de escada e de não cruzar com gato preto, mas esqueceu de colocar o cinto de segurança.
Microconto #73
A irresponsabilidade das 4 rodas nunca mais foi possível sobre as 2 da cadeira.
Tiago Moralles gosta tanto de microcontos que acabou virando jurado do segundo “140 Letras”, concurso de microcontos que acontece no Twitter. Pra participar do concurso é simples: basta publicar microcontos no Twitter sinalizando a postagem com a tag #140.
As regras básicas são:
- Os textos precisam ser escritos em português
- Devem ter no máximo 140 caracteres
- Dentro dessa margem, devem conter a tag #140 para identificação.
Segundo o blog de Tiago, “Podem ser escritos quantos microcontos o participante achar necessário. Mas só serão aceitos os que forem publicados entre 0h de 19/4/2009 (domingo) e 23h59 de 2/5/2009 (sábado), pelo horário de Brasília”. Além dele, o concurso tem mais quatro jurados: o ator Ivam Cabral (@ivamcabral), a produtora cultural Liliane Ferrari (@lilianeferrari), a escritora Liliane Prata (@liliprata) e o produtor musical Pena Schmidt (@penas).
Ainda segundo Tiago, “O concurso é organizado por Roberto Moreno (@robertomoreno) e para mais informações acesse o site 140 Letras ou siga o 140 pelo Twitter (@140letras”.
Já o segundo microcontista que acabei conhecendo nos últimos dias é o Samir Mesquita. Esse já tem um livro de microcontos publicado e segue para publicação do segundo. “Dois palitos”, o primeiro, é um minilivro que vem dentro de uma caixa de fósforos. Uma idéia muito original que está sendo vendida em todo o país através do site Dois Palitos. No site, também é possível ler alguns minirrelatos de Samir. De qualidade indiscutível, claro.
O segundo livro, ainda no prelo, chama-se “18h30” e contém microcontos sobre o trânsito no formato de um mapa. Coincidência ou não, Samir também é redator publicitário.
A amiga que me enviou seus microcontos pediu, pelo amor de deus, que eu não os publicasse. Uma pena. Dessa experiência podem sair talentos incríveis, como é o caso dela. Vamos ver se depois dessa postagem ela se anima em compartilhar seus minirrelatos com o mundo.
No primeiro PlogCast, tem polêmica com a farra das passagens e a incrível notícia de que as medidas moralizadoras da Câmara serão votadas pela própria Câmara. Tem baixarias com o Supremo Tribunal Federal – e seus juízes trocando ofensas precedidas de Vossa Excelência – e com Ciro Gomes dizendo que “Ministério Público é o caralho!”. Tem notícias bizarras, tem Twitter, tem Gabeira e sua tanguinha roxa.
No elenco, quatro jovens jornalistas (pero no mucho): Patrício Jr, Marlos Ápyus, Luanda Holanda e Rosilene Pereira.
Gravado no sábado, 25 de abril, o primeiro PlogCast segue a seguinte pauta:
- 1º bloco: Farra das passagens
- 2º bloco: Barracos em Brasília
- 3º bloco: Notícias bizarras
- 4º bloco: Comentando os comentários
Então é dar play aí embaixo e se preparar para comentar.
Um post sobre um tal script de popularidade no Twitter deixou a blogosfera em polvorosa. Posts irados, mensagens de ódio, notas de repúdio por toda a internet. Mas a verdade verdadeira, a mais contundente, a que ninguém quis postar, é: isso não tem a menor importância. Exatamente, não tem.
O tal post foi de autoria da jornalista Rosana Hermann. Popular na internet, Rosana é blogger do Querido Leitor (um blog pra lá de ruim, que vive de renoticiar o que já foi noticiado). Foi lá que ela postou, no dia 05 de abril, o texto intitulado Um robô de fazer sucesso no Twitter.
Esse “robô” é o tal script que falei. Ou seja, um código que agrega novas funções ao Twitter. Neste caso, a função é simples: adicionar automaticamente todos os seguidores de um determinado perfil. O truque da popularidade vem aí: como é tendência natural que passemos a seguir quem nos segue, o script faz o perfil de quem o usa subir astronomicamente de importância dentro do site.
A questão é essa: dentro do site.
Ao contrário do que muitos alardearam por aí (chegaram a falar em “ética 2.0”, minha gente!), o que Rosana Hermann fez não é nada demais. Nada mesmo. É tão “nada” que tem impacto zero sobre o mundo real. Afinal, que diferença faz ser a mais ou menos seguida no Twitter? Aliás, que diferença faz o Twitter? Apesar da falta de importância, falaram em credibilidade, em ética, em moral. Esqueceram de falar em relevância. O debate sobre métodos honestos de conseguir popularidade no Twitter é tão irrelevante que já está me dando vergonha de escrever esse post. Mas vamos lá.
Pra quem não enxerga o mundo como um código de html, o texto na verdade começa aqui. A blogosfera (e todos os seus derivados, a saber: twittosfera, orkutosfera, fotologosfera, etc) demonstra uma perigosa tendência de se fechar em seu seu próprio mundo e se trnasformar numa umbisgofera. Muito blogs começam interessantes, falam sobre assuntos legais, mas com o ganhar de popularidade acabam caindo na pior das metalinguagens: passam a falar somente sobre blogs. Acontece também em outras redes sociais. Já se nota que os mais populares do Twitter não têm outro assunto a não ser o Twitter. No Orkut, nem se fala: a importância de um scrap respondido, para alguns, ganhou status de buquê de flores. Patético. E chato demais.
A briguinha pela “popularidade honesta” no Twitter, incitada pelo post de Rosana Hermann, lembra em muito os primórdios do Orkut. Era um tal de “quanto amigos você tem? 20? Eu tenho 499” que dava pena. Parecia pré-adolescente medindo o tamanho do pau. No Twitter, a briga se torna ainda mais bizarra porque envolve um suposto poder de persuasão sobre as massas. Explico.
Marcelo Tas (que já era famoso bem antes do Twitter e ancora um dos programas mais legais da TV brasileira, o CQC), assinou recentemente um contrato com a Telefônica para postar mensagens no seu Twitter sobre um novo serviço da empresa. Foi o suficiente para encher os olhos de ambição das twitcelebrities. Todos acham que vão ganhar uma boquinha com seu perfil. Mas não vão. Caiam na real, por favor. Marcelo Tas existe no mundo real. Tem influência real sobre a opinião pública. É um comunicador com um lastro de popularidade que vem desde os anos 80. Marcelo Tas não é apenas um avatar com 10.000 seguidores no Twitter.
A revolta pelo truque que Rosana Hermann usou é uma bobagem. Uma infantilidade. Uma falta do que fazer da blogosfera. Poderiam investir energias em assuntos mais interessantes. Tá parecendo a Globo, que lança um programa e noticia em seus telejornais. A blogosfera tá virando isso: uma Rede Globo. A diferença é que o único programa da blogosfera é o Vídeo Show. E eu não vou mais tomar seu tempo com isso. Prometo.
Pronto, começou. Depois de invadir blogs, a publicidade chega até o Twitter. Marcelo Tas, um dos mais famosos tuiteiros do Brasil e integrante da trupe do CQC, fechou contrato com a empresa Telefônica para divulgação do Xtreme, serviço de TV por assinatura e banda larga da multinacional espanhola.
Por ser uma celebridade e gozar de muito prestígio e credibilidade entre os internautas, a notícia não deveria ser uma pauta importante. Um produto tão segmentado, afinal, não poderia ter uma estratégia mais acertada. O problema começa, entretanto, pela forma de campanha que a Telefônica bolou. Marcelo Tas não vai ser um garoto propaganda convencional, desses que anunciam promoções com sorrisos largos em VTs no horário nobre. Pelo contrato, Tas deverá postar ao menos 20 mensagens por mês referentes ao Xtreme no seu Twitter. Formou-se, então, a polêmica.
Se você já sabe o que é Twitter, pode pular pro parágrafo seguinte. Se não sabe, se ligue: o Twitter é uma espécie de microblog onde as pessoas postam textos de até 140 caracteres. Inicialmente sem grande utilidade, virou febre quando descobriram que ele possibilitava compartilhar informação de uma forma rápida e precisa. Por meio da ferramenta “Follow” você escolhe quem quer seguir – e assim, ficar por dentro de todas as atualizações desta pessoa. Isso torna possível ter informações direto da fonte, principalmente quando se trata de jornalistas e blogueiros renomados como Marcelo Tas.
Pelo caráter tão pessoal do Twitter, a estratégia da Telefônica causou estranheza até fora dele. Além das centenas de mensagens sobre a polêmica (que podem ser achadas no Twitter com a tag #twitterdealuguel), o fato repercutiu pela imprensa. O Wall Street Journal publicou matéria noticiando o ocorrido e comentando a influência que Marcelo Tas pode ter sobre seus “seguidores”.
O assunto é complicado. E como humilde publicitário, tenho minha opinião formada: Marcelo Tas não está fazendo nada demais. A publicidade que ele vai postar no Twitter não será disfarçada, será explícita. Ou seja, todo mundo vai saber que é publicidade. Na sua página, a marca da Telefônica vai aparecer (de forma discreta, que seja, mas vai aparecer). E até o número de propaganda que ele vai exibir é limitado. 20 por mês, minha gente. E tem mais: vai ser melhor que as atualizações do tipo “Carnaval de Olinda, aí vou eu” ou “Ai, tô tão triste hoje”. Como ferramenta de compartilhamento de informação, o Twitter cumprirá seu papel: quem segue Marcelo Tas, terá a oportunidade de conhecer um produto novo. E o melhor: a ação é completamente transparente.
Muito pior são as subcelebridades que emprestam suas vidas à propaganda sem dizer a ninguém que estão sendo pagas (como o falso namoro de Karina Bach com o Baixinho da Kaiser, por exemplo). Ou ainda as execráveis “matérias pagas” nos jornais, que não levam a inscrição “Informe publicitário” (como diz a lei) e acabam por aproveitar-se da credibilidade do veículo para promover produtos sem que o público saiba que aquela informação foi paga (prática, inclusive, que já tem seu similar na internet, o tal do post pago, que funciona exatamente do mesmo jeito: na surdina, uma empresa paga para que aquele veículo, no caso um blog, fale bem dela sem que ninguém saiba que o veículo está recebendo pra isso).
Além de todos esses fatores, ainda há a questão do “Unfollow”. Ou seja, quem não quiser receber propaganda do Marcelo Tas, basta deixar de segui-lo no Twitter. Simples assim. Muito mais democrático que os spams, muito menos invasivo que a mídia exterior.
Ou seja, no meu tribunal, o Marcelo Tas é inocente. E o fato de ter aceitado a proposta da Telefônica foi bom pra todo mundo, por ter levantado um debate bem interessante entre ética e propaganda. Que as opiniões conflitantes continuem a surgir.
Ps.: esse post não foi pago pelo Marcelo Tas, ok?
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.