Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Sejamos francos: você viveu até hoje muito bem sem ter um computador em formato de prancheta sempre dentro da mochila. Eu até acredito que uma ou outra pessoa necessite estar hiperconectada em todas as situações – um super-executivo de multinacional, ou o chefe de programação do Google, ou ainda o Perez Hilton. Mas você, meu amigo, minha amiga, definitivamente não precisa. O que não significa que você vai abdicar dos encantos dos tablets – e mais ainda, dos encantos do iPad, o tablet da Apple lançado com estardalhaço ontem.
Pra quem está voando no assunto, um rápido resumo (que não constará na versão em livro desta crônica): ontem, a Apple lançou seu novo “mais inovador e fantástico produto”: o iPad. Trata-se de um tablet (basicamente, um netbook sem teclado com tela touch screen). Custará a partir de US$ 499,00 e promete criar uma revolução na forma como navegamos na internet, compartilhamos fotos e vídeos, jogamos games, etc.
Ok, você não precisa de um iPad. Eu não preciso de um iPad. Mas eu quero um. Porque desde o lançamento do iPod (e lá se vão quase 10 anos), a Apple vem se especializando em criar soluções para problemas que não existem. Esse é o grande mérito da gigante de tecnologia de Steve Jobs: criar necessidades até então inexistentes.
Não sei se você lembra, mas antes do iPod não era necessariamente um problema sair na rua sem estar ouvindo música. Era até normal. Eu lembro que tirava uma ou duas horas da minha atribulada semana para sentar no sofá, ouvir meus CDs, manipular os encartes, ler as letras. Consumir música, pra mim, era isso. Mas que coisa mais antiga essa história de sentar pra ouvir música, não é mesmo? A Apple e seu aparelhinho de fones de ouvidos brancos mudou tudo: agora a gente ouve música no ônibus, no metrô, na aula, no trabalho.
De lá pra cá, teve o iPhone (que solucionou o problema inexistente de ter aplicativos no celular que fazem das coisas mais estúpidas até as mais incríveis), o iPod Touch (que aniquilou os teclados sem que ninguém tivesse reclamado, até então, por ter que usá-los), a App Store (que vende aplicativos que você não sentiria necessidade alguma de ter caso não tivesse um iPhone), a iTunes (que vende músicas que você pode conseguir de graça) e agora o iPad.
Que disponibiliza internet, fotos, games, filmes, música, livros e mais um monte de coisas: mas agora, de qualquer lugar, a qualquer hora, com tela multitouch (porque touch screen já é passado) e a incrível convergência à tecnologia 3G. Tudo isso em 10 polegadas do mais puro design.
Sejamos francos. O seu netbook que pesa pouco mais de um quilo (na pior das hipóteses) já faz tudo isso. Mas ele tem teclado e de repente, ao estalar dos dedos de Steve Jobs, teclados passaram a ser coisa do demônio. Mais antigos que, sei lá, salvar arquivos no HD. Sim, pois o iPad não foi feito pra isso. A capacidade de armazenamento deles é de, no máximo, 64GB. Pra você uma idéia, meu netbook surrado tem capacidade de 250GB de armazenamento. Não estou falando que o produto é ruim, obviamente. Este julgamento só um especialista em tecnologia pode fazer. Mas à luz da lógica, há de se convir, não faz sentido abandonar meu netbook e investir US$ 500,00 nesse novo brinquedo.
Mas eu quero um iPad. Você quer um iPad. Todo mundo quer um iPad. A Apple sabe criar, como poucas empresas, isso que chamo de “desejo de ter uma necessidade”. Explico: logo que o anúncio foi feito, na tarde de ontem, eu fiquei pensando em todas as situações que poderia fazer uso de 100% das funcionalidades do iPad. Numa viagem, por exemplo, poderia postar textos no PLOG a qualquer momento. Poderia enviar fotos pros amigos quase instantaneamente. Em casa, poderia ler e-books sentado em frente à TV, confortavelmente, sem aquele trambolho de netbook esquentando minhas pernas. Poderia compartilhar arquivos sem a necessidade de plugar milhões de fios, e acessar meu e-mail onde quer que eu estivesse, e ler confortavelmente as notícias do dia. É o desejo de ter uma necessidade. Porque, convenhamos, postar textos no blog a qualquer momento não é bem uma necessidade, não é mesmo?
E a economia gira sua grande roda. E eu, engrenagem desse sistema, faço a minha parte. Eu quero um iPad como quem desejou, há uns bons 12 anos, seu primeiro computador 486. Como se fosse minha tablet da salvação. Em cinco ou seis anos, podem acreditar, todos nós vamos nos perguntar: “Como consegui viver até hoje sem ter um iPad?”. E então riremos todos desta crônica enquanto dizemos: “Patrício Jr é tão 2010, né?”.
Para os que não acreditam que os livros digitais – ou, como se diz em português, e-readers – jamais vão substituir o tradicionalíssimo suporte analógico da literatura, aí vai uma notícia estarrecedora: a LG apresentou essa semana seu leitor digital com tela flexível, espessura de papel, menos de 130 gramas e mais de 19 polegadas. Ou seja, é tão flexível, leve, fino e grande como uma página de jornal. Tem desculpa pra continuar com a celulose?
Este novo papel eletrônico tem apenas 0,3 milímetros de espessura e o tamanho de uma folha de A3. É oito vezes maior que o maior leitor digital disponível no mercado e quem experimentou garante: é a mesma coisa de estar lendo um jornal impresso. Inclusive, a tecnologia permite que o papel eletrônico da LG possa ser dobrado sem que as imagens se distorçam ou percam qualidade.
Apesar do alvoroço que o lançamento pode causar no mercado editorial global, a LG pretende iniciar a produção em larga escala de um formato reduzido do que foi mostrado à imprensa: apenas 11,5 polegadas. Coincidência ou não, 11,5” é um tamanho bem aproximado da maioria dos livros impressos em papel.
O Pomegranate NS08 é um celular que vai deixar o iPhone e o Blackberry no chinelo. Com tecnologia canadense, o lançamento promete revolucionar o mercado de telefonia móvel mundial. E não é pra menos.
O aparelho com design inovador reúne diversas funções até então jamais postas num celular. Além das tradicionais – telefone, e-mail, navegador de internet, câmera digital, localizador GPS e MP3 player – o Pomegranate, “the all-in-one device”, tem outras funções inimagináveis até então. Pode ser usado como projetor de slides, projetor de filmes, tradutor de voz em tempo real, barbeador, gaita e cafeteira. Isso mesmo. Até cafeteira!
No genial site de lançamento do produto – que ainda não tem data para chegar ao Brasil – todas as funções estão devidamente explicadas, com vídeos de demonstração e exemplos da utilização.
Se você ainda não clicou no link acima e continuou lendo a notícia, relaxe que seu iPhone ainda não vai ficar obsoleto. É que toda a campanha de divulgação do Pomegranate (que significa “romã” em português) nada mais é que uma campanha viral para divulgar a região da Nova Escócia, no Canadá. Não achou a ligação? Vou explicar.
Após cada vídeo que você visualiza no site do Pomegranate, aparecem dois botões: “continuar explorando” e “já vi o suficiente”. Se você clica no primeiro, volta ao site e continua vendo as maravilhas do celular revolucionário. Mas se clica no segundo, é redirecionado ao site de Nova Escócia, que inicia com a seguinte mensagem: “Um dia você terá tudo que precisa num só dispositivo. Hoje você tem tudo que quer num só lugar”. Então, as belezas de Nova Escócia surgem pros internautas.
Uma ação original e muito divertida. E que chegou até mim através de uma amiga que mora na França (valeu, Tereza!). O site é muito bem feito, apesar de demorar pra carregar. Mas vale cada frame descarregado, porque é um show de navegabilidade.
Aos que acharam a ação indireta demais, uma pergunta: quando é que uma propaganda turística da Nova Escócia no Canadá me atingiria aqui no Brasil?
Mais um post sobre o Google. É, mais uma vez. O problema é que a empresa é tão inovadora que sempre dá pano pra manga. Dessa vez, o assunto é o Google Latitude, novo serviço da empresa que integra seu Google Maps aos celulares para servir como localizador de pessoas. Isso mesmo. Nunca mais você vai se perguntar onde está Wally. A partir de agora, dá pra saber exatamente onde seus amigos, parentes e contatos em geral estão. A notícia ruim é que eles poderão saber onde você está também.
O novo serviço, segundo a assessoria de imprensa da empresa, vem para responder a grande questão das ligações de celular: está onde? Dez a cada dez chamadas de celular começam assim. Com o Google Latitude, essas pergunta cai em desuso. Em contrapartida, as utilidades ao aplicativo são infinitas. Marcar encontros em grandes eventos, como um show, por exemplo, se torna uma tarefa simples. Para pais preocupados com filhos adolescentes soltos na noite, também é um alívio. E pra descobrir exatamente qual o bar em que seus amigos estão reunidos, então, será moleza. Basta ter um celular com pacotes de dados e uma conta Google.
O Google Latitude, lançado com a versão 3.0 do Google Maps, permite ainda compartilhar localizações automaticamente com os contatos, ocultar a própria localização de determinadas pessoas e ainda dizer o que você está fazendo no lugar em que está. Por questões de privacidade, o serviço não disponibiliza seu itinerário, apenas a localização atual. A atualização acontece a cada 3 minutos em média.
O serviço, obviamente, tem um quê de perturbador. Já pensou o que pode acontecer se você esquecer de desativá-lo justo no dia em que pula a cerca com a secretária? E se as empresas exigirem o localizador sempre ativo pra não ter desculpa esfarrapada pros atrasos? Ou pior: e se um inimigo seu for assassinado e o Google colocar você na cena do crime no momento exato do homicídio? Parecem elucubrações de enredo de ficção científica, mas as possibilidades de enrascadas que o novo aplicativo pode criar são totalmente plausíveis.
Entretanto, segundo a empresa, não há motivo para pânico. O serviço só funciona se você ativá-lo (através da página WAP google.com/latitude) e quem se cadastrar tem controle total sobre a própria localização: pode ativar e desativar o localizador na hora que quiser, com apenas alguns cliques no celular. O perigoso banco de dados que o serviço gera, entretanto, não foi assunto de nenhuma nota oficial.
A cada produto que o Google lança, uma pergunta lateja na minha cabeça: aonde vamos parar? Vale salientar que a empresa, apesar de ser oficialmente do setor de internet, estuda há anos a viabilidade de prestar serviços em diversas áreas da tecnologia, desde a telefonia até a TV a cabo. Estando na vanguarda da integração de serviços, o Google mostra que se prepara para um mundo bem diferente do que vivemos hoje. Onde vamos parar, eu não sei. Mas no dia em que pararmos, vai constar a localização exata no Google Latitude. Disso tenho certeza.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.