Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Segue a baixo programação completa do Festival Dosol 2010, evento que acontece em Natal/RN de 05 a 15 de novembro. As ações do Festival Dosol 2010 são patrocinadas pela Oi e Petrobrás com apoio do Oi Futuro através da Lei Estadual Câmara Cascudo e Lei Rouanet.
FESTIVAL DOSOL 2010 – LINEUP FINAL
SEXTA, DIA 05 DE NOVEMBRO
FESTA DE ABERTURA
CENTRO CULTURAL DOSOL
DISCOTECAGEM – FABRÍCIO NOBRE (GO)
24H – AMP (PE)
01H – LOVE BAZUKAS (GO/SP)
SÁBADO, DIA 06 DE NOVEMBRO
RUA CHILE, RIBEIRA
15h30 – HOSSEGOR (RN)
16H – DECRETO FINAL (RN)
16H30 – NEVILTON (PR)
17H – HUMANA (CHILE)
17H30 – MECHANICS (GO)
18H – SWEET FANNY ADAMS (PE)
18H30 – SEX ON THE BEACH (PB)
19H – SUPERGUIDIS (RS)
19H30 – VENICE UNDER WATER (RN)
20H – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA (RN)
20H30 – AUTORAMAS (RJ)
21H – THE TORMENTOS (ARG)
21H30 – CALISTOGA (RN)
22H – BLACK DRAWING CHALKS (GO)
22H30 – VESPAS MANDARINAS + FÁBIO CASCADURA (SP/BA)
23H – ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA (PE)
24H – CABRUERA (PB)
24H30 – MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF)
Há uma inquietação no ar. Aquela coceira que não nos deixa ficar parados e é isso que move as ações do Festival Dosol ano após ano. Para a sétima edição do evento que vai ser realizada entre os dias 05 e 10 de novembro em três locais diferentes (Rua Chile, Casa da Ribeira e Pium) resolvemos radicalizar. A ideia é não deixar nossa casa, rua, bairro ou população sem arte. Com música já conseguimos atingir parte dos nossos objetivos, mas não é suficiente. Por isso estamos lançando uma ação que vai envolver artistas plásticos da cidade denominada Intervenções Urbanas.
O pontapé inicial das atividades do Festival Dosol 2010 acontecerá terça, dia 07 de setembro, nada mais apropriado do que comemorar a independência do Brasil com arte livre. Nesse dia estaremos reunindo os artistas plásticos Maurício Fontinele e o combo cultural Coletivo Noize para começar a repaginar nossa rua (a Rua Chile) e nossa casa (o Centro Cultural Dosol). Além de intervenções artísticas no nosso próprio espaço, o Centro Cultural Dosol ainda estará aberto ao público com um bazar de cds e dvds e um ambiente para venda e troca de instrumentos musicais.
Junto das ações de artes plásticas ainda estaremos com o palco armado para receber jam sessions, shows e outras expressões sonoras que forem sendo propostas e discotecagem rock. Toda a programação é gratuita e vai acontecer entre 14h e 22h.
As ações do Festival Dosol 2010 são patrocinadas pela Oi e Petrobrás com apoio do Oi Futuro através da Lei Estadual Camara Cascudo e Lei Rouanet.
SERVIÇO
Festival Dosol: Intervenções Urbanas
Onde? Centro Cultural Dosol
Quando? Terça, 07 de setembro, das 14h às 22h
Atrações? Intervenções de Artes Plásticas, bazar, shows e discotecagem
Entrada? Gratuita
Mais uma edição do projeto “Nalva faz minha cabeça” sai às ruas. Dessa vez, com a escritora potiguar Civone Medeiros e o fotógrafo Flávio Aquino. O projeto transforma clientes do Nalva Melo Café Salão em ícones pop através de uma ensaio fotográfico cuidadoso, criativo e cheio de ousadia.
Por ele já passaram a arquiteta Manu Albuqerque encarnando uma melindrosa e a empresária Larissa Borges transformada em Amy Winehouse. Agora, é a vez da musa das letras, a inquieta e transgressora Civone Medeiros, emprestar seu corpo para Janis Joplin. Veja uma amostra grátis do ensaio. Pra tudinho, incluindo making-of, é só ir no site de Nalva Melo Café Salão.
FICHA TÉCNICA
Personal Hair & Make-Up Stylist: Nalva Melo
Foto: Flávio Aquino
Modelo: Civone Medeiros
Apoio: Allan Talma & Vírginia
A banda Sangue Blues tempera a noite do Sgt Peppers Ponta Negra com clássicos do blues e do rock and roll. Nesta sexta, 29, às 23h. Av. Engenheiro Roberto Freire, 9102, Ponta Negra. Mais info: 8855 3916.
A indústria fonográfica não está falindo. Pelo contrário. Nunca se gravou e divulgou tanta coisa de qualidade como nos tempos atuais. O modelo, este sim, está falindo. Para dar vida a um novo jeito de produzir, divulgar e consumir música. Nesse ponto, Anderson Foca – cabeça do Centro Cultural DoSol em Natal e vocalista do trio de rock Rejects – acerta em cheio.
Com os companheiros de banda Júlio Cortez e Marcelo Costa, Anderson fez o dia de hoje ser o Dia do Rejects. Numa ação conjunta com diversos blogs, o trio lança o EP “Green”. As músicas estão disponíveis para download em vários blogs (veja lista abaixo) e tudo de graça. Não é necessariamente inovador, mas a capacidade de mobilização de Anderson Foca assusta. Afinal, é fácil conseguir adesão de blogueiros quando você é o Radiohead lançando um novo CD. Vai tentar fazer isso sendo uma banda independente do Nordeste do Brasil, vai.
O EP “Green” agrada quem curte rock sujo. E o conselho que Anderson Foca me deu pelo Twitter serve pra qualquer um: ouça bem alto se não perde metade da graça. É rock raivoso, pulsante, desses que dão vontade de encher a cara de cerveja, fumar todos os Marlboros do mundo e ficar rouco de tanto gritar os refrões. Ok, autodestrutivo, eu quis dizer. E isso é ótimo!
A influência do grunge é inegável. E das bandas que derivaram do grunge também. Principalmente o Foo Fighters. O vocal, aliás, por vezes lembra muito o de Dave Growl, vocalista da supramencionada. Tem algo de hard rock também, se não me engano. Tudo isso num molho estranhamente radiofônico. É bom de ouvir. Ponto pro Rejects, que soube equilibrar o sujo e o limpo sem perder identidade. Afinal, música ininteligível só vende se for feita por Björk.
Sem mais delongas, vamos aos downloads. Baixe de graça, legalmente, sem medo de levar um processo da indústria fonográfica, o excelente “Green” do Rejects:
Em 8 de novembro de 2008, um trágico acidente de carro mudou os rumos da promissora banda de rock potiguar Rodubeck. Isaac Enos, vocalista, guitarrista e letrista da banda morreu numa batida no centro das cidade, quando um ônibus em alta velocidade atingiu o carro que ia com os amigos André e Elias. Apenas Elis sobreviveu. E a banda Rodubeck perdeu seu líder.
Dia 1º de agosto, porém, a aura de tristeza da notícia que abre esse texto promete dar lugar a muita alegria. Isto porque após meses de indefinição sobre o futuro da banda, que já tinha material gravado para lançar seu primeiro CD oficial, agora chegam ao fim. O material que Isaac gravou com seus amigos virou o CD “Música pra pular brasileira” e seu lançamento é hoje à noite, no Castelo Pub, na Rota do Sol, em Natal.
Kruell, baterista da formação oficial da banda, juntou uma turma de músicos – todos amigos– para fazer um trabalho próximo ao que foi gravado no CD e, assim, com a ajuda de amigos e familiares, organizar o que será o lançamento do CD do Rodubeck.
Trabalho com o irmão de Isaac, Esaú. E não poderia deixar de divulgar este evento sabendo do comovente que foi toda a história do acidente. E do quanto a obra que ficou gravada nas faixas de “Música pra pular brasileira” representam para todos os envolvidos na produção do show.
As entradas custam 10 reais e estarão à venda no local.
Lançamento do CD “Música pra pular brasileira” da banda Rodubeck
Dia 1º de agosto de 2008, no Castelo Pub
Ingressos: R$ 10,00
Vendas: No local
Vou correr o risco de fazer uma previsão errada. Mas vamo lá: “White lies for dark times”, mais recente álbum de Ben Harper, é o melhor disco de 2009. Acredite.
Dito isso, corra para ouvi-lo. Harper retorna a fontes como Jimi Hendrix e Neil Young, deixa a chatice de lado, acrescenta um pouco de fúria e faz um álbum redondinho de puro rock’n’roll. Puro mesmo. Gravado em parceria com a banda Relentless 7, ao ouvir você tem a nítida sensação de que retornou alguns anos no passado, no tempo do rock arte, do rock moleque, não esse rock de resultados.
O disco abre com “Number with no name”, rockzão dos clássicos que em muito lembra a cadência do Led Zeppelin. A voz, quase rasgada, tem muito pouco do parceiro de Vanessa da Mata em “Boa sorte/Good luck”. “Up to you now” continua o álbum, que toma um viés mais radiofônico. Mas rádio das boas. O rock ainda está lá e a gente sente na forma nervosa com que ele canta. Em “Shime and shine”, terceira música, a pedreira vem com tudo. Tem horas que lembra Lenny Kravitz do tempo de “Fly away”, mas Harper está mesmo é com o pezinho lá atrás, em Jimi Hendrix.
“Lay there and hate me” já bebe na fonte de Marvin Gaye, com um balanço funk muito bem aplicado ao som de guitarras distorcidas e bateria bem marcada. Em “Why must you always dress in black” o que toma forma é um rock de bater o pé, uma espécie de blues mais acelerado.
O momento açúcar fica com “Thin skin”, balada das boas, daquelas feitas pra sofrer. Como diria uma amiga, “é uma música que dá vontade de começar a namorar e acabar o namoro em seguida só pra poder sofrer com ela”.
(Confesso que fui ouvindo o CD e anotando num bloquinho quais músicas iria destacar neste texto. Com meia hora de audição, percebi que estava anotando o nome de todas.)
“Fly one time” continua o tom suave iniciado com “Thin skin”. É boa de ouvir, passa uma coisa legal, tem uma certa melancolia ali por trás. Mas o momento docinho termina com “Keep it together (So I can fall apart)”, que já inicia com um indomável Ben Harper gritando seu “yeah” cheio de rock. Dá vontade de bater a cabeça como faziam em Woodstock, juro!
“Boots like this” é meio folk mas me agradou bastante. E tem ainda, terminando o CD, duas excelentes músicas: “World suicide”, que é lentinha, sofrida e tem até um coral semi-gospel; e “Faithfully remain”, essa sim muito Ben Harper, mas nem por isso ruim.
Exagerado? Deslumbrado? Sem noção? Não importa do que me taxem. Eu digo que desde “All that you can’t leave behind”, do U2, não tinha essa sensação de estar diante de um clássico dos tempos modernos. Ben Harper mandou muito bem. Crasse A.
Ouvi falar na banda The Kooks em algum lugar. Não lembro exatamente onde, não lembro exatamente quando, não lembro exatamente como. O fato é que desde então (quando terá sido, meu Deus?) ando com ela no mp3. Ouvindo de vez em quando, sem muitas pretensões, geralmente quando não estou a fim de ouvir nada em especial. E então, de repente (ontem, pra ser mais exato) me vi dirigindo pela cidade, cantarolando o hit “Naive” e pensando: caralho, como estou feliz! Foi então que vi que nunca tinha escrito sobre os caras.
The Kooks é uma banda de indie rock formada por quatro jovens ingleses que se conheceram no colégio. Já lançaram dois discos: “Inside in/inside out”, de 2006, com o qual tenho mais intimidade; e “Konk”, de 2008, que estou conhecendo. Fazendo um rock’n’roll dos mais dançantes, muito embora também invistam em baladas, a banda surpreende pela emoção que consegue transmitir em cada música. Desde os rocks mais ferozes às baladas mais rasgadas. O vocalista Luke Pritchard alterna momentos punk rock e derretimentos a la Coldplay com uma versatilidade das mais raras.
“Inside in/inside out” começa com a balada Seaside . Simples, cortante, imediata. É o suficiente pra você dizer: essa banda merece estar no meu mp3. Com uma letra terna, falando de se apaixonar à beira-mar, a música já pega a gente de jeito. Pra logo em seguida, sem avisos prévios, nos jogar no rock dançante See the world. Menos comportado, o vocalista rasga sua voz para cantar sobre a necessidade de ir embora e as memórias que esses momentos trazem à tona. O CD segue assim, alternando rock dançante e balada, sem perder o pique. Refrões radiofônicos fazem parte da mistura, principalmente no hit do CD, a excelente Naive. Um certo suingue ska entra na receita, para deixar tudo ainda melhor. Numa espécie de DR, a música fala de uma relação marcada pela imaturidade. E tem um dos refrões mais pegajosos dos últimos anos.
Em “Konk”, o segundo álbum da banda, graças a Deus o formato se repete. Rocks fáceis, daqueles mais simples, que faz a gente se perguntar por que cargas d’água não gravam mais músicas assim. Vou destacar apenas duas músicas desse álbum, pelo fato de não estar ouvindo ele há tanto tempo: 1) Shine on : Uma dessas músicas que deixam a gente feliz de ouvir, quase bobas, mas que conquistam pela simplicidade e despretensão; 2) Down to the market: um rock com fúria, pra dançar cantando até a garganta sangrar.
Pra quem se interessou, The Kooks faz show no Brasil em junho. Vai ser no dia 19, em São Paulo.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.