Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Interessante a idéia do pessoal do recém-criado Curso de Cinema da Unp. Em vez de criar um comercial para promover a nova carreira, fizeram um trailler do curso. Usando a mesma linguagem de traillers, com aquela sonorização marcante e as frases entrecortadas características, o comercial de 30” está sendo veiculado nos cinemas de Natal. A criação e direção é de Fábio DeSilva (aquele que dirigiu o documentário Sangue no Barro para o projeto DocTV), que acumula também a função de diretor do Curso de Cinema da UnP.
Ficha técnica
Título: Curso de cinema
Direção: Fábio DeSilva
Edição: Rudá Virgínio
Produtora: Mais Vídeo
Sonorização: Arthur Henrique
O curso de Comunicação Social – Habilitação em Cinema da UnP já está com matrículas abertas. Para maiores informações, clique aqui.
A moda mais uma vez ultrapassa a fronteira dos briefings publicitários e surpreende. Enquanto a maioria dos produtos vende a idéia de que seu público é mais forte, mais esperto, mais saudável, mais bonito, enfim, mais alguma coisa que dê status na sociedade, a Diesel vai na contramão da propaganda que fomenta a competição individual e sugere: “Seja estúpido”.
Sim, este é o novo conceito que a Diesel lança globalmente. Algo como: quem usa Diesel é panaca. Parece um tiro no pé, mas através de uma argumentação bem feita essa sentença se transforma em um convite irrecusável para aproveitar a vida sem amarras.
Frases como “Os espertos têm planos, os estúpidos têm histórias” transmitem a idéia de que quem vive cheio de certezas está, na verdade, preso num mundinho medíocre.
“Os espertos criticam, os estúpidos criam” também é uma excelente amostra do novo posicionamento da Diesel.
Mas a minha preferida é mesmo essa aí de cima. Numa tradução livre, seria algo como “Os inteligentes têm cérebro, os estúpidos têm colhões”. Síntese perfeita do posicionamento que a marca assume, fomentando atitudes livres e impulsivas (típicas do jovem) em detrimento da racionalidade planejada que é comum nos adultos.
Um vídeo simples, todo cartelado, transmite perfeitamente a extensão desse novo conceito. E sem mostrar, em nenhum momento, uma calça jeans.
Me surpreendi hoje com a notícia de que a marca Mappin havia sido comprada por mais de 5 milhões de reais pela Marabraz. Minha surpresa foi porque o Mappin, antiga gigante do setor de lojas de departamentos do Brasil, faliu há mais de 10 anos. E mesmo carregando nas costas o peso de uma concordata manteve sua marca bastante valiosa no mercado. Dez anos após sua falência o Mappin ainda valia 5 milhões de reais. É até uma graninha boa pra uma loja que não tem mais estrutura física, nem estoque, nem pessoal, nem logística, nem nada – tem apenas sua marca.
Mais surpresa ainda tive quando comentei a notícia com um amigo e ele, que não é publicitário, cantou um jingle antigo do Mappin. Do começo ao fim. Com um sorriso cheio de entusiasmo e saudosismo. E ainda emendou: que ótimo que eles vão reabrir, o Mappin era ótimo! Ou seja, a marca ainda está na memória coletiva do brasileiro. E muitas vezes, na memória afetiva. Isso faz a marca valer muito num mercado ultracompetitivo como o do varejo. Sim, do varejo. Esse mercado cheio de vícios na hora de anunciar, no qual os clientes afirmam que não há nenhum argumento mais forte que o preço para motivar seus consumidores a comprar.
Seria bom que a aquisição da Mappin pela Marabraz ensinasse algumas coisas sobre publicidade para os clientes que têm ojeriza por propagandas sem preço gritado e um “bum” logo depois. Seria bom que eles percebessem que berrar suas ofertas como numa feira pode até zerar os estoques da semana, mas que ninguém vai cantar seus jingles cheios de preço daqui a 10 anos. Sua marca pode não valer nada num futuro bem próximo. E talvez nem estoques para zerar você tenha nesta ocasião.
Está tudo pronto. Hora de relaxar. E como sobrou um tempinho entre um trampo e outro (sim, hoje é sábado e apesar disso estou trabalhando sem hora de ir pra casa), resolvi compartilhar com vocês algumas histórias de bastidores sobre a produção de “A Cega Natureza do Amor”, meu próximo livro que será lançado nesta quinta, 16 de julho, às 19h, na Siciliano do Midway Mall.
Começando pelo VT. Quando surgiu a idéia da capa (essa do casal se beijando com os panos na cabeça) eu nem sonhava com esta imagem em movimento. Afinal, ela foi inspirada em um quadro (“Os amantes” de René Magritte) e para mim era sempre estática. Mas ao planejar a campanha do livro, surgiu a oportunidade de fazer um VT. E logo pensei: essa imagem em movimento vai ser perturbadora.
Escolhi a Grito Anime, produtora daqui de Natal, para dar corpo à idéia. E Edu Ferr, proprietário da produtora, acreditou na idéia e topou o desafio de dirigir esta peça. Resultado: passamos um dia inteiro (um domingo, diga-se de passagem) migrando de locação em locação a fim de conseguir os pontos mais estranhos de Natal. Claro que todos que viam um bando de homens barbudos filmando um casal com panos na cabeça logo gritavam “loucos”. Mas o perrengue valeu a pena.
Abaixo, o resultado deste trabalho. Um VT de 30” que está veiculando em quatro emissoras locais que, através do trabalho da amiga e parceira Bruna Werner, apostaram também nessa idéia.
Com o VT pronto, foi hora de me concentrar no spot de rádio. Quem me conhece sabe minha paixão por essa mídia. Amo o rádio, amo fazer rádio e amo criar para o rádio. Dá pra imaginar o desafio que foi pensar nesta peça para minha campanha? Atordoado, resolvi ser simples: um trecho do livro e depois as informações do lançamento. Mas essa simplicidade tomou outra dimensão quando se uniram à idéias dois grandes talentos: Fernando Suassuna (da produtora de áudio Sucesso Produções) e Titina (atriz do teatro local que chamo, sem medo de errar, de uma das minhas sete musas).
Numa tarde de sol, nos reunimos nos estúdios da Sucesso para a gravação. E Titina, empolgada com a possibilidade de interpretar um texto meu ainda que por curtos 30 segundos, imergiu de cabeça na atmosfera passional de “A Cega Natureza do Amor”. O resultado desse verdadeiro Big Bang de talentos você confere abaixo (com a edição primorosa de Fernando Suassuna e a interpretação de arrepiar da diva Titina).
É isso. Nos próximos dias, vou falar um pouco sobre as peças gráficas e o projeto gráfico de “A Cega Natureza do Amor”. E espero você na quinta para o lançamento do meu segundo livro.
Lembrando: “A Cega Natureza do Amor”, de Patrício Jr, é o 11º livro do Jovens Escribas e tem o apoio cultural das empresas Faz Propaganda, Motoeste Honda, Versailles Recepções, Larissa Borges Projetos Editoriais, Drika Silveira Fotografias, Diginet, Camaleão Photo Art Vídeo, Grito Anime e Sucesso Produções.
Para promover sua linha de carros com teto solar, a Nissan foi longe. Numa ação completamente inusitada, a marca de carros colocou tetos solares em cinemas da cidade de Düsserdorf, na Alemanha. Obviamente, não eram tetos solares comuns. A ilusão era criada através da projeção de imagens do céu no teto do cinema, logo após um comercial em que os novos modelos eram apresentados. Simples, direto, criativo. Dá até raiva. A ação foi criada pela TBWA/Düsserdorf e aumentou em 20% o número de tests drives nas concessionárias Nissan na Alemanha. Veja o vídeo abaixo.
A ação acontece em Belo Horizonte e é uma iniciativa do Ministério da Justiça. Em 20 de junho, fará um ano que a lei seca está em vigor. E, apesar das polêmicas, tem funcionado. Para marcar a data, foi instalada na capital mineira uma garrafa gigante com um carro batido dentro. Em diversas outras cidades, a ação também foi posta em prática. Veja o vídeo.
Já se dizia nas criações da vida, no tempo em que eu era um estagiário metido a besta e a publicidade se resumia a VT, spot e impressos: “o difícil é ser simples”. Nestes tempos de internet, guerrilha, ambush e etc, atingir o consumidor e envolvê-lo com uma marca ficou muito complicado, mas a regra continua sendo a mesma: o difícil é ser simples.
Foi seguindo essa máxima que o McDonald’s conseguiu parar, literalmente, centenas de pessoas em plena Picadilly Circus, mais famosa praça de Londres.
A façanha foi conseguida apenas com um telão que transmitia imagens de objetos e símbolos em tamanho gigante. As pessoas passaram a interagir com essas imagens, jogando com a perspectiva e fazendo um divertido jogo de ilusão de ótica.
O resultado dessa brincadeira invadiu Facebook, Flickr, Youtube e todas as outras formas de viralizar uma mensagem. E o melhor: tudo de maneira espontânea.
Veja abaixo o vídeo que compila as etapas da ação:
Vale salientar: o telão em questão estava cercado por outros telões, que também exibiam publicidade. Ou seja, não era a única mídia eletrônica do local. Mas conseguiu chamar a atenção e se destacar por meio da criatividade.
Ponto pro McDonald’s. Poucas ações conseguem envolver o público dessa maneira.
A onda do curta-metragem para fazer promoção de produtos veio pra ficar desde que a BMW contratou Madonna e Clive Owen para estrelar um curta escrito e dirigido por Guy Rithcie. O filme tinha quase sete minutos, se passava quase que inteiramente dentro de uma BMW, fez sucesso pelo mundo e catapultou o investimento em curtas-metragens ao topo das estratégia de advertainment (publicidade + entretenimento).
Anos depois, a Adobe entra na moda do curta e contrata ninguém menos que o brasileiro Denis Kamioka (também conhecido como Cisma), paulista e ex-grafiteiro, para dirigir o curta “Le Sens Propre”. O filme conta a história de Magritte, uma menininha pra lá de linda que vive num mundo totalmente surrealista. A conexão com o produto não poderia ser mais direta: a única exigência da Adobe era que os efeitos especiais do filme fossem todos feitos com softwares do pacote CS4. Tiro certeiro.
Abaixo, confira o trabalho de Cisma para a Adobe. Uma história criativa, emocionante e completamente desenvolvida com os produtos do cliente.
Pra quem ainda não viu o curta da BMW com Madonna, abaixo tem um bonustrack desse post.
Cuidado ao assistir um curta-metragem novamente. Pode ser que você esteja vendo um comercial longo e nem perceba.
Já virou moda que o Ministério Público do Trabalho condene empresas a pagar campanhas publicitárias de conscientização. Geralmente, as campanhas versam sobre o item a que foram condenadas. Assim, por exemplo, tivemos a campanha do Ministério Público sobre o assédio moral.
Agora, está nas ruas uma sobre o descanso remunerado. Provavelmente, essa empresa foi condenada a pagar a campanha porque não dava descanso a seus colaboradores, o que se configura trabalho escravo.
Pois bem. Com a melhor das intenções a campanha está no ar. Até agora, vi busdoor e outdoor. E o que me chamou a atenção foi justamente um erro crasso na formulação da frase principal da campanha. “O descanso é um direito do empregador”. Ou seja, o patrão dá descanso a quem ele quer. É um direito, oras… Erraram feio.
A campanha saiu à rua com uma frase errada. Que corrobora exatamente aquilo que deveria combater: o descanso remunerado é DEVER do empregador e um DIREITO do empregado.
Sugestão ao MP: condenem a empresa a republicar toda a campanha, mas dessa vez com a mensagem correta. E pelo amor de Deus: contratem um corretor.
Que Mad Men que nada! Quem quer mesmo conhecer a realidade de uma agência de propaganda nos anos 50, com reviravoltas impressionantes, atuações marcantes e polêmicas das brabas, precisa assistir à websérie Garamond & Kamfort. Mas não adianta procurar nas suas 35 HBOs. G&K tem endereço fixo na internet.
A comparação com Mad Men, claro, é uma brincadeira. Da mesma forma como G&K também é. Projeto da dupla de criação José González (redator) y Daniel Piqueras (diretor de arte), da agência espanhola Diéresis Comunicación, a série é escrita, produzida e estrelada por eles. E conta, através da linguagem do cinema mudo, o dia-a-dia da agência fictícia Garamond & Kamfort, onde elementos como o cliente que sempre pede alterações, a executiva de contas carrasca e o estagiário não podem faltar.
Assista ao episódio 1:
No blog da série Garamond & Kamfort, você pode assistir a todos os outros episódios (três, até agora) e conhecer um pouco mais sobre os personagens. Por exemplo, ver fotos dos dois donos da G&K com celebridades como o Papa João Paulo II, John Kennedy e até Madonna! Tudo, claro, devidamente photoshopado. Os criadores prometem pelo menos mais três episódios.
Com referências no cinema mudo de Buster Keaton e Charles Chaplin, “Garamond & Kamfort” é uma experiência criativa, original e muito divertida. E aí, alguém topa fazer a versão tupiniquim?
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.