Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
A agência Africa foi lá nos anos 80 para resgatar uma das histórias de amor mais completas do imaginário popular brasileiro. E o casal Eduardo e Mônica ganhou um clipe fofinho, capaz de fazer suspirar o mais duro dos marmanjos.
O mais legal é como o produto é inserido no enredo do clipe sem forçar a barra em nenhum momento. Uma ação criativa e muitíssimo pertinente.
Dia 03 de dezembro, às 08h30, no auditório dos Diários Associados em Recife, vai acontecer algo inédito: Armando Ruivo, diretor de Planejamento e Marleting Publicitário do Grupo Estado e representante oficial do Cannes Lions no Brasil, ministrará palestra na qual explicará como e por quê as agências do Nordeste devem participar do maior festival de publicidade do mundo. Em outras palavras: estamos no circuito.
Por que devemos participar do Cannes Lions… será mesmo que alguém ainda precisa de motivos? Trata-se do maior prêmio publicitário do mundo. E pros pessimistas de plantão, uma nota: vem em suas últimas edições premiando mais e mais agências que não são as óbvias (ou seja, as gigantes, de verbas milionárias, concentradas nos poucos e enormes mercados do mundo). Pode ser sua chance de pisar no tapete vermelho de Cannes.
O evento é organizado pelo Clube de criação de Pernambuco, que me enviou e-mail pedindo que transmitisse o convite a todos do mercado de Natal. Mais uma vez, é nítido: estamos no circuito.
O convite, extensivo a todos os profissionais de agências de propaganda (em especial, obviamente, aos da Criação) segue abaixo. Nos vemos em Recife?
A caneta Bic Cristal é a esferográfica mais vendida do mundo, certo? Não na Alemanha. E foi lá que uma agência chamada Jung Von Matt recebeu o desafio de reverter esse quadro. Como tornar a Bic mais conhecida na Alemanha usando uma verba irrisória? Pra quem acha que só dá pra ser criativo quando temos verbas milionárias, a ação criada pela Jung Von Matt é um tapa na cara.
A ação Bic Prank consiste em espalhar vídeos no Youtube com celebridades dando autógrafos com uma Bic. Ao contrário das Havainas, porém, elas não estavam recebendo um cachê milionário.
- A premissa: as celebridades assinam qualquer coisa, basta oferecer um papel e uma caneta.
- A idéia: pedir um autógrafo para celebridades em um papel onde há algo muito absurdo escrito (tipo, contrato de casamento, venda de casa por 1 dólar, etc).
- A estratégia: filmar com câmera digital (dessas que você tem em casa) e espalhar no Youtube.
- O conceito: com Bic você assina qualquer coisa.
Acredite: teve até um cara que casou com a atriz alemã Eva Habbermann!
Tom Cruise:
Eva Habbermann:
Genial, barato e eficiente. O supra-sumo da criatividade. Para mais vídeos, clique aqui.
Os VTs estão em árabbe, sem legendas, mas tudo que você precisa saber pra entender é: em dado momento, alguém recusa um queijo Panda e… bem, aí você vê o que acontece. Os filmes são sempre assinados com o conceito da campanha: “Nunca recuse um queijo Panda”. Genial!
A Wunderman Brasil foi a primeira agência do país a fazer um projeto de comunicação integrada dentro do MySpace. O Nokia Xpress Bands, misto de reality show e concurso de bandas, foi realizado em 2008 dentro da rede social com o maior número de grupos musicais cadastrados do mundo. Abaixo, você acompanha o videocase completo da ação.
A integração entre MySpace e publicidade ganhou prata na categoria Projetos Especiais no VII Prêmio Abanet/IAB Brasil.
Poucas organizações conseguem usar o marketing viral de forma tão contundente e impactante como as ONGs ambientais. Lembra do cartaz gigante do Greenpeace na Ponte Rio–Niterói durante a reunião do G20? E da piscina de sangue do PETA em Berlim, para protestar contra a matança de animais? Lembra das pessoas de gelo que derretiam lentamente nas escadas do Gendarmenmarkt, em Berlim, em protesto da WWF contra o aquecimento global? Pois é, eles são fodas em criar burburinho e chamar a atenção de todo mundo pras suas causas.
Protesto na Ponte Rio-Niterói: “Clima e pessoas primeiro”
Piscinas de sangue contra a matança de animais
Figuras de gelo derretem em protesto da WWF contra o aquecimento global
Mas nas duas últimas semanas, os protestos ultrapassaram os limites da mera curiosidade e despertaram nas pessoas a vontade de reagir contra abusos cometidos por empresas. Tudo começou com um VT do Greenpeace veiculado dia 17 de março. Nele, um jovem entediado resolve fugir das agruras do seu dia-a-dia moroso comendo um chocolate Nestlé. Quando abre a embalagem, percebemos que o chocolate, na verdade, é um dedo de orangotango! Que o rapaz come naturalmente, derramando sangue sobre o teclado, deixando seus companheiros de escritório chocados. A mensagem final explica a situação absurda: “Exija que a Nestlé não elabore mais seus chocolates com óleo de palma procedente da destruição das selvas da Indonésia”.
Veja o vídeo:
Poderia ser apenas mais um VT grotesco, que vemos por simples curiosidade, não fosse a reação desencadeada na página da Nestlé no Facebook. Os internautas se sensibilizaram com a mensagem e passaram a deixar centenas de comentários no muro da Nestlé, pedindo que ela parasse de destruir florestas para fazer chocolates. Neste ponto, então, a ação tomou um caminho totalmente inusitado.
A Nestlé, por meio dos assessores que cuidam da página, passou a responder os internautas de forma raivosa. Agindo como se fosse uma pessoa sendo agredida, a Nestlé partiu pro mano a mano com o público, respondendo coisas como “Nós temos que ser educados o tempo todo, mas vocês podem se referir a nós como idiotas e até filhos de Satã, com obscenidades e acusações de práticas sexuais incomuns”. Se fosse o perfil de um adolescente vítima de bullying, a resposta não causaria reação alguma. Mas trata-se da página de uma gigante multinacional. E o público não deixou barato.
O fato é que as respostas mal educadas da Nestlé repercutiram muito, muito, muito mal. E sua página passou a receber, ao invés de centenas, milhares de comentários depreciativos. Em média, 10 novos comentários são postados por minuto, segundo o blog Yorokobu.
Resultado: uma séria crise de comunicação na Nestlé; extração do óleo de palma na berlinda da imprensa; marca do Greenpeace valorizadíssima perante o público. Quem quer saber mais sobre a campanha, pode visitar a página do Greenpeace especialmente criada pra ação, denominada Nestlé Killer. Ou, ainda, protestar também na página da Nestlé no Facebook.
Ainda há quem diga que protestos não levam a nada, não é mesmo?
O advertainment é a união máxima entre o entretenimento e a publicidade. E esse método “novo” de fazer publicidade já tem até seus clássicos, como o curta de Guy Ritchie (de sucessos como “Jogos trapaças e dois canos fumegantes” e “Rock’n’Rolla”) pra BMW, de 2001, estrelado por ninguém menos que Madonna. Usei “novo” assim entre aspas porque o tal advertainment existe desde o início dos anos 2000 e já extrapolou os limites do cinema, migrando para vídeo-games, webséries, RPG etc.
Entretanto, a fórmula “diretor consagrado + marca fodástica” é a maneira tradicional de fazer advertainment. E é a que, em geral, gera mais buzz (em outras palavras, propaganda boca a boca pra marca patrocinadora). Embora seja comum que o produto figure no roteiro (o filme com Madonna, por exemplo, se passa todo dentro de uma BMW), algumas marcas querem mesmo é causar impacto com uma obra de arte e não com uma propaganda longa. Daí, nada estranho que o curta que uniu a vodka Absolut e o diretor Spike Jonze (que tem no currículo obras-primas do cinema contemporâneo como “Quero ser John Malkovich” e “Onde vivem os monstros”) tenha estreado no Festival de Sundance, o mais importante do cinema independente.
“I’m here”, trailler:
“I’m here – a love story in an absolut world” é o título do curta. E as menções à Absolut terminam em seu nome. A história mostra o amor entre dois robôs num mundo em que ser robô não é nada fácil. Claro, muitas supresas fazem parte desde roteiro, incluindo aí o site da ação. Lá, você tem duas formas de assistir ao curta: a versão light, em que você tradicionalmente dá play e assiste ao filme; e a versão absolut, em que você se conecta ao Facebook, convida seus amigos pra uma sessão de cinema virtual, marca a hora em que o filme vai começar e espera todos se conectarem na mesma hora, cada um em seu computador, para assistir “I’m here”.
Em qualquer uma das duas opções, o que vale mesmo à pena é o filme. E ele é Spike Jonze do início ao fim – leia-se: trilha impecável, protagonistas desajustados, elementos dissonantes (como um robô gay que namora namora um ser humano) e um lirismo que poucos diretores da atualidade conseguem extrair de situações estapafúrdia como um robô perdendo um braço num show de punk rock.
Ficou curioso? Duas opções: vá ao site de “I’m here” ou assista o curta todinho, em três partes, aqui mesmo no PLOG.
“I’m here”, parte 1:
“I’m here”, parte 2:
“I’m here”, parte 3:
Bônus track: minha opinião como publicitário
Para um cliente pode ser difícil entender como um curta-metragem que fala de robôs apaixonados pode aumentar as suas vendas. A resposta é: pertinência. A Absolut foca num público jovem, descolado e bem-sucedido financeiramente. E não há melhor maneira de atingir este público do que contando uma história que carrega diversos códigos que estão de acordo com seus perfis. Mesmo sem menções diretas à vodka (um merchanzinho sequer), o curta é uma puta estratégia de marketing. E já nasceu clássico.
Vender suco de laranja natural, engarrafado, geladinho, pra matar aquela sede que o calor dá, é bem fácil no Brasil, né? O clima já garante 50% de aceitação do público. Mas, pra vender esse mesmo produto no Canadá, onde o inverno pode alcançar -30ºC (isso, menos trinta graus Celsius), a coisa muda de figura.
É aí que entra a criatividade elevada ao extremo da agência BBDO de Toronto. A equipe de criativos criou uma estratégia ousada e inovadora para vender os sucos Tropicana: levar o sol (sim, o sol!) para um território do Canadá que fica meses mergulhado na noite.
O território em questão é Inuvik, ao nordeste do país, região p´roxima ao Ártico que emerge em noites que duram meses no inverno. O vídeo da ação você vê abaixo. E é extraordinário!
Tropicana: “Artic sun”
E aí, o que sua marca leva de extraordinário ao seu público?
A final do Superbowl, o Brasileirão dos Estados Unidos, é o horário de publicidade mais caro do mundo. Estima-se que cada 30 segundos de comercial durante a partida final não saem por menos de 6 milhões de dólares. É um preço de mídia razoável (!) e justamente por isso agências e anunciantes costumam caprichar nas suas produções. Um verdadeiro deleite pra nós, que deliramos na criativamente apresentada no horário mais nobre do mundo. Abaixo, selecionei três filmes da enxurrada de 59 comerciais exibidos ontem. Esses, dos que vi até agora, foram os que mais gostei.
Hoje é o Dia do Publicitário! E não sei se vocês sabem, mas sou publicitário. Sei que a profissão sofre críticas, é responsabilizada por incentivar o consumismo, e nós profissionais somos muitas vezes taxados de egocêntricos, malucos, fúteis. Enfim, eu sei de todas essas coisas, mas ainda assim tenho um orgulho danado de ser publicitário.
Porque trabalho com criatividade, porque posso ser inquieto, porque nossas criações podem ser entretenimento, informação, conscientização, prevenção, discussão de idéias. Enfim, porque meu trabalho vai muito além de “12 vezes sem juros no cartão”. Poucas profissões podem se orgulhar de ser autorregulamentadas, de ter um código de ética que funciona na prática, de ter derrubado tabus, de permitir que seus profissionais trabalhem de bermuda.
E porque hoje é Dia do Publicitário, deixo vocês com uma seleção de filmes matadores. Uma pequena amostra de como a publicidade pode chegar bem perto, bem pertinho mesmo, da arte. Mesmo sendo uma profissão como outra qualquer.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.