Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Os VTs estão em árabbe, sem legendas, mas tudo que você precisa saber pra entender é: em dado momento, alguém recusa um queijo Panda e… bem, aí você vê o que acontece. Os filmes são sempre assinados com o conceito da campanha: “Nunca recuse um queijo Panda”. Genial!
O advertainment é a união máxima entre o entretenimento e a publicidade. E esse método “novo” de fazer publicidade já tem até seus clássicos, como o curta de Guy Ritchie (de sucessos como “Jogos trapaças e dois canos fumegantes” e “Rock’n’Rolla”) pra BMW, de 2001, estrelado por ninguém menos que Madonna. Usei “novo” assim entre aspas porque o tal advertainment existe desde o início dos anos 2000 e já extrapolou os limites do cinema, migrando para vídeo-games, webséries, RPG etc.
Entretanto, a fórmula “diretor consagrado + marca fodástica” é a maneira tradicional de fazer advertainment. E é a que, em geral, gera mais buzz (em outras palavras, propaganda boca a boca pra marca patrocinadora). Embora seja comum que o produto figure no roteiro (o filme com Madonna, por exemplo, se passa todo dentro de uma BMW), algumas marcas querem mesmo é causar impacto com uma obra de arte e não com uma propaganda longa. Daí, nada estranho que o curta que uniu a vodka Absolut e o diretor Spike Jonze (que tem no currículo obras-primas do cinema contemporâneo como “Quero ser John Malkovich” e “Onde vivem os monstros”) tenha estreado no Festival de Sundance, o mais importante do cinema independente.
“I’m here”, trailler:
“I’m here – a love story in an absolut world” é o título do curta. E as menções à Absolut terminam em seu nome. A história mostra o amor entre dois robôs num mundo em que ser robô não é nada fácil. Claro, muitas supresas fazem parte desde roteiro, incluindo aí o site da ação. Lá, você tem duas formas de assistir ao curta: a versão light, em que você tradicionalmente dá play e assiste ao filme; e a versão absolut, em que você se conecta ao Facebook, convida seus amigos pra uma sessão de cinema virtual, marca a hora em que o filme vai começar e espera todos se conectarem na mesma hora, cada um em seu computador, para assistir “I’m here”.
Em qualquer uma das duas opções, o que vale mesmo à pena é o filme. E ele é Spike Jonze do início ao fim – leia-se: trilha impecável, protagonistas desajustados, elementos dissonantes (como um robô gay que namora namora um ser humano) e um lirismo que poucos diretores da atualidade conseguem extrair de situações estapafúrdia como um robô perdendo um braço num show de punk rock.
Ficou curioso? Duas opções: vá ao site de “I’m here” ou assista o curta todinho, em três partes, aqui mesmo no PLOG.
“I’m here”, parte 1:
“I’m here”, parte 2:
“I’m here”, parte 3:
Bônus track: minha opinião como publicitário
Para um cliente pode ser difícil entender como um curta-metragem que fala de robôs apaixonados pode aumentar as suas vendas. A resposta é: pertinência. A Absolut foca num público jovem, descolado e bem-sucedido financeiramente. E não há melhor maneira de atingir este público do que contando uma história que carrega diversos códigos que estão de acordo com seus perfis. Mesmo sem menções diretas à vodka (um merchanzinho sequer), o curta é uma puta estratégia de marketing. E já nasceu clássico.
Vender suco de laranja natural, engarrafado, geladinho, pra matar aquela sede que o calor dá, é bem fácil no Brasil, né? O clima já garante 50% de aceitação do público. Mas, pra vender esse mesmo produto no Canadá, onde o inverno pode alcançar -30ºC (isso, menos trinta graus Celsius), a coisa muda de figura.
É aí que entra a criatividade elevada ao extremo da agência BBDO de Toronto. A equipe de criativos criou uma estratégia ousada e inovadora para vender os sucos Tropicana: levar o sol (sim, o sol!) para um território do Canadá que fica meses mergulhado na noite.
O território em questão é Inuvik, ao nordeste do país, região p´roxima ao Ártico que emerge em noites que duram meses no inverno. O vídeo da ação você vê abaixo. E é extraordinário!
Tropicana: “Artic sun”
E aí, o que sua marca leva de extraordinário ao seu público?
A publicidade precisa usar a criatividade para diferenciar as mensagens e garantir atenção do público, blablablá blablablá blablablá. Isso todo mundo sabe, mas ver na prática uma campanha realmente criativa para temas batidos como, por exemplo, prevenção à aids é outra coisa. Já foi feito tanto e veiculado tanto sobre o tema que fica complicado ser realmente criativo.
Eis que a TBWA/Paris, agência francesa, desenvolve para a associação AIDES a peça abaixo. Com um conceito simples, até mesmo batido, mas com uma execução inovadora. Digamos que é uma nova abordagem para o conceito “Quem usa camisinha faz mais sexo”. Deleite-se e previna-se.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.