E a Funcarte (Fundação Confusa das Artes), órgão municipal irresponsável por fazer cultura em Natal, acaba de chegar a um entendimento sobre o antigo Encontro Natalense de Escritores, antigo Encontro Lusófono de Escritores, antigo “Não sabemos ainda qual será o novo nome, mas vai ser revolucionário”. O evento de literatura agora vai se chamar DENE – Desencontro Natalense de Escritores. Será o maior evento de literatura que nunca vai ocorrer em Natal.
Para as mesas do DENE já estão confirmados os nomes de Machado de Assis, Miguel de Cervantes e José de Alencar. Serão mesas brancas, claro. O Presidente da Funcarte dessa semana garantiu que o DENE vai ser um evento único. O da semana que vem já se adiantou dizendo que garante a mesma coisa.
Todos os escritores convidados para o DENE serão substituídos de última hora por apadrinhados do Presidente da Funcarte. E o melhor: saberão que foram preteridos através da imprensa e passarão por esse constrangimento público sem receber nenhum pedido de desculpas da Prefeitura. Segundo o presidente da Funcarte, essa prática tem por objetivo desqualificar o trabalho de escritores profissionais ao mesmo tempo em que prestigia artistas frustrados que se dedicaram mais ao puxa-saquismo do que ao trabalho sério. “Nossa política cultural sempre vai privilegiar quem faz parte da nossa panelinha”, afirmou, “Nós somos um órgão público, que dá oportunidades iguais a todos os artistas, contanto que eles estejam filiados ao partido da situação”.
DEBATES DA GENTE
Os debates terão temas modernos, em consonância com o que é discutido nos maiores eventos de literatura do mundo. Na mesa “Decoração natalina de Natal: uma redundância?”, grandes nomes da literatura de gosto duvidoso discutirão o que os responsáveis pela decoração do “Natal em Natal” fumaram pra achar aquilo bonito. Segundo o Presidente da Funcarte, esta mesa será tão revolucionária e inovadora que as pessoas não vão entender nada – mas a Prefeita vai dar uma entrevista dizendo que aquilo tudo é mágico-lúdico-fantástico e então a cidade toda vai concordar com ela.
Outra mesa que promete gerar uma discussão saudável e edificante é “Usando a retórica para jogar a culpa no seu antecessor”. A própria Prefeita será uma das debatedoras e falará sobre sua experiência em culpar a gestão anterior por todos os problemas da cidade. A mediação deste debate ficará ao cargo de um assessor baba-ovo, que concordará com tudo que a Prefeita disser enquanto segura sua bolsa e não deixa ninguém chegar perto dela. A organização do DENE promete ainda servir um bolo de fubá pra Prefeita e expulsar do recinto quem tentar fotografá-la no momento em que ela come a guloseima.
Na seara da literatura sustentável, teremos debates bem interessantes também. Dias Gomes, autor da novela global “O espigão”, vai compor a mesa “Toma que o espigão é teu”. Na ocasião, ele defenderá a tese de que a novela dos espigões de Ponta Negra é dele. Como ninguém quer tomar pra si a autoria dessa novela, os organizadores crêem que não haverá grandes polêmicas. Mas o Ministério Público já avisou: vai fazer uma reunião com Dias Gomes e depois, magicamente, ele voltará atrás em todas as decisões que tomou. Jogando a culpa no antecessor, claro. Outras mesas da parte verde do evento que merecem destaque são: “Meu pé de algaroba no Midway”; “As escutas telefônicas mais incríveis da Operação Impacto”; e “Plano diretor: quem te viu, quem PV”.
OFICINAS DA GENTE
Mas nem só de debates viverá o DENE. Na oficina “Venda seu blog: pergunte-me como”, uma blogueira inescrupulosa e medonha ensinará como enriquecer às custas de inverdades sem se corroer de remorso. Os presentes aprenderão, por exemplo, como formatar uma tabela de preços para a própria opinião. A blogueira adiantou, em coletiva, um pouco do conteúdo da oficina. “Manipular a verdade dá trabalho: tem que buscar argumentos falsos, escrever de forma dúbia e ainda posar de imparcial: tudo isso gera um custo que deve ser repassado a quem está te prostituindo”, afirmou ela. Durante a oficina, a blogueira promete emitir várias opiniões favoráveis ao grupo político da situação. Isto se ela não receber uma contraproposta da oposição até lá.
Os professores da rede de ensino municipal serão os responsáveis pela oficina “Plano de Cargos e Salários: promessa é dúvida”, na qual mostrarão passo a passo o que você deve fazer para ser ludibriado por propostas de campanha que nunca serão cumpridas. Esta oficina promete atrasar todo o cronograma do evento porque minutos antes de começar os professores entrarão em greve. Mas a Prefeita garantiu que vai receber todos para uma conversa franca assim que sua popularidade cair pelo fato de nossas crianças estarem sem aulas.
Outros destaques são as oficinas “Via Livre, mas nem tanto”, “Inaugurando postos de saúde sem médicos”, “Como trocar seu apoio político pelo silêncio da imprensa” e a grande sensação do evento: “Diga repetidas vezes ‘Eu sou mãe, eu sou mulher’ sem ser taxada de preconceituosa”.
BAIXARIAS DA GENTE
Claro que Câmara Cascudo não poderia ficar de fora. Para homenagear nosso maior intelectual, a organização apresentará algo totalmente inédito: um natalense que leu um livro de Câmara Cascudo! Sim, existe! E o presidente da Funcarte garantiu que o rapaz não freqüenta o Beco da Lama, não dá aulas na universidade e nem é herdeiro do folclorista, fato que torna a descoberta realmente única.
O DENE ainda promete grandes debates que descambarão pra baixaria sem, no entanto, ter seus responsáveis advertidos pelos superiores. O próprio presidente da Funcarte se encarregará de pôr a culpa pelo atraso do evento em ex-funcionários que pediram exoneração porque a Prefeitura não ofereceu condições para que seus trabalhos fossem realizados. “É de suma importância que a gente continue mentindo para o povo, sem jamais assumir a própria inoperância”, afirmou, para em seguida sair cagando e andando.
Anote aí: o DENE ocorrerá em algum dia dos meses de março, abril, maio ou junho, talvez julho, quem sabe agosto, pode ser até em setembro, provavelmente em outubro, no máximo em novembro, se bem que dezembro…
A respeitada atriz, diretora e dramaturga Cláudia Magalhães, com a qual gozo de relação amistosa e simpatia mútua, escreve abaixo os motivos que a fizeram pedir exoneração do cargo de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira) da FUNCARTE. Não é segredo pra ninguém que a FUNCARTE, na gestão da Borboleta, virou uma bagunça das grandes. Na carta aberta abaixo, enviada aos artistas e à imprensa, Cláudia Magalhães deixa bem claros seus motivos para sair desse mar de incompetência que é a atual Prefeitura de Natal. Republico aqui a carta por dois motivos: 1) Pelo que tem de contundente, expondo através dos olhos de quem estava lá dentro como as coisas realmente acontecem na gestão cultural de Micarla de Sousa; 2) Pelo respeito e pela simpatia que tenho por Claudia Magalhães, que sempre se mostrou profissional e estimulada quando se tratava de fazer um bom trabalho cultural. Segue a carta.
Carta aberta
Por Cláudia Magalhães
Na qualidade de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira), cargo que ocupei de janeiro de 2009 a janeiro de 2010 (quando fui exonerada a pedido), comunico a todos os citados acima que não faço mais parte da coordenação geral do ENE (Encontro Natalense de Escritores), atual, ELE (Encontro Lusófono de Escritores). Esta carta se faz necessária para esclarecer alguns pontos que dizem respeito ao meu relacionamento com o mundo cultural local e a sociedade em geral, aos quais devo prestar contas enquanto ocupante que era de um cargo público.
1- Por convite do então presidente da FUNCARTE, César Revoredo, aceitei a coordenação geral do então ENE. Portanto, auxiliada por um conselho formado por: Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira, foram enviados convites via e-mail (oficial da FUNCARTE, em nome do presidente César Revoredo, com cópia para o meu e-mail) para: José Eduardo Agualusa, Paulo Lins, Marçal Aquino, Arthur Dapieve, Xico Sá, Ziraldo, Pedro Bandeira, Marcelino Freire, Cassiano Elek Machado, Joca Reiners, Mário Bortolloto, Eduardo Bueno, Shiko, Fernando Bonassi, Milena Azevedo, Chico César, Tárick de Sousa, Edney Silvestre, Antônio Cícero, Tarcísio Gurgel, Gabriel O Pensador, Tácito Costa, Clotilde Tavares, Carlos Magno, Nivaldete Ferreira, Isabel Vieira, Túlio Andrade, Danilo Guanais, Buca Dantas, Abimael, Nei Leandro de Castro, Lívio Oliveira, Sérgio Vilar, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz, Agregados Família do Rap, Cordel do Fogo Encantado. Além do contato com diversos artistas plásticos, poetas e jornalistas que contribuiriam para o ENE.
2- Depois de meses de trabalho, com planilha total feita, convites prontos e confirmados com a garantia do então presidente César Revoredo, a prefeita Micarla de Sousa até então não tinha posição nenhuma sobre um possível cancelamento ou adiamento do ENE, o encontro literário estava confirmado para os dias 26, 27 e 28 de novembro de 2009. Contudo faltando poucos dias para o início do ENE, César Revoredo pede exoneração da FUNCARTE e o vice Rodrigues Neto assume.
3- Dias antes, fui chamada para uma reunião na qual César Revoredo, na presença do então vice presidente, Rodrigues Neto e do Chefe de atividades culturais, Josenilton Tavares, me comunica que não teríamos mais o ENE, e sim, o ELE e que este seria realizado em março de 2010. Confirmou o meu nome na coordenação geral do mesmo, onde manteríamos a participação de todos os que foram convidados para o antigo ENE. Desta feita, comuniquei – via telefone – aos escritores convidados a mudança do nome e da data. Além de pesquisar possíveis escritores internacionais para o ELE.
4- Contudo, após assumir a presidência da FUNCARTE, Rodrigues Neto não me procurou para confirmar ou retirar o meu nome da coordenação geral do ELE. Semanas depois, comunico ao vice presidente Gustavo Wanderley a minha decisão de sair da coordenação do ELE, mas de permanecer na função de chefe da Biblioteca Pública Municipal Esmeraldo Siqueira, visto que várias atividades por mim desenvolvidas na gestão de César Revoredo estavam em andamento ou com editais publicados, o que detalharei nos próximos tópicos.
5- Semanas depois, diante do silêncio apresentado, posto que o presidente Rodrigues Neto não teve nenhuma conversa oficial sobre o ELE e nem sobre outros assuntos do meu núcleo e também observando pela imprensa a conduta e a atuação da presidência, tomei a decisão de pedir exoneração em janeiro de 2010.
6- Uma vez tendo pedido exoneração surpreendi-me com contatos de escritores locais e nacionais, artistas e jornalistas me perguntando sobre o ELE. Percebi, então, que a presidência não comunicou a ninguém que eu não apenas não era mais a coordenadora do Núcleo de Documentação como também não estava mais na coordenação do ELE, antigo ENE.
7- Artistas e produtores culturais envolvidos em projetos que iniciei me procuram por e-mail e por telefone para saber detalhes dos mesmos. Projetos como o CONCURSO DE REDAÇÃO -“O que é ser um cabra das Rocas”, CONCURSO DE FOTOGRAFIA ESCRITORES POTIGUARES com o tema “Escritores potiguares vivos” foram negligenciados, e pior, não houve comunicação aos artistas envolvidos. No dia da Poesia, o qual fui coordenadora geral, O então presidente César Revoredo com a presença da prefeita Micarla de Sousa, comunicou a todos os presentes não somente a continuação dos CONCURSOS CÂMARA CASCUDO E OTHONIEL MENEZES, mas também, além da premiação em dinheiro, a publicação dos livros dos vencedores. Infelizmente, estes dois concursos também foram negligenciados.
8- Na gestão de César Revoredo o meu núcleo ficou responsável pela nova revista cultural da FUNCARTE, A “Ginga”. Ao longo de meses de trabalho, a revista, por meio do editor contratado, Sérgio Vilar com a sua equipe de jornalistas produziu 100% da revista que estava pronta para ir pra gráfica. Com a mudança da presidência a revista teve o lançamento adiado para março de 2010, eu soube disso através do editor Sérgio Vilar, pois nada me foi comunicado oficialmente.
9- Diante disso, por respeito a todos os que estavam envolvidos nesses projetos, aos artistas e amigos, torno todos estes fatos públicos, de maneira a evitar dúvidas, mal entendidos e conversas de bares e corredores que tanto empobrecem e aviltam a cultura natalense. Saio da FUNCARTE com a sensação do dever cumprido, com coragem de me olhar no espelho todos os dias e com o respeito do mundo artistico e cultural, bem mais precioso que consegui nestes meses de FUNCARTE.
Cláudia Magalhães
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Após a publicação desta carta aberta, o atual presidente da FUNCARTE, o desacreditado Rodrigues Neto, deu declarações em que negava a versão de Claudia Magalhães. A coisa começa a pegar fogo a partir daqui, com a réplica de Claudia às acusações do presidente da FUNCARTE.
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Resposta de Claudia Magalhães às declarações de Rodrigues Neto
Resposta da dramaturga e atriz Cláudia Magalhães às declarações do presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, ao Novo Jornal:
1- Rodrigues disse quanto ao ENE, atual ELE: “se houve negligência, a culpa foi da própria Cláudia Magalhães”. Ora, se eu era a coordenadora geral do evento, acredito que eu era a principal interessada em que o mesmo acontecesse e que fosse um sucesso. Ademais, como coordenadora, não tinha o poder para liberar dinheiro, fazer empenho ou poder político algum, quem os tinham ou têm são justamente, o presidente da FUNCARTE, Rodrigues Neto e a Prefeita, Micarla de Sousa.
2- Rodrigues Neto afirmou que “ao assumir a presidência do órgão, dei carta branca para Cláudia Magalhães seguir no projeto do ELE”. Se eu tivesse “carta branca” o ENE teria acontecido em novembro de 2009, não teriam nem tempo para mudar de letra!
3- “Rodrigues Neto confirmou o ELE para os dias 29, 30 de abril e 1 de maio no Teatro Alberto Maranhão”, contudo a classe artística não sabe disso e a divulgação fraca atesta a falta de comunicação entre a FUNCARTE e os artistas. Quais os nomes dos escritores locais já convidados? Serão mantidos os nomes já confirmados para o evento ou eles também serão negligenciados pela FUNCARTE? Houve algum conselho pra a escolha dos nomes? O conselho anterior (Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira) também foi negligenciado pela presidência da FUNCARTE?
4- Rodrigues diz que “Cláudia passou quase dois meses sem aparecer na capitania”. Ora, se foi assim por que não fui exonerada logo no primeiro mês de ausência? No fim das contas, eu pedi exoneração, assim como outros que não concordaram com a nova política da FUNCARTE. Mas a frase de Rodrigues é reveladora. Então ele aceitaria ou aceita na sua equipe pessoas que ficam dois meses sem aparecer? Interessante sabermos disso.
5- Rodrigues disse que tentou entrar em contato comigo. Ridículo. Meu e-mail e telefone estão na agenda do gabinete da FUNCARTE e na SEPLAN. Além disso, todo o mundo artístico cultural tem os meus contatos, inclusive o próprio presidente da FUNCARTE. Afinal, Rodrigues telefonou do número da presidência para o meu celular na noite de 16 de novembro de 2009 para pedir o telefone do meu marido, o jornalista Cefas carvalho. A conversa dos dois está registrada no blog de Cefas (www.cefascarvalhojornalista.blogspot.com) em postagem no dia 17 de novembro de 2009. Para completar eu e Rodrigues fazemos parte da comunidade social da internet, o orkut, também um excelente maio de comunicação. Como muitas pessoas da sua equipe pode testemunhar, passei tardes inteiras em seu gabinete na esperança de ser atendida.
6- Rodrigues disse: “Ela sequer enviou e-mails para os escritores” Fiz bem melhor que isso, telefonei para os escritores informando a mudança do nome e da data e a confirmação de seus nomes no novo evento. Ficou acertado em reunião que eu não passaria e-mails e sim telefonaria para os escritores. Nesta reunião, além de mim e de Rodrigues Neto, estavam presentes o então presidente da FUNCARTE e já demissionário, César Revoredo, o chefe do departamento de atividades culturais, Josenilton Tavares, e o então assessor de comunicação, Dionísio Outeda.
7- Com relação aos concursos Câmara Cascudo e Othoniel Menezes, Rodrigues disse que “os editais dos concursos estão prontos e no início de março vamos convocar uma coletiva para divulgar as datas dos editais”. Os editais já estavam prontos desde setembro de 2009 e deveriam ter sido lançados em outubro/novembro do mesmo ano para que em março de 2010, no Dia da Poesia, fossem divulgados os vencedores, como foi prometido pelo então presidente César Revoredo, e pela prefeita Micarla de Sousa. Coletiva para divulgar os editais? Ridículo. Não há nenhum mérito nisso, esses concursos já são realizados há mais de vinte anos e com grande sucesso! Aliás, os concursos poderiam ser viabilizados com uma pequena fração dos recursos gastos no duvidoso Natal em Natal.
8- Sobre a revista GINGA, Rodrigues Neto não deu previsão. “Só vou lançar, quando tiver dinheiro para pagar e mantê-la”. Bem, as palavras de Rodrigues Neto atestam quase tudo que eu escrevi na carta e revelam a triste realidade da política cultural natalense!
Claudia Magalhães
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Amanhã, aqui no PLOG, escrevo texto comentando toda esta situação. Aguardem.
Estamos vivendo uma era perigosa. Ou deliciosa. A era da superexposição. Amanhã, você pode ser o pivô da próxima polêmica na internet. Basta vestir uma saia curta e provocar uns neanderthais na universidade. Ou brigar pela prioridade de entrevistar um secretário de Estado. Ou fazer um escândalo na porta da casa do seu ex, pedindo que ele te devolva o chip. Em suma, basta existir. A internet fez com que qualquer um possa se transformar em celebridade instantânea. Não precisa nem de teste do sofá. No futuro, ninguém terá nem cinco minutos de anonimato.
A mais recente webceleb atende pelo nome de Coronel Marcondes Rodrigues. Este ilustre desconhecido é comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e seu mais notório feito até hoje foi dançar a intragável música “Mexa que é de ameixa”, do grupo potiguar Grafith. O coronel estava fardado, em cima de um palco, na formatura dos novos PMs do Estado. Como é de praxe, alguém filmou. Como é de praxe, caiu na internet. Como é de praxe, instaurou-se a polêmica da semana (do dia?, da hora?): como fica a reputação da PM após a dancinha do Coronel Marcondes?
Pra não me alongar no assunto, o baile de Coronel Marcondes não muda nada. Ele não foi, como alguns disseram, flagrado em uma dança sensual. Ele estava numa festa, num ambiente fechado, cercado de pessoas conhecidas e apenas agiu como um ser humano normal: dançou, no auge da alegria, calibrado ou não por algumas canjimbrinas. Isso não importa. O que o fato realmente deve levar a pensar é: e amanhã, será que o flagrante será com você?
A superexposição que a internet causa, obviamente, é o deleite de muitos internautas. Tem gente que reza pra abrir o computador de manhã e já ter acesso ao fato do dia: quer seja a estudante hostilizada da Uniban, quer seja o PM alegre do RN. Nossa ânsia pelas videocassetadas do dia-a-dia não se satisfaz apenas com o Faustão. Precisamos de mais. E tome ex-mulher de Ronaldinho transando na praia, nutricionista gaguejando em entrevista ao vivo, criança voltando dopada do dentista. Quando será que vai chegar a sua vez?
O mais interessante é perceber que nem sempre o flagrante de terceiros é o culpado por expor figuras ao ridículo. Tome-se como exemplo o caso do vereador natalense Paulo Wagner (PV-RN). Eleito em 2008 como vereador mais votado da cidade, Paulo Wagner protagonizou um pequeno escândalo na net esta semana: dirigindo-se ao enterro de um ex-companheiro de profissão, publicou em seu Twitter (@pwagner43) a seguinte pérola: “Tou indo pra Mossoro enterrar uma bicha que morreu era antiga no rádio virou purpurina [sic]”. Paulo Wagner poderia estar apenas confundindo o público e o privado, expondo na internet uma forma carinhosa de tratar um amigo.
Mas o que se seguiu a isso provou que não.
Ricardo Rosado, do blog FatorRRH, reproduziu o que Paulo Wagner publicou em seu Twitter. E foi aí que o vereador mostrou que a linguagem chula e a falta de decoro não são dispensadas apenas aos seus mais próximos. Em resposta ao post do jornalista, que – reafirmo – limitou-se a reproduzir o que o vereador havia escrito sem tecer nenhum comentário a respeito, veio uma enxurrada de impropérios no Twitter do representante do povo. Numa das
mensagens mais leves, Paulo Wagner dirigiu-se ao jornalista da seguinte forma: “Ricardo Rosado bicha da Holanda vai tomar no cu”. O “bicha da Holanda” foi uma alusão ao nome completo do jornalista, Ricardo Rosado de Holanda – um exemplo de como o nosso vereador domina bem as figuras de linguagem.
Em poucas horas, a mensagem foi retuitada inúmeras vezes, com críticas pesadas ao comportamento indecoroso do parlamentar. Ao ver o estrago, Paulo Wagner apagou as mensagens e se confundiu nas explicações: uma hora disse que havia perdido a senha do Twitter e que as mensagens não eram de sua autoria, outra hora pediu desculpas afirmando que errar era humano. Mas o esforço em se retratar foi em vão. A verdadeira face do vereador,. Que não sabe a difedrença entre linguagem popular e linguagem de baixo calão, já tinha vindo à tona. Num caso clássico de flagrante internético provocado por si mesmo.
Como podemos ver, a era da superexpsoição tem suas vantagens.
Eu concordo com a lei antifumo. Ipsis litteris. Acho, inclusive, que deveria se estender a todo o país. Com benefícios coletivos inumeráveis. Por exemplo, os não-fumantes não vão se incomodar com a fumaça, os fumantes vão se envenenar menos e todo mundo vai sair ganhando nessa história. Ponto.
Dito isso, passemos ao que realmente importa.
Esta manhã, fiz a seguinte postagem no Twitter: “Quando me dizem ‘eu odeio fumantes’ sinto vontade de responder ‘eu odeio gordos’”. Obviamente, não odeio gordos. Mas a frase, por sua concisão e contundência, dá margem a diversas interpretações. Principalmente as erradas. Por isso, me dou ao direito de estender o tópico.
Não gosto de ouvir “odeio fumantes” porque sou fumante. Me incomoda saber que todos são colocados no mesmo bolo e tratados como mal educados que saem baforando suas fumaças independente de quem está respirando ao seu lado. Eu tomo cuidados. Para não incomodar os outros, para não ficar fedendo, para não deixar que o fato de ser fumante seja a principal característica da minha personalidade. Já imaginou? “Fulano? Ah, é inteligente, fumante, engraçado”. Não, não gosto de generalizações. E sou fumante mas sou limpinho.
Essa sentença, dita com tanto orgulho por alguns não-fumantes, é hipócrita. “Odeio os fumantes porque eles fedem”. Bom, eu não fedo, apesar da lógica dizer que eu deveria feder. Veja bem: gordos suam mais e, portanto, têm maior probabilidade de exalar maus odores. Seria justo dizer “odeio gordos porque eles fedem”? Não, meus amigos, seria cruel. E desnecessário. “Odeio fumantes porque eles me incomodam”. Apesar de sentir vontade de dizer “os incomodados que se retiram”, não serei infantil a tal ponto. Direi apenas que pedintes nas ruas me incomodam. E não os odeio. E até mais: direi que você, leitor, provavelmente faz algo que me incomoda profundamente. E não te odeio.
Depois vem toda a desinformação característica de quem quer ser o dono da verdade. O cigarro é um problema de saúde pública. Por mais que, teoricamente, a venda de cigarros cubra os gastos públicos com tratamentos de câncer e outras mazelas, se houvesse menos problemas de saúde decorrentes do tabagismo o imposto gerado pela venda de cigarros poderia ser empregado para salvar a vida de pessoas que não estão se autoinfligindo doenças. Como a realidade não é essa, o Governo intervém. Não porque quer garantir o direito de você, não-fumante, sair da balada com o cabelo cheiroso. Nem muito menos porque quer perseguir os que gostam de acender seus caretas. O Governo intervém porque precisa equilibrar as contas. Tudo se resume a dinheiro.
A obesidade também é um problema de saúde pública. Milhões são gastos no SUS com malefícios que advêm desse péssimo hábito (doenças cardíacas, cânceres, hipertensão, etc). Houvesse menos obesos mórbidos ou sedentários, sobraria mais dinheiro para tratar pessoas que não estão ficando doentes porque querem. Simples assim.
Não estou defendendo a restrição dos direitos dos gordinhos. Nada disso. Entendo perfeitamente que no aspecto da saúde pública a obesidade e o tabagismo guardam diferenças gigantescas (a principal delas, a meu ver, é que quando somos pequenos nossas mais não ficam o tempo todo repetindo “fume esse cigarrinho todinho senão fica sem sobremesa”). Mas no aspecto social, podemos sim comparar as duas facções. Fumantes e gordos estão unidos.
Gente mal educada tem de todo tipo. Fumante, não-fumante, gordo, anoréxico. Mas, por mais desagradável que seja ter que compartilhar espaços com pessoas de diferentes características, o caminho do ódio só leva a uma coisa: recíproca (essa você já sabia, tenho certeza, falei só por falar mesmo). Posso listar inúmeras razões para odiar não-fumantes. Mas eu gosto deles. Afinal, se todo mundo fumasse, ninguém tentaria me livrar desse hábito terrível que assumo sem nenhum prazer.
O PLOG segue repercutindo. E repercutindo grandes notícias, o que é melhor. Hoje pela manhã fui procurado pelo repórter Eduardo Neco, do Portal Imprensa, site hospedado no UOL. Ele queria apurar a notícia que publiquei sobre o “hackeamento” do blog local Xeleleu News e que foi assunto do post Blog que detonava políticos sofre ataque de hackers e é deletado.
A troca de e-mails resultou em matéria publicada há poucos instantes no portal, que destaca o PLOG como um dos blogs que protestam contra o fato. Espero que a corrente se espalhe.
Vejam matéria na íntegra:
Blog que atacava políticos do Rio Grande do Norte é deletado por hackers
Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA
O blog Xeleleu News, famoso no estado do Rio Grande do Norte por criticar políticos e autoridades locais, está fora do ar por conta do ataque de hackers. Além de ter sido tirado do ar, todo o conteúdo foi deletado, de acordo com informações do blog Webmanario.
Muitos blogueiros do estado protestam contra a invasão e sugerem que o ato tenha sido uma represália aos ataques feitos pelo blog à autoridades regionais. O escritor e redator publicitário Patrício Júnior, responsável pela página Plog, declarou que ”a ação dos cyberterroristas se mostra, entretanto, um tiro pela culatra. Com isto, tenho certeza, o tal blog vai ganhar mais visibilidade e mais poder de fogo”.
Reprodução
Xeleleu News
Uma nota postada no blog Webmanario pontua que “[é] mais uma arma a favor dos que [querem] calar jornalistas: utilizar hackers para sabotar páginas pessoais que, à parte do mainstream, conseguem fazer barulho com jornalismo crítico e independente”.
O último post do Xeleleu News, segundo informações do site Knight Center of Jornalism, falava sobre o envolvimento do deputado federal Henrique Alves (PMDB-RN) com a escolha de Natal para a subsede da Copa de 2014.
O Portal IMPRENSA espera resposta às tentativas de contato com o deputado, que não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso.
Para ler matéria no contexto original, clique aqui.
Blogosfera, tremei. Ninguém está mais a salvo, nem mesmo se usar como subterfúgio o famoso anonimato que a internet permite. Que o diga o webmaster (ou seriam webmasters?) do afiadíssimo Xeleleu News. Pra quem nunca ouviu falar desse blog, é um excelente momento para começar a acompanhá-lo.
No ar há mais ou menos um ano, o Xeleleu tinha como maior característica escrachar com os políticos potiguares. Publicava notinhas diariamente, muitas delas nada simpáticas com os poderosos do Rio Grande do Norte. Numa das últimas antes do ataque, falou o seguinte sobre o envolvimento do deputado federal Henrique Alves com a escolha de Natal para subsede da Copa de 2014:
“Henriquinho entende do assunto. Em tempos idos, o filho de Aluízio Alves era chamado pelos adversários de deputado Copa do Mundo. Evoluiu. Agora virou o deputado da Copa. Henrique sempre gostou de uma bola. Faz sentido.”
Esse trecho, infelizmente, é um exemplo raro. O blog teve todo o seu conteúdo deletado esta semana. Todos os arquivos do último ano simplesmente sumiram da rede. Eu tinha este trecho arquivado no meu computador porque o tal blog seria assunto do Plogcast 5. Aliás, mais que nunca, será.
Na primeira postagem após a invasão, o tal Rodrigo Moreno – que assina o blog – escreve: “Não entendo por qual motivo alguém entra em uma pagina e simplesmente deleta o blog, como se numa ação tão contundente fosse calar-me ou intimidar-me”. Rodrigo Moreno, obviamente, é um pseudônimo. E pelo que pude apurar, pseudônimo de gente graúda a fim de tocar o terror no meio político.
A ação dos cyberterroristas se mostra, entretanto, um tiro pela culatra. Com isto, tenho certeza, o tal blog vai ganhar mais visibilidade e mais poder de fogo. Parafraseando Raul, “você deleta um blog e vem outro em seu lugar”. É bom que os que estão planejando contratar um hacker pra calar algum blogueiro tenham essa máxima em mente. Afinal, a melhor coisa que pode acontecer a quem quer chamar atenção é virar mártir.
Os piradinhos modernetes estão prestes a receber no Brasil umas das marcas de roupas mais controversas do mundo. Trata-se da italiana De Puta Madre 69. Criada em 1992 por dois traficantes colombianos que estavam presos na Espanha, a DPM69 conquistou mercado através de roupas com estampas loucas e frases politicamente incorretas como “Eu fodo no primeiro encontro” ou “Colômbia narcotráfico”.
O nome da marca, apesar de soar agressivo para os brasileiros, é uma expressão bastante corriqueira na Espanha. “De puta madre” significa algo muito bom. É como dizer “Do caralho!”. Ok, não é necessariamente um nome singelo. Mas ao menos não está xingando a sua mãe. Já o 69… bem, o 69 é isso mesmo que você está pensando.
Presente em mais de 50 países, a DPM69 tem uma história muito incomum. Em 1991, Ilan Fernandez foi preso em Barcelona por venda de drogas e tráfico de armas. Condenado a 18 anos de prisão, começou a criar camisetas com frases inusitadas relacionadas aos seus crimes. Distribuía suas criações dentro e fora da prisão clandestinamente. Era uma tentativa de desabafar e mostrar que a vida do tráfico não valia a pena.
Ao ser solto em 1996, Fernandez passou a vender as camisetas de porta em porta. Em três meses, conseguiu comercializar 200.000 unidades. Pouco depois, conheceu investidores italianos que transformaram o desabafo em negócio. A marca tomou conta das baladas descoladas da Europa. E depois que um participante de um reality show italiano semelhante à Casa dos Artistas passou a ter essas camisetas como marca registrada, a popularização no velho continente foi total.
Apesar de manter o caráter ousado, a DPM69 jura que suas roupas não fazem apologia às drogas nem ao crime. São, sim, a tradução de um homem que errou, pagou e se arrependeu. Ou seja, trazem uma mensagem positiva. Se sim ou se não, nem importa. As roupas são realmente do caralho! E é isso que vale na moda.
Para divulgar seu novo álbum, intitulado “Relapse”, Eminem retorna às polêmicas. O cara sabe fazer os focos se voltarem para ele e dessa vez não é diferente. “Relapse” será lançado oficialmente dia 19 de maio, mas aos poucos clipes do novo álbum vão sendo lançados na internet.
A polêmica da vez é com o clipe da música “3 am”. No vídeo, Eminem (sempre no papel do badboy que lhe rendeu fama e fortuna) interpreta um paciente de um hospital psiquiátrico que sai matando pessoas com uma faca de cozinha. Em outras palavras, um serial killer. A música é meio enjoadinha e a polêmica fica muito mais pro público americano, que adora bancar o conservador. Mas vale a pena assistir pela edição bem amarrada e pelo banho de banheira com, sangue do protagonista.
Essa história de clipe polêmico me fez lembrar algumas pérolas que já pintaram por aí no quesito “censura essa coisa”. Uma delas foi o clipe de “Favourite Game”, da banda Cardigans. Depois do sucesso avassalador do hit Lovefool (com clipe fofinho e direito a muitos suspiros), a banda deu uma aloprada. E colocou sua vocalista, a sueca Nina Persson, dirigindo um carro em alta velocidade na contramão – numa clara tentativa de se matar. O vídeo foi acusado de fomentar o suicídio e em decorrência disso diversos finais alternativos foram criados, na intenção de amenizar a coisa toda. Não sei se funcionou.
Outro clipe que gosto bastante e tem um quê de polêmico é “Until it sleeps” do Metallica. Recriando o jardim do Éden em versão heavy metal, os caras tentaram contar a história de Adão e Eva de um jeito bem peculiar.
Também famoso por suas polêmicas, o grupo de música eletrônica Prodigy costuma aloprar em seus clipes. Já colocou gente cheirando cocaína, tentativa de esturpo, violência explícita. Mas nada, ao meu ver, é mais perturbador que o clipe de “Voo doo people”. Uma corrida é organizada no meio da cidade. Mas todos os competidores estão vendados. E cada trombada em poste, cada atropelamento, cada queda em bueiro causa calafrios em qualquer um.
A mestre das polêmicas, entretanto, continua sendo Madonna. Em seus vídeos, já beijou Jesus Cristo na boca, já fez sadomasoquismo, já cometeu atos de vandalismo. A mulher é uma verdadeira máquina de chocar. Por isso a dificuldade em escolher um vídeo dela. Fiquei com “Erotica”, no qual ela não é nem um pouco sutil em relação ao sexo e pega geral.
E você, tem um clipe polêmico na cabeça? Comenta aí.
Um post sobre um tal script de popularidade no Twitter deixou a blogosfera em polvorosa. Posts irados, mensagens de ódio, notas de repúdio por toda a internet. Mas a verdade verdadeira, a mais contundente, a que ninguém quis postar, é: isso não tem a menor importância. Exatamente, não tem.
O tal post foi de autoria da jornalista Rosana Hermann. Popular na internet, Rosana é blogger do Querido Leitor (um blog pra lá de ruim, que vive de renoticiar o que já foi noticiado). Foi lá que ela postou, no dia 05 de abril, o texto intitulado Um robô de fazer sucesso no Twitter.
Esse “robô” é o tal script que falei. Ou seja, um código que agrega novas funções ao Twitter. Neste caso, a função é simples: adicionar automaticamente todos os seguidores de um determinado perfil. O truque da popularidade vem aí: como é tendência natural que passemos a seguir quem nos segue, o script faz o perfil de quem o usa subir astronomicamente de importância dentro do site.
A questão é essa: dentro do site.
Ao contrário do que muitos alardearam por aí (chegaram a falar em “ética 2.0”, minha gente!), o que Rosana Hermann fez não é nada demais. Nada mesmo. É tão “nada” que tem impacto zero sobre o mundo real. Afinal, que diferença faz ser a mais ou menos seguida no Twitter? Aliás, que diferença faz o Twitter? Apesar da falta de importância, falaram em credibilidade, em ética, em moral. Esqueceram de falar em relevância. O debate sobre métodos honestos de conseguir popularidade no Twitter é tão irrelevante que já está me dando vergonha de escrever esse post. Mas vamos lá.
Pra quem não enxerga o mundo como um código de html, o texto na verdade começa aqui. A blogosfera (e todos os seus derivados, a saber: twittosfera, orkutosfera, fotologosfera, etc) demonstra uma perigosa tendência de se fechar em seu seu próprio mundo e se trnasformar numa umbisgofera. Muito blogs começam interessantes, falam sobre assuntos legais, mas com o ganhar de popularidade acabam caindo na pior das metalinguagens: passam a falar somente sobre blogs. Acontece também em outras redes sociais. Já se nota que os mais populares do Twitter não têm outro assunto a não ser o Twitter. No Orkut, nem se fala: a importância de um scrap respondido, para alguns, ganhou status de buquê de flores. Patético. E chato demais.
A briguinha pela “popularidade honesta” no Twitter, incitada pelo post de Rosana Hermann, lembra em muito os primórdios do Orkut. Era um tal de “quanto amigos você tem? 20? Eu tenho 499” que dava pena. Parecia pré-adolescente medindo o tamanho do pau. No Twitter, a briga se torna ainda mais bizarra porque envolve um suposto poder de persuasão sobre as massas. Explico.
Marcelo Tas (que já era famoso bem antes do Twitter e ancora um dos programas mais legais da TV brasileira, o CQC), assinou recentemente um contrato com a Telefônica para postar mensagens no seu Twitter sobre um novo serviço da empresa. Foi o suficiente para encher os olhos de ambição das twitcelebrities. Todos acham que vão ganhar uma boquinha com seu perfil. Mas não vão. Caiam na real, por favor. Marcelo Tas existe no mundo real. Tem influência real sobre a opinião pública. É um comunicador com um lastro de popularidade que vem desde os anos 80. Marcelo Tas não é apenas um avatar com 10.000 seguidores no Twitter.
A revolta pelo truque que Rosana Hermann usou é uma bobagem. Uma infantilidade. Uma falta do que fazer da blogosfera. Poderiam investir energias em assuntos mais interessantes. Tá parecendo a Globo, que lança um programa e noticia em seus telejornais. A blogosfera tá virando isso: uma Rede Globo. A diferença é que o único programa da blogosfera é o Vídeo Show. E eu não vou mais tomar seu tempo com isso. Prometo.
Foi Alex Medeiros, colunista do supracitado, que repercutiu na edição de ontem a notícia sobre o imbróglio na criação do Sindicato dos Publicitários, publicada no PLOG na quinta. Alex dá nome aos bois e ainda faz uma generosa citação ao PLOG, colocando o endereço de sua fonte. O que força a dizer obrigado.