Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Esta nota tem o único propósito de dar transparência ao trabalho sério que estamos realizando, antes mesmo de sermos indicados para compor a CEI (27 de junho) e presidi-la (3 de agosto). Decidimos fazer um relato histórico dos fatos noticiados, e que comprovam nosso comprometimento com esta apuração antes mesmo dela ser instalada, quando já apoiávamos o desejo de todo natalense de ver estes contratos investigados, fato notório com a mobilização de jovens que ocuparam a Câmara de Natal por 11 dias, em junho, instalando o #ColetivoForaMicarla.
Queremos ressaltar que, mesmo não tendo provocado a abertura desta apuração, Requerimento que foi apresentado pela vereadora Sargento Regina (integrante de oposição na CEI), que fez uma espécie de dossiê ao longo de um ano, reunindo cópias de documentos, o nosso mandato já vinha questionando contratos suspeitos da Prefeitura de Natal.
Tanto que no dia 17 de junho passado, quando foi realizada audiência pública, atendendo a reivindicação do coletivo #ForaMicarla, apresentamos cópias de mais de 50 requerimentos de nossa autoria, que pediam explicações sobre contratos publicados pelo Executivo Municipal. Enfatizamos que a maioria não foi respondida, ou não contemplou nossas dúvidas.
Por isso, agora, sugerimos e foi acatado pelos demais membros (no dia 9 de agosto passado) o reencaminhamento, pela CEI, destes requerimentos, assim como de outros vereadores, o que foi feito através de Ofícios, que também solicitavam pareceres jurídicos, para que possamos analisar que argumentos o Município utilizou para celebrar tais contratos, muitos com dispensa de licitação ou por inexigibilidade. Ainda não foram atendidas por completo: uns órgãos encaminharam e outros solicitam mais prazos.
Voltando um pouco mais: nosso primeiro passo, ao sermos indicados para a CEI, dentro da proporcionalidade da oposição, no final de junho (dia 27), foi colocar a equipe do gabinete para avaliar minuciosamente os Diários Oficiais, separando os contratos suspeitos. Isso aconteceu no recesso, em julho, quando sequer vislumbrávamos a possibilidade de sermos indicados para a presidência da CEI, o que ocorreu em 3 de agosto.
Queremos, aliás, enfatizar que não buscamos tal posto. Mas sendo inviabilizado o nome de Regina pela maioria dos membros, no caso da situação, restou o nosso nome para ocupar a vaga destinada à oposição – já que à situação caberia o cargo de relatoria. Aceitamos por uma questão de respeito com a sociedade e porque quando assinamos o requerimento para criação da CEI, estávamos disponibilizando nosso nome para acompanhar a apuração, independente do espaço a ocupar.
Creditamos alguns ataques à falta de argumentos para desqualificar o trabalho sério que está sendo realizado pela bancada de oposição nesta CEI, mesmo diante de todas as adversidades. Ao invés de criticar o que vem sendo feito por nós, os vereadores governistas deveriam, sim, manter seu compromisso com Natal orientando que seus membros não abandonem a comissão – e tentando neste momento fazer a substituição dos que saíram: Franklin Capistrano e Heráclito Noé (relator).
Se não há mesmo irregularidades na gestão da prefeita que a situação defende, então que ajudem, e não atrapalhem a continuidade dos trabalhos. E possam tentar convencer a sociedade de que não há irregularidades. Mas que façam isso com base em argumentos, provas e depoimentos, que, aliás, são transparentemente divulgados na mídia – com transmissão ao vivo pela TV Câmara – e matérias apuradas por repórteres que vêm acompanhando as reuniões da CEI na Câmara.
ANDAMENTO
Pois bem, os trabalhos vêm evoluindo e temos a prova disso. Passado quase um mês do início oficial dos trabalhos, enviamos Ofícios com solicitações de mais documentos e informações, respostas que estamos recebendo e que serão importantes para nortear os próximos passos, buscamos apoios junto a instituições respaldadas, e começamos a coletar primeiros depoimentos: dos titulares do Gabinete Civil, Kalazans Bezerra, da Secretaria de Planejamento, Antonio Luna, da Controladoria Geral, Regina Motta, e Procuradoria Geral do Município, Bruno Macedo.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Paulo Teixeira, informou que estão convocando dois especialistas da área de contratos e licitações para acompanhar os trabalhos, assim como o procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre, destacará junto à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, seu representante nesta parceria. E o Tribunal de Contas do Estado informou que apesar da impossibilidade de disponibilizar servidor para auxiliar, poderá realizar as suas atribuições institucionais quando instado para tanto, notadamente quando do envio dos trabalhos conclusivos da CEI, ou ainda através de consulta.
Por fim, reiteramos nosso compromisso com todos que esperam desta CEI uma apuração séria. O que estiver ao nosso alcance para a investigação responsável iremos fazer. É fundamental que todo natalense acompanhe este trabalho, porque não temos nada a esconder. Pelo contrário, é com a transparência das medidas e esta contribuição/fiscalização que levaremos esta CEI para onde ela deve chegar: a encaminhamentos práticos e objetivos. Isso é necessário para que não estejamos, em breve, lamentando a extinção e apontando culpados. É hora de vigiar e se mobilizar para que manobras não aconteçam e saibamos quem realmente está comprometido com esta investigação!
O clima era de festa na Câmara Municipal de Natal no início desta noite. Centenas de pessoas tomaram a rua para comemorar o habeas corpus do STJ para oos manifestantes do #ForaMicarla. O movimento, democraticamente, segue acampado na Câmara. E eu cheguei bem no momento em que todos tomavam a rua para cantar o Hino Nacional. Foi de arrepiar.
Hoje passei mais uma vez no acampamento do #ForaMicarla na Câmara Municipal de Natal. Não vi violência, nem agressividade, nem baderna. Vi apenas tensão.
A ordem judicial para que a PM invada o local e expulse os manifestantes havia acabado de ser expedida. O prazo para iniciar a desocupação começa às 18h de hoje.
Nesta segunda visita, notei mais algumas coisas:
- Todos os banheiros do térreo estavam trancados. Nenhum funcionário da CMN sabia onde estavam as chaves e ficava aquele clima de “Não vejo, não ouço, não falo” quando alguém tentava descobrir.
- Não havia água nas torneiras.
- Não havia internet wi-fi.
- Mesmo com as apresentações culturais, o silêncio imperava nos corredores da Câmara. A explicação: os manifestantes estão no pátio central, no térreo, e os gabinetes ficam no primeiro e segundo andar. Dessa forma, o protesto em nada impede o trabalho dos vereadores e de seus assessores.
- Havia mais jornalistas, incluindo um repórter da InterTV (afiliada Rede Globo).
- Fecharam a porta principal. Para entrar, era necessário ir pela lateral da Câmara. Não há uma explicação lógica para isso, apesar do fato gerar uma imagem impactante: a casa do povo fechada para ele.
Apesar do clima tenso, recebi um presente. Um dos manifestantes me entregou um DVD que continha o vídeo “A prefeita mais picareta da cidade”. Nem sabia se poderia compartilhar, mas não resisti: tão logo deixei a Câmara, postei o vídeo no Youtube.
Vídeo “A prefeita mais picareta da cidade”
Conforme prometi na outra visita, tirei algumas fotos do local. Como vocês poderão ver na galeria abaixo, aqueles que afirmaram haver um clima de insegurança e violência estão completamente enganados. O protesto seguia pacífico até o meio dia de hoje. Não sei como as coisas ficarão após a chegada da PM.
#ForaMicarla: 16/06/2011
De toda forma, independente do desfecho de hoje à noite, todos do movimento #ForaMicarla devem se considerar vitoriosos. Entraram para a história com esse protesto. Deixaram claro para os vereadores que o povo ainda tem voz. Ganharam a mídia nacional. E ainda despertaram a oposição para a necessidade de se articular melhor.
Parabéns a todos que foram à Câmara lutar por uma cidade melhor.
O movimento #ForaMicarla, que pleiteia o impeachment da Prefeita de natal Micarla de Souza (PV-RN) emitiu hoje uma carta aberta direcionada a toda população natalense (em especial, aos vereadores e ao Ministério Público).
O texto é contundente, mas em nada lembra “um movimento pueril organizado por jovens sem ocupação” — como alguns partidários da Prefeitura de Natal quiseram fazer parecer.
A carta lista as motivações do movimento, traz uma pauta de reivindicações e deixa um recado bem claro: a ação partiu do povo sim.
Leia carta abaixo, na íntegra.
Natal, 07 de Junho de 2011
Hoje, em mais uma manifestação promovida pelos e pelas integrantes do movimento #ForaMicarla, diversos grupos de atuação política (formais e informais, partidários e apartidários, todos unidos pela consciência do seu dever cívico para com a cidade onde vivem) ocuparam o pátio interno da Câmara Municipal de Natal. Esse é mais um ato que expressa o repúdio à péssima administração que vem sendo realizada pelo atual governo do município. Um grupo que tem como símbolo maior a própria prefeita, Micarla Araújo de Sousa Weber, mas que é composto também pela vice-prefeitura e pela maioria dos vereadores.
Nós defendemos não apenas uma simples retirada da prefeita do cargo que ocupa, mas também, impreterivelmente, que tanto a própria Câmara Municipal quanto o Ministério Público do Rio Grande do Norte ajam para investigar as ações da prefeitura e do poder legislativo com maior afinco. Que essas instituições se coloquem ao lado do povo, em uma defesa intransigente dos direitos das cidadãs e dos cidadãos. Nós do movimento #ForaMicarla acreditamos que fazemos a nossa parte ao provocar as autoridades da cidade para que tomem o rumo da moralização e do fortalecimento do poder público em benefício da sociedade natalense.
Se algumas dessas autoridades alegam que “não existem provas” para que o curso de uma ação mais contundente seja tomado, nós podemos certamente listar muitas evidências para nortear o caminho dos trabalhos que estamos exigindo.
Eis algumas das causas da nossa justa raiva, entremeadas por questionamentos e sugestões:
• Aluguéis e compras vêm sendo efetuadas com notório superfaturamento dos preços; há necessidade de uma CEI dos aluguéis isenta, que não esteja sob domínio da bancada situacionista (a relatoria e a presidência estão ocupadas por vereadores micarlistas).
• Descaso com o Transporte Público: buracos em inúmeras ruas e avenidas da cidade; sucessivos aumentos da passagem de ônibus; falta de licitação para a prestação do serviço de ônibus; falta de ampla discussão acerca de uma reforma ou cancelamento do Termo de Ajustamento de Conduta que regulamente os aumentos na tarifa.
• Descaso com o Meio Ambiente: derrubada de centenas de árvores sem que haja uma contrapartida satisfatória na criação de áreas verdes; caos administrativo na Urbana, afetando a coleta de lixo e abalando o vínculo empregatício dos garis que trabalham para a sociedade.
• Descaso com a Educação: merenda estragada nas escolas municipais; péssimas condições de trabalho e estudo, além da falta de vagas ofertadas para o ensino fundamental.
• Descaso com a Saúde: terceirização injustificada (ou justificada pela confissão de incompetência) do atendimento à população; propaganda enganosa acerca da real relação custo/benefício que ocorre na implementação de AMEs e UPAs, além da privatização do setor.
• Falta de canais de participação popular no processo orçamentário, o que resulta em absurdos como os R$200.000,00 destinados para um inexistente “Zoológico” da cidade.
• Ocorrência de nepotismo na administração pública; ocupação de cargos comissionados, estágios e secretarias por parentes e cabos eleitorais de políticos que estão no governo.
• Falta de transparência nas contas públicas; a dispensa de licitação (recurso emergencial) tornou-se a norma nos processos de contratação de serviços e na compra de materiais de custeio (como exemplo podemos citar o caso da compra de 2.500 copos descartáveis por R$3.765, informação que está no Diário Oficial).
• Falta de projeto de governo: daí decorre a substituição constante de secretários; além de diversas obras paralisadas ou atrasadas.
• Falta de fiscalização do Plano Diretor: verticalização excessiva em áreas onde a lei não permite que isso aconteça; aumento do IPTU sem que a população usufrua de maiores benefícios custeados pelo imposto.
• Falta de pagamento aos artistas que prestaram serviços à Funcarte, e proibição das manifestações artísticas de rua e demais locais públicos que não sejam previamente autorizadas pela administração municipal.
• Falta de pagamento a diversos fornecedores e prestadores de serviços, o que tem prejudicado, entre outras coisas, a manutenção da infra-estrutura e da qualidade do ensino nas escolas do ensino fundamental;
• Gasto excessivo e imoral com publicidade e propaganda, enquanto áreas essenciais estão sendo prejudicadas por falta de recursos; propaganda enganosa custeada com dinheiro público, que não condiz com a realidade que observamos no município.
Os pontos acima listados são uma parte dos motivos que tem feito milhares de pessoas saírem às ruas nas últimas semanas. Queremos pressionar e dialogar com o poder público para que as devidas averiguações e cabíveis providências legais sejam tomadas. Não vamos desistir dessa luta! Continuaremos vigilantes, empenhadas e empenhados em conscientizar e mobilizar a população de Natal contra governos como o da prefeita Micarla de Sousa.
Sobre a Prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV-RN) e sua administração, escrevi algumas crônicas em tom jocoso. Renderam-me muitos acessos, sessões impagáveis de gargalhadas e centenas de comentários. Após os acontecimentos dos últimos dias, pensei que era hora de continuar a série. Mas percebi que não era mais o caso. Ultrapassamos o limite do “é rir para não chorar”, meus amigos. Brincar com essa situação seria, no mínimo, falta de sensibilidade.
Micarla e seu governo sem rumo, com ingerências que vão da proliferação de buracos pela cidade por pura falta de manutenção até as desastrosas substituições de secretariado, conseguiu despertar na cidade o sentimento de guerrilha. A população está armada com gritos de “Fora Micarla” e todo o poder que as redes sociais dão. Não é mais o caso de fazer piada, pois esse sentimento vai evoluir. Vai se tornar realmente perigoso.
O dia 25 de maio de 2011 ficará para sempre na memória dos natalenses. Foi o dia em que a população saiu de sua habitual inércia e foi às ruas protestar. Claro que alguns criticarão as ruas bloqueadas (“E meu direito de ir e vir?”), tentarão taxar de baderna estudantil a revolta popular. Claro que toda esta movimentação vai dividir opiniões e gerar ainda mais discussões nas redes sociais, nas conversas de bar, nas horas do jornal após o jantar. Mas nada apaga o que aconteceu ontem: o povo se uniu, foi às ruas e gritou em alto e bom som o seu desejo. Natal quer Natal de volta.
O que me preocupa agora é o que está por vir. Não tardará para que os protestos se tornem ainda mais violentos e as palavras de ordem sejam substituídas placidamente por atos de vandalismo. Não tardará para que a revolta evolua e se transforme no superlativo da revolta: o anarquismo. Não tardará para que algo realmente violento aconteça. É assim o comportamento da massa. Uma hora a euforia coletiva se transforma em algo primitivo e incontrolável.
Nos protestos de ontem, duas amostras dessa iminente evolução foram dadas: um pneu queimado no cruzamento da Bernardo Vieira com a Prudente de Moraes e um outdoor da Prefeitura de Natal derrubado por manifestantes no final da Romualdo Galvão.
Outdoor da Prefeitura é derrubado por manifestantes:
A culpa pelo vandalismo, entretanto, não é dos manifestantes. A má administração, o descaso com as necessidades da população, a irresponsabilidade com o dinheiro público: todos esses pequenos pecados que Micarla de Sousa vem cometendo há mais de dois anos incitaram o comportamento violento. Finalmente, o caos da administração contaminou a população.
A culpa, meus amigos, não é de quem vai às ruas gritar pelo que tem direito. A culpa é de quem foi eleito para garantir esses direitos, mas parece se importar mais em retocar as raízes do cabelo.
Há uma luz no fim do túnel. Blogs já noticiam que uma pesquisa comprovou que apesar da campanha publicitária milionária, orquestrada há semanas pela Prefeitura de Natal, a avaliação da administração de Micarla continua ruim. O Ministério Público está atuante, impedindo que desmandos ainda maiores sejam cometidos. Hoje mesmo, por exemplo, o MP ganhou na justiça ação que impetrou contra a Prefeitura na qual alega que a terceirização dos serviços de saúde é inconstitucional. A CEI dos Aluguéis, que vai investigar suspeitos contratos de imóveis da Prefeitura, já está constituída. Espera-se que investigue de verdade. Há rumores que vereadores já articulam um pedido de impeachment.
Mas até lá?
Manifestantes continuarão nas ruas. Atos de vandalismo inevitavelmente ocorrerão. Mais e mais propagandas da Prefeitura tentarão negar o óbvio. E eu seguirei me perguntando: quem, além de Micarla e sua prole, seguirá de braços cruzados?
E a amada Prefeita da Gente, a jornalista e comediante Micansa de Souza, acaba de tomar uma decisão que vai abalar toda a conjuntura político-social do planeta (como tudo que ela anuncia que vai fazer, né?). Para provar que está no rumo certo de sua administração – mesmo que seja um pouco estranho que um prefeito tenha que provar algo assim estando já na metade do mandato – ela decidiu administrar sua casa tal qual administra a cidade.
Para garantir o bem-estar de todos os moradores de sua residência – a saber: ela e o marido, dois filhos, um assessor particular para segurar sua bolsa e 179 cargos comissionados sem funções claramente definidas – Mienrola de Souza passou a aplicar na Mansão da Gente cada um dos passos seguidos em seu projeto de governo. Sim, até agora não passa de um projeto.
A primeira atitude que Miengana de Souza cometeu – porque algumas atitudes são cometidas, de tão graves que se mostram – foi estabelecer o Via Livre na Mansão da Gente. O projeto pretende garantir a todos o direito constitucional de ir e vir – ir e vir, repetidas vezes, durante 40 minutos, na tentativa de encontrar uma inexistente vaga para estacionar. Todos os cargos comissionados acharam o projeto maravilhoso e revolucionário, ovacionando a Prefeita como a maior líder política de todos os tempos – o que importa é não perder o cargo comissionado, por mais falso que soe o elogio.
O único a reclamar do projeto foi o Primeiro Xadrez (o masculino de “dama” é “xadrez”, não é?), o radialista Migué Biebier. Segundo ele, é um absurdo que não haja vagas para estacionar nenhum dos seus 23 gigantescos carros importados que só Freud explica. A Prefeita aceitou a reclamação prometendo que em breve a Mansão da Gente teria prédios-estacionamento como nunca foram – nem serão – vistos em Natal. Até lá, o jeito é mesmo usar o direito de ir e vir sem ter onde parar.
Na área da educação, Mimente de Souza também está dando show. De incompetência, claro. O colégio das crianças, por exemplo, está atrasado há mais de 6 meses. Mas ela garantiu ao dono da escola mais cara da cidade: “Olha, você não recebe há 6 meses, mas em compensação quando o pagamento sair, vai vir todo de uma vez”. Não dá pra entender como é que alguém caiu nessa conversa fiada de trabalhar de graça com a promessa de receber, um dia, quem sabe, se Deus der bom tempo, o pagamento. Mas basta perguntar ao pessoal da Educação: tem um monte de gente acreditando em Nãomipaga de Souza.
Infelizmente, nem tudo são flores na Mansão da Gente. Também há árvores – que, na filosofia da Borboletinha, devem ser sumariamente eliminadas caso não sejam nativas da região. Dessa forma, Miderruba de Souza começou uma verdadeira campanha nazista contra todas as algarobas da Mansão da Gente. Não importa se as algarobeiras estão por aqui desde 1940. O que importa é que elas não são nativas da região e por isso não merecem viver. O próximo passo da campanha “Extermínio da Gente” é matar lenta e dolorosamente todas as laranjeiras, mangueiras, macieiras e pessoas que falam chiando. Não é nativo, não é digno de viver.
A cultura, por sua vez, é tratada com muitíssima atenção na Mansão da Gente. As crianças estão sempre tendo acesso a muitos shows de forró e pagode, uma coisa assim bem do povo, porque é disso que o povo gosta. O critério para selecionar as bandas que se apresentarão para os herdeiros da gente é bem simples: quanto mais putaria implícita estiver contida nas letras, mais chances ela tem embolsar um graúdo cachê. Se for um padre metrossexual com repertório duvidoso, os critérios de avaliação bonificam o cachê em 300%. Dia desses os herdeiros da gente cantarolavam pelos corredores da Mansão um refrão que começava com “Deus é maior” e terminava em “chupa que é de uva”.
Para facilitar a administração da residência, a Borboleta criou diversas Secretarias – todas sem telefone e sem internet, é óbvio. Tem, por exemplo, a Secretaria de Financiamento para Estruturação Rápida da Região – SEFERRA, a Secretaria de Fomento ao Desenvolvimento – SEFODE e a Secretaria Especial Unificada da Copa e Cozinha – SEUCOZINHO. Esta última, porém, acaba de ser extinta devido a um imbróglio ilegal: apesar de todo mundo querer a paternidade da Copa Natal 2014, Miengabela de Souza foi a primeira a pular fora e não querer assumir nenhuma responsabilidade. Segundo ela, a Copa é assunto do Governo do Estado e seu lugar é na Cozinha. Aliás, ela também pulou fora e jogou a responsabilidade pra outras pessoas no caso dos Espigões de Ponta Negra, não foi? E com o caos na Saúde… e com a greve dos professores… e com os atrasos de pagamento… e com os casos de corrupção… ah, tô entendendo.
Em ano de eleições, dá pra imaginar a loucura que está na Mansão da Gente. Mielege de Souza resolveu fazer um pequeno pleito em casa para decidir quem iria deixar as crianças na escola. Com sua forte aprovação popular, lançou Migué Biebier como principal candidato. A campanha foi bem acirrada, devido ao fato de que apenas os herdeiros da gente votavam. O pai usou de todos os artifícios para conquistar o voto dos filhos. Indo contra a legislação eleitoral, deu presentinhos como milheiros de tijolo e dentaduras, fez pequenos favores como conseguir consultas no oculista ou audiências privadas com a Prefeita, chegou ao absurdo de oferecer dinheiro aos filhos em troca de seus votos. No fim das contas, o apoio da Borboleta fez toda a diferença: Tripa de Bode, ex-detento, alcoólatra, viciado em crack, sem carteira de motorista e com tendências pedófilas, foi eleito pelas crianças para ir deixá-las todos os dias no colégio. E Miferra de Souza colocou a culpa do seu fracasso no ex-administrador da casa. Claro.
A vida na Mansão da Gente vai de vento em popa. Sempre que acontece alguma coisa errada na administração, por exemplo, as TVs da casa veiculam matérias favoráveis à Prefeita. Corre à boca pequena que dia desses ela até chorou no ar, ao vivo, numa atuação digna de Oscar. Grandes obras, entretanto, não temos. Por isso, para preencher seu tempo cada vez mais ocioso – visto que perde apoios, perde credibilidade, perde convites e perde até mesmo o bom-senso – Miafunda de Souza passou a inaugurar faixas de pedestre, pedras fundamentais e obras dos outros. Dia desses estava no jardim da vizinha, toda serelepe, posando pra fotos ao lado de uma UPA plantada pelo Governo Federal.
Aliás, o relacionamento com os vizinhos não está legal. Depois de ser ajudada durante meses por Seu Agripino, coroa simpático que mora à direita – bem à direita – de sua casa (há quem diga, inclusive, que a Borboleta foi criada por ele!), Misacaneia de Souza acabou apoiando a vizinha do lado esquerdo numa pendenga recente. Tendo, inclusive, pisado publicamente nas rosas de Seu Agripino. O clima fechou na vizinhança, mas Seu Agripino, muito experiente, não deixou que a baixaria lhe afetasse. “Ela tem o direito de apoiar quem quiser”, declarou. No fundo, todo mundo sabe que Mimpeachment de Souza não vai durar muito na administração da Mansão da Gente.
E a Funcarte (Fundação Confusa das Artes), órgão municipal irresponsável por fazer cultura em Natal, acaba de chegar a um entendimento sobre o antigo Encontro Natalense de Escritores, antigo Encontro Lusófono de Escritores, antigo “Não sabemos ainda qual será o novo nome, mas vai ser revolucionário”. O evento de literatura agora vai se chamar DENE – Desencontro Natalense de Escritores. Será o maior evento de literatura que nunca vai ocorrer em Natal.
Para as mesas do DENE já estão confirmados os nomes de Machado de Assis, Miguel de Cervantes e José de Alencar. Serão mesas brancas, claro. O Presidente da Funcarte dessa semana garantiu que o DENE vai ser um evento único. O da semana que vem já se adiantou dizendo que garante a mesma coisa.
Todos os escritores convidados para o DENE serão substituídos de última hora por apadrinhados do Presidente da Funcarte. E o melhor: saberão que foram preteridos através da imprensa e passarão por esse constrangimento público sem receber nenhum pedido de desculpas da Prefeitura. Segundo o presidente da Funcarte, essa prática tem por objetivo desqualificar o trabalho de escritores profissionais ao mesmo tempo em que prestigia artistas frustrados que se dedicaram mais ao puxa-saquismo do que ao trabalho sério. “Nossa política cultural sempre vai privilegiar quem faz parte da nossa panelinha”, afirmou, “Nós somos um órgão público, que dá oportunidades iguais a todos os artistas, contanto que eles estejam filiados ao partido da situação”.
DEBATES DA GENTE
Os debates terão temas modernos, em consonância com o que é discutido nos maiores eventos de literatura do mundo. Na mesa “Decoração natalina de Natal: uma redundância?”, grandes nomes da literatura de gosto duvidoso discutirão o que os responsáveis pela decoração do “Natal em Natal” fumaram pra achar aquilo bonito. Segundo o Presidente da Funcarte, esta mesa será tão revolucionária e inovadora que as pessoas não vão entender nada – mas a Prefeita vai dar uma entrevista dizendo que aquilo tudo é mágico-lúdico-fantástico e então a cidade toda vai concordar com ela.
Outra mesa que promete gerar uma discussão saudável e edificante é “Usando a retórica para jogar a culpa no seu antecessor”. A própria Prefeita será uma das debatedoras e falará sobre sua experiência em culpar a gestão anterior por todos os problemas da cidade. A mediação deste debate ficará ao cargo de um assessor baba-ovo, que concordará com tudo que a Prefeita disser enquanto segura sua bolsa e não deixa ninguém chegar perto dela. A organização do DENE promete ainda servir um bolo de fubá pra Prefeita e expulsar do recinto quem tentar fotografá-la no momento em que ela come a guloseima.
Na seara da literatura sustentável, teremos debates bem interessantes também. Dias Gomes, autor da novela global “O espigão”, vai compor a mesa “Toma que o espigão é teu”. Na ocasião, ele defenderá a tese de que a novela dos espigões de Ponta Negra é dele. Como ninguém quer tomar pra si a autoria dessa novela, os organizadores crêem que não haverá grandes polêmicas. Mas o Ministério Público já avisou: vai fazer uma reunião com Dias Gomes e depois, magicamente, ele voltará atrás em todas as decisões que tomou. Jogando a culpa no antecessor, claro. Outras mesas da parte verde do evento que merecem destaque são: “Meu pé de algaroba no Midway”; “As escutas telefônicas mais incríveis da Operação Impacto”; e “Plano diretor: quem te viu, quem PV”.
OFICINAS DA GENTE
Mas nem só de debates viverá o DENE. Na oficina “Venda seu blog: pergunte-me como”, uma blogueira inescrupulosa e medonha ensinará como enriquecer às custas de inverdades sem se corroer de remorso. Os presentes aprenderão, por exemplo, como formatar uma tabela de preços para a própria opinião. A blogueira adiantou, em coletiva, um pouco do conteúdo da oficina. “Manipular a verdade dá trabalho: tem que buscar argumentos falsos, escrever de forma dúbia e ainda posar de imparcial: tudo isso gera um custo que deve ser repassado a quem está te prostituindo”, afirmou ela. Durante a oficina, a blogueira promete emitir várias opiniões favoráveis ao grupo político da situação. Isto se ela não receber uma contraproposta da oposição até lá.
Os professores da rede de ensino municipal serão os responsáveis pela oficina “Plano de Cargos e Salários: promessa é dúvida”, na qual mostrarão passo a passo o que você deve fazer para ser ludibriado por propostas de campanha que nunca serão cumpridas. Esta oficina promete atrasar todo o cronograma do evento porque minutos antes de começar os professores entrarão em greve. Mas a Prefeita garantiu que vai receber todos para uma conversa franca assim que sua popularidade cair pelo fato de nossas crianças estarem sem aulas.
Outros destaques são as oficinas “Via Livre, mas nem tanto”, “Inaugurando postos de saúde sem médicos”, “Como trocar seu apoio político pelo silêncio da imprensa” e a grande sensação do evento: “Diga repetidas vezes ‘Eu sou mãe, eu sou mulher’ sem ser taxada de preconceituosa”.
BAIXARIAS DA GENTE
Claro que Câmara Cascudo não poderia ficar de fora. Para homenagear nosso maior intelectual, a organização apresentará algo totalmente inédito: um natalense que leu um livro de Câmara Cascudo! Sim, existe! E o presidente da Funcarte garantiu que o rapaz não freqüenta o Beco da Lama, não dá aulas na universidade e nem é herdeiro do folclorista, fato que torna a descoberta realmente única.
O DENE ainda promete grandes debates que descambarão pra baixaria sem, no entanto, ter seus responsáveis advertidos pelos superiores. O próprio presidente da Funcarte se encarregará de pôr a culpa pelo atraso do evento em ex-funcionários que pediram exoneração porque a Prefeitura não ofereceu condições para que seus trabalhos fossem realizados. “É de suma importância que a gente continue mentindo para o povo, sem jamais assumir a própria inoperância”, afirmou, para em seguida sair cagando e andando.
Anote aí: o DENE ocorrerá em algum dia dos meses de março, abril, maio ou junho, talvez julho, quem sabe agosto, pode ser até em setembro, provavelmente em outubro, no máximo em novembro, se bem que dezembro…
A respeitada atriz, diretora e dramaturga Cláudia Magalhães, com a qual gozo de relação amistosa e simpatia mútua, escreve abaixo os motivos que a fizeram pedir exoneração do cargo de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira) da FUNCARTE. Não é segredo pra ninguém que a FUNCARTE, na gestão da Borboleta, virou uma bagunça das grandes. Na carta aberta abaixo, enviada aos artistas e à imprensa, Cláudia Magalhães deixa bem claros seus motivos para sair desse mar de incompetência que é a atual Prefeitura de Natal. Republico aqui a carta por dois motivos: 1) Pelo que tem de contundente, expondo através dos olhos de quem estava lá dentro como as coisas realmente acontecem na gestão cultural de Micarla de Sousa; 2) Pelo respeito e pela simpatia que tenho por Claudia Magalhães, que sempre se mostrou profissional e estimulada quando se tratava de fazer um bom trabalho cultural. Segue a carta.
Carta aberta
Por Cláudia Magalhães
Na qualidade de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira), cargo que ocupei de janeiro de 2009 a janeiro de 2010 (quando fui exonerada a pedido), comunico a todos os citados acima que não faço mais parte da coordenação geral do ENE (Encontro Natalense de Escritores), atual, ELE (Encontro Lusófono de Escritores). Esta carta se faz necessária para esclarecer alguns pontos que dizem respeito ao meu relacionamento com o mundo cultural local e a sociedade em geral, aos quais devo prestar contas enquanto ocupante que era de um cargo público.
1- Por convite do então presidente da FUNCARTE, César Revoredo, aceitei a coordenação geral do então ENE. Portanto, auxiliada por um conselho formado por: Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira, foram enviados convites via e-mail (oficial da FUNCARTE, em nome do presidente César Revoredo, com cópia para o meu e-mail) para: José Eduardo Agualusa, Paulo Lins, Marçal Aquino, Arthur Dapieve, Xico Sá, Ziraldo, Pedro Bandeira, Marcelino Freire, Cassiano Elek Machado, Joca Reiners, Mário Bortolloto, Eduardo Bueno, Shiko, Fernando Bonassi, Milena Azevedo, Chico César, Tárick de Sousa, Edney Silvestre, Antônio Cícero, Tarcísio Gurgel, Gabriel O Pensador, Tácito Costa, Clotilde Tavares, Carlos Magno, Nivaldete Ferreira, Isabel Vieira, Túlio Andrade, Danilo Guanais, Buca Dantas, Abimael, Nei Leandro de Castro, Lívio Oliveira, Sérgio Vilar, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz, Agregados Família do Rap, Cordel do Fogo Encantado. Além do contato com diversos artistas plásticos, poetas e jornalistas que contribuiriam para o ENE.
2- Depois de meses de trabalho, com planilha total feita, convites prontos e confirmados com a garantia do então presidente César Revoredo, a prefeita Micarla de Sousa até então não tinha posição nenhuma sobre um possível cancelamento ou adiamento do ENE, o encontro literário estava confirmado para os dias 26, 27 e 28 de novembro de 2009. Contudo faltando poucos dias para o início do ENE, César Revoredo pede exoneração da FUNCARTE e o vice Rodrigues Neto assume.
3- Dias antes, fui chamada para uma reunião na qual César Revoredo, na presença do então vice presidente, Rodrigues Neto e do Chefe de atividades culturais, Josenilton Tavares, me comunica que não teríamos mais o ENE, e sim, o ELE e que este seria realizado em março de 2010. Confirmou o meu nome na coordenação geral do mesmo, onde manteríamos a participação de todos os que foram convidados para o antigo ENE. Desta feita, comuniquei – via telefone – aos escritores convidados a mudança do nome e da data. Além de pesquisar possíveis escritores internacionais para o ELE.
4- Contudo, após assumir a presidência da FUNCARTE, Rodrigues Neto não me procurou para confirmar ou retirar o meu nome da coordenação geral do ELE. Semanas depois, comunico ao vice presidente Gustavo Wanderley a minha decisão de sair da coordenação do ELE, mas de permanecer na função de chefe da Biblioteca Pública Municipal Esmeraldo Siqueira, visto que várias atividades por mim desenvolvidas na gestão de César Revoredo estavam em andamento ou com editais publicados, o que detalharei nos próximos tópicos.
5- Semanas depois, diante do silêncio apresentado, posto que o presidente Rodrigues Neto não teve nenhuma conversa oficial sobre o ELE e nem sobre outros assuntos do meu núcleo e também observando pela imprensa a conduta e a atuação da presidência, tomei a decisão de pedir exoneração em janeiro de 2010.
6- Uma vez tendo pedido exoneração surpreendi-me com contatos de escritores locais e nacionais, artistas e jornalistas me perguntando sobre o ELE. Percebi, então, que a presidência não comunicou a ninguém que eu não apenas não era mais a coordenadora do Núcleo de Documentação como também não estava mais na coordenação do ELE, antigo ENE.
7- Artistas e produtores culturais envolvidos em projetos que iniciei me procuram por e-mail e por telefone para saber detalhes dos mesmos. Projetos como o CONCURSO DE REDAÇÃO -“O que é ser um cabra das Rocas”, CONCURSO DE FOTOGRAFIA ESCRITORES POTIGUARES com o tema “Escritores potiguares vivos” foram negligenciados, e pior, não houve comunicação aos artistas envolvidos. No dia da Poesia, o qual fui coordenadora geral, O então presidente César Revoredo com a presença da prefeita Micarla de Sousa, comunicou a todos os presentes não somente a continuação dos CONCURSOS CÂMARA CASCUDO E OTHONIEL MENEZES, mas também, além da premiação em dinheiro, a publicação dos livros dos vencedores. Infelizmente, estes dois concursos também foram negligenciados.
8- Na gestão de César Revoredo o meu núcleo ficou responsável pela nova revista cultural da FUNCARTE, A “Ginga”. Ao longo de meses de trabalho, a revista, por meio do editor contratado, Sérgio Vilar com a sua equipe de jornalistas produziu 100% da revista que estava pronta para ir pra gráfica. Com a mudança da presidência a revista teve o lançamento adiado para março de 2010, eu soube disso através do editor Sérgio Vilar, pois nada me foi comunicado oficialmente.
9- Diante disso, por respeito a todos os que estavam envolvidos nesses projetos, aos artistas e amigos, torno todos estes fatos públicos, de maneira a evitar dúvidas, mal entendidos e conversas de bares e corredores que tanto empobrecem e aviltam a cultura natalense. Saio da FUNCARTE com a sensação do dever cumprido, com coragem de me olhar no espelho todos os dias e com o respeito do mundo artistico e cultural, bem mais precioso que consegui nestes meses de FUNCARTE.
Cláudia Magalhães
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Após a publicação desta carta aberta, o atual presidente da FUNCARTE, o desacreditado Rodrigues Neto, deu declarações em que negava a versão de Claudia Magalhães. A coisa começa a pegar fogo a partir daqui, com a réplica de Claudia às acusações do presidente da FUNCARTE.
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Resposta de Claudia Magalhães às declarações de Rodrigues Neto
Resposta da dramaturga e atriz Cláudia Magalhães às declarações do presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, ao Novo Jornal:
1- Rodrigues disse quanto ao ENE, atual ELE: “se houve negligência, a culpa foi da própria Cláudia Magalhães”. Ora, se eu era a coordenadora geral do evento, acredito que eu era a principal interessada em que o mesmo acontecesse e que fosse um sucesso. Ademais, como coordenadora, não tinha o poder para liberar dinheiro, fazer empenho ou poder político algum, quem os tinham ou têm são justamente, o presidente da FUNCARTE, Rodrigues Neto e a Prefeita, Micarla de Sousa.
2- Rodrigues Neto afirmou que “ao assumir a presidência do órgão, dei carta branca para Cláudia Magalhães seguir no projeto do ELE”. Se eu tivesse “carta branca” o ENE teria acontecido em novembro de 2009, não teriam nem tempo para mudar de letra!
3- “Rodrigues Neto confirmou o ELE para os dias 29, 30 de abril e 1 de maio no Teatro Alberto Maranhão”, contudo a classe artística não sabe disso e a divulgação fraca atesta a falta de comunicação entre a FUNCARTE e os artistas. Quais os nomes dos escritores locais já convidados? Serão mantidos os nomes já confirmados para o evento ou eles também serão negligenciados pela FUNCARTE? Houve algum conselho pra a escolha dos nomes? O conselho anterior (Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira) também foi negligenciado pela presidência da FUNCARTE?
4- Rodrigues diz que “Cláudia passou quase dois meses sem aparecer na capitania”. Ora, se foi assim por que não fui exonerada logo no primeiro mês de ausência? No fim das contas, eu pedi exoneração, assim como outros que não concordaram com a nova política da FUNCARTE. Mas a frase de Rodrigues é reveladora. Então ele aceitaria ou aceita na sua equipe pessoas que ficam dois meses sem aparecer? Interessante sabermos disso.
5- Rodrigues disse que tentou entrar em contato comigo. Ridículo. Meu e-mail e telefone estão na agenda do gabinete da FUNCARTE e na SEPLAN. Além disso, todo o mundo artístico cultural tem os meus contatos, inclusive o próprio presidente da FUNCARTE. Afinal, Rodrigues telefonou do número da presidência para o meu celular na noite de 16 de novembro de 2009 para pedir o telefone do meu marido, o jornalista Cefas carvalho. A conversa dos dois está registrada no blog de Cefas (www.cefascarvalhojornalista.blogspot.com) em postagem no dia 17 de novembro de 2009. Para completar eu e Rodrigues fazemos parte da comunidade social da internet, o orkut, também um excelente maio de comunicação. Como muitas pessoas da sua equipe pode testemunhar, passei tardes inteiras em seu gabinete na esperança de ser atendida.
6- Rodrigues disse: “Ela sequer enviou e-mails para os escritores” Fiz bem melhor que isso, telefonei para os escritores informando a mudança do nome e da data e a confirmação de seus nomes no novo evento. Ficou acertado em reunião que eu não passaria e-mails e sim telefonaria para os escritores. Nesta reunião, além de mim e de Rodrigues Neto, estavam presentes o então presidente da FUNCARTE e já demissionário, César Revoredo, o chefe do departamento de atividades culturais, Josenilton Tavares, e o então assessor de comunicação, Dionísio Outeda.
7- Com relação aos concursos Câmara Cascudo e Othoniel Menezes, Rodrigues disse que “os editais dos concursos estão prontos e no início de março vamos convocar uma coletiva para divulgar as datas dos editais”. Os editais já estavam prontos desde setembro de 2009 e deveriam ter sido lançados em outubro/novembro do mesmo ano para que em março de 2010, no Dia da Poesia, fossem divulgados os vencedores, como foi prometido pelo então presidente César Revoredo, e pela prefeita Micarla de Sousa. Coletiva para divulgar os editais? Ridículo. Não há nenhum mérito nisso, esses concursos já são realizados há mais de vinte anos e com grande sucesso! Aliás, os concursos poderiam ser viabilizados com uma pequena fração dos recursos gastos no duvidoso Natal em Natal.
8- Sobre a revista GINGA, Rodrigues Neto não deu previsão. “Só vou lançar, quando tiver dinheiro para pagar e mantê-la”. Bem, as palavras de Rodrigues Neto atestam quase tudo que eu escrevi na carta e revelam a triste realidade da política cultural natalense!
Claudia Magalhães
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Amanhã, aqui no PLOG, escrevo texto comentando toda esta situação. Aguardem.
A preocupação com a imagem está passando dos limites na administração da pop-star Micarla de Sousa (PV-RN). Agora, nas coletivas de imprensa, os fotógrafos devem seguir a direção do secretário de assuntos parlamentares (!), Eugênio Bezerra, nas fotos que tiram da prefeita. Ao menos é isso que podemos concluir com o episódio registrado na coluna de João Ricardo Correia, no JH Primeira Edição desta quarta, 3 de junho.
João Ricardo conta que o repórter-fotógrafo Magnus Nascimento foi expulso da sala onde a prefeita Micarla de Sousa dava uma entrevista coletiva. Quem o expulsou foi Eugênio Bezerra, secretário municipal que na prática é assessor da prefeita – e que já está famoso no meio jornalístico por seu deslumbramento com o cargo. O motivo da expulsão foi a foto acima: segundo a coluna de João Ricardo, “Eugênio alegou que ‘não queria’ que a prefeita fosse fotografada comendo um bolo”. O repórter, entretanto, tirou a foto antes de se retirar.
O episódio se junta a uma série de outros desagravos cometidos por Eugênio Bezerra desde que chegou ao cargo de secretário de assuntos parlamentares. A despeito de não estar clara a sua função (pesquisei no site da Prefeitura sobre a Secretaria de Assuntos Parlamentares e não há informação alguma que explique a utilidade desse órgão, muito menos link para as atividades da secretaria, tampouco um endereço físico do local), Eugênio vem colecionando antipatia de jornalistas por sua truculência em afastar todo e qualquer ser vivo de Micarla de Sousa. Há quem o chame de Kevin Costner, em alusão ao filme “O Guarda-costas” de 1992.
Mais que chafurdar na lama do disse-me-disse, deixo um alerta: o cuidado com a imagem pessoal de um político não pode nunca interferir no trabalho livre da imprensa. O direito de reportar fatos, quer seja um escândalo em Brasília, quer seja a prefeita pop-star comendo um bolo, é inexpugnável. E vale perguntar: se agiram assim com algo tão sem importância, como será quando os jornalistas precisarem cobrir algo realmente desabonador à prefeita?
Micarla é dona da TV Ponta Negra, jornalista formada (assim como Eugênio Bezerra) e filha de um dos mais famosos comunicadores de Natal, o finado Carlos Alberto. Até agora, com falácias e mais falácias, vinha agindo de acordo com sua cartilha populista. Mas esse fato é uma aberração que não tem explicação. E um alerta: imagem não é tudo.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.