Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

Lembram daqueles Jovens Escribas?

Posted: janeiro 14th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , , , , | No Comments »

por Carlos Fialho
Via O Fiasco

Pra começar, um feliz ano novo pra todo mundo. E antes que você argumente que o ano já não é tão novo assim, afirmamos que não faz a menor diferença. Afinal, nós também já não somos tão jovens assim e nos autodenominamos Jovens Escribas. Não é verdade? Então, feliz 2011 pra todos vocês.

# JOVENS ESCRIBAS

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Para começar, vamos voltar a publicar ficção. E em altíssimo estilo. Logo depois do carnaval o escritor Pablo Capistrano estreia pela editora com o livro “É preciso ter sorte quando se está em guerra.” Uma honra para nós e um belíssimo cartão de visitas para começar bem os trabalhos.

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Por falar no livro de Pablo, estamos vendendo camisas dos Jovens Escribas para cobrir as despesas gráficas. O primeiro modelo (o branco) foi um sucesso de vendas. Restam apenas 3 unidades nos tamanhos P (Feminino) M (Feminino) e M (masculino).


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E já está a venda também o novo modelo (verde) nos modelos feminino e masculino e em todos os tamanhos pela pechincha de R$ 35.


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Comprando nossas camisetas vocês estarão ajudando este escritor a lançar seu novo livro.

http://blogdofialho.files.wordpress.com/2011/01/pablo-no-ene_reduzida.jpgPablo Capistrano

# BONS COSTUMES

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Junto ao livro de Pablo Capistrano também publicaremos “Pés no caminho, campo de estrelas – O caminho de Santiago pela Galícia”.  Esta obra da professora Ana Célia Cavalcanti resultou num relato leve, divertido e muito útil a todos aqueles que pretendem percorrer o tradicional Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Será o segundo lançamento do nosso selo de não-ficção, o “Bons Costumes” e devido à abrangência do assunto ganhará distribuição inclusive em outros Estados.

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# DISTRIBUIDORA DAGOTA

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Este ano também estamos resolvendo um problema histórico que aflige as editoras independentes há vários anos: a (falta) de distribuição. Para isso nasce a Distribuidora Dagota que levará os livros dos Jovens Escribas, Bons Costumes, Flor do Sal, Sebo Vermelho e Não Editora (RS) para os Estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará. Também iniciamos as vendas dos livros em bancas de revistas e no decorrer do ano, diversificaremos mais ainda os pontos de venda para chegarmos a um público mais amplo.

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# ESCRIBAS DE BOLSO

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Também serão lançados até maio as primeiras edições de bolso dos Jovens Escribas. É a coleção Escribas de Bolso que vai oferecer ótimos livros a preços mais acessíveis.

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# EM BREVE MAIS NOVIDADES.

Estas são as notícias que temos para começar o ano. Mês que vem voltaremos com mais. Um feliz ano não tão novo assim. São os votos dos já não tão Jovens Escribas.

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Praia

Posted: dezembro 6th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , | 2 Comments »

À praia. Mas antes disso, a preparação para ir à praia. Celulares, chaves, livros: tudo solto numa bolsa bem grande. E você imitando as coisas: solto numa embalagem maior que as habituais, o importante é não pesar em si mesmo. Então, é aquele cheiro de protetor solar com suor, que as narinas identificam de muito longe: o cheiro que o corpo exala quando sabe que será exposto ao sol. Resta fechar a casa, conferir a bolsa, perder as chaves, encontrá-las. E chamar todo mundo pra dentro do carro, e vamos logo, e não quero chegar muito tarde, e o sol já está esquentando.

O caminho para a praia. E mais: as músicas, as conversas, as expectativas do caminho para a praia. Porque não combina a música de segunda-feira indo pro trabalho: aquela música de ar-condicionado ligado e vidros fechados, porque não se pode suar numa manhã de segunda-feira. O que combina é a música dos vidros abertos, do vento entrando feroz pelas quatro janelas, da conversa cada vez mais alta porque mais alto o som e mais alto o vento e mais alta a conversa. Combinam as músicas com alta emissão de UVA/UVB.

O chegar à praia. O estacionar na praia. O descer do carro na praia. Os pés tocando a quente areia branca da praia. As pupilas se apertando pela luz multiplicada por luz que é a praia. O buscar um lugar pra ficar, o deitar roupas e bagagens sobre a canga, o armar um guarda-sol que nos guarde dele, o refrescar-se pela brisa, pelo riso, pela bica. O estar na praia. Mas, acima disso, estar praia. Ser praia.

Os detalhes que formam a praia. O sol subindo do firmamento em direção ao céu-teto. Os pés que fogem da areia quente como se acreditassem dois grãos de milho entregues ao ato de pipocar. Os olhos apertados buscando os óculos escuros dentro da bolsa, as pupilas tão diminutas em suas casinhas fotofóbicas. E os corpos. Despidos que estão dos disfarces, expostas que estão as estrias, visíveis que ficam as curvas, os músculos, a pele.

A comida da praia. Já depois do meio dia, nas horas em que os copos estão todos meio cheios. Nunca meio vazios. Já nessas horas é que vêm as comidas tão diferentes do feijão-arroz-e-bife. Com escamas que precisam ser extraídas, com patas que devem ser quebradas, com cheiros que podem empolar os mais alérgicos. Afogadas no leite de coco, dorminhocas em folhas de alface, decoradas por rodelas tomate (que lindas são as rodelas de tomate à luz desse sol das duas da tarde!). Mergulhamos na comida que faz esquecer a semana.

O sol descendo na tarde da praia. Se antes dourava as peles ao despetalar-se em raios de incidência, agora beija as casas alvas com seu dourado ameno. Vai descendo ali por trás do morro, você imaginando como seria vê-lo morrer no oceano. Antes impossível de olhar, agora é encarado com um sorriso de satisfação.

O cochilo, a rede e a praia. Que é como um ménage à trois permitido por Deus. A rede beijando a praia, a praia acariciando o cochilo, o cochilo penetrando a praia. E os três gozando. Ao mesmo tempo. Sincronizados.

As palavras da praia. Canga, bica, marola. Sargaço, restinga, duna. Maresia, tapioca, beira. Essas palavras redondas, gostosas, sonoras. Essas palavras que a gente espera a semana inteira pra dizer, formulando frases mentalmente, segunda-feira você já acorda pensando se vai demorar a dizer com todas as suas cacofonias: eu vou pra praia.

O cansaço de praia. Que é por ele, só por ele, que tudo isso se justifica. Ah, esse cansaço de praia…


Baixo de Natal: programação completa

Posted: dezembro 2nd, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , , , , , , , , , | 5 Comments »

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Como alguns já sabem, o Baixo de Natal vem aí. O que começou como uma brincadeira da atriz Quitéria Kelly no Twitter (“Ah, gente, em vez de um Auto de Natal, vamos fazer um Baixo de Natal”) acabou se transformando no Circuito Cultural Baixo de Natal, grande evento que vai movimentar a cidade durante cinco dias, entre 15 e 19 de dezembro.

Entre música, dança, teatro, performances, saraus e etc, está o espetáculo itinerante “The Baixo de Natal”, ponto alto do evento e meu maior desafio do ano: a pedido dos organizadores, eu e Carlos Fialho assumimos a dramaturgia da peça. Em única apresentação, dia 18 de dezembro, na Praça André de Albuquerque, no Centro, a partir das 17h.

A programação completa do Circuito cultural Baixo de Natal você confere logo mais:

Baixo de Natal

Programação

15/12 – QUARTA

Oficina de clown com Berto Matys
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 10h
Inscrições: baixodenatal@gmail.com | 9921 7895.

Performance “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, com a atriz Carol Piñheiro
Local: passarela do Natal Shopping
Hora: 16h

Mesa-redonda “Arte e Independência – Novas Formas de Sobrevivência”
Local:  Casa da Ribeira (rua Frei Miguelinho, 52, Ribeira)
Hora: 18h

Esquete Palhaços, com a Tropa Trupe Cia de Arte, stand-up comedy com Rhiana Negreiros e shows
de Los Costeletas Flamejantes, Lunares, Simona Talma e Clara e a Noite
Local: Buraco da Catita (rua Câmara Cascudo, 185, Ribeira – próximo ao Teatro Alberto Maranhão)
Hora: 20h

16/12 – QUINTA

Oficina de clown com Berto Matys
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 10h

Palestra sobre arte contemporânea: “Desentendimento sofisticado em palcos pós-estruturados”, com
a professora Naira Ciotti
Local: Casa da Ribeira (rua Frei Miguelinho, 52, Ribeira)
Hora: 16h

Bode-arte: mostra de performance arte
Local: Tecesol (rua Governador Valadares, 4853, conjunto Pirangi)
Hora: 18h

17/12 – SEXTA

Espetáculo “ReCiclus”, com Berto Matys
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 17h30

Exposição de diversos artistas e jantar temático
Local: Bardallo’s (rua Gonçalves Ledo, 678, Cidade Alta)
Hora: 19h

18/12 – SÁBADO

Espetáculo itinerante “The Baixo de Natal”
Locais: rua João Pessoa (Cidade Alta), praça André de Albuquerque (Cidade Alta) e largo Dom Bosco (Ribeira)
Saída: 17h

Shows com as bandas Curta-metragem, Evol, O Holandês Voador, Dessituados, Calistoga e Projeto Trinca
Local: Centro Cultural DoSol (rua Chile, Ribeira)
Hora: 21h30

19/12 – DOMINGO

Peça “Cleansed”, do Projeto ES3
Local: Departamento de Artes da UFRN
Hora: 16h

Espetáculo “Achado não é roubado”, da Tropa Trupe Cia de Arte
Local: Circo Tropa Trupe (ao lado do campo de futebol da UFRN)
Hora: 17h

Peça “Alice”, com Carol Piñheiro / show de encerramento com o grupo Pau e Lata
Local: Tecesol (rua Governador Valadares, 4853, conjunto Pirangi)
Hora: 19h

BAIXO DE NATAL

Dias: 15 a 19 de dezembro
Atrações:  música, dança, teatro, exposições, mesa-redonda, palestra, cortejo e oficinas.
Entrada gratuita
Mais informações: www.baixodenatal.blogspot.com.br


Mesa de bar, cerveja, amigos: assim lançamos “Cachalote”

Posted: novembro 26th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , , , , , , , | No Comments »

Com o Gringo’s lotado, aprendemos uma lição: quanto menos parecer lançamento de livro, melhor

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A gente misturou rock’n’roll, cerveja, amigos e livros. Nossas paixões, de certo. E a mistura parecia mais que óbvia. A pergunta é: por que demoramos tanto a perceber que o jeito certo de lançar livros é assim: num bar, cercado de amigos, bebendo cerveja, conversando alto e ouvindo muito rock?

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Pois bem, essa era a pergunta que passava pela minha cabeça e pela de Carlos Fialho quando vimos o Gringo’s Bar lotado na última segunda, dia 22 de novembro, para o lançamento de “Cachalote”, graphic novel (ou romance em quadrinhos) da dupla Daniel Galera e Rafael Coutinho.

O evento, promovido pelo Jovens Escribas com o apoio da Potylivros e da Cia das Letras, foi inesquecível. O motivo é mais que claro: quanto menos parece um lançamento de livro, melhor é o lançamento de um livro.

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Ao contrário do que geralmente acontece com os autores, Daniel Galera e Rafael Coutinho aproveitaram muito bem a noite. Explico: lançar um livro da forma tradicional é ficar sentando, assinando exemplares, diante de uma fila que tem de andar o mais rápido possível. Já no formato mais informal, o autor papeia com os leitores, bebe junto com eles, brinca e assina muitos exemplares. Foi exatamente o que os dois fizeram.

Não restam dúvidas que sair do comum será a regra para os próximos lançamentos do Jovens Escribas. Que serão, vale salientar, muitos. Mas isso é assunto pra outro post, tá? Por hora, vou abrir uma Heineken e ler meu “Cachalote”.


[CRÔNICA] MI CARLA, SU CASA

Posted: outubro 30th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , , , , , , , | 59 Comments »

E a amada Prefeita da Gente, a jornalista e comediante Micansa de Souza, acaba de tomar uma decisão que vai abalar toda a conjuntura político-social do planeta (como tudo que ela anuncia que vai fazer, né?). Para provar que está no rumo certo de sua administração – mesmo que seja um pouco estranho que um prefeito tenha que provar algo assim estando já na metade do mandato – ela decidiu administrar sua casa tal qual administra a cidade.

Para garantir o bem-estar de todos os moradores de sua residência – a saber: ela e o marido, dois filhos, um assessor particular para segurar sua bolsa e 179 cargos comissionados sem funções claramente definidas – Mienrola de Souza passou a aplicar na Mansão da Gente cada um dos passos seguidos em seu projeto de governo. Sim, até agora não passa de um projeto.

A primeira atitude que Miengana de Souza cometeu – porque algumas atitudes são cometidas, de tão graves que se mostram – foi estabelecer o Via Livre na Mansão da Gente. O projeto pretende garantir a todos o direito constitucional de ir e vir – ir e vir, repetidas vezes, durante 40 minutos, na tentativa de encontrar uma inexistente vaga para estacionar. Todos os cargos comissionados acharam o projeto maravilhoso e revolucionário, ovacionando a Prefeita como a maior líder política de todos os tempos – o que importa é não perder o cargo comissionado, por mais falso que soe o elogio.

O único a reclamar do projeto foi o Primeiro Xadrez (o masculino de “dama” é “xadrez”, não é?), o radialista Migué Biebier. Segundo ele, é um absurdo que não haja vagas para estacionar nenhum dos seus 23 gigantescos carros importados que só Freud explica. A Prefeita aceitou a reclamação prometendo que em breve a Mansão da Gente teria prédios-estacionamento como nunca foram – nem serão –  vistos em Natal. Até lá, o jeito é mesmo usar o direito de ir e vir sem ter onde parar.

Na área da educação, Mimente de Souza também está dando show. De incompetência, claro. O colégio das crianças, por exemplo, está atrasado há mais de 6 meses. Mas ela garantiu ao dono da escola mais cara da cidade: “Olha, você não recebe há 6 meses, mas em compensação quando o pagamento sair, vai vir todo de uma vez”. Não dá pra entender como é que alguém caiu nessa conversa fiada de trabalhar de graça com a promessa de receber, um dia, quem sabe, se Deus der bom tempo, o pagamento. Mas basta perguntar ao pessoal da Educação: tem um monte de gente acreditando em Nãomipaga de Souza.

Infelizmente, nem tudo são flores na Mansão da Gente. Também há árvores – que, na filosofia da Borboletinha, devem ser sumariamente eliminadas caso não sejam nativas da região. Dessa forma, Miderruba de Souza começou uma verdadeira campanha nazista contra todas as algarobas da Mansão da Gente. Não importa se as algarobeiras estão por aqui desde 1940. O que importa é que elas não são nativas da região e por isso não merecem viver. O próximo passo da campanha “Extermínio da Gente” é matar lenta e dolorosamente todas as laranjeiras, mangueiras, macieiras e pessoas que falam chiando. Não é nativo, não é digno de viver.

A cultura, por sua vez, é tratada com muitíssima atenção na Mansão da Gente. As crianças estão sempre tendo acesso a muitos shows de forró e pagode, uma coisa assim bem do povo, porque é disso que o povo gosta. O critério para selecionar as bandas que se apresentarão para os herdeiros da gente é bem simples: quanto mais putaria implícita estiver contida nas letras, mais chances ela tem embolsar um graúdo cachê. Se for um padre metrossexual com repertório duvidoso, os critérios de avaliação bonificam o cachê em 300%. Dia desses os herdeiros da gente cantarolavam pelos corredores da Mansão um refrão que começava com “Deus é maior” e terminava em “chupa que é de uva”.

Para facilitar a administração da residência, a Borboleta criou diversas Secretarias – todas sem telefone e sem internet, é óbvio. Tem, por exemplo, a Secretaria de Financiamento para Estruturação Rápida da Região – SEFERRA, a Secretaria de Fomento ao Desenvolvimento – SEFODE e a Secretaria Especial Unificada da Copa e Cozinha – SEUCOZINHO. Esta última, porém, acaba de ser extinta devido a um imbróglio ilegal: apesar de todo mundo querer a paternidade da Copa Natal 2014, Miengabela de Souza foi a primeira a pular fora e não querer assumir nenhuma responsabilidade. Segundo ela, a Copa é assunto do Governo do Estado e seu lugar é na Cozinha. Aliás, ela também pulou fora e jogou a responsabilidade pra outras pessoas no caso dos Espigões de Ponta Negra, não foi? E com o caos na Saúde… e com a greve dos professores… e com os atrasos de pagamento… e com os casos de corrupção… ah, tô entendendo.

Em ano de eleições, dá pra imaginar a loucura que está na Mansão da Gente. Mielege de Souza resolveu fazer um pequeno pleito em casa para decidir quem iria deixar as crianças na escola. Com sua forte aprovação popular, lançou Migué Biebier como principal candidato. A campanha foi bem acirrada, devido ao fato de que apenas os herdeiros da gente votavam. O pai usou de todos os artifícios para conquistar o voto dos filhos. Indo contra a legislação eleitoral, deu presentinhos como milheiros de tijolo e dentaduras, fez pequenos favores como conseguir consultas no oculista ou audiências privadas com a Prefeita, chegou ao absurdo de oferecer dinheiro aos filhos em troca de seus votos. No fim das contas, o apoio da Borboleta fez toda a diferença: Tripa de Bode, ex-detento, alcoólatra, viciado em crack, sem carteira de motorista e com tendências pedófilas, foi eleito pelas crianças para ir deixá-las todos os dias no colégio. E Miferra de Souza colocou a culpa do seu fracasso no ex-administrador da casa. Claro.

A vida na Mansão da Gente vai de vento em popa. Sempre que acontece alguma coisa errada na administração, por exemplo, as TVs da casa veiculam matérias favoráveis à Prefeita. Corre à boca pequena que dia desses ela até chorou no ar, ao vivo, numa atuação digna de Oscar. Grandes obras, entretanto, não temos. Por isso, para preencher seu tempo cada vez mais ocioso – visto que perde apoios, perde credibilidade, perde convites e perde até mesmo o bom-senso – Miafunda de Souza passou a inaugurar faixas de pedestre, pedras fundamentais e obras dos outros. Dia desses estava no jardim da vizinha, toda serelepe, posando pra fotos ao lado de uma UPA plantada pelo Governo Federal.

Aliás, o relacionamento com os vizinhos não está legal. Depois de ser ajudada durante meses por Seu Agripino, coroa simpático que mora à direita – bem à direita – de sua casa (há quem diga, inclusive, que a Borboleta foi criada por ele!), Misacaneia de Souza acabou apoiando a vizinha do lado esquerdo numa pendenga recente. Tendo, inclusive, pisado publicamente nas rosas de Seu Agripino. O clima fechou na vizinhança, mas Seu Agripino, muito experiente, não deixou que a baixaria lhe afetasse. “Ela tem o direito de apoiar quem quiser”, declarou. No fundo, todo mundo sabe que Mimpeachment de Souza não vai durar muito na administração da Mansão da Gente.


[AGENDA] ENCONTRO DE ESCRITORES EM NATAL – PROGRAMAÇÃO

Posted: abril 23rd, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , , , | No Comments »

E finalmente o tal Encontro de Escritores da Prefeitura de Natal parece estar saindo do papel.

Depois de deixar de ser ENE para ser ELE, o encontro passou por mais uma reformulação e virou EELP – Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Natal.

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Agualusa é uma das estrelas do EELP

Ao contrário do que foi alardeado, nada de teleconferência com José Saramago nem de show de Gilberto Gil. Mas a programação, apesar de tímida, parece que vai render boas discussões.

A crítica maior fica quanto à data e horário: as principais conferências ocorrem no meio da semana, às três da tarde. Ou seja, se você tem uma vida normal, com trabalho de 44horas/semana, por exemplo, nem pense em participar. Fico na dúvida se a literatura será realmente fomentada ou se ficará restrita ao âmbito de quem já a produz.

Mas enfim, pelo menos temos um encontro de escritores. O evento se realizará nos dias 28, 29 e 30 de abril, no Teatro Alberto Maranhão.

Segue programação abaixo.

1º ENCONTRO DE ESCRITORES DE LÍNGUA PORTUGUESA EM NATAL

PROGRAMAÇÃO OFICIAL:

Dia 28 de abril:
14h00 – Entrega de credenciais
14h30min – Apresentação do Hino Nacional brasileiro pela Orquestra de Violoncelos da UFRN
15h – Solenidade de Abertura
15h30 – Debate: Literatura Lusófonas: Elo entre continentes e culturas
Conferencista: Carlos Reis – Professor universitário e escritor
Moderador: Professor da UFRN
Mesa formada por representantes das cidades participantes da UCCLA.
17h00 – Intervalo com coquetel
17h30 – Continuação do debate
19h00 – Concerto Orquestra de Violoncelos da UFRN

Dia 29 de abril:
15h00 – Debate: Cosmopolitismo, expressões populares e globalização
Conferencista: João Ubaldo Ribeiro – escritor brasileiro
Moderador: Professor da Universidade Potiguar – UnP
Mesa formada por representantes de vários continentes
16h00 – Intervalo com coquetel
17h00 – Continuação do debate
19h00 – Espetáculo musical “No ar” com Valéria Oliveira
20h30min – Encerramento

Dia 30 de abril:
15h00 – Debate: Os desafios das novas tecnologias na literatura
Conferencista: José Eduardo Agualusa – escritor angolano
Moderador: Representante do Ministério da Cultura
Mesa formada por representantes de vários continentes
16h30 – Intervalo com coquetel
17h00 – Continuação do debate
19h00 – Espetáculo musical “FFF” com Chico César
21h30min – Encerramento


[RESENHA] PEÇA “AQUELES DOIS” DA CIA LUNA LUNERA, por Larissa Gabrielle Araújo

Posted: abril 7th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , | 3 Comments »
“Num deserto de almas também desertas,
uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

Caio Fernando Abreu no conto “Aqueles dois”

Esteticamente não é correto começar uma resenha entre aspas, mas quando se fala em Caio Fernando de Abreu a estética é um detalhe íntimo de um casamento de palavras pontual.

Bem, perdoem os detalhes, não sou critica literária, nem teatral, logo não dêem o desconto se eu deixar transpirar a minha idolatria de fã por cada ponto e vírgula que Caio Fernando de Abreu escreve – escreve, no presente.

O SESC, dentro do seu projeto do Palco Giratório, criado em 1998 com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas do Brasil, trouxe ontem ao Teatro Dix-huit Rosado, em Mossoró, o espetáculo “Aqueles dois”, adaptado do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, escritor que, com sua escrita fragmentária e dramática, já contribuiu muito para o teatro contemporâneo. Contemporâneo. É isso.

Ao entrar no Teatro Dix-huit Rosado, que já é charmoso por si só, o impacto das cortinas abertas, causando o efeito contrário do frisson, abriu-se as portas, entrou o público. O Teatro claramente iluminado, o cenário detalhadamente aconchegante, o público que nem estava concentrado porque luzes acesas não acalmam e não foi ocasional – Caio agita mesmo – parou. Parou quando os quatro atores jovens – e vou frisar, SARADOS – entre 30/40 anos, entraram para se aquecer diante dos olhares perplexos.

1ª chamada – A arrumação dos LPs, o conhaque, as réplicas de Van Gogh.
2ª chamada – Arquitetura, Audrey e Shirley, Gene Kelly, Almodóvar.
3ª chamada – Tú Me Acostumbraste.

Raul e Saul, até rimar, rima. No conto, um amor desenvolvido de laços de cumplicidade entre dois colegas de trabalho. No palco, duelos improvisados por quatro personagens que viviam um, que viviam dois.

Emoção.
Monólogos.
Solidão.
Diálogos.

Uma coreografia de improviso. Um ensaio sem adornos. Simples. Limpo. Um exagero clássico, eu diria. Talvez, quem não conhece Caio, não entenda a agonia.

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Aqueles Dois – Aqueles Quatro – Sem diretor. Cada ator realiza a sua proposta de direção acumulando edição de roteiro. Com música e ações vocais claras, o elenco consegue simplesmente dar gestos ao processo mental de Caio Fernando de Abreu.

A entrega do público foi sincera e honestamente total.

A trajetória da Companhia Luna Lunera, formada de atores do Curso de Teatro do CEFAR – Centro de Formação Artística do Palácio das Artes, de Belo Horizonte, merece flores. Ontem, na madeira do Teatro Dix-huit Rosado, comemorou sua 172ª apresentação. Até o fim do Circuito 2010 do Palco Giratório, completará 200.

Eu queria que o mundo visse. Mas o futuro do pretérito é um verbo cheio de vontade.

Larissa Gabrielle Araújo é publicitária/marketóloga, pós graduanda em Gestão da Comunicação Empresarial e uma amante de Caio Fernando de Abreu. Atualmente está Gerente de Marketing do Jornal de Fato e Assessora da Prefeitura Municipal de Mossoró. Também tem um blog.


[NO LIVRO] SITE ESTANTE VIRTUAL PROMETE SE MATERIALIZAR EM MAIS DE 70 CIDADES AO MESMO TEMPO

Posted: março 19th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , , , , | 4 Comments »

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A Estante Virtual é uma idéia genial do carioca André Garcia. E, como tudo que é genial, é bem simples: um site que reúne o acervo de centenas de sebos espalhados por todo o Brasil. Ou seja, qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, pode comprar aquele livro fora de catálogo que busca há séculos. E com precinhos muito atrativos.

Pois bem, em 2009 a Estante Virtual deixou de ser virtual durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Um estande oferecia, entre outras coisas, um serviço de troca de livros que deu o que falar. Funcionava assim: você levava  um livro que você já leu pra Bienal e trocava no estande por qualquer livro da estante gigante (ou seja, do acervo que reuniu na Bienal livros de sebos de todo o Brasil).

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Pois bem, agora a Estante Virtual, sob o comando desse cara aí em cima, promete fazer mais barulho com mais uma ação inédita. De 22 a 26 de março, a Estante vai ter postos de busca em mais de 70 universidades de todo o país. De Pelotas/RS a Boa Vista/RR, passando por Natal/RN, os estandes serão pilotados por sebos, livreiros virtuais e até mesmo leitores, que se engajaram nessa divulgação, como Samia, de Rio Branco/AC, e Tiago, de Santa Maria/RS.

Em cada posto de busca, os visitantes terão um desafio: descobrir um livro que não esteja no portal. O desafio de achar algum título que não está na Estante Virtual será recompensado: quem conseguir realizar a proeza, preencherá um cupom eletrônico para concorrer a R$ 100 em livros por posto de busca. Para tornar as coisas mais emocionantes, o tempo será limitado: 1 minuto, medido por uma ampulheta (de verdade, com areia), que será também presenteada ao ganhador, como troféu. Já quem encontrar todos os livros que procurar (que, garante André Garcia, é o caso mais comum) também vai concorrer a 10 vales de R$ 100 em livros, sorteados entre todos os visitantes, de todos os 70 stands. Os nomes dos ganhadores serão divulgados no blog da Estante Virtual no dia 31/03/2010.

Abaixo, a lista completa das cidades que terão estandes da Estante Virtual (em ordem alfabética):
Aracaju/SE
Belém/PA
Belo Horizonte/MG
Boa Vista/RR
Brasília/DF
Camaçari/BA
Campina Grande/PB
Campinas/SP
Campo Grande/MS
Canoas/RS
Criciúma/SC
Cuiabá/MT
Curitiba/PR
Dourados/MS
Florianópolis/SC
Fortaleza/CE
Goiânia/GO
Ijuí/RS
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Vitória/ES

Acompanhe na próxima semana, no blog da Estante, toda a movimentação nacional. Lá vão ser postadas fotos e vídeos de toda a parte do Brasil. Veja também o regulamento da campanha e a lista das mais de 70 universidades com postos de busca.

Pra terminar, uma entrevista em duas partes com o criador do site, André Garcia.

Entrevista com André Garcia, parte 1:

Entrevista com André Garcia, parte 2:


[ARTIGO] COMPRA FÁCIL: O RETORNO

Posted: março 19th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , | 1 Comment »

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Em novembro de 2009, tive um grande problema com o site Compra Fácil. Os meus leitores acompanharam a novela aqui no PLOG e na minha coluna da Digi, quando publiquei na ocasião o texto Compra Fácil: mas pode chamar de Compra Difícil.

Pra quem não leu, um resumo: adquiri um computador de alto valor no site e comi um dobrado pra receber minha encomenda. Quando da publicação do texto, já fazia mais de 20 dias do pedido e nada do PC chegar. A bem da verdade, a encomenda só chegou depois da repercussão do texto na internet (porque, seguindo o conselho de um amigo, enviei o link para todos os e-mails do Compra Fácil a que tive acesso). Enfim, tive que fazer barulho para garantir meus direitos de consumidor. Infelizmente, nem todos têm colunas e blogs na internet pra repercutir suas insatisfações.

Foi o que percebi com o passar dos meses, quando o citado texto continuou recebendo comentários dos leitores, muitos deles contando seus casos de mau atendimento e má prestação de serviço do Compra Fácil.

A leitora que se identifica como Karine, por exemplo, contou que fez uma compra no site de uma piscina no dia 09/11/09, que foi faturada dia 10/12. Após encerramento do prazo de entrega, ela pediu explicações no atendimento via chat, mas não obteve nenhuma resposta. “A atendente ainda teve a coragem de me fazer esperar um tempão para fazer várias perguntas que constam no meu cadastro. Eu perguntei: essa foi a sua forma de resolução? Por que não tenta rastrear a encomenda junto à transportadora? Resposta: Não há essa opção”. Essa, inclusive, é uma falha grave do Compra Fácil: a ausência de rastreamento de encomendas faz o cliente se sentir um idiota. Na minha espera pelo PC, por exemplo, eu ficava imaginando por onde ele estaria, se estava sendo bem tratado, se estavam transportando com cuidado… enfim, um idiota.

A leitora Leca conta que seu caso guardava semelhanças extremas com o meu: “Estou vivendo uma tormenta por uma compra feita dia 22/10/09 e até hoje – 23/11/09 – estou esperando a entrega do produto que teve também um alto custo! E detalhe, além de eu já estar pagando, o pedido consta como entregue!”. Leca também reclama do atendimento do site:  “O descaso dos atendentes é o pior! Ainda por cima as ligações são interurbanas e os atendentes te fazem esperar um tempão! Hoje mesmo liguei lá para resolver esse problema e fiquei 25 minutos esperando a atendente me dizer que em todas as outras ligações que fiz me passaram informações erradas e que ela abriria uma solicitação para averiguar onde o pedido foi entregue, por quem e quando!”. Dá pra imaginar um site que compras com uma logística assim?

Além dessas duas leitoras, muitos outros contaram seus casos nos comentários. Hoje mesmo, quase cinco meses após a publicação do texto, recebi mais um comentário para ele: O leitor Fernando Santos conta que comprou móveis para seu escritório “pensando que tinha feito um ótimo negocio”. Mas a novela seguiu exatamente o mesmo roteiro da minha: “Fiz a compra dia 07/03/10 e só dia 10/03/10 que autorizou o pagamento via cartao on-line”. E então, a demora na entrega: “Meu pedido foi expedido no dia 11 de março com prazo de entrega – pasmem – para dia 23 de março!”. Lamento informar, Fernando, mas apesar do prazo enorme, ele não será cumprido. Prepare-se para dias de calvário.

A minha novela terminou quando enviei a história para a coluna “Seus direitos” do Estadão – através do e-mail consumidor.estado@grupoestado.com.br. Os responsáveis pela coluna entraram em contato comigo, pegaram mais detalhes e então enviaram e-mail pro Compra Fácil pedindo explicações. A partir daí, o maremoto de incompetências virou um dia claro de eficiência dentro do Compra Fácil. Rapidinho, acharam meu computador em algum ponto do Brasil e no dia seguinte ele já estava em minha casa. Dias depois, o departamento de marketing do site enviou-me um pen-drive de brinde, como pedido de desculpas. Mas o estrago já havia sido feito: não compro mais com eles, e nem aconselho que vocês comprem. A não ser que gostem de se sentir como idiotas.


[CRONIPOEMONTO] TÍBIA

Posted: março 3rd, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , | No Comments »

É o osso do teu calcanhar tocando quase suave semi-rude no meu. Esse incômodo do qual tenho medo, recolho os pés, decanto o balé de nossas pernas sob os lençóis. É teu osso. Que não é bem do calcanhar, é um pouco mais acima, é aquele osso arredondado bem no fim da perna início do calcanhar. O que fica na mesma lateral do polegar. Arredondado, saltando de dentro da pele, como dizendo existo. Ressoando no meu osso a vida que corre em você dessa maneira pulsante, desnecessária, bem-vinda. Bem viva. Teu osso que tanto evito, que tomo cuidado, que fujo. Porque é como um alerta de que você existe. Por mais que eu finja às vezes esquecer que ao meu lado há outro corpo, que pela vida sou dois, que pelas estradas sempre terei uma mão instintiva ladeando a minha se por acaso a estendesse. Se por acaso necessitasse. Lá vem teu osso me alertar, quando nós sonolentos, que olha, estou aqui, supervivo em você, posso tocar teu osso do calcanhar quando bem entender. E não é encantador como se procuram nossos pés em meio ao morno das cobertas? Não é realmente intrigante que antes, nas infâncias do que éramos nós, estes mesmos ossos tivessem dificuldade em se bater? E não é realmente surreal que agora, maturados na falta de velocidade dos dias, se encontrem tão facilmente, sem dificuldades, quase como ensaiados? É a síntese perfeita do que é conhecer-se: sei exatamente, sem precisar de olhares, onde está o osso do teu calcanhar. E sei quando está ressecado, apertado pelos pisantes da luta diária por vencer na vida. E sei quando levam cremes para amenizar as rachaduras que você escondia por medo que denunciassem a falta de tua perfeição – como se acaso fôssemos perfeitos ainda estivéssemos juntos (posto que já sabemos, nessa luta de calcanhares diária, que a utopia da perfeição não sustenta a imprecisão da vida). Pisamos firmes, meu calcanhar, pisamos firmes pelos duros caminhos que perseguimos. Sabemos do amargo de alguns olhares, do descaso de alguns dias, da oscilação inevitável do que chamamos sentir. E nos puxamos sem covardias para os itinerários mais ensolarados. Estamos do mesmo lado desse cabo-de-guerra. Estamos, como dizíamos quando descrentes do que nos habitava, encantados. É o osso. O osso do teu calcanhar. Que toca no meu e me alerta. Não é dor. É puro sentir. Destilado sentir. É que se parecem muito.