[CRONIPOEMONTO] TÍBIA

3 março 2010 § Nenhum comentário ainda

É o osso do teu calcanhar tocando quase suave semi-rude no meu. Esse incômodo do qual tenho medo, recolho os pés, decanto o balé de nossas pernas sob os lençóis. É teu osso. Que não é bem do calcanhar, é um pouco mais acima, é aquele osso arredondado bem no fim da perna início do calcanhar. O que fica na mesma lateral do polegar. Arredondado, saltando de dentro da pele, como dizendo existo. Ressoando no meu osso a vida que corre em você dessa maneira pulsante, desnecessária, bem-vinda. Bem viva. Teu osso que tanto evito, que tomo cuidado, que fujo. Porque é como um alerta de que você existe. Por mais que eu finja às vezes esquecer que ao meu lado há outro corpo, que pela vida sou dois, que pelas estradas sempre terei uma mão instintiva ladeando a minha se por acaso a estendesse. Se por acaso necessitasse. Lá vem teu osso me alertar, quando nós sonolentos, que olha, estou aqui, supervivo em você, posso tocar teu osso do calcanhar quando bem entender. E não é encantador como se procuram nossos pés em meio ao morno das cobertas? Não é realmente intrigante que antes, nas infâncias do que éramos nós, estes mesmos ossos tivessem dificuldade em se bater? E não é realmente surreal que agora, maturados na falta de velocidade dos dias, se encontrem tão facilmente, sem dificuldades, quase como ensaiados? É a síntese perfeita do que é conhecer-se: sei exatamente, sem precisar de olhares, onde está o osso do teu calcanhar. E sei quando está ressecado, apertado pelos pisantes da luta diária por vencer na vida. E sei quando levam cremes para amenizar as rachaduras que você escondia por medo que denunciassem a falta de tua perfeição – como se acaso fôssemos perfeitos ainda estivéssemos juntos (posto que já sabemos, nessa luta de calcanhares diária, que a utopia da perfeição não sustenta a imprecisão da vida). Pisamos firmes, meu calcanhar, pisamos firmes pelos duros caminhos que perseguimos. Sabemos do amargo de alguns olhares, do descaso de alguns dias, da oscilação inevitável do que chamamos sentir. E nos puxamos sem covardias para os itinerários mais ensolarados. Estamos do mesmo lado desse cabo-de-guerra. Estamos, como dizíamos quando descrentes do que nos habitava, encantados. É o osso. O osso do teu calcanhar. Que toca no meu e me alerta. Não é dor. É puro sentir. Destilado sentir. É que se parecem muito.

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[CRÔNICA] DENE – DESENCONTRO NATALENSE DE ESCRITORES

25 fevereiro 2010 § 32 comentários

E a Funcarte (Fundação Confusa das Artes), órgão municipal irresponsável por fazer cultura em Natal, acaba de chegar a um entendimento sobre o antigo Encontro Natalense de Escritores, antigo Encontro Lusófono de Escritores, antigo “Não sabemos ainda qual será o novo nome, mas vai ser revolucionário”. O evento de literatura agora vai se chamar DENE – Desencontro Natalense de Escritores. Será o maior evento de literatura que nunca vai ocorrer em Natal.

Para as mesas do DENE já estão confirmados os nomes de Machado de Assis, Miguel de Cervantes e José de Alencar. Serão mesas brancas, claro. O Presidente da Funcarte dessa semana garantiu que o DENE vai ser um evento único. O da semana que vem já se adiantou dizendo que garante a mesma coisa.

Todos os escritores convidados para o DENE serão substituídos de última hora por apadrinhados do Presidente da Funcarte. E o melhor: saberão que foram preteridos através da imprensa e passarão por esse constrangimento público sem receber nenhum pedido de desculpas da Prefeitura. Segundo o presidente da Funcarte, essa prática tem por objetivo desqualificar o trabalho de escritores profissionais ao mesmo tempo em que prestigia artistas frustrados que se dedicaram mais ao puxa-saquismo do que ao trabalho sério. “Nossa política cultural sempre vai privilegiar quem faz parte da nossa panelinha”, afirmou, “Nós somos um órgão público, que dá oportunidades iguais a todos os artistas, contanto que eles estejam filiados ao partido da situação”.

DEBATES DA GENTE
Os debates terão temas modernos, em consonância com o que é discutido nos maiores eventos de literatura do mundo. Na mesa “Decoração natalina de Natal: uma redundância?”, grandes nomes da literatura de gosto duvidoso discutirão o que os responsáveis pela decoração do “Natal em Natal” fumaram pra achar aquilo bonito. Segundo o Presidente da Funcarte, esta mesa será tão revolucionária e inovadora que as pessoas não vão entender nada – mas a Prefeita vai dar uma entrevista dizendo que aquilo tudo é mágico-lúdico-fantástico e então a cidade toda vai concordar com ela.

Outra mesa que promete gerar uma discussão saudável e edificante é “Usando a retórica para jogar a culpa no seu antecessor”. A própria Prefeita será uma das debatedoras e falará sobre sua experiência em culpar a gestão anterior por todos os problemas da cidade. A mediação deste debate ficará ao cargo de um assessor baba-ovo, que concordará com tudo que a Prefeita disser enquanto segura sua bolsa e não deixa ninguém chegar perto dela. A organização do DENE promete ainda servir um bolo de fubá pra Prefeita e expulsar do recinto quem tentar fotografá-la no momento em que ela come a guloseima.

Na seara da literatura sustentável, teremos debates bem interessantes também. Dias Gomes, autor da novela global “O espigão”, vai compor a mesa “Toma que o espigão é teu”. Na ocasião, ele defenderá a tese de que a novela dos espigões de Ponta Negra é dele. Como ninguém quer tomar pra si a autoria dessa novela, os organizadores crêem que não haverá grandes polêmicas. Mas o Ministério Público já avisou: vai fazer uma reunião com Dias Gomes e depois, magicamente, ele voltará atrás em todas as decisões que tomou. Jogando a culpa no antecessor, claro. Outras mesas da parte verde do evento que merecem destaque são: “Meu pé de algaroba no Midway”; “As escutas telefônicas mais incríveis da Operação Impacto”; e “Plano diretor: quem te viu, quem PV”.

OFICINAS DA GENTE

Mas nem só de debates viverá o DENE. Na oficina “Venda seu blog: pergunte-me como”, uma blogueira inescrupulosa e medonha ensinará como enriquecer às custas de inverdades sem se corroer de remorso. Os presentes aprenderão, por exemplo, como formatar uma tabela de preços para a própria opinião. A blogueira adiantou, em coletiva, um pouco do conteúdo da oficina. “Manipular a verdade dá trabalho: tem que buscar argumentos falsos, escrever de forma dúbia e ainda posar de imparcial: tudo isso gera um custo que deve ser repassado a quem está te prostituindo”, afirmou ela. Durante a oficina, a blogueira promete emitir várias opiniões favoráveis ao grupo político da situação. Isto se ela não receber uma contraproposta da oposição até lá.

Os professores da rede de ensino municipal serão os responsáveis pela oficina “Plano de Cargos e Salários: promessa é dúvida”, na qual mostrarão passo a passo o que você deve fazer para ser ludibriado por propostas de campanha que nunca serão cumpridas. Esta oficina promete atrasar todo o cronograma do evento porque minutos antes de começar os professores entrarão em greve. Mas a Prefeita garantiu que vai receber todos para uma conversa franca assim que sua popularidade cair pelo fato de nossas crianças estarem sem aulas.

Outros destaques são as oficinas “Via Livre, mas nem tanto”, “Inaugurando postos de saúde sem médicos”, “Como trocar seu apoio político pelo silêncio da imprensa” e a grande sensação do evento: “Diga repetidas vezes ‘Eu sou mãe, eu sou mulher’ sem ser taxada de preconceituosa”.

BAIXARIAS DA GENTE
Claro que Câmara Cascudo não poderia ficar de fora. Para homenagear nosso maior intelectual, a organização apresentará algo totalmente inédito: um natalense que leu um livro de Câmara Cascudo! Sim, existe! E o presidente da Funcarte garantiu que o rapaz não freqüenta o Beco da Lama, não dá aulas na universidade e nem é herdeiro do folclorista, fato que torna a descoberta realmente única.

O DENE ainda promete grandes debates que descambarão pra baixaria sem, no entanto, ter seus responsáveis advertidos pelos superiores. O próprio presidente da Funcarte se encarregará de pôr a culpa pelo atraso do evento em ex-funcionários que pediram exoneração porque a Prefeitura não ofereceu condições para que seus trabalhos fossem realizados. “É de suma importância que a gente continue mentindo para o povo, sem jamais assumir a própria inoperância”, afirmou, para em seguida sair cagando e andando.

Anote aí: o DENE ocorrerá em algum dia dos meses de março, abril, maio ou junho, talvez julho, quem sabe agosto, pode ser até em setembro, provavelmente em outubro, no máximo em novembro, se bem que dezembro…

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[ARTIGO] AS CONFUSÕES DO ENE, ELE, SEI LÁ

22 fevereiro 2010 § 2 comentários

A respeitada atriz, diretora e dramaturga Cláudia Magalhães, com a qual gozo de relação amistosa e simpatia mútua, escreve abaixo os motivos que a fizeram pedir exoneração do cargo de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira) da FUNCARTE. Não é segredo pra ninguém que a FUNCARTE, na gestão da Borboleta, virou uma bagunça das grandes. Na carta aberta abaixo, enviada aos artistas e à imprensa, Cláudia Magalhães deixa bem claros seus motivos para sair desse mar de incompetência que é a atual Prefeitura de Natal. Republico aqui a carta por dois motivos: 1) Pelo que tem de contundente, expondo através dos olhos de quem estava lá dentro como as coisas realmente acontecem na gestão cultural de Micarla de Sousa; 2) Pelo respeito e pela simpatia que tenho por Claudia Magalhães, que sempre se mostrou profissional e estimulada quando se tratava de fazer um bom trabalho cultural. Segue a carta.

Carta aberta

Por Cláudia Magalhães

Na qualidade de Coordenadora do Núcleo de Documentação (Chefe da Biblioteca Pública Esmeraldo Siqueira), cargo que ocupei de janeiro de 2009 a janeiro de 2010 (quando fui exonerada a pedido), comunico a todos os citados acima que não faço mais parte da coordenação geral do ENE (Encontro Natalense de Escritores), atual, ELE (Encontro Lusófono de Escritores). Esta carta se faz necessária para esclarecer alguns pontos que dizem respeito ao meu relacionamento com o mundo cultural local e a sociedade em geral, aos quais devo prestar contas enquanto ocupante que era de um cargo público.

1- Por convite do então presidente da FUNCARTE, César Revoredo, aceitei a coordenação geral do então ENE. Portanto, auxiliada por um conselho formado por: Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira, foram enviados convites via e-mail (oficial da FUNCARTE, em nome do presidente César Revoredo, com cópia para o meu e-mail) para: José Eduardo Agualusa, Paulo Lins, Marçal Aquino, Arthur Dapieve, Xico Sá, Ziraldo, Pedro Bandeira, Marcelino Freire, Cassiano Elek Machado, Joca Reiners, Mário Bortolloto, Eduardo Bueno, Shiko, Fernando Bonassi, Milena Azevedo, Chico César, Tárick de Sousa, Edney Silvestre, Antônio Cícero, Tarcísio Gurgel, Gabriel O Pensador, Tácito Costa, Clotilde Tavares, Carlos Magno, Nivaldete Ferreira, Isabel Vieira, Túlio Andrade, Danilo Guanais, Buca Dantas, Abimael, Nei Leandro de Castro, Lívio Oliveira, Sérgio Vilar, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz, Agregados Família do Rap, Cordel do Fogo Encantado. Além do contato com diversos artistas plásticos, poetas e jornalistas que contribuiriam para o ENE.

2- Depois de meses de trabalho, com planilha total feita, convites prontos e confirmados com a garantia do então presidente César Revoredo, a prefeita Micarla de Sousa até então não tinha posição nenhuma sobre um possível cancelamento ou adiamento do ENE, o encontro literário estava confirmado para os dias 26, 27 e 28 de novembro de 2009. Contudo faltando poucos dias para o início do ENE, César Revoredo pede exoneração da FUNCARTE e o vice Rodrigues Neto assume.

3- Dias antes, fui chamada para uma reunião na qual César Revoredo, na presença do então vice presidente, Rodrigues Neto e do Chefe de atividades culturais, Josenilton Tavares, me comunica que não teríamos mais o ENE, e sim, o ELE e que este seria realizado em março de 2010. Confirmou o meu nome na coordenação geral do mesmo, onde manteríamos a participação de todos os que foram convidados para o antigo ENE. Desta feita, comuniquei – via telefone – aos escritores convidados a mudança do nome e da data. Além de pesquisar possíveis escritores internacionais para o ELE.

4- Contudo, após assumir a presidência da FUNCARTE, Rodrigues Neto não me procurou para confirmar ou retirar o meu nome da coordenação geral do ELE. Semanas depois, comunico ao vice presidente Gustavo Wanderley a minha decisão de sair da coordenação do ELE, mas de permanecer na função de chefe da Biblioteca Pública Municipal Esmeraldo Siqueira, visto que várias atividades por mim desenvolvidas na gestão de César Revoredo estavam em andamento ou com editais publicados, o que detalharei nos próximos tópicos.

5- Semanas depois, diante do silêncio apresentado, posto que o presidente Rodrigues Neto não teve nenhuma conversa oficial sobre o ELE e nem sobre outros assuntos do meu núcleo e também observando pela imprensa a conduta e a atuação da presidência, tomei a decisão de pedir exoneração em janeiro de 2010.

6- Uma vez tendo pedido exoneração surpreendi-me com contatos de escritores locais e nacionais, artistas e jornalistas me perguntando sobre o ELE. Percebi, então, que a presidência não comunicou a ninguém que eu não apenas não era mais a coordenadora do Núcleo de Documentação como também não estava mais na coordenação do ELE, antigo ENE.

7- Artistas e produtores culturais envolvidos em projetos que iniciei me procuram por e-mail e por telefone para saber detalhes dos mesmos. Projetos como o CONCURSO DE REDAÇÃO -“O que é ser um cabra das Rocas”, CONCURSO DE FOTOGRAFIA ESCRITORES POTIGUARES com o tema “Escritores potiguares vivos” foram negligenciados, e pior, não houve comunicação aos artistas envolvidos. No dia da Poesia, o qual fui coordenadora geral, O então presidente César Revoredo com a presença da prefeita Micarla de Sousa, comunicou a todos os presentes não somente a continuação dos CONCURSOS CÂMARA CASCUDO E OTHONIEL MENEZES, mas também, além da premiação em dinheiro, a publicação dos livros dos vencedores. Infelizmente, estes dois concursos também foram negligenciados.

8- Na gestão de César Revoredo o meu núcleo ficou responsável pela nova revista cultural da FUNCARTE, A “Ginga”. Ao longo de meses de trabalho, a revista, por meio do editor contratado, Sérgio Vilar com a sua equipe de jornalistas produziu 100% da revista que estava pronta para ir pra gráfica. Com a mudança da presidência a revista teve o lançamento adiado para março de 2010, eu soube disso através do editor Sérgio Vilar, pois nada me foi comunicado oficialmente.

9- Diante disso, por respeito a todos os que estavam envolvidos nesses projetos, aos artistas e amigos, torno todos estes fatos públicos, de maneira a evitar dúvidas, mal entendidos e conversas de bares e corredores que tanto empobrecem e aviltam a cultura natalense. Saio da FUNCARTE com a sensação do dever cumprido, com coragem de me olhar no espelho todos os dias e com o respeito do mundo artistico e cultural, bem mais precioso que consegui nestes meses de FUNCARTE.

Cláudia Magalhães

***

Após a publicação desta carta aberta, o atual presidente da FUNCARTE, o desacreditado Rodrigues Neto, deu declarações em que negava a versão de Claudia Magalhães. A coisa começa a pegar fogo a partir daqui, com a réplica de Claudia às acusações do presidente da FUNCARTE.

***

Resposta de Claudia Magalhães às declarações de Rodrigues Neto

(extraído do blog de Sergio Vilar)

Resposta da dramaturga e atriz Cláudia Magalhães às declarações do presidente da Funcarte, Rodrigues Neto, ao Novo Jornal:

1- Rodrigues disse quanto ao ENE, atual ELE: “se houve negligência, a culpa foi da própria Cláudia Magalhães”. Ora, se eu era a coordenadora geral do evento, acredito que eu era a principal interessada em que o mesmo acontecesse e que fosse um sucesso. Ademais, como coordenadora, não tinha o poder para liberar dinheiro, fazer empenho ou poder político algum, quem os tinham ou têm são justamente, o presidente da FUNCARTE, Rodrigues Neto e a Prefeita, Micarla de Sousa.

2- Rodrigues Neto afirmou que “ao assumir a presidência do órgão, dei carta branca para Cláudia Magalhães seguir no projeto do ELE”. Se eu tivesse “carta branca” o ENE teria acontecido em novembro de 2009, não teriam nem tempo para mudar de letra!

3- “Rodrigues Neto confirmou o ELE para os dias 29, 30 de abril e 1 de maio no Teatro Alberto Maranhão”, contudo a classe artística não sabe disso e a divulgação fraca atesta a falta de comunicação entre a FUNCARTE e os artistas. Quais os nomes dos escritores locais já convidados? Serão mantidos os nomes já confirmados para o evento ou eles também serão negligenciados pela FUNCARTE? Houve algum conselho pra a escolha dos nomes? O conselho anterior (Carlos Fialho, Petit das Virgens, Margot Ferreira, Lívio Oliveira e Isabel Vieira) também foi negligenciado pela presidência da FUNCARTE?

4- Rodrigues diz que “Cláudia passou quase dois meses sem aparecer na capitania”. Ora, se foi assim por que não fui exonerada logo no primeiro mês de ausência? No fim das contas, eu pedi exoneração, assim como outros que não concordaram com a nova política da FUNCARTE. Mas a frase de Rodrigues é reveladora. Então ele aceitaria ou aceita na sua equipe pessoas que ficam dois meses sem aparecer? Interessante sabermos disso.

5- Rodrigues disse que tentou entrar em contato comigo. Ridículo. Meu e-mail e telefone estão na agenda do gabinete da FUNCARTE e na SEPLAN. Além disso, todo o mundo artístico cultural tem os meus contatos, inclusive o próprio presidente da FUNCARTE. Afinal, Rodrigues telefonou do número da presidência para o meu celular na noite de 16 de novembro de 2009 para pedir o telefone do meu marido, o jornalista Cefas carvalho. A conversa dos dois está registrada no blog de Cefas (www.cefascarvalhojornalista.blogspot.com) em postagem no dia 17 de novembro de 2009. Para completar eu e Rodrigues fazemos parte da comunidade social da internet, o orkut, também um excelente maio de comunicação. Como muitas pessoas da sua equipe pode testemunhar, passei tardes inteiras em seu gabinete na esperança de ser atendida.

6- Rodrigues disse: “Ela sequer enviou e-mails para os escritores” Fiz bem melhor que isso, telefonei para os escritores informando a mudança do nome e da data e a confirmação de seus nomes no novo evento. Ficou acertado em reunião que eu não passaria e-mails e sim telefonaria para os escritores. Nesta reunião, além de mim e de Rodrigues Neto, estavam presentes o então presidente da FUNCARTE e já demissionário, César Revoredo, o chefe do departamento de atividades culturais, Josenilton Tavares, e o então assessor de comunicação, Dionísio Outeda.

7- Com relação aos concursos Câmara Cascudo e Othoniel Menezes, Rodrigues disse que “os editais dos concursos estão prontos e no início de março vamos convocar uma coletiva para divulgar as datas dos editais”. Os editais já estavam prontos desde setembro de 2009 e deveriam ter sido lançados em outubro/novembro do mesmo ano para que em março de 2010, no Dia da Poesia, fossem divulgados os vencedores, como foi prometido pelo então presidente César Revoredo, e pela prefeita Micarla de Sousa. Coletiva para divulgar os editais? Ridículo. Não há nenhum mérito nisso, esses concursos já são realizados há mais de vinte anos e com grande sucesso! Aliás, os concursos poderiam ser viabilizados com uma pequena fração dos recursos gastos no duvidoso Natal em Natal.

8- Sobre a revista GINGA, Rodrigues Neto não deu previsão. “Só vou lançar, quando tiver dinheiro para pagar e mantê-la”. Bem, as palavras de Rodrigues Neto atestam quase tudo que eu escrevi na carta e revelam a triste realidade da política cultural natalense!

Claudia Magalhães

***

Amanhã, aqui no PLOG, escrevo texto comentando toda esta situação. Aguardem.

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[NO LIVRO] LG LANÇA LEITOR ELETRÔNICO FLEXÍVEL E SUPERFINO

16 janeiro 2010 § Nenhum comentário ainda

Para os que não acreditam que os livros digitais – ou, como se diz em português, e-readers – jamais vão substituir o tradicionalíssimo suporte analógico da literatura, aí vai uma notícia estarrecedora: a LG apresentou essa semana seu leitor digital com tela flexível, espessura de papel, menos de 130 gramas e mais de 19 polegadas. Ou seja, é tão flexível, leve, fino e grande como uma página de jornal. Tem desculpa pra continuar com a celulose?

Un libro electrónico flexible

Este novo papel eletrônico tem apenas 0,3 milímetros de espessura e o tamanho de uma folha de A3. É oito vezes maior que o maior leitor digital disponível no mercado e quem experimentou garante: é a mesma coisa de estar lendo um jornal impresso. Inclusive, a tecnologia permite que o papel eletrônico da LG possa ser dobrado sem que as imagens se distorçam ou percam qualidade.

Apesar do alvoroço que o lançamento pode causar no mercado editorial global, a LG pretende iniciar a produção em larga escala de um formato reduzido do que foi mostrado à imprensa: apenas 11,5 polegadas. Coincidência ou não, 11,5” é um tamanho bem aproximado da maioria dos livros impressos em papel.

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[CRÔNICA]
O DIA MAIS LONGO DA MINHA VIDA

15 janeiro 2010 § 6 comentários

http://colunistas.ig.com.br/hypercool/files/2009/06/corcovado_overlooking_rio_de_janeiro_brazil.jpg

O dia mais longo da minha vida começou à meia noite de 26 de dezembro de 2009, quando estava no Bob’s do Aeroporto Augusto Severo, em Natal, cheio de férias dentro da mala, e a moça da Infraero falou macio que o embarque para o vôo 3523 com destino ao Rio de Janeiro havia começado. Eu e mais quatro amigos nos apressamos em finalizar aquele saudável jantar para seguir nosso destino. Já dentro da aeronave, sentindo o aperto característico das minipoltronas, não pude deixar de exclamar: “Acho que cliquei em ‘promo’ sem querer”. Pra completar, com o apagar das luzes, um porco disfarçado de ser humano passou a roncar profundamente na poltrona de trás. No início, foi engraçado. Mas depois de 2h45 de guinchos animalescos, tão altos que mal dava pra diferenciá-los de uma turbulência, torci pra que aquele suíno dos infernos se engasgasse com o próprio ranho e nos deixasse em paz. Mas pensei: ah, que nada, um porco roncador não vai estragar minhas férias.

Chegamos ao Rio de Janeiro por volta das 6h da manhã, horário local, acabados como se voltássemos de uma rave. De 72h. Nossas olheiras podiam ser vistas desde o saguão de entrada do Aeroporto Santos Dumont, independente de estarmos desembarcando no Galeão. Nos separamos, então, em dois grupos: metade se hospedaria comigo na casa do meu sobrinho, em Copacabana; a outra metade, com seus parentes na Tijuca. Neste momento, tomamos a decisão crucial de ir num ônibus executivo pra Copa em vez de pegar um táxi. Quando subi no ônibus, que tinha ar, bagageiro para malas e bancos acolchoados, pedi ao motorista – seguindo instruções de meu sobrinho – que me avisasse quando chegássemos à parada da Santa Clara. Pra minha surpresa, o motorista respondeu: “Quando chegar perto você me lembra, tá?” Qual a parte do “Eu sou turista e não conheço o Rio” esse imbecil não entendeu? À minha frente, atrapalhado, um gringo rodou a roleta ao tentar passar sua mala por baixo. Em seguida, rodou a roleta de novo ao passar. Transformando-se de repente numa espécie de nazista, o motorista vociferou: “Vai ter que passar por baixo pra descer, viu, gringo?” Fato que, pasmem, aconteceu: ao encaminhar-se pra descer numa parada do Centro, o pobre do gringo teve que passar por baixo da roleta. Fiquei imaginando os relatos dele sobre o Rio ao voltar pros States: “No Brasil têm o costume de passar por baixo da roleta na hora de descer, achei super-estranho”. Liguei o GPS do meu celular e prometi que não perguntaria nada mais ao motorista.

O caminho do Galeão até Copacabana é a coisa mais feia que eu já vi na minha vida. O Rio, em sua entrada, se mostra uma cidade escura, pichada, suprafavelizada. Juro que pensei em pedir ao motorista que retornasse ao Galeão para eu pegar um vôo diretinho de volta pra casa. Mas, sei lá, tive medo de ter que passar por baixo da roleta e então fiquei na minha. O Rio, enfim, se mostrou maravilhoso com a aproximação da praia. Chegamos ilesos à casa de meu sobrinho e ele, animado por nos recepcionar em seu apartamento, nos chamou para um passeio. Ignoramos o fato de que havíamos passado a noite sem dormir ao lado de um suíno roncador e embarcamos nesse passeio. A pé. De Copacabana ao Arpoador.  Dá mais ou menos 5km – que se transformaram em 5 hectares com o sol escaldante e a ausência de brisas. Cheguei ao topo da pedra do Arpoador com princípio de insolação. E meu parente ainda queria seguir a maratona até o Leblon! O Rio de Janeiro continua lindo, mas eu estava um lixo.

Ao chegar em casa, a outra metade da excursão (que estava hospedada na Tijuca) chegou coladinho com a gente, cheia de vontade de conhecer Copacabana. Fiquei por ali enrolando, tentando desmaiar de verdade pra não ter que sair, mas nessas horas o metabolismo da gente não ajuda, né! Tive que sair pra dar outro passeio.

Caminhávamos displicentemente pela Av. Nossa Senhora de Copacabana quando um carro do BOPE passou cantando pneus, parou no fim da calçada que estávamos e fez ecoar estouros muitos semelhantes a fogos de artifício. Não sei se foi o fato de ver todo mundo na rua correndo na direção contrária ao carro do Bope, ou se foi por perceber que era muito cedo para fogos de artifício em Copacabana, ou se foi porque um dos meus amigos gritou “É tiro!” e correu pra dentro de uma loja: só sei que segui o fluxo e corri pra dentro da loja junto com os outros. Enquanto os tiros continuavam, e a caixa grávida desmaiava, e as mulheres berravam como se vissem uma barata gigante, e a gerente intercalava aos gritos as frases “Todos pro provador” e “Desce a porta, desce porta”, só conseguia pensar que havia esquecido o celular em casa e que não poderia tuitar ao vivo sobre meu primeiro tiroteio.

A porta da loja finalmente desceu e todos se acomodaram dentro do provador. De onde uma jovem senhora saía do biombo com uma saia dourada e dizia: “Meu deus, eu não posso morrer com essa saia ridícula!” Passado o susto inicial, me choquei ao ver que as clientes já não gritavam mais: elas simplesmente voltaram às compras, passeando tranquilamente entre as araras de roupas, enquanto da rua continuava vindo aquele som de guerra. Foi quando percebi que a preocupação da gerente em juntar todo mundo no provador e fechar a porta da loja não era pela segurança dos clientes: era pra evitar roubos mesmo. De certa forma, o carioca se acostumou com os tiroteios do dia-a-dia. Nos momentos de tensão, cheguei a cogitar ir embora daquela cidade maluca imediatamente. Mas pensei: ah, que nada, um tiroteio entre o Bope e alguns traficantes em pleno dia em Copacabana não vai estragar minhas férias!

Quando vimos que já não passavam carros de redes de TV e que o barulho do Globocóptero havia cessado, concluímos que estava tudo seguro. A porta reabriu e voltamos à rua. Nesse momento, todos refletiam acerca da difícil arte de viver numa metrópole onde um complexo jogo sociológico vitima a população diariamente. Foi quando decidimos tomar uma cerveja urgentemente. Deve ser por isso que os botecos do Rio vivem lotados, né?

Sentamos todos no Butskina, um boteco simpático que fica quase em frente à casa do meu sobrinho. Lá, curtimos esse fim de tarde como se fôssemos, sei lá, sobreviventes de um Holocausto. E quer saber: consigo entender como os cariocas conseguem voltar à rotina cinco minutos após testemunhar um tiroteio. Já estávamos nós ali, paulistas e potiguares, rindo de nossas reações ao ouvir os disparos. Pra acompanhar esse chopinho, pedimos a famosa batata com cheddar e bacon do Butskina, um clássico local. E entre uma piada e outra, já quase esquecidos por completo da violência urbana, um de nós perguntou: “Gente, bacon tem antenas?”

Devo confessar que a pergunta foi como um tiro em minha testa: eu estava justamente mastigando um bacon quando fixei os olhos no prato e vi que entre batatas e cheddars repousava recém-tostada uma barata…

Eu já estava quase concluindo que o Rio de Janeiro queria me sacanear mesmo, mas aí pensei:  ah, que nada, uma barata no tira-gosto não vai estragar minhas férias! Então, me limitei a dizer “argh”, cuspir a batata que tinha na boca exagerando no nojo – pra ninguém achar que sou anormal – e sugerir que procurássemos outro boteco. Mas o chope estava gelado, mas todos estavam cansados, mas o medo de encontrar outro tiroteio era grande: então, seguimos no Butskina até dez da noite.

Foi exatamente nessa hora que meu irmão, de passagem pelo Rio, chegou no apê do meu sobrinho na maior pilha pra ir pra Lapa. Eu ainda pensava em tirar um cochilinho que durasse até duas da tarde do dia seguinte, mas puxa, fazia dois anos que não encontrava meu irmão e ele já zarparia do Rio no dia seguinte. Ok, vamos pra Lapa. Tomei banho, troquei de roupa e quando saí do banheiro todos estavam na janela acompanhando a prisão de um meliante na calçada do prédio do meu sobrinho. Que, entre envergonhado e apaziguador, sorria amarelo enquanto dizia: “Puxa, que coincidência, né?” Senti vontade de perguntar: “Vai dizer que você nunca tinha visto duas mostras de violência urbana gratuita em um só dia?” Mas calei.

Chegamos à Lapa cerca de uma hora depois, ávidos por chopes e bolinhos de bacalhau. Passeamos por vários botecos, mas ficamos mesmo foi no que uma das clientes brigou com o garçom, juntou uma cadeira, berrou que não iria sair dali porque era seu ponto e que completa era cem real! O segurança até tentou retirá-la do estabelecimento, mas nesse momento um bêbado seminu – que já havia deitado no meio da avenida e provocado um engafarramento são-paulino na Lapa – tropeçou na calçada, voou sobre os arbustos que separavam o bar da rua e se estabacou bem em cima da mesa da nobre cliente. Nessa hora, notei que estávamos num estabelecimento de respeito! Mas pensei: ah, que nada, um bêbado seminu voando sobre a mesa de uma prostituta xiliquenta não vai estragar minhas férias! Então, decidimos entrar numa boate que anunciava em sua porta “Forró”. Não sou de forró, apesar do sotaque nordestino saltar com orgulho dos meus lábios, mas quando estou de férias gosto de sair da minha zona de conforto. Além do mais, foi a única boate para a qual conseguimos cortesias, né?

Lá dentro, notei a ausência total do ritmo nordestino e a presença maciça do funk carioca. A menos que tenham lançado um forró que entoa “vem tchutchuca linda, vem aqui pro seu tigrão”. Já era quase meia noite quando pensei: ah, que nada, um porco roncador e uma motorista ignorante e uma zona favelizada e uma pré-insolação e um tiroteio em Copacabana e uma barata com cheddar e uma puta ensandecida e um bêbado seminu não estragaram minhas férias, não vai ser um funk que vai conseguir. Então, fui até o chão. E deu meia noite.

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[AGENDA]
PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA I FLIPA – FESTIVAL LITERÁRIO DA PRAIA DE PIPA

15 setembro 2009 § 3 comentários

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Semana que vem vai comneçar o I Festival Literário de Pipa, também conhecido como Flipa. Eu terei a honra de participar do evento na mesa “Lobão tem razão?”, na qual debaterei com o jornalista Isaac Ribeiro e o cantor Lobão sobre as polêmicas opiniões do próprio. Vai ser no mínimo muito divertido, disso tenho certeza. A programação completa você vê aí embaixo. E pode começar a fazer as malas.

I FLIPA: FESTIVAL LITERÁRIO DA PRAIA DE PIPA
PROGRAMAÇÃO

QUINTA, 24 DE SETEMBRO DE 2009

09h às 10h — Tenda
Pipinha Literária: “Entre livros”

Conversas com autores locais, lançamento de livros e rodas de leitura abordando textos literários para formação de leitores. Participação de dois importantes escritores de livros infantis: a professora Salizete Freire Soares, que escreveu “Bicho Pra Que Te Quero”, “Mundo Pra Que Te Quero” e “Vida Pra Que Te Quero”; e o jornalista  Juliano Freire, autor de “Pereyra o menino bom de bola” e “Doninha e o marimbondo”.

10h às 11h — Tenda
Pipinha Literária: “Poesia”

A professora de Letras e Arte-educadora Maria Magna Costa Fernandes falará sobre poesia e as múltiplas possibilidades da leitura através do texto poético.

14h às 15h30 — Tenda
Pipinha Literária : “Praticando a Leitura e a Escrita”.

Oficina de leitura e escrita que aborda, com criatividade e simplicidade, textos literários marcados pela imaginação e fantasia, sob a coordenação do professor Rômulo Augusto Soares Gurgel, graduado em Letras – UERN e especialista em Educação de Jovens e Adultos – UFRN

16h30 — Sede da ong Educapipa
Oficina de Criação literária de Raimundo Carrero (1º dia)

Para o escritor pernambucano Raimundo Carrero, a intuição tem grande importância na qualidade de um livro e não há regras para a criação. Mas existem técnicas que ajudam, e muito, na produção literária. São essas técnicas presentes na obra “A Preparação do escritor”, resultado das oficinas literárias concorridíssimas que o escritor vem realizando por todo o Brasil. Aqui, a oficina é voltada a estudantes e consiste em exercícios intensivos e leituras. Autor de quinze livros de ficção e com vários prêmios na estante, o romancista e jornalista, tem como obras de destaque Somos Pedras que se Consomem (1995), com a qual ganhou os prêmios Machado de Assis e APCA; As Sombrias Ruínas da Alma (1999), Prêmio Jabuti; e ainda Ao Redor do Escorpião…Uma Tarântula?.

17h30 – Tenda literária
Mesa 1: “Clementino Câmara: Do nascimento em Pipa à Censura do Estado Novo”

Foi “cascavilhando” estantes que o escritor e professor Geraldo Queiroz encontrou a tal geringonça. Em vez de coisa malfeita, nela continha a riqueza intelectual e as idéias de um mestre à frente do seu tempo. “A Geringonça do Nordeste – A Fala Proibida do Povo” é, portanto, o ponto de partida para se resgatar e discutir a obra de Clementino Câmara, nascido na região de Pipa, escritor, professor autodidata em Natal e autor de uma obra que mostra a importância da fala do povo na construção da nossa história contemporânea — obra esta censurada durante o regime do Estado Novo. Acompanhando a trajetória de Clementino e fazendo a mediação  estará o professor Humberto Hermenegildo, professor universitário e pesquisador no Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses.

18h00 — Tenda literária
Abertura oficial do I Festival Literário da Pipa-Flipa, pela Excelentíssima Governadora Wilma de Faria

19h00 — Tenda literária
Mesa 2: “Literatura e Viagens”

Para quem nasceu na Etiópia, morou na Itália e cresceu no Brasil, falar de viagens e livros é como falar de si mesmo. Exímia contadora de histórias, a escritora Marina Colasanti falará de si mesma ao partir nesta viagem literária tendo como mediadora a jornalista potiguar Josimey Costa, diretora da Tv Universitária/Cultura e professora de Cinema do curso de Comunicação Social da UFRN. Na rica bagagem desta ilustre senhora de 72 anos estão 33 livros publicados, entre contos, romances, poesia, prosa, literatura infantil e infanto-juvenil e um encantamento único de quem escreveu obras premiadas como “Eu Sei mas não devia”, “Rota de Colisão”, “E por falar em Amor”, “Contos de Amor Rasgados” e “23 Histórias de um viajante”.

20h30 — Tenda literária
Mesa 3: “Jornalismo, Literatura, Memórias”

Ela fez nesta vida o que muita gente precisaria de muitas encarnações para realizar: aos 15 anos já era habitué da casa de Di Cavalcanti e aos 18 foi a primeira modelo brasileira contratada por uma maison francesa. Amiga de Vinicius de Moraes, irmã de Nara Leão, viu a bossa nova nascer em sua sala. Com três filhos pequenos, trocou um casamento sólido com um político famoso, Samuel Weiner, para viver um grande amor com Antônio Maria, um jornalista boêmio e pobre. Foi jurada, promoter, jornalista e lançou obra sobre etiqueta social (Na sala com Danuza) que virou sucesso editorial. Uma das maiores personalidades do mundo jornalístico, artístico e cultural do Brasil, Danuza Leão, que recentemente publicou suas memórias no livro “Quase Tudo” (Companhia das Letras), conversará sobre a intensa e emocionante história de vida, alinhavando-a a importantes personagens e acontecimentos que gravitaram em torno dela; do society à vida política, do mundo artístico ao jornalismo, tendo como mediador o experiente jornalista e cronista potiguar Woden Madruga, colunista do jornal Tribuna do Norte e ex-presidente da Fundação José Augusto.

SEXTA, 25 DE SETEMBRO DE 2009

09h às 10h — Tenda/praça
Pipinha literária: “Entre Artes e Brincadeiras: as artes cênicas”

Atividades desenvolvidas para crianças e adolescentes envolvendo teatro, dança popular e mímica, sob a coordenação da educadora Maria do Carmo Dantas, graduada em Artes Cênicas pela UFRN, atriz e contadora de histórias.

10h às 11h — tenda
Pipinha literária: “Artes visuais”

Pintura, desenho e dobradura serão técnicas artísticas vivenciadas em oficinas com os arte-educadores Luiz Élson Dantas, graduado em Educação Artística pela UFRN com Especialização em Teoria da Arte – UFPE, desenhista e escritor; e Maria Geruza Soares Câmara, formada com Licenciatura Plena em Geografia e Ensino de Arte – UFRN.

10h às 11h — Tenda/praça
Pipinha literária: “Música, brinquedos cantados”

Série de atividades lúdicas com objetivo de levar as crianças a vivenciarem o universo das cantigas e dos brinquedos musicais. Com oficinas de roda, emboladores de coco e Repentistas. Participam Maria Magna Costa Fernandes dos Santos, Silvana Amália Carvalho Araújo, professora de  Educação Física com Especialização em Verbo Tonal (D-a) e Deficiência Auditivo-Mental e Arte Educadora; Ricardo França da Silva – Buihú, Tecnólogo em Lazer, brincante, Assessor Técnico da Fundação José Augusto e Antonio Soares, Arte-educador com Especialização em Jovens Portadores de Deficiências

14h às 15h30 — Tenda/praça
Pipinha literária: Música

Oficinas de Brincadeira de rua e brinquedos cantados. Mais oficinas de roda, emboladores de coco e repentistas, sob a coordenação de Maria Magna Costa Fernandes dos Santos, Silvana Amália Carvalho Araújo e Antonio Soares.

16h30 — Sede da ONG Educapipa
Oficina de Criação literária de Raimundo Carrero (2º dia)

Para o escritor pernambucano Raimundo Carrero, a intuição tem grande importância na qualidade de um livro e não há regras para a criação. Mas existem técnicas que ajudam, e muito, na produção literária. São essas técnicas presentes na obra “A Preparação do escritor”, resultado das oficinas literárias concorridíssimas que o escritor vem realizando Brasil a fora.  Aqui, a oficina é voltada a estudantes e consiste em exercícios intensivos e leituras.

17h30 — Tenda literária
Mesa 4: Hélio Galvão: A cultura praieira

Poucos intelectuais se credenciaram tanto à gratidão de sua terra e ao mesmo tempo dos estudiosos da História como o pesquisador, escritor e advogado Hélio Mamede de Freitas Galvão. No mundo confuso dos arquivos e cartórios, e no árduo universo da pesquisa histórica, Hélio Galvão percorreu quilômetros; da Fortaleza da Barra do Rio Grande à Tibau do Sul. Ao traçar a radiografia a trajetória humana e toda riqueza cultural produzida por ele, o  jornalista contista, cronista, escritor e intelectual potiguar Sanderson Negreiros refaz essa trajetória tendo como debatedora a poeta e professora Diva Cunha, um dos nomes mais embasados da intelectualidade feminina potiguar, autora das obras poéticas ‘Canto de página’, ‘Palavra estampada’, ‘Coração de lata’ e o mais novo ‘Resina’; tendo ainda como mediadora a pesquisadora Gilmara Benevides, biógrafa de Hélio Galvão e autora do livro “Hélio Galvão – O Saber Como Herança” (edição Letras Potiguares/Funcarte).

19h00 — Tenda literária
Mesa 5: Literatura da Periferia

Jovem, bela e de esquerda. Assim ela foi retratada pelo escritor e jornalista Zuenir Ventura no famoso livro “1968 – o ano que não terminou”. Mito e ícone da intelectualidade carioca daquele ano revolucionário, Heloísa Buarque de Hollanda  é hoje professora titular de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e conhece como poucos estudiosos os ideais desencadeados em 1968 e herdados pelas novas gerações: a cultura como instrumento de transformação social é um deles. Nesta jornada pela cultura produzida pelas periferias, a autora terá como debatedor o escritor pernambucano Raimundo Carrero, autor de quinze livros de ficção e vários prêmios na estante, e ainda como mediador o jornalista e escritor Carlos de Souza, autor de Crônica da Banalidade”, “Cachorro Magro” e “É tudo fogo de palha”.
20h — Tenda Literária

Exibição do documentário “Um Paraíso Perdido”
O documentário, exibido antes da mesa literária sobre o tema “Euclides da Cunha”, é dirigido pelo escritor e jornalista Daniel Piza com fotografia de Tiago Queiroz. O curta reconstitui a viagem à Amazônia realizada em 1905 pelo escritor Euclides da Cunha. (duração: 24 min)

20h30 — Tenda literária
Mesa 6: “A Amazônia de Euclides”

No ano do centenário de morte de Euclides da Cunha, o escritor e jornalista do jornal O Estado de São Paulo Daniel Piza mergulha neste universo pouco percebido e debatido na obra euclideana — a sua relação com a natureza e a ciência. O autor não só fez uma meticulosa pesquisa sobre caminho percorrido por Euclides da Cunha na Amazônia no começo de século XX, como também refez ele mesmo os passos do autor de Os Sertões, o que resultou no documentário “Um Paraíso Perdido” (24min), curta que será exibido na ocasião.  Tendo como mediador o jornalista e crítico literário Tácito Costa, Piza abordará também outros temas da vida e obra de Euclides da Cunha.


SÁBADO, 26 DE SETEMBRO DE 2009

09h às 10h — Tenda
Pipinha Literária: “Entre Coisas e Palavras”

Três experientes educadoras se unem para compartilhar com o público infanto-juvenil a leitura de obras de intelectuais que estudaram a nossa terra e região — Clementino Câmara, Hélio Galvão e Antônio Marinho. O objetivo é proporcionar uma maior apreciação e valorização da arte local, regional e nacional. Participam da oficina Maria Magna Costa Fernandes dos Santos; Silvana Amália Carvalho Araújo; Erileide Maria Oliveira Rocha.

10h às 11h — Tenda
Pipinha Literária: “Teatro de Bonecos”

Herdeiro legítimo do universo mágico do Teatro de Bonecos, o artista e bonequeiro Josivan de Chico Daniel — filho do mais ilustre bonequeiro do RN, mestre Chico Daniel — é o convidado desta oficina que vai mostrar técnica de manipular e dar vida ao “João Redondo”.

14h às 15h30 — Tenda
Pipinha Literária : “Cordel”.

Apreciação e valorização da arte local, regional e nacional através da literatura de cordel, tendo como condutor o historiador e escritor Antonio Francisco Teixeira de Melo, um dos nomes mais importantes da literatura de cordel no Rio Grande do Norte. Além de historiador e poeta, é compositor e xilógrafo  — Antônio Francisco é um dos poucos que ainda confecciona placas.

14h às 15h30 — Tenda
Pipinha Literária : “Repente”

Conduzido pelo poeta e educador Gilmar Leite, a oficina vai proporcionar às crianças e adolescentes uma apreciação da  musicalidade e beleza poética da arte dos repentistas.

16h00 — Sede da ONG Educapipa
Oficina de Criação literária de Raimundo Carrero (3º dia)

Para o escritor pernambucano Raimundo Carrero, a intuição tem grande importância na qualidade de um livro e não há regras para a criação. Mas existem técnicas que ajudam, e muito, na produção literária. São essas técnicas presentes na obra “A Preparação do escritor”, resultado das oficinas literárias concorridíssimas que o escritor vem realizando Brasil a fora.  Aqui, a oficina é voltada a estudantes e consiste em exercícios intensivos e leituras.

16h00 — Tenda literária
Mesa 7:  “O romanceiro potiguar: vida e poesia”.

Como proposta de reflexão  sobre aspectos relacionados ao romanceiro Potiguar, a professora de Literatura e Doutora em Letras pela UFPB, Lílian Rodrigues, mergulha neste gênero literário para situar as principais referências, estudos realizados, ao mesmo tempo enfatizar que este tipo de produção não está separado da existência social e cotidiana de seus produtores, ou seja, poesia e vida se entrelaçam. Como mediador desta palestra, o antropólogo Luiz Assunção, professor do Departamento de Antropologia da UFRN.

17h30 — Tenda literária
Mesa 8: “Homero Homem de Siqueira – o filho do Rio Catu”

O escritor e poeta potiguar nascido em Canguaretama Homero Homem de Siqueira é considerado o autor ficcional mais lido no RN. Suas obras tiveram várias edições. Só “Menino de Asas” foi editado 22 vezes (Ed Record, ed Ática, entre outras) , além  de ser o único autor com obra traduzida em outra língua — o clássico “Cabra das Rocas” (“Gente delle Rocas” – tradução italiana de 1977). Sua poesia também é de grande relevância entre as correntes poéticas. Homero Homem pode ser definido como neo-romântico, pós-Geração 45. Para falar sobre sua obra, nada melhor do que outro grande romancista, o escritor Nei Leandro de Castro, autor de obras importantes como ‘O Dia das Moscas’, ‘As Dunas Vermelhas’ e ‘As Pelejas de Ojuara’, esta premiada pela União Brasileira dos Escritores e que virou filme. Para debater o tema estará o artista plástico, professor, ensaísta e poeta Dorian Gray, tendo ainda como mediadora a poetisa e jornalista Marize Castro, nome consagrado da poesia potiguar, reconhecida pela refinada obra que publicou — ‘Marrons crepons marfins’, ‘Rito’, e ‘Poço. Festim. Mosaico’.

19h — Tenda literária
Mesa 9: “Lobão tem razão?”

“…Mais vale um Lobão/Do que um leão/Meto um sincerão/E nada se dá/O rock acertou/Quando você tocou/Com sua banda/E tamborim/Na escola de samba/E falou mal/Do seu amor….” A polêmica canção de Caetano Veloso “Lobão tem razão” mostra a necessidade  de se rebelar, de fazer renascer o seu “sentimento de ser de esquerda”, como ele mesmo escreveu no blog recentemente; ou ainda como declarou há alguns anos: “Toda vez que Lobão falou mal de mim, eu gostei”. Agora, será o próprio Lobão — João Luíz Woerdenbag Filho – em carne, osso, idéias e polêmicas, a conversar sobre este e outros temas tendo como debatedor,  jornalista, cantor e músico Isaac Ribeiro;  com mediação do escritor e publicitário Patrício Júnior, do coletivo Jovens Escribas, com sete livros publicados entre eles “Lítio” e “A cega natureza do amor”.

20h30 — Tenda literária
Mesa 10: “Galiléia e o exílio do sertão”

A partir de uma reportagem lida em um jornal emprestado da esposa, há oito anos, o romancista cearense radicado em Recife Ronaldo Correia de Brito pariu um dos mais importantes romances da atualidade. Em Galiléia, Prêmio São Paulo de Literatura como o romance do ano, ele faz um mergulho entre dois mundos distintos: o arcaico do sertão e o globalizado, através da história de uma família cujo patriarca, Raimundo Caetano, já moribundo, vai morrer e reúne os membros de seu clã sertanejo — os filhos e netos que migraram e os que ficaram na fazenda Galiléia, interior do Ceará. Cada membro da família construiu, ao longo do tempo, seu repertório de aflições e a visita à fazenda provoca o cruzamento terrível de todas essas angústias. Galiléia é portanto, o fio que conduz esta conversa tendo como debatedor o jornalista potiguar Osair Vasconcelos, e como mediador o poeta, professor e crítico literário Moacir Cirne.

Espaço Literário da Siciliano – Lançamentos e autógrafos
Autores das mesas: Todos os autores participantes das mesas literárias autografarão seus livros no Espaço Siciliano

Outros Autores locais:
Sexta, 25
19h – “Hélio Galvão, O Saber como Herança”, de Gilmara Benevides Costa
20h – “O Aprendiz da Liberdade”
Autora: Marlene Dantas Santana

Sábado, 26
19h – “Guia das Belezas do Rio Grande do Norte”, de Márcia Monteiro de Carvalho / Erich Ettensperger

20h – “Tarô Sagrado dos Deuses Hindus”, de Sri Madana Mohana

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LANÇAMENTO DE “ESQUINA DO MUNDO – A HORA DO CÃO LOBO”, DE CLÁUDIA MAGALHÃES

10 setembro 2009 § Nenhum comentário ainda

Hoje, 10/09/09, na Siciliano do Midway, a partir das 18h. Com apresentação de Danilo Guanais e Isaque Galvão, Carlos Tourinho com exibição de vídeo e Alex Gurgel com uma exposição multimídia.

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[AGENDA]
“GRÃOs AO ALTO” DE MÚCIO DE LIMA GÓES SERÁ LANÇADO NESTE SÁBADO

9 setembro 2009 § Nenhum comentário ainda

O poeta palmarense Múcio de Lima Góes lança o livro de poemas “Grãos ao alto!” neste sábado, 12/09, às 19h, no Solar Bela Vista. Com apresentação musical do cantor e compositor Letto. O livro, segundo trabalho do poeta, é lançado pela Editora Árvore dos Poemas.

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[NO LIVRO]
LEONARDO PANÇO LANÇA LIVRO HOJE NO DOSOL

7 setembro 2009 § 1 comentário

carasdessaidade

Leonardo Panço é um desses caras que assustam pela determinação. Conhecido no circuito underground da música pela banda Jason (cultuadíssima entre os iniciados do indie rock), ele também ataca na literatura. “Caras dessa idade já não lêem manuais” é o livro de crônicas que ele lança hoje, no Centro Cultural DoSol, com o apoio do Lado[R] e do Jovens Escribas.

Na programação do evento, que será totalmente gratuito, Panço ainda vai falar um pouco sobre sua experiência com tours internacionais e para fechar com chave de ouro fará um show com clássicos do Jason, tendo como banda de apoio o pessoal do Elmo (PB).

Leonardo Panço toca o selo Tamborete, é guitarrista e compositor do Jason, já tocou no Soutien Xiita. É também uma das figuras mais respeitadas do underground nacional. No peito e na raça, como nos ensina o underground, Panço está realizando uma turnê de lançamento que já percorreu quase 10 Estados brasileiros.  É uma iniciativa que merece todo o apoio do Jovens Escribas. Por isso, estão todos convidados.

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SERVIÇO
O que: Lançamento do livro “Caras Dessa Idade Já não lêem Manual” de Leonardo Panço.
Quando: Segunda, dia 07 de setembro, 16h
Onde: Centro Cultural Dosol, Rua Chile, Ribeira.
Atrações: Palestra sobre tours internacionais e shows especial “Jason Classics”
Quanto: Entrada Gratuita.

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[CRÔNICA]
A LEI ANTIFUMO, POR UM FUMANTE

14 agosto 2009 § 9 comentários

marlboro0001

Eu concordo com a lei antifumo. Ipsis litteris. Acho, inclusive, que deveria se estender a todo o país. Com benefícios coletivos inumeráveis. Por exemplo, os não-fumantes não vão se incomodar com a fumaça, os fumantes vão se envenenar menos e todo mundo vai sair ganhando nessa história. Ponto.

Dito isso, passemos ao que realmente importa.

Esta manhã, fiz a seguinte postagem no Twitter: “Quando me dizem ‘eu odeio fumantes’ sinto vontade de responder ‘eu odeio gordos’”. Obviamente, não odeio gordos. Mas a frase, por sua concisão e contundência, dá margem a diversas interpretações. Principalmente as erradas. Por isso, me dou ao direito de estender o tópico.

Não gosto de ouvir “odeio fumantes” porque sou fumante. Me incomoda saber que todos são colocados no mesmo bolo e tratados como mal educados que saem baforando suas fumaças independente de quem está respirando ao seu lado. Eu tomo cuidados. Para não incomodar os outros, para não ficar fedendo, para não deixar que o fato de ser fumante seja a principal característica da minha personalidade. Já imaginou? “Fulano? Ah, é inteligente, fumante, engraçado”. Não, não gosto de generalizações. E sou fumante mas sou limpinho.

Essa sentença, dita com tanto orgulho por alguns não-fumantes, é hipócrita. “Odeio os fumantes porque eles fedem”. Bom, eu não fedo, apesar da lógica dizer que eu deveria feder. Veja bem: gordos suam mais e, portanto, têm maior probabilidade de exalar maus odores. Seria justo dizer “odeio gordos porque eles fedem”? Não, meus amigos, seria cruel. E desnecessário. “Odeio fumantes porque eles me incomodam”. Apesar de sentir vontade de dizer “os incomodados que se retiram”, não serei infantil a tal ponto. Direi apenas que pedintes nas ruas me incomodam. E não os odeio. E até mais: direi que você, leitor, provavelmente faz algo que me incomoda profundamente. E não te odeio.

Depois vem toda a desinformação característica de quem quer ser o dono da verdade. O cigarro é um problema de saúde pública. Por mais que, teoricamente, a venda de cigarros cubra os gastos públicos com tratamentos de câncer e outras mazelas, se houvesse menos problemas de saúde decorrentes do tabagismo o imposto gerado pela venda de cigarros poderia ser empregado para salvar a vida de pessoas que não estão se autoinfligindo doenças. Como a realidade não é essa, o Governo intervém. Não porque quer garantir o direito de você, não-fumante, sair da balada com o cabelo cheiroso. Nem muito menos porque quer perseguir os que gostam de acender seus caretas. O Governo intervém porque precisa equilibrar as contas. Tudo se resume a dinheiro.

A obesidade também é um problema de saúde pública. Milhões são gastos no SUS com malefícios que advêm desse péssimo hábito (doenças cardíacas, cânceres, hipertensão, etc). Houvesse menos obesos mórbidos ou sedentários, sobraria mais dinheiro para tratar pessoas que não estão ficando doentes porque querem. Simples assim.

Não estou defendendo a restrição dos direitos dos gordinhos. Nada disso. Entendo perfeitamente que no aspecto da saúde pública a obesidade e o tabagismo guardam diferenças gigantescas (a principal delas, a meu ver, é que quando somos pequenos nossas mais não ficam o tempo todo repetindo “fume esse cigarrinho todinho senão fica sem sobremesa”). Mas no aspecto social, podemos sim comparar as duas facções. Fumantes e gordos estão unidos.

Gente mal educada tem de todo tipo. Fumante, não-fumante, gordo, anoréxico. Mas, por mais desagradável que seja ter que compartilhar espaços com pessoas de diferentes características, o caminho do ódio só leva a uma coisa: recíproca (essa você já sabia, tenho certeza, falei só por falar mesmo). Posso listar inúmeras razões para odiar não-fumantes. Mas eu gosto deles. Afinal, se todo mundo fumasse, ninguém tentaria me livrar desse hábito terrível que assumo sem nenhum prazer.

Só estou pedindo respeito. Só isso.

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