Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

O INTELECTUAL POTYGUAR

Posted: setembro 26th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , | 13 Comments »

Suponhamos que você esteja numa mesa de bar com um grupo de Intelectuais Potyguares (sim, eles existem, muito embora sejam como as bruxas: você não deve acreditar neles). Ah, o Intelectual Potyguar! Esse espécime que todos crêem estar em extinção, mas que se reproduz pelas vicinais do Beco da Lama com mais ferocidade que o Artistas Performaticus Natalensis e o Secretarius de Cultura Municipalis. Está com eles a missão de transmitir às gerações vindouras o melhor que encerra seu DNA: o talento para o fuxico, a capacidade para a inércia e o dom da irrelevância.

— Os prêmios literários só são dados a autores que espelham e ovacionam o poder dos Governos — suponhamos que um dos Intelectuais Potyguares acabe de cuspir esta máxima (um Intelectual Potyguar que se preze não se contenta em emitir opiniões: vociferar verdades universais incontestáveis é que é da hora).

É preciso que fique claro antes que prossigamos: dizer “o poder dos Governos” numa mesa de bar é o equivalente a berrar “Parem de falar, vozes na minha cabeça” em um jantar de noivado. Não faz sentido, mas serve para chamar a atenção.

Ainda no campo das suposições, partamos do pressuposto de que você tente contra-argumentar, dizendo que não é bem assim: prêmios literários, do finado Othoniel Menezes ao eterno Nobel, servem para fomentar a produção, estimular o consumo de literatura e, independente das jogadas de bastidores e dos eventuais lobbies, é sempre bom ganhá-los.

Desista. Não adianta. Um legítimo Intelectual Potyguar não participa de prêmios literários — não está bem claro se é pela falta de uma obra relevante ou se é pela preguiça de tirar cópias, encadernar, enviar pelos Correios. Intelectuais Potyguares sabem que ser intelectual de verdade dá trabalho. E não me entenda mal: há intelectuais de verdade no Rio Grande do Norte; cultos e comprometidos; maduros e humildes; talentosos e empreendedores — e eu só inseri esta afirmação no texto porque não quero me indispor com os Intelectuais Potyguares que não se assumem como tal. Os enrustidos são os mais perigosos.

Pra ser Intelectual Potyguar tem que expor opiniões como se estivesse revelando publicamente uma conspiração global — com alterações bruscas no volume da voz, olhos injetados, palavras que já caíram em desuso e, mais importante de tudo, perdigotos.

— O único ganhador do Nobel que merece meu respeito se chama Sartre, que fez exatamente o que eu faria: recusou o prêmio — diz um dos Intelectuais Potyguares à sua frente, enquanto gotas da mais pura saliva neblinam sobre a mesa, notadamente quando ele diz “Sartre”. Os Intelectuais Potyguares preferem a umidade à humildade.

Este que, suponhamos, acaba de falar é da espécie sou-tão-inteligente-que-posso-andar-como-um-mendigo. E muito embora você duvide que alguém quase sem dentes, vestindo camiseta das Eleições 2002 e calça doada pela Cruz Vermelha, tivesse a audácia de recusar um prêmio que lhe renderia 10 milhões de coroas suecas, você não vai dizer nada. Você vai se limitar a sorrir sem revelar se é por fascínio ou escárnio, dar um gole na sua cerveja torcendo para que ela não tenha sido atingida pelos perdigotos, repassar mentalmente os nomes dos agraciados pelo Nobel que você consegue lembrar (achando surpreendente que este Intelectual Potyguar tenha conseguido memorizar todos os ganhadores) e pensar: mas nem José Saramago, único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa, você respeita?

— Mas nem José Saramago, único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa, você respeita? — suponhamos que você, sem conseguir se conter, tenha pensado alto.

Neste momento, você conhecerá uma nova faceta do Intelectual Potyguar. Você não sabia, mas quando está em seu habitat natural (mesa de plástico de um bar xexelento), o Intelectual Potyguar não aceita que ninguém — ninguém! NINGUÉM! — discorde dele. Isto inclui você. O Intelectual Potyguar passa a agir como um leão que mija em círculos para demarcar seu território. Em vez de urinar, entretanto, ele caga:

— A literatura de Saramago está a serviço dos poderosos — diz enquanto as têmporas vibram num rompante de ódio comparável apenas a um chilique de madame em boutique do Plano Palumbo. — Dos poderosos!

José Saramago? O escritor de esquerda?! Aquele que deixou Portugal só por não concordar com o Governo?!?! O escritor excomungado pela Igreja por escrever “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”?!?!?! É deste José Saramago que ele está falando?!?!?!?! Parece loucura, mas você decide cutucar o cão com frases curtas:

— Acho que você nunca leu Saramago — você diz sem conseguir conter um brilho maligno no olhar. — Aliás, acho que você nem sabe quem é Saramago.

“Eu não sei” é uma sentença que não existe no vocabulário do Intelectual Potyguar. Uma única vez um Intelectual Potyguar disse esta frase, mas depois descobriram que ele havia nascido em Recife.

— Atualmente, tenho me dedicado a reler “Finnegans Wake” de James Joyce — responde, gentilmente, o Intelectual Potyguar, esboçando tédio e autocomiseração para que todos creiam que reler “Finnegans Wake” é algum tipo de obrigação divina que lhe foi imposta.

Pois é, os Intelectuais Potyguares sempre estão relendo um livro que ninguém leu. Não importa se nos últimos meses você devorou três Philip Roth, quatro Paul Auster e nove Hemingway. O Intelectual Potyguar vai se sentir superior por estar usando seu cultíssimo tempo para reler “Finnegans Wake”. Você até cogita perguntar o que ele tem lido de mais atual, mas você sabe que ele acabaria vomitando frases como “A literatura acabou em Guimarães Rosa” e aí a coisa toda descambaria pra baixaria.

Suponhamos que você desista de dialogar e reduza-se a um observador da fauna local. Como um repórter do NatGeo, você presta atenção em cada gesto dos Intelectuais Potyguares enquanto seus olhos lacrimejam de piedade.

Você aprende que:

1) Só Intelectuais Potyguares sabem que Lampião nunca colocou os pés em Mossoró, ficando a 17 quilômetros da cidade durante o famoso cerco. Preste atenção: 17 quilômetros. Não foram 18, não foram 19, foram 17 quilômetros. Você pensa: “Como ele sabe a distância exata? Lampião deu um check-in no Foursquare?”

2) Só Intelectuais Potyguares leram mais de 300 livros sobre a história do Rio Grande do Norte e sempre estarão a espera do momento certo de esfregar isto na sua cara. Muito embora não confessem, intimamente alimentam a esperança de serem citados em um desses livros. Por isso lêem tanto sobre a história do Rio Grande do Norte.

3) Só Intelectuais Potyguares conseguem citar Câmara Cascudo em qualquer momento da conversa. “Vai viajar neste feriadão?”, alguém pergunta displicentemente. O Intelectual Potyguar se empertiga na cadeira, respira fundo, formula sua melhor expressão de desdém e fala fitando o nada: “Como diria Câmara Cascudo: ‘Vou não, quero não, posso não’.”

4) Só Intelectuais Potyguares xingam muito no Twitter, disparando até ameaças de agressão física, só porque algum jovem poeta escreveu “chanana” ao invés de “xanana” (Intelectuais Potyguares, só de birra, ignoram que a flor símbolo de Natal é grafada com “ch” em todos os dicionários). A propósito, só Intelectuais Potyguares não pensam em vagina quando ouvem a palavra “chanana”.

5) Só Intelectuais Potyguares batizam de Zila & Mamede o casal de pebas conquistado numa rifa.

6) Só Intelectuais Potyguares lêem repetidas vezes um texto que os critica, numa busca fremente por um verbo mal conjugado ou um erro de digitação. Em suas cabecinhas transbordantes de meladinha, encontrar algo assim num texto que os critica desqualificaria seu autor, suas ideias, seus argumentos, sua mãe, sua esposa, sua sogra. Buscar coisas assim num texto é uma forma de se afirmar Intelectual Potyguar. Pode prestar atenção nos comentários mais abaixo para confirmar.

E, por fim, a maior lição: só Intelectuais Potyguares fazem você sentir o estômago dar voltas em torno de uma dor pontiaguda que precipita a mais genuína diarréia de escárnio. Você se levanta, dá boa-noite, pede desculpas por já ter que ir embora. E sai antes que acabe por expelir em forma pastosa tudo que os Intelectuais Potyguares vêm excretando, ao longo da vida, dia após dia, em forma de palavras.

Mas tudo isso não passa de suposição, claro.


MOSTRA O TEU QUE EU MOSTRO O MEU

Posted: setembro 22nd, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , | 1 Comment »

O primeiro salário do qual tive pleno conhecimento foi o do meu pai. Não adiantou que os holerites fossem guardados a sete chaves, mais valiosos que os próprios valores que indicavam. Aos onze anos, tomado pela curiosidade, fui impelido a abrir o contracheque do meu pai e descobrir que o salário dele poderia comprar não seis, não sete, não oito, mas 200 kits do Playmobyl. 150 bonecos do Comandos Em Ação. Mais de 1700 coxinhas da cantina de Dona Alaíde. Meu pai era, definitivamente, um homem rico.

É óbvio que naquela época qualquer valor que ultrapassasse o escore de duas passagens de ônibus já me soaria como uma fortuna. Eu era feliz e não sabia.

Menos de uma década depois, fui confrontado com uma cruel realidade: consegui meu primeiro estágio e passei a ter um salário. Mínimo, diga-se de passagem. Lentamente, de maneira imperceptível, fui me transformando nisso aqui: um assalariado. Um ser humano que suspira com alívio a cada primeiro dia útil do mês; vive cinco ou seis dias de felicidade plena; logo mais descobre que a conta da TV a cabo não está paga. Há dois meses.

Um assalariado. Uma entidade sem rosto, mas com número de PIS/PASEP, que vibra a cada promoção de eletrodoméstico em 36 vezes, como se comprar um micro-ondas em prestações a perder de vista fosse o equivalente ocidental do orgasmo tântrico. Eu não sabia ainda, é bem verdade, que a expressão “prestações a perder de vista” não é apenas uma figura de linguagem, visto que os juros sempre nos custam os olhos da cara. É, eu era bem feliz.

Foi justamente naqueles meses de felicidade plena com juros de 112% a.a. que tive meu primeiro contato com a Síndrome do Não Digo Quanto Eu Ganho Nem A Pau. Preste atenção: sempre quando o assunto é salário, o diálogo passa a ser permeado por reticências estranhas, entonações misteriosas e expressões intraduzíveis como “Eu ganho X, mas quero X+Y”. Em tempos em que discutimos abertamente sobre antigos tabus como a homossexualidade, a legalização da maconha e a verdadeira idade da Glória Maria, o salário de cada um de nós insiste em ser a única e intransponível barreira da comunicação verbal.

Experimenta perguntar pro teu chefe qual o salário dele. Primeiro você vai ouvir que empresários não têm salário fixo, que as retiradas no lucro da empresa se chamam pró-labore, que os tempos estão cada vez mais difíceis. Inexoravelmente você não vai ouvir um número. “Um número, chefe, um numerozinho só”, você insistirá. Pode até ser que ele dê uma margem, uma ideia, uma pista: “Digamos que eu ganho X² + 2XY + AB”. Empresários acreditam piamente que o segredo do sucesso é praticar com afinco a Síndrome do Não Digo Quanto Eu Ganho Nem A Pau. Devem ter lido em algum livro de autoajuda.

Essa regrinha social, entretanto, serve a diversos propósitos. O primeiro e mais importante: se todos sabem quanto pinga na sua conta mensalmente, não vai dar pra contar vantagem. E sejamos francos: contar vantagem é uma das coisas mais legais que se pode fazer nesses tempos bicudos. “Comprei à vista”, você diz do seu carro zero que na verdade foi parcelado em 60 mensais de 350 mililitros de sangue. Com entrada de um olho direito. Mas ao ver a admiração no rosto do seu melhor amigo, a inveja transbordando pelos olhos lacrimejados como dissesse “Ele, definitivamente, é rico”, tudo se justifica. Até a anemia.

Outra vantagem de não falar abertamente sobre o salário é poder bancar o coitadinho. Ok, é uma atitude diametralmente oposta à ação do parágrafo anterior, mas não menos vital. Digamos que sua filha vai casar. “Quero decorar a igreja com 10 mil orquídeas brancas, papai”, ela propõe impondo – ou impõe propondo, vai saber. Se sua amada herdeira não sabe o quanto você realmente ganha, nem vai ficar tão chateada ao adentrar magistralmente a nave da igreja e dar de cara com 32 xananas natalenses, todas branquinhas e viçosas, roubadas de canteiros públicos na madrugada anterior. Você sorri amarelo, com ar resignado, humildemente dizendo “Pois é, filha”. E seus zilhões seguem repousando no banco, ao sabor dos PGBLs e VGBLs, à espera do próximo iate.

Não dizer o quanto ganha provavelmente é uma superstição idiota. Provavelmente é um reflexo de nossa cultura provinciana. Provavelmente foi um hábito agravado pela política colonizadora e acachapante da qual fomos vítimas. Mas como ninguém tem certeza, eu não mostro o meu a ninguém.

Às vezes, devo confessar, me flagro imaginando como é o dos meus amigos. Será que o meu é maior? Será que eu passaria vergonha se mostrasse pra todo mundo? Será que ririam de mim, apontando-me seus indicadores, vorazes em me humilhar por minhas diminutas cifras? Eu sei, eu sei, preciso de ajuda médica. Mas vocês já viram quanto cobra um psiquiatra? Eu, definitivamente, não sou rico.


MENININHA PEDANTE QUE CONHECI EM 1997

Posted: julho 8th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , | 1 Comment »

Eu gostaria de dizer, menininha pedante que conheci em 1997, que nem sempre é necessário entender a letra da música para que possamos desfrutar do barato que ela propõe; e se eu raciocinasse da mesma forma com que você teimosamente raciocinava em 1997 – sempre raciocinando, sempre tão racional — jamais teria na memória, guardado com todas as pompas e circunstâncias dos grandes momentos, aquela noite em que fui te deixar em casa e cantei bem alto uma do Stone Temple Pilots, apesar de você insistir covardemente em desdenhar da letra dizendo que When the dogs do find her era uma frase sem sentindo e claramente infantilóide. Você repetia em português, com aquele jeito arrogante de dizer as sílabas, “Quando os cachorros realmente a encontram”, e você gargalhava, “O que isso significa?!”, e você ria com escárnio, “Como você pode cantar com tanta emoção uma frase que não entende?”, você perguntava. Eu aumentei o volume, tomei mais um gole da minha cerveja quente e abafei o seu cérebro com berros, me esgoelando, sangrando o refrão que não entendia. When the dogs do find her passou a significar Um jeito de calar sua grande boca. E como eu fui feliz silenciando suas certezas com uma frase sem sentido.

Eu gostaria de dizer, menininha pedante que conheci em 1997, que em 98 estava perdidamente apaixonado por você, da maneira mais sincera e brutal que já estivera apaixonado até então, mas aquele primeiro “Eu te amo”, ajoelhado aos seus pés numa festa à fantasia — você de cigana, eu de marinheiro — aquele “Eu te amo” foi mentira. Foi apenas porque não sabia definir o que pulsava no meu peito querendo explodir pela boca, e que não era amor: uma paixão, um encantamento, uma empolgação. Eu estava empolgado com você. Seu sorriso comedido, sua forma de sentar de pernas abertas, seus seios fartos que pareciam sempre tão dispostos a me alimentar. Virou paixão em 98, amor em 99, amizade em 2000, tédio em 2001, aversão em 2002. Não foi responsabilidade exclusivamente sua, mas 18 meses de psicoterapia me ensinaram a te culpar.

Eu gostaria de dizer, menininha pedante que conheci em 1997, que não foi sua beleza, mas sim minha feiúra. Ou mais que isso: foi o meu sentimento de feiúra. Porque não sei se naquela época, com a adolescência brotando tão violentamente por todos os meus poros, eu era mesmo muito feio ou apenas me sentia muito feio — o que, no fim das contas, dá no mesmo, visto que o efeito nas outras pessoas é o mesmo: ninguém me olhava, ninguém me tocava, ninguém me queria. Você notou essa alma livre em meio a tantas prisões, a minha mente inquieta cheia de ideias. Não foi sua beleza, mas sim minha feiúra. Era você ou a casa de drinques que meu irmão andava doido pra me levar.

Eu gostaria de dizer, menininha pedante que conheci em 1997, que aquele jeito com que você afundava os olhos na Constituição de 88, comentando sobre a inaplicabilidade do ECA numa realidade social tão caótica — esse gesto, apenas esse gesto: ler a Constituição e de vez em quando comentá-la — foi o que nos afastou abissalmente em 2001. Minha mente vagava por poemas, músicas, filmes; digladiava-se com a impossibilidade de ser dândi e grunge concomitantemente; fixava-se em coisas impalpáveis mas valiosas, de um valor que os dinheiros não pagam — enquanto você empregava todo o seu intelecto em entender o ECA. Naquele tempo, não pude prever que acabaríamos, inevitavelmente, da forma como acabamos: machucada, ressentida, vingativa; apático, silencioso, inacessível. Não pude prever que chegaríamos a 2002 daquele jeito: você berrando, arrancando do olvido todas as vezes em que não te amei de verdade, dizendo com suas sílabas perfeitas que até percebia quando eu topava o sexo apenas pela possibilidade de fumar um cigarro ao final. Não pude prever que continuaria calado diante de todas as ofensas, e não transpareceria nenhum resquício de emoção, e me limitaria a destravar a porta do carro para que você descesse enquanto acendia mais um cigarro como se tivesse acabado de fazer sexo. Naquele 2002, fui pela primeira vez 100% cínico.

Eu gostaria de dizer, menininha pedante que conheci em 1997, que nada do que você fez me machucou tanto quanto desdenhar do Stone Temple Pilots. Nem quando você me chamou de broxa, nem quando insinuou que eu tinha um caso com um dos meus melhores amigos, nem quando você teve um caso de três meses com um dos meus melhores amigos. Lembro de você dizendo com escárnio, os olhos lacrimejados pela maligna completude que a humilhação alheia proporciona: “Essa música não faz o menor sentido, querido, e você só gosta dela porque é moda ser grunge”. Nem quando você ligou para minha mãe em 2003 e disse estar preocupada com o quanto eu bebia; nem quando você me enviou flores no aniversário do nosso namoro dois anos depois que rompemos; nem quando você acabou casando com uma versão mais feia de mim mesmo, mais magra, mais drogada, mais vagabunda, mais grunge, uma versão bizarra e mais compatível com você; nem quando você batizou seu filho com o nome que eu alardeava que meu primeiro filho teria; nem quando você encheu a cara no meu aniversário e não segurou a onda de me ver com outra e acabou tentando beijar uma das minhas amigas e berrou que eu estava te matando lentamente e foi embora a pé, desgrenhada, descompensada, destruída, me transformando no vilão da sua pornochanchada. Eu não te perdoo por desdenhar do Stone Temple Pilots.

Era isso, menininha pedante que conheci em 1997. Tava meio que engasgado.

Era isso, menininha pedante que conheci em 1997. Tava meio que engasgado

Carta aberta à população de Natal do Movimento #ForaMicarla

Posted: junho 8th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , , | No Comments »

O movimento #ForaMicarla, que pleiteia o impeachment da Prefeita de natal Micarla de Souza (PV-RN) emitiu hoje uma carta aberta direcionada a toda população natalense (em especial, aos vereadores e ao Ministério Público).

O texto é contundente, mas em nada lembra “um movimento pueril organizado por jovens sem ocupação” — como alguns partidários da Prefeitura de Natal quiseram fazer parecer.

A carta lista as motivações do movimento, traz uma pauta de reivindicações e deixa um recado bem claro: a ação partiu do povo sim.

Leia carta abaixo, na íntegra.

Natal, 07 de Junho de 2011

Hoje, em mais uma manifestação promovida pelos e pelas integrantes do movimento #ForaMicarla, diversos grupos de atuação política (formais e informais, partidários e apartidários, todos unidos pela consciência do seu dever cívico para com a cidade onde vivem) ocuparam o pátio interno da Câmara Municipal de Natal. Esse é mais um ato que expressa o repúdio à péssima administração que vem sendo realizada pelo atual governo do município. Um grupo que tem como símbolo maior a própria prefeita, Micarla Araújo de Sousa Weber, mas que é composto também pela vice-prefeitura e pela maioria dos vereadores.

Nós defendemos não apenas uma simples retirada da prefeita do cargo que ocupa, mas também, impreterivelmente, que tanto a própria Câmara Municipal quanto o Ministério Público do Rio Grande do Norte ajam para investigar as ações da prefeitura e do poder legislativo com maior afinco. Que essas instituições se coloquem ao lado do povo, em uma defesa intransigente dos direitos das cidadãs e dos cidadãos. Nós do movimento #ForaMicarla acreditamos que fazemos a nossa parte ao provocar as autoridades da cidade para que tomem o rumo da moralização e do fortalecimento do poder público em benefício da sociedade natalense.

Se algumas dessas autoridades alegam que “não existem provas” para que o curso de uma ação mais contundente seja tomado, nós podemos certamente listar muitas evidências para nortear o caminho dos trabalhos que estamos exigindo.

Eis algumas das causas da nossa justa raiva, entremeadas por questionamentos e sugestões:
•    Aluguéis e compras vêm sendo efetuadas com notório superfaturamento dos preços; há necessidade de uma CEI dos aluguéis isenta, que não esteja sob domínio da bancada situacionista (a relatoria e a presidência estão ocupadas por vereadores micarlistas).
•    Descaso com o Transporte Público: buracos em inúmeras ruas e avenidas da cidade; sucessivos aumentos da passagem de ônibus; falta de licitação para a prestação do serviço de ônibus; falta de ampla discussão acerca de uma reforma ou cancelamento do Termo de Ajustamento de Conduta que regulamente os aumentos na tarifa.
•    Descaso com o Meio Ambiente: derrubada de centenas de árvores sem que haja uma contrapartida satisfatória na criação de áreas verdes; caos administrativo na Urbana, afetando a coleta de lixo e abalando o vínculo empregatício dos garis que trabalham para a sociedade.
•    Descaso com a Educação: merenda estragada nas escolas municipais; péssimas condições de trabalho e estudo, além da falta de vagas ofertadas para o ensino fundamental.
•    Descaso com a Saúde: terceirização injustificada (ou justificada pela confissão de incompetência) do atendimento à população; propaganda enganosa acerca da real relação custo/benefício que ocorre na implementação de AMEs e UPAs, além da privatização do setor.
•    Falta de canais de participação popular no processo orçamentário, o que resulta em absurdos como os R$200.000,00 destinados para um inexistente “Zoológico” da cidade.
•    Ocorrência de nepotismo na administração pública; ocupação de cargos comissionados, estágios e secretarias por parentes e cabos eleitorais de políticos que estão no governo.
•    Falta de transparência nas contas públicas; a dispensa de licitação (recurso emergencial) tornou-se a norma nos processos de contratação de serviços e na compra de materiais de custeio (como exemplo podemos citar o caso da compra de 2.500 copos descartáveis por R$3.765, informação que está no Diário Oficial).
•    Falta de projeto de governo: daí decorre a substituição constante de secretários; além de diversas obras paralisadas ou atrasadas.
•    Falta de fiscalização do Plano Diretor: verticalização excessiva em áreas onde a lei não permite que isso aconteça; aumento do IPTU sem que a população usufrua de maiores benefícios custeados pelo imposto.
•    Falta de pagamento aos artistas que prestaram serviços à Funcarte, e proibição das manifestações artísticas de rua e demais locais públicos que não sejam previamente autorizadas pela administração municipal.
•    Falta de pagamento a diversos fornecedores e prestadores de serviços, o que tem prejudicado, entre outras coisas, a manutenção da infra-estrutura e da qualidade do ensino nas escolas do ensino fundamental;
•    Gasto excessivo e imoral com publicidade e propaganda, enquanto áreas essenciais estão sendo prejudicadas por falta de recursos; propaganda enganosa custeada com dinheiro público, que não condiz com a realidade que observamos no município.

Os pontos acima listados são uma parte dos motivos que tem feito milhares de pessoas saírem às ruas nas últimas semanas. Queremos pressionar e dialogar com o poder público para que as devidas averiguações e cabíveis providências legais sejam tomadas. Não vamos desistir dessa luta! Continuaremos vigilantes, empenhadas e empenhados em conscientizar e mobilizar a população de Natal contra governos como o da prefeita Micarla de Sousa.

Ass.: Coletivo Popular #ForaMicarla e #XoInseto

É, o coro está engrossando…


Um e sessenta por um e oitenta

Posted: junho 3rd, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , | 2 Comments »

A primeira coisa que haviam comprado juntos tinha um metro e sessenta por um metro e oitenta. Não eram dados que ficassem martelando todos os dias em suas cabeças, mas estavam escritos muito legivelmente com caneta esferográfica azul na nota fiscal novinha em folha, fadada a amarelar-se com o acúmulo de dias na pasta colorida que usavam como arquivo. Uma cama de casal. Obrigava que seus corpos grandes ficassem colados nas noites longas e geladas do inverno, quando dormiam de meias, calças de moletom e camisetas de malha. Metiam-se sob as colchas grossas, grudavam-se no calor das peles congeladas e esquentavam-se naquele amor que era como uma lareira. Os pés às vezes sobravam para fora da cama, dançando no ar gelado do quarto hermeticamente lacrado pelo silêncio do prazer saciado. Sonhavam com camas maiores, aquecedores, geladeiras que vertessem água por um dispositivo acoplado à porta. Com TVs que tomassem toda a parede com suas mais de trinta mil cores. E dormiam felizes na cama de um e sessenta por um e oitenta.

O verão invadiu todos os cômodos do apartamento, obrigando a abrir janelas, esconder agasalhos, reaver o hábito de andar de bermudas. As colchas foram substituídas por lençóis diáfanos, que deixavam transparecer através dos seus fios leves as peles queimando muito mais de amor que de calor. O costume de estarem colados sobre aquele colchão permaneceu à guisa de qualquer temperatura alta. Deixavam que seus suores se misturassem em seus peitos, alternando simpatias que aplacassem o fervor da noite. Sopravam-se as nucas, ondulavam os lençóis para produzir brisa, se abanavam com os lábios colados como peças de plástico que derretidas acabassem por se mesclar em uma só. E dormiam felizes na cama de um e sessenta por um e oitenta.

Resistiram a mais um inverno no espaço diminuto daquele colchão, mas logo o décimo-terceiro, o aumento, o um terço de férias, a rescisão, a bonificação, a promoção. Passaram a cama para o quarto de hóspedes e em seu lugar veio aquele tatame gigantesco, em tecido ecológico e hipoalergênico, com espuma indeformável devido sua tecnologia espacial e lençóis com mais fios que seus cabelos. Tinha dois e dez por dois e quarenta.

Naquela primavera, quando foram obrigados a abrir o apartamento para que a luz se derramasse pelos cômodos retirando numa lenta evaporação toda a umidade herdada do inverno, nem perceberam que o pólen das lindas flores que se abriam por todos os jardins da cidade se espalhava pela casa. Nem perceberam que o novo colchão se enchia de ácaros porque mantinham o quarto fechado o dia inteiro tentando impedir a entrada das partículas primaveris. Nem perceberam que na noite do solstício de verão, displicentes e sem assunto, foram dormir sem se dar um beijo de boa-noite, cada um virando-se em silêncio para uma extremidade do imenso colchão tão logo o telão se apagou na parede. Dormiram na cama de dois e dez por dois e quarenta.

Mais uma vez o verão e seu calor sufocante, os dois ligando ventiladores por todo o apartamento e rezando por rajadas de vento e muito mais concentrados em ficar imóveis para baixar a temperatura do que em trocar quaisquer calores. Resolveram comprar um ar-condicionado. Não importava que lá fora da bolha de proteção a 18 graus as pessoas asfixiassem enquanto diziam que nunca tinham sentido tanto calor. Dentro do quarto, escuro como placenta, gelado como túmulo, os dois deitavam-se palidamente felizes, cada um do seu lado da cama; cobriam-se com lençóis, colchas, edredons; davam-se o mais simpático dos boas-noites; dormiam. Sempre naquele dois e dez por dois e quarenta.

Não estranharam quando veio o outono e as malas prontas na sala, as despedidas desajeitadas, as partilhas de bens amigáveis e a morte de todos os planos despencaram sobre suas cabeças como folhas secas que anunciassem não o início de uma nova estação, mas sim o fim da anterior. Agora um alugava apartamento pequeno perto do centro enquanto o outro se mudava para uma casinha longe confusão da metrópole. E dormiam felizes em suas camas de solteiro, muito embora persistisse a eterna pequena saudade daquele um e sessenta por um e oitenta.


#ForaMicarla: o dia em que a revolta realmente começou

Posted: maio 26th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , , | 5 Comments »

Sobre a Prefeita de Natal Micarla de Sousa (PV-RN) e sua administração, escrevi algumas crônicas em tom jocoso. Renderam-me muitos acessos, sessões impagáveis de gargalhadas e centenas de comentários. Após os acontecimentos dos últimos dias, pensei que era hora de continuar a série. Mas percebi que não era mais o caso. Ultrapassamos o limite do “é rir para não chorar”, meus amigos. Brincar com essa situação seria, no mínimo, falta de sensibilidade.

Micarla e seu governo sem rumo, com ingerências que vão da proliferação de buracos pela cidade por pura falta de manutenção até as desastrosas substituições de secretariado, conseguiu despertar na cidade o sentimento de guerrilha. A população está armada com gritos de “Fora Micarla” e todo o poder que as redes sociais dão. Não é mais o caso de fazer piada, pois esse sentimento vai evoluir. Vai se tornar realmente perigoso.

O dia 25 de maio de 2011 ficará para sempre na memória dos natalenses. Foi o dia em que a população saiu de sua habitual inércia e foi às ruas protestar. Claro que alguns criticarão as ruas bloqueadas (“E meu direito de ir e vir?”), tentarão taxar de baderna estudantil a revolta popular. Claro que toda esta movimentação vai dividir opiniões e gerar ainda mais discussões nas redes sociais, nas conversas de bar, nas horas do jornal após o jantar. Mas nada apaga o que aconteceu ontem: o povo se uniu, foi às ruas e gritou em alto e bom som o seu desejo. Natal quer Natal de volta.

O que me preocupa agora é o que está por vir. Não tardará para que os protestos se tornem ainda mais violentos e as palavras de ordem sejam substituídas placidamente por atos de vandalismo. Não tardará para que a revolta evolua e se transforme no superlativo da revolta: o anarquismo. Não tardará para que algo realmente violento aconteça. É assim o comportamento da massa. Uma hora a euforia coletiva se transforma em algo primitivo e incontrolável.

Nos protestos de ontem, duas amostras dessa iminente evolução foram dadas: um pneu queimado no cruzamento da Bernardo Vieira com a Prudente de Moraes e um outdoor da Prefeitura de Natal derrubado por manifestantes no final da Romualdo Galvão.

Outdoor da Prefeitura é derrubado por manifestantes:

A culpa pelo vandalismo, entretanto, não é dos manifestantes. A má administração, o descaso com as necessidades da população, a irresponsabilidade com o dinheiro público: todos esses pequenos pecados que Micarla de Sousa vem cometendo há mais de dois anos incitaram o comportamento violento. Finalmente, o caos da administração contaminou a população.

A culpa, meus amigos, não é de quem vai às ruas gritar pelo que tem direito. A culpa é de quem foi eleito para garantir esses direitos, mas parece se importar mais em retocar as raízes do cabelo.

Há uma luz no fim do túnel. Blogs já noticiam que uma pesquisa comprovou que apesar da campanha publicitária milionária, orquestrada há semanas pela Prefeitura de Natal, a avaliação da administração de Micarla continua ruim. O Ministério Público está atuante, impedindo que desmandos ainda maiores sejam cometidos. Hoje mesmo, por exemplo, o MP ganhou na justiça ação que impetrou contra a Prefeitura na qual alega que a terceirização dos serviços de saúde é inconstitucional. A CEI dos Aluguéis, que vai investigar suspeitos contratos de imóveis da Prefeitura, já está constituída. Espera-se que investigue de verdade. Há rumores que vereadores já articulam um pedido de impeachment.

Mas até lá?

Manifestantes continuarão nas ruas. Atos de vandalismo inevitavelmente ocorrerão. Mais e mais propagandas da Prefeitura tentarão negar o óbvio. E eu seguirei me perguntando: quem, além de Micarla e sua prole, seguirá de braços cruzados?

Um resumo da manifestaçãop #ForaMicarla:


Jovens Escribas na SimTV

Posted: maio 20th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , , , | No Comments »

Era uma manhã de sábado chuvosa e preguiçosa, mas eu e Carlos Fialho (@cfialho) não desanimamos. Fomos ao Nalva Café Salão para dar a entrevista que havia sido marcada naquela semana com o pessoal do Programa 360, da SimTV. Era 16 de abril de 2011. Lembro como se fosse ontem.

Ao chegar lá, a primeira surpresa: Nalva Melo, proprietária do local, amiga do peito de alma elevada com poucas, havia deixado um cenário prontinho pra gente, com o carinhoso gesto de colocar uma máquina de escrever sobre uma de suas mesas. Carinho assim só dá pra retribuir com um abraço muito apertado. Como ela não estava por lá, resolvi agradecer tuitando:

http://www.patriciojr.com.br/wp-content/uploads/2011/05/278086524.jpg

Outra grata surpresa foi a simpatia da equipe: repórter e câmera foram extremamente pacientes com nossas caras de sono, estavam muito bem informados sobre nosso trabalho e acabaram extraindo de nós uma das melhores entrevistas que já demos. Além de momentos divertidíssimos que acabaram, claro!, de fora da edição final da matéria.

O resultado do encontro está no vídeo abaixo. Com vocês: Jovens Escribas na SimTV.


Estante Virtual convoca leitores a reinventarem a leitura através do desafio “Ler com prazer”

Posted: abril 14th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , | No Comments »

O VÍDEO MAIS CRIATIVO SOBRE O TEMA “TODA MANEIRA DE LER VALE A PENA” GANHA UMA VIAGEM E VALE-LIVROS

O site Estante Virtual tem se destacado como uma boa ideia que deu certo. Compilando o acervo de quase todos os sebos do Brasil, o site vende livros usados num sistema seguro, rápido e prático. Mas uma boa ideia precisa sempre de novas boas ideias para se manter na crista. E assim surge a promoção “Ler com prazer“.

Para participar é simples. É só gravar um vídeo sobre o tema “Toda maneira de ler vale a pena”, com no máximo um minuto, e fazer o upload pelo próprio site da Estante Virtual. Os vídeos serão analisados por uma comissão formada pela equipe da Estante Virtual e por convidados, que vão selecionar os dez finalistas que irão a júri popular, que escolherá os três vencedores.

O próprio hotsite da ação já dá algumas sugestões de formas diferentes de ler. Confiram:

http://www.patriciojr.com.br/wp-content/uploads/2011/04/Ler.jpg
Os vídeos podem ser enviados até 25 de abril. No dia 27 serão divulgados os dez finalistas e terá início a votação popular, através do canal da Estante Virtual no Youtube. Dia 5 de maio encerra-se a votação e os vídeos vencedores são divulgados. O primeiro lugar ganha um vale-viagem CVC com acompanhante, no valor de 3 mil reais, com o destino à escolha do vencedor, além de 300 reais em vale-livros do site. O segundo e o terceiro lugar ganham, respectivamente, 300 e 150 reais em vale-livros.

SOBRE A ESTANTE VIRTUAL
A Estante Virtual, portal que foi ao ar em outubro de 2005 com apenas 18 sebos online, reúne hoje mais de 1,8 mil sebos e livreiros de todo o país, englobando um acervo de cerca de 7 milhões de livros catalogados online e 18 milhões de livros offline (total dos acervos físicos de todos os sebos participantes). Os leitores cadastrados já ultrapassam os 900 mil, e respondem por uma movimentação intensa: mais de 14 buscas por segundo nos horários de maior procura e 5 mil livros vendidos diariamente.

Ao facilitar o acesso de leitores ao acervo de sebos, livreiros e até de outros internautas (todos os usuários do portal podem cadastrar livros para venda), o site criou uma grande rede de comercialização de livros alternativa às livrarias tradicionais e mesmo às virtuais. E isto vai muito além da venda de obras usadas e raras que alguns atribuem como papel dos sebos: nos sebos cadastrados na Estante, o leitor encontra também livros seminovos e até mesmo novos – comprados em pontas de estoque das editoras.


“Do Fundo do poço se vê a lua”, romance vencedor do Prêmio Machado de Assis, será lançado em Natal

Posted: março 15th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , , , , , | No Comments »

Jovens Escribas trazem o autor Joca Reiners Terrón para conversar com alunos do Ensino Médio e realizar lançamento no Gringo’s Bar, em Ponta Negra.

O escritor Joca Reiners Terrón estará em Natal na próxima segunda-feira (21) para lançar o romance “Do fundo do poço se vê a lua” (Cia das Letras, 2010), no Gringos Bar em Ponta Negra às 20h. A obra, de 280 páginas, se passa no Egito e faz parte do projeto “Amores Expressos” que enviou diversos autores para capitais do mundo para que eles produzissem um romance.

O enredo do livro mostra de uma maneira bastante envolvente a trajetória dos irmãos Wiliam e Wilson, a relação conflituosa entre ambos e fuga de Wiliam para o Cairo onde assume outra identidade. No site da Editora Cia das Letras a história é descrita como “Uma trama surpreendente envolvendo trocas de sexo, assassinatos e perda de memória que conduzirá a história até a enigmática cidade do Cairo.”

A obra sagrou-se vencedora do Prêmio Machado de Assis de Melhor Romance de 2010, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional e esta será a primeira vez que o autor virá a Natal.

Joca Reiners Terrón foi o criador e editor do selo independente “Ciência do Acidente” que, no fim dos anos 90 e início dos 2000, publicou mais de 40 obras de autores como Glaudo Mattoso e Sérgio Fantini, além do próprio Joca. Recebeu menção no Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira em 2001 por seu romance “Não há nada lá”. Publicou também os livros de contos “Sonho interrompido por guilhotina” e “Curva de Rio Sujo”, além do seu Best seller até hoje, o romance “Hotel Hell”, publicado pela lendária editora gaúcha “Livros do mal” em 2003.

Trailler do livro:

Serviço:
Lançamento do romance “Do fundo do poço se vê a lua” de Joca Reiners Terrón
Local: Gringo’s Bar em Ponta Negra (por trás do restaurante Camarões Original)
Data: 21 de março (Segunda-feira)
Hora: A partir das 20hs


Cores & Nomes – Jovens Escribas

Posted: fevereiro 18th, 2011 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , , , , , , , | 1 Comment »

Margot Ferreira (@coresenomes) é dessas raras pessoas que captam e canalizam coisas boas. Uma usina de boas vibrações. Apresentadora do RNTV, profissional dedicada, culturalmente engajada, tem um projeto chamado Cores & Nomes, que entrevista personalidades da cultura de uma forma bem diferente: informal, no estilo bate-papo, sempre em cenários bem inusitados.

Em dezembro, o projeto – que também é um quadro do RNTV – entrevistou os Jovens Escribas. Eu, Carlos Fialho e Daniel Minchoni nos encontramos com Margot num café de Petrópolis, bairro de Natal. E entre muita cafeína, risadas e trechos impublicáveis, surgiu o Cores & Nomes que foi ao ar no dia 25 de dezembro de 2010 (num clima de especial de Natal).

A entrevista finalmente caiu na rede. Para vosso deleite, vos apresento: “Cores & Nomes – Jovens Escribas”. É só dar play.

EM TEMPO: não dá pra postar esse vídeo sem agradecer imensamente a Margot Ferreira pela disponibilidade e atenção que sempre nos dispensa. Muito obrigado mesmo.