Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Violência contra a imprensa é uma coisa que deve ser repercutida ao máximo, à exaustão, sem pena contra os agressores. E é por acreditar nisso que me solidarizo com o repórter Fábio Farias e o fotógrafo Magnus Nascimento, do Novo Jornal. Ambos foram agredidos – física e verbalmente – na noite de ontem, 30 de março, por militantes do PSB, partido da Governadora Wilma de Faria, quando cobriam a inauguração do Complexo Cultural da Zona Norte, em Natal.
Segundo reportagem do Novo Jornal, os jornalistas foram cercados por três jovens e sofreram ameaças verbais. Segundo Fábio, pelo Twitter, no momento ele tomava nota do número da placa da van que recolhia militantes após a inauguração. O agressor, o rapaz de vermelho na foto abaixo, ainda tentou intimidar os profissionais dizendo eles não sabiam com quem estavam mexendo.
Militante do PSB (de vermelho) agride repórteres do Novo Jornal
Fábio Farias acabou levando um tapa e um soco enquanto fazia seu trabalho de jornalista. Conta Fábio, nas páginas do Novo Jornal desta quarta-feira: “Nos identificamos, mas o cara que me bateu falou que eu não sabia com quem estava mexendo e mandou a gente apagar a foto da máquina e as anotações do número da placa da van que eu fiz”. Depois, não satisfeitos, os agressores ainda disseram aos jornalistas que eles iam se arrepender. Em seguida, foram retirados do local por outros militantes do PSB.
Ainda segundo o Novo Jornal, o grupo de agressores faz parte do que ficou conhecido como “pittboys do PSB”: grupo de jovens, identificados por broches do partido, que marca presença na maratona de inaugurações que o ocaso do Governo Wilma registrou, entoando aplausos, palavras de ordem e, pelo visto, ameaças.
Magnus Nascimento, o fotógrafo agredido, tem inclusive experiência em ter seu trabalho perturbado por truculências. Foi ele o fotógrafo expulso da coletiva de Micarla de Souza, em junho de 2009, quando tentou fotografar a Prefeita de Natal comendo um bolo (absurdo denunciado aqui no PLOG, no texto Jornalista é expulso de coletiva por fotografar Prefeita de Natal).
Jornalistas agredidos por “pittboys do PSB”: repúdio
A violência contra a imprensa é repudiada no mundo inteiro. Não porque jornalistas são espécies raras acima dos outros, mas sim porque necessitam de liberdade para cumprir o nobre papel de registrar a verdade.
A coisa fica ainda mais feia quando se trata do embate Novo Jornal x PSB: o jornal vem fazendo uma oposição declarada ao Governo Wilma, denunciando obras que são inauguradas sem estar terminadas, por exemplo. A própria Wilma de Faria, em seus discursos, tem dirigido críticas diretas ao Novo Jornal, falando que aos veículos de comunicação controlados por políticos não interessa divulgar o trabalho do seu governo. A Governadora se desimcompatibiliza do cargo hoje para tentar uma vaga no Senado ainda este ano.
A agressão, aqui, não pode ser entendida como um simples arroubo de juventude. Foi uma tentativa de intimidar os profissionais do Novo Jornal e fazer calar uma voz de oposição. Contra isso, devemos nos insurgir. Perigoso. Muito perigoso.
Acabei de falar com Nelly Carlos, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN. Segundo ela, o que aconteceu é inadmissível e deve ser punido. “Acredito que nos dias de hoje esse tipo de agressão é ridícula. O SINDJORN repudia totalmente esse tipo de atitude”, disse-me por telefone. Segundo ela, o SINDJORN vai emitir uma nota de repúdio ainda hoje.
Fábio Farias já prestou queixa e agora o assunto será tratado na Justiça. Como deve ser numa verdadeira democracia.
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Em seu blog, o jornalista Fábio Farias contou em detalçhes o que lhe ocorreu. Para ler, clique aqui.
O site Jornalistas da Web (JW) completou no último domingo (28/2) dez anos de existência. Criado pelo jornalista e empreendedor Mario Lima Cavalcanti, o site nasceu no dia 28 de fevereiro de 2000, em conjunto com a lista de discussão homônima, com o objetivo de cobrir e debater o cenário de jornalismo digital e de novas mídias.
- Na época, fiz uma pesquisa informal com alguns jornalistas e muitos acharam que um site com foco no jornalismo digital seria segmentado demais. Diziam que eu deveria abordar outras áreas, como televisão, rádio e jornal, assuntos que todos os sites de comunicação já faziam naquele tempo. Mas a decisão de apostar nesse segmento estava bem fundamentada, ligada à proposta de difundir a prática do jornalismo digital – conta Mario Cavalcanti.
Como parte das comemorações, o JW lançou um e-book que conta a história do veículo e traz textos de jornalistas e pesquisadores do meio online que testemunharam a trajetória da publicação. Uma linha do tempo mostrando acontecimentos importantes do meio nos últimos dez anos também figura no material.
- Tivemos a ideia de criar um documento que pudesse mostrar um pouco do trabalho que foi feito nestes dez anos. Decidi convidar alguns profissionais da área que admiro para contarem o que o JW representa para eles. A linha do tempo também é sensacional, faz a gente perceber a evolução do campo e também mudanças de paradigmas. Quanto ao formato, optamos pelo PDF porque ele pode ser lido no computador, no celular, nos e-readers, além de poder ser impresso e facilmente compartilhado online – explica Cavalcanti.
O e-book comemorativo de dez anos do Jornalistas da Web pode ser baixado gratuitamente aqui.
Meu comentário:
O JW tem sido uma ferramenta sensacional para eu me informar sobre o mundo do jornalismo. A lista de discussão é uma das poucas que participo que realmente é ativa, provoca discussões interessantes e gera boas oportunidades profissionais. Indico para todos os jornalistas que querem ter uma visão mais ampla da própria profissão, mantendo contato com outros jornalistas de todo o Brasil.
Um mês de férias e a gente volta com o 4º episódio do PLOGCAST. Muitas emoções neste grande retorno, principalmente depois das notícias das últimas semanas.
No elenco, Patrício Jr, Rosilene Pereira, Marlos Ápyus e Kayonara Souza. Na pauta, dois blocos só pra falar da decisão do STF de acabar com a obrigatoriedade do diploma para jornalistas e dois blocos de um especial com notícias bizarras.
Então, dê play aí embaixo e ouça até o fim. O PLOGCAST 4 tem grandes surpresas até o último segundo.
Para baixar o episódio 4 do PLOGCAST é só clicar aqui.
Pauta:
- Apresentação: 00’46”
- Comentando comentários: 01’53”
- Diplomas na fogueira: 03’21”
- STF dispensa diploma para jornalistas, parte I: 05’32
- STF dispensa diploma para jornalistas, parte II: 16’46”
- Notícias bizarras, parte I: 24’30”
- Notícias bizarras, parte II: 33’30”
- Bonustrack: “Televisão” do Titãs (em versão ao vivo pela equipe PLOGCAST): 40’05”
Músicas:
- “Por você”, Barão vermelho
- “Estudar pra quê?”, Pato Fu
- “20/20”, Alanis Morissette
- “Atrás do trio elétrico”, Armandinho
Trilha:
Álbum “Amadeus Wolfgang Phoenix”, da banda Phoenix
Comente o PLOGCAST 4 e concorra ao novo livro de Patrício Jr, “A Cega Natureza do Amor”, com lançamento em breve.
Em seu texto Como vencer na crise, Carlos Fialho fala das tramóias que alguns famosos natalenses usam para ganhar dinheiro. Mas meu querido amigo Fialho, movido por sua elegância, prefere usar pseudônimos, técnica que já virou sua marca registrada. Eu, deselegante e sem técnica, não tenho o mesmo escopo moral do meu amigo: assim, leia-se Thaísa Galvão onde vemos Talita Pavão.
Fiz esse preâmbulo para justificar uma coisa: faz tempo que sinto vontade de escrever umas palavrinhas sobre Thaísa Galvão. Por sua parcialidade disfarçada de imparcialidade; por seu talento em manipular a verdade; por sua maestria em conseguir anunciantes de peso pro seu blog (do qual não postarei o link por uma simples questão: não quero dar mais acessos a ela); e também porque apesar de não ser a única a fazer jornalismo tendencioso, se tornou um exemplo dessa prática detestável.
Ovacionada como comentarista política, sem lastro para tal, Galvão conquistou audiência na internet, grandes anunciantes e renome. Mas nem por isso sacramentou um compromisso com a verdade. A blogueira é um exemplo clássico do subproduto gerado da relação promíscua entre jornalismo e poder. Afinal, qual a credibilidade de um blog sobre política no qual os principais anunciantes são Prefeitura do Natal, Governo do Estado e Câmara Municipal?
Mas ela não ataca de tendenciosa só na política. Pelo que se nota, basta oferecer uma contrapartida interessante para que Galvão fique do lado de alguém. Um exemplo: em nota publicada dia desses sobre Marina Elali, a jornalista enaltece o fato de a tentativa de artista supostamente estar numa lista de poderosos da indústria fonográfica mundial. “Marina Elali é mesmo o poder”, inicia ela sua prestação de serviço. Mas em nenhum momento Galvão menciona que a tal lista é, na verdade, uma compilação dos clientes do produtor musical Dana Jon Chapelle. E que o único critério para estar ali é ter contratado o cara. Terá sido um deslize do dia-a-dia? Uma falta de checagem de informação? Não. O link que ela disponibiliza leva direto a tal lista, no site do produtor. E está bem claro do que se trata pelo título da página: “Dana Jon Chappelle – Selected Discography”. Ou seja: jabá, amigos, jabá.
Já na eleição municipal de 2008, Galvão foi além de todos os conceitos de antijornalismo. Repercutia caminhadas felizes de Micarla enquanto dava destaque para acusações de abuso de poder da coligação de Fátima. Mas como uma boa antiprofissional da comunicação, não mentia. Porque pseudojornalista que se preze usa somente a verdade: manipulada, distorcida, filtrada, mas a verdade.
Me dei ao trabalho de ir ao blog de Thaísa Galvão e fazer uma busca por notícias referentes a Micarla e Fátima durante o período eleitoral. Coletei referências sobre os dois lados publicadas sempre no mesmo dia. Compare:
02.10
- Micarla lembra voto de Fátima a favor de taxar os salários dos aposentados e inativos.
- Tribuna do Norte publica pesquisa que aponta vitória de Micarla no primeiro turno.
03.10
- Fátima é massacrada por todos os candidatos no debate.
- Micarla é aplaudida ao entrar na capela e ganha presentes de seminaristas.
04.10
- Fátima ultrapassa Miguel Mossoró e assume liderança entre os mais rejeitados.
- Pesquisa garante vitória de Micarla no primeiro turno.
05.10
- Fátima ignora lei eleitoral e visita seções de votação.
- Filhos de Micarla testemunham voto da mãe candidata.
Ninguém vive sem ganhar dinheiro. Nenhum veículo de comunicação sobrevive sem anunciantes. Por isso, em respeito aos seus leitores, muitos blogueiros sinalizam com “post pago” as notas que foram patrocinadas por alguma empresa. É uma questão de transparência. Outros, entretanto, preferem bancar os imparciais para ganhar credibilidade e, assim, conseguir mais benesses pessoais de seus, vá lá, patrocinadores. É a forma como essas relações entre imprensa e poder são tratadas (claramente ou de maneira obscura) que definem o caráter de um veículo. Ou, no caso do blog de Thaísa Galvão, a falta de.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.