O site Jornalistas da Web (JW) completou no último domingo (28/2) dez anos de existência. Criado pelo jornalista e empreendedor Mario Lima Cavalcanti, o site nasceu no dia 28 de fevereiro de 2000, em conjunto com a lista de discussão homônima, com o objetivo de cobrir e debater o cenário de jornalismo digital e de novas mídias.
- Na época, fiz uma pesquisa informal com alguns jornalistas e muitos acharam que um site com foco no jornalismo digital seria segmentado demais. Diziam que eu deveria abordar outras áreas, como televisão, rádio e jornal, assuntos que todos os sites de comunicação já faziam naquele tempo. Mas a decisão de apostar nesse segmento estava bem fundamentada, ligada à proposta de difundir a prática do jornalismo digital – conta Mario Cavalcanti.
Como parte das comemorações, o JW lançou um e-book que conta a história do veículo e traz textos de jornalistas e pesquisadores do meio online que testemunharam a trajetória da publicação. Uma linha do tempo mostrando acontecimentos importantes do meio nos últimos dez anos também figura no material.
- Tivemos a ideia de criar um documento que pudesse mostrar um pouco do trabalho que foi feito nestes dez anos. Decidi convidar alguns profissionais da área que admiro para contarem o que o JW representa para eles. A linha do tempo também é sensacional, faz a gente perceber a evolução do campo e também mudanças de paradigmas. Quanto ao formato, optamos pelo PDF porque ele pode ser lido no computador, no celular, nos e-readers, além de poder ser impresso e facilmente compartilhado online – explica Cavalcanti.
O e-book comemorativo de dez anos do Jornalistas da Web pode ser baixado gratuitamente aqui.
Meu comentário:
O JW tem sido uma ferramenta sensacional para eu me informar sobre o mundo do jornalismo. A lista de discussão é uma das poucas que participo que realmente é ativa, provoca discussões interessantes e gera boas oportunidades profissionais. Indico para todos os jornalistas que querem ter uma visão mais ampla da própria profissão, mantendo contato com outros jornalistas de todo o Brasil.
Está em dúvida com que roupa vai pra balada hoje? Acesse o Lookbook, site que tem uma das propostas mais divertidas que já vi na web. Funciona assim: cada usuário tem um perfil onde são postadas fotos de seus visuais. Todos, obviamente, antenados no mundo fashion.
A experiência de navegar pelo Loobook se torna ainda mais interessante pelos mecanismos de busca que o site disponibiliza. Dá pra procurar visuais por sexo, por cor, por acessórios, por peças. Então, por exemplo, você tem uma calça rosa-choque e uma blusa verde-limão e não sabe se combina com um chapéu Panamá roxo? Vai lá e busque. O Lookbook mostra como outras pessoas combinaram essas pessoas e chegaram a resultados bacanas.
O que mais achei interessante é o fato de ter um grande acervo de looks masculinos. Grande mesmo. Dos mais ousados (saia de bolinha acima do joelho com blusa de gola rolê drapeada!) até os mais, digamos, comuns (blazer e jeans, camiseta com bermuda, etc). Cada peça que compõe é assinalada com um número que remete à legenda, onde temos informações como nome da roupa, marca, preço, etc.
Mas se você está pensando em fazer seu perfil e passar a compartilhar suas criações feéricas por aí, calma. O Lookbook é uma comunidade apenas para convidados. Talvez pra não correr o risco de virar o festival de bizarrices que o Orkut virou, né?
Sejamos francos: você viveu até hoje muito bem sem ter um computador em formato de prancheta sempre dentro da mochila. Eu até acredito que uma ou outra pessoa necessite estar hiperconectada em todas as situações – um super-executivo de multinacional, ou o chefe de programação do Google, ou ainda o Perez Hilton. Mas você, meu amigo, minha amiga, definitivamente não precisa. O que não significa que você vai abdicar dos encantos dos tablets – e mais ainda, dos encantos do iPad, o tablet da Apple lançado com estardalhaço ontem.
Pra quem está voando no assunto, um rápido resumo (que não constará na versão em livro desta crônica): ontem, a Apple lançou seu novo “mais inovador e fantástico produto”: o iPad. Trata-se de um tablet (basicamente, um netbook sem teclado com tela touch screen). Custará a partir de US$ 499,00 e promete criar uma revolução na forma como navegamos na internet, compartilhamos fotos e vídeos, jogamos games, etc.
Ok, você não precisa de um iPad. Eu não preciso de um iPad. Mas eu quero um. Porque desde o lançamento do iPod (e lá se vão quase 10 anos), a Apple vem se especializando em criar soluções para problemas que não existem. Esse é o grande mérito da gigante de tecnologia de Steve Jobs: criar necessidades até então inexistentes.
Não sei se você lembra, mas antes do iPod não era necessariamente um problema sair na rua sem estar ouvindo música. Era até normal. Eu lembro que tirava uma ou duas horas da minha atribulada semana para sentar no sofá, ouvir meus CDs, manipular os encartes, ler as letras. Consumir música, pra mim, era isso. Mas que coisa mais antiga essa história de sentar pra ouvir música, não é mesmo? A Apple e seu aparelhinho de fones de ouvidos brancos mudou tudo: agora a gente ouve música no ônibus, no metrô, na aula, no trabalho.
De lá pra cá, teve o iPhone (que solucionou o problema inexistente de ter aplicativos no celular que fazem das coisas mais estúpidas até as mais incríveis), o iPod Touch (que aniquilou os teclados sem que ninguém tivesse reclamado, até então, por ter que usá-los), a App Store (que vende aplicativos que você não sentiria necessidade alguma de ter caso não tivesse um iPhone), a iTunes (que vende músicas que você pode conseguir de graça) e agora o iPad.
Que disponibiliza internet, fotos, games, filmes, música, livros e mais um monte de coisas: mas agora, de qualquer lugar, a qualquer hora, com tela multitouch (porque touch screen já é passado) e a incrível convergência à tecnologia 3G. Tudo isso em 10 polegadas do mais puro design.
Sejamos francos. O seu netbook que pesa pouco mais de um quilo (na pior das hipóteses) já faz tudo isso. Mas ele tem teclado e de repente, ao estalar dos dedos de Steve Jobs, teclados passaram a ser coisa do demônio. Mais antigos que, sei lá, salvar arquivos no HD. Sim, pois o iPad não foi feito pra isso. A capacidade de armazenamento deles é de, no máximo, 64GB. Pra você uma idéia, meu netbook surrado tem capacidade de 250GB de armazenamento. Não estou falando que o produto é ruim, obviamente. Este julgamento só um especialista em tecnologia pode fazer. Mas à luz da lógica, há de se convir, não faz sentido abandonar meu netbook e investir US$ 500,00 nesse novo brinquedo.
Mas eu quero um iPad. Você quer um iPad. Todo mundo quer um iPad. A Apple sabe criar, como poucas empresas, isso que chamo de “desejo de ter uma necessidade”. Explico: logo que o anúncio foi feito, na tarde de ontem, eu fiquei pensando em todas as situações que poderia fazer uso de 100% das funcionalidades do iPad. Numa viagem, por exemplo, poderia postar textos no PLOG a qualquer momento. Poderia enviar fotos pros amigos quase instantaneamente. Em casa, poderia ler e-books sentado em frente à TV, confortavelmente, sem aquele trambolho de netbook esquentando minhas pernas. Poderia compartilhar arquivos sem a necessidade de plugar milhões de fios, e acessar meu e-mail onde quer que eu estivesse, e ler confortavelmente as notícias do dia. É o desejo de ter uma necessidade. Porque, convenhamos, postar textos no blog a qualquer momento não é bem uma necessidade, não é mesmo?
E a economia gira sua grande roda. E eu, engrenagem desse sistema, faço a minha parte. Eu quero um iPad como quem desejou, há uns bons 12 anos, seu primeiro computador 486. Como se fosse minha tablet da salvação. Em cinco ou seis anos, podem acreditar, todos nós vamos nos perguntar: “Como consegui viver até hoje sem ter um iPad?”. E então riremos todos desta crônica enquanto dizemos: “Patrício Jr é tão 2010, né?”.
Estamos vivendo uma era perigosa. Ou deliciosa. A era da superexposição. Amanhã, você pode ser o pivô da próxima polêmica na internet. Basta vestir uma saia curta e provocar uns neanderthais na universidade. Ou brigar pela prioridade de entrevistar um secretário de Estado. Ou fazer um escândalo na porta da casa do seu ex, pedindo que ele te devolva o chip. Em suma, basta existir. A internet fez com que qualquer um possa se transformar em celebridade instantânea. Não precisa nem de teste do sofá. No futuro, ninguém terá nem cinco minutos de anonimato.
A mais recente webceleb atende pelo nome de Coronel Marcondes Rodrigues. Este ilustre desconhecido é comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e seu mais notório feito até hoje foi dançar a intragável música “Mexa que é de ameixa”, do grupo potiguar Grafith. O coronel estava fardado, em cima de um palco, na formatura dos novos PMs do Estado. Como é de praxe, alguém filmou. Como é de praxe, caiu na internet. Como é de praxe, instaurou-se a polêmica da semana (do dia?, da hora?): como fica a reputação da PM após a dancinha do Coronel Marcondes?
Pra não me alongar no assunto, o baile de Coronel Marcondes não muda nada. Ele não foi, como alguns disseram, flagrado em uma dança sensual. Ele estava numa festa, num ambiente fechado, cercado de pessoas conhecidas e apenas agiu como um ser humano normal: dançou, no auge da alegria, calibrado ou não por algumas canjimbrinas. Isso não importa. O que o fato realmente deve levar a pensar é: e amanhã, será que o flagrante será com você?
A superexposição que a internet causa, obviamente, é o deleite de muitos internautas. Tem gente que reza pra abrir o computador de manhã e já ter acesso ao fato do dia: quer seja a estudante hostilizada da Uniban, quer seja o PM alegre do RN. Nossa ânsia pelas videocassetadas do dia-a-dia não se satisfaz apenas com o Faustão. Precisamos de mais. E tome ex-mulher de Ronaldinho transando na praia, nutricionista gaguejando em entrevista ao vivo, criança voltando dopada do dentista. Quando será que vai chegar a sua vez?
O mais interessante é perceber que nem sempre o flagrante de terceiros é o culpado por expor figuras ao ridículo. Tome-se como exemplo o caso do vereador natalense Paulo Wagner (PV-RN). Eleito em 2008 como vereador mais votado da cidade, Paulo Wagner protagonizou um pequeno escândalo na net esta semana: dirigindo-se ao enterro de um ex-companheiro de profissão, publicou em seu Twitter (@pwagner43) a seguinte pérola: “Tou indo pra Mossoro enterrar uma bicha que morreu era antiga no rádio virou purpurina [sic]”. Paulo Wagner poderia estar apenas confundindo o público e o privado, expondo na internet uma forma carinhosa de tratar um amigo.
Mas o que se seguiu a isso provou que não.
Ricardo Rosado, do blog FatorRRH, reproduziu o que Paulo Wagner publicou em seu Twitter. E foi aí que o vereador mostrou que a linguagem chula e a falta de decoro não são dispensadas apenas aos seus mais próximos. Em resposta ao post do jornalista, que – reafirmo – limitou-se a reproduzir o que o vereador havia escrito sem tecer nenhum comentário a respeito, veio uma enxurrada de impropérios no Twitter do representante do povo. Numa das
mensagens mais leves, Paulo Wagner dirigiu-se ao jornalista da seguinte forma: “Ricardo Rosado bicha da Holanda vai tomar no cu”. O “bicha da Holanda” foi uma alusão ao nome completo do jornalista, Ricardo Rosado de Holanda – um exemplo de como o nosso vereador domina bem as figuras de linguagem.
Em poucas horas, a mensagem foi retuitada inúmeras vezes, com críticas pesadas ao comportamento indecoroso do parlamentar. Ao ver o estrago, Paulo Wagner apagou as mensagens e se confundiu nas explicações: uma hora disse que havia perdido a senha do Twitter e que as mensagens não eram de sua autoria, outra hora pediu desculpas afirmando que errar era humano. Mas o esforço em se retratar foi em vão. A verdadeira face do vereador,. Que não sabe a difedrença entre linguagem popular e linguagem de baixo calão, já tinha vindo à tona. Num caso clássico de flagrante internético provocado por si mesmo.
Como podemos ver, a era da superexpsoição tem suas vantagens.
Arthur Xexéo, juntamente com Carlos Heitor Cony, tem uma das colunas de comentários mais legais da rádio CBN. Às vezes falam besteira, mas muitas vezes são esclarecedores. Não chego a ser fã dos caras, mas me agrada ouvir suas opiniões (e até discordar delas) sempre que estou indo ao trabalho.
Mas ontem, fui além de discordar de Xexéo: eu simplesmente duvidei da capacidade dele de estar ali. Talvez tenha sido pela ausência de Cony, seu contraponto e escada; talvez tenha sido só mau humor matinal. Enfim, Xexéo meteu o pau no Twitter (e em todas as outras redes sociais) ignorando todos os argumentos a favor dessa tecnologia. E sem usar um só argumento plausível contra.
O que me espantou no comentário não foi “o Twitter é inútil”. Afinal, ele tem o direito de dizer isso e, vamos e convenhamos, para muitas pessoas o Twitter realmente é inútil. Meu espanto veio do fato de ter percebido que Xexéo simplesmente não sabe o que é o Twitter.
A opinião dele, por rasa e sem embasamento, me lembrou certos blogueiros que não têm do que falar e acabam trocando alhos por bugalhos. Mas Xexéo é um jornalista experiente, um comentarista de renome. Não entendo como teve coragem de falar de um assunto que não domina, resumindo o Twitter a algo que já não existe mais há tempos: um microblog onde você diz o que está fazendo.
Xexéo ignorou o poder do Twitter para o jornalismo. Ignorou que diversas tragédias foram cobertas primeiro lá para poder chegar à imprensa tradicional. Ignorou que um comentarista não deve falar do que não entende. E provou que está velho. No pior sentido da palavra.
O Vaticano lança nesta quinta, 21 de maio, uma rede social integrada ao Facebook para aproximar os jovens da Igreja. O portal Pope2you (algo como “o Papa para você” escrito de forma moderninha) é um esforço da Santa Sé em se adaptar aos novos tempos, buscando através da interatividade um aumento de sua participação junto ao público jovem. Mais ou menos como a Coca-cola, o McDonald’s e o Marlboro já fizeram há algum tempo. Só que desta vez é tudo em nome de Deus.
Pensando bem, faz todo o sentido a Igreja usar do benchmark para tentar voltar a ser competitiva. Eles já vêm fazendo isso há anos. A saber: benchmark é o processo de se espelhar em uma marca bem sucedida para ser como ela.
A Igreja fideliza seus clientes através da coerção, usando o medo do inferno como argumento para manter todo mundo ao seu redor. É como faz o McDonald’s: por mais um real aceita a batata grande? E aí você sente medo de ter fome mais tarde e diz sim. Além disso, tem os combinados: hóstia + bênção por apenas um dízimo (e você ainda pode se confessar se já tiver a crisma). É como a promoção nº 1 do McDonald’s. Mas na missa ninguém pode escolher entre batata e nuggets. Só tem o pão nosso de cada dia mesmo.
Da Coca-cola, a Igreja copiou os slogans que prometem felicidade eterna. Algo como “viva o lado católico da vida”. E tome emoção pra valer: gente feliz, cantando empolgada, entregues ao júbilo da vida. Não, não é uma propaganda de refrigerante. É uma celebração das mais carismáticas, se é que você me entende.
Agora, a arte de conseguir o cliente desde novinho (porque depois que cresce, ele não consegue mais se livrar daquele vício) não foi a Igreja que copiou do Marlboro. Foi ao contrário. Há milênios o Vaticano faz o que a indústria de cigarros só descobriu na década de 80: quanto mais cedo você fuma o seu primeiro cigarro, mais tempo você será consumidor. Substitua “você fuma seu primeiro cigarro” por “você é batizado” e pronto: está aí a estratégia de marketing de fidelização mais bem bolada de todos os tempos. E nem venha me dizer que a Igreja não mata como o cigarro, que eu vou começar a falar da Santa Inquisição e aí esse papo vai longe.
A Igreja não precisava estar na internet para se modernizar. Bastava acabar com algumas pragas de seu idealismo que só contribuem para atrasar a vida. Condenar a camisinha, por exemplo. O Papa não deveria tentar mandar nos órgãos genitais dos outros. Ora, se eu envolvo ou não meu pênis com um pedaço de látex, Deus não tem nada a ver com isso. A Santa Sé deveria, isto sim, controlar os membros de seus asseclas, que andam por aí fornicando – com ou sem consentimento – com crianças, adultos, porcos, galinhas, portas, buracos na parede e quem mais der bobeira. Puxa vida, se a Igreja não consegue fazer com que seus padres deixem de estuprar criancinhas, que ao menos impeça que as criancinhas molestadas sejam contaminadas por mazelas como sífilis, gonorréia, cancro mole e aids.
O Papa pode criar zilhões de redes sociais, fazer avatares pro MSN, gerar scripts catequizadores pro Twitter, colocar no ar um Orkut, um blog, um canal de vídeos no Youtube. Enquanto a Igreja Católica continuar com seu complexo de Deus, achando que é onipresente-onisciente-onipotente, ela continuará presa à Idade Média. E a Idade Média, como todos sabem, é a Idade das Trevas.
Vivemos uma época de transição, em que a tecnologia muda tão rapidamente (e afeta tão rapidamente nossas vidas que só nos deixa uma saíde: experimentar. Propor o novo. Fomentar algo que talvez não tenha significado agora, mas que pode abrir portas para infinitos significados no futuro. É mais ou menos isso que o coletivo paulista C.A.O.S (Coletivo de Amor e Ódio em Segundos) está fazendo ao unir Twitter, blog e QR Codes (aquele novo código de barras que pode ser lido por câmeras de celular) num só projeto.
Trata-se do auto-intitulado livro vivo “Instantes de Amor e Ódio”. Uma inteligente brincadeira que leva às ruas os instantes de amor e ódio coletados diretamente do Twitter. Como? Usando criatividade e tecnologia para compor arte.
Explico…
O coletivo criou um perfil no Twitter (@caos_euconcordo). Se você passa a seguir este perfil, concorda automaticamente em ceder os direitos das postagens que contêm as palavras AMOR ou ÓDIO. Essas postagens são republicadas no site do projeto e de lá ganham as ruas em cartazes que usam tecnologia QR Code (ou seja, as pessoas, na rua, poderão ler os instantes de amor e ódio simplesmente fotografando os cartazes). Mas por enquanto, os tais cartazes só estão espalhados por São Paulo.
No manifesto do projeto, o coletivo C.A.O.S. enfatiza que este será “o primeiro livro vivo do mundo. escrito por imagens que só podem ser lidas em um celular”. E completa: “Páginas vivas, de conteúdo efêmero, mudando randomicamente a cada semana. Frases verdadeiras, vindas do mundo virtual, invadindo o mundo real por meio de uma enigmática poesia visual”.
Pode não ter significado algum hoje. Mas é essencial que experimentemos esse tipo de convergência de tecnologia para descobrir até onde elas poderão nos levar. Afinal, quando inventaram o raio laser ele não tinha utilidade alguma.
Que Mad Men que nada! Quem quer mesmo conhecer a realidade de uma agência de propaganda nos anos 50, com reviravoltas impressionantes, atuações marcantes e polêmicas das brabas, precisa assistir à websérie Garamond & Kamfort. Mas não adianta procurar nas suas 35 HBOs. G&K tem endereço fixo na internet.
A comparação com Mad Men, claro, é uma brincadeira. Da mesma forma como G&K também é. Projeto da dupla de criação José González (redator) y Daniel Piqueras (diretor de arte), da agência espanhola Diéresis Comunicación, a série é escrita, produzida e estrelada por eles. E conta, através da linguagem do cinema mudo, o dia-a-dia da agência fictícia Garamond & Kamfort, onde elementos como o cliente que sempre pede alterações, a executiva de contas carrasca e o estagiário não podem faltar.
Assista ao episódio 1:
No blog da série Garamond & Kamfort, você pode assistir a todos os outros episódios (três, até agora) e conhecer um pouco mais sobre os personagens. Por exemplo, ver fotos dos dois donos da G&K com celebridades como o Papa João Paulo II, John Kennedy e até Madonna! Tudo, claro, devidamente photoshopado. Os criadores prometem pelo menos mais três episódios.
Com referências no cinema mudo de Buster Keaton e Charles Chaplin, “Garamond & Kamfort” é uma experiência criativa, original e muito divertida. E aí, alguém topa fazer a versão tupiniquim?
Muito se fala em crise da indústria fonográfica. Que os artistas têm que ganhar dinheiro com shows, que as gravadoras têm que se adaptar aos tempos de internet, que isso, que aquilo. Mas poucas vezes a gente vê iniciativas realmente criativas que unam música e tecnologia em prol da divulgação de bandas.
Pois bem, seus problemas acabaram. O projeto musical espanhol Labuat, formado pelo produtor Risto Mejide e pela cantora Virgínia Maestro, rompeu a barreira do possível e começou uma divulgação realmente original e totalmente 2.0. No site da ação Pintando una canción é possível ouvir a música “Soy tu aire” enquanto você, bem, como posso dizer?, pinta esta canção. Isso mesmo.
A ação parece de um todo estapafúrdia, mas a experiência que o site proporciona é daquelas que você quer contar pra todo mundo (gerando boca a boca) além de ligar diretamente a música do Labuat a sensações boas (ou seja, marcar na memória afetiva os versos de “Soy tu aire”, estratégia definitiva para que um produto – ainda mais uma música – se torne um sucesso).
Bateu a curiosidade? Então vai direto lá, “pinte a canção” e volte aqui pra dizer o que achou.
Um post sobre um tal script de popularidade no Twitter deixou a blogosfera em polvorosa. Posts irados, mensagens de ódio, notas de repúdio por toda a internet. Mas a verdade verdadeira, a mais contundente, a que ninguém quis postar, é: isso não tem a menor importância. Exatamente, não tem.
O tal post foi de autoria da jornalista Rosana Hermann. Popular na internet, Rosana é blogger do Querido Leitor (um blog pra lá de ruim, que vive de renoticiar o que já foi noticiado). Foi lá que ela postou, no dia 05 de abril, o texto intitulado Um robô de fazer sucesso no Twitter.
Esse “robô” é o tal script que falei. Ou seja, um código que agrega novas funções ao Twitter. Neste caso, a função é simples: adicionar automaticamente todos os seguidores de um determinado perfil. O truque da popularidade vem aí: como é tendência natural que passemos a seguir quem nos segue, o script faz o perfil de quem o usa subir astronomicamente de importância dentro do site.
A questão é essa: dentro do site.
Ao contrário do que muitos alardearam por aí (chegaram a falar em “ética 2.0”, minha gente!), o que Rosana Hermann fez não é nada demais. Nada mesmo. É tão “nada” que tem impacto zero sobre o mundo real. Afinal, que diferença faz ser a mais ou menos seguida no Twitter? Aliás, que diferença faz o Twitter? Apesar da falta de importância, falaram em credibilidade, em ética, em moral. Esqueceram de falar em relevância. O debate sobre métodos honestos de conseguir popularidade no Twitter é tão irrelevante que já está me dando vergonha de escrever esse post. Mas vamos lá.
Pra quem não enxerga o mundo como um código de html, o texto na verdade começa aqui. A blogosfera (e todos os seus derivados, a saber: twittosfera, orkutosfera, fotologosfera, etc) demonstra uma perigosa tendência de se fechar em seu seu próprio mundo e se trnasformar numa umbisgofera. Muito blogs começam interessantes, falam sobre assuntos legais, mas com o ganhar de popularidade acabam caindo na pior das metalinguagens: passam a falar somente sobre blogs. Acontece também em outras redes sociais. Já se nota que os mais populares do Twitter não têm outro assunto a não ser o Twitter. No Orkut, nem se fala: a importância de um scrap respondido, para alguns, ganhou status de buquê de flores. Patético. E chato demais.
A briguinha pela “popularidade honesta” no Twitter, incitada pelo post de Rosana Hermann, lembra em muito os primórdios do Orkut. Era um tal de “quanto amigos você tem? 20? Eu tenho 499” que dava pena. Parecia pré-adolescente medindo o tamanho do pau. No Twitter, a briga se torna ainda mais bizarra porque envolve um suposto poder de persuasão sobre as massas. Explico.
Marcelo Tas (que já era famoso bem antes do Twitter e ancora um dos programas mais legais da TV brasileira, o CQC), assinou recentemente um contrato com a Telefônica para postar mensagens no seu Twitter sobre um novo serviço da empresa. Foi o suficiente para encher os olhos de ambição das twitcelebrities. Todos acham que vão ganhar uma boquinha com seu perfil. Mas não vão. Caiam na real, por favor. Marcelo Tas existe no mundo real. Tem influência real sobre a opinião pública. É um comunicador com um lastro de popularidade que vem desde os anos 80. Marcelo Tas não é apenas um avatar com 10.000 seguidores no Twitter.
A revolta pelo truque que Rosana Hermann usou é uma bobagem. Uma infantilidade. Uma falta do que fazer da blogosfera. Poderiam investir energias em assuntos mais interessantes. Tá parecendo a Globo, que lança um programa e noticia em seus telejornais. A blogosfera tá virando isso: uma Rede Globo. A diferença é que o único programa da blogosfera é o Vídeo Show. E eu não vou mais tomar seu tempo com isso. Prometo.