[ESPECIAL JOSÉ SIR NEY]
UM OLIGARCA MADE IN BRASIL
por Diogo Salles

21 julho 2009 § 1 comentário

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(Diogo Salles, chargista do Jornal da Tarde de São Paulo, escreve para o PLOG pela primeira vez. E como bom chargista, cheio de ironias sobre os fatos reais, nos traz uma retrospectiva em charge dos últimos escândalos que envolvem ele: o fenômeno, o gênio, o latifundiário do Senado, Mr. José Sarney! Divirta-se.)

Muito antes de José Ribamar Sir Ney ser o senador dos atos secretos, dos mil empregos para mil parentes, das contas fantasmas e da farra com o dinheiro público, ele já era figurinha carimbada do feudalismo nordestino. Ao longo dos últimos 50 anos, ele se consolidou como o mais célebre oligarca da política brasileira. Depois de deixar sua marca como o presidente da hiperinflação nos anos 80, ele dedicou os anos seguintes a controlar, via congresso nacional, seus feudos políticos. Ao presidir o senado pela terceira vez, ficaram expostas as rachaduras de décadas de coronelismo e fisiologismo, patrocinados por ele pelo PMDB.

Para entender como Sir Ney retornou aos holofotes, vale a pena voltar a fevereiro de 2009, quando ocorreram as eleições no congresso. Para não ficar muito chato, você acompanha aqui a saga toda em forma de charges. Lá vamos nós.

Garibaldi Alves (também do PMDB) presidia o senado substituindo o ilibado Renan Calheiros que, entre laranjas, bois e pensões para amantes, tinha renunciado ao cargo em 2007. Sir Ney começou a ser cortejado por diversas alas do partido para sucedê-lo na presidência do senado.

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Não demoraria muito para governo e parte da oposição engrossarem o coro “Ribamar, Ribamar!”. Mesmo com um candidato do PT no páreo, Sir Ney ganhou apoio total de Lula. Restava cooptar os tucanos, que, para variar, estavam em cima do muro.

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Não adiantou nada o senador Jarbas Vasconcelos reclamar. O fisiologismo e a corrupção eram muito maiores do que uma voz solitária e combalida dentro do partido…

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O PMDB não só levou o senado, com Sir Ney, como também levou a câmara dos deputados, com Michel Temer. E o nosso mamute fisiológico engordava mais algumas arrobas.

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Assim, nosso senhor feudal comemorava mais uma vitória, nos braços dos coronéis DEMófobos, a grande noiva da ocasião.

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Mas o começo foi difícil para o nosso herói. Não demoraria muito para que fossem descobertos cargos e diretorias criadas apenas para acomodar uma gulosa base política.

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Assim, seriam necessários vários cortes nas diretorias do Senado para dar uma enxugada na casa. Mesmo com a ameaça, o bigode de nosso Ribamar continuava vasto e vistoso.

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Mas aí, uma reviravolta. Com a CPI da Petrobrás, Sir Ney vislumbrou que os holofotes da imprensa abandonariam o seu quintal político. Com a briga entre governo e oposição pelo controle da CPI, as ratazanas do PMDB aguçaram seus apetites por mais cargos no “pré-sal” da Petrobras.

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E o destino dessa CPI parecia tomar o mesmo rumo de todas as outras já feitas na terra do “nunca antes nesse país”. Para comprar a pizza, o principal ingrediente do PMDB era usar seu poder no governo para conter a crise do senado. Depois de olharem o cardápio, fizeram o pedido a Renan Calheiros, o pizzaiolo-chefe do congresso: meia Petrobras, meia ONGs.

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Parecia que acabaria ali, mas Sir Ney ainda enfrentaria outros percalços. Depois das diretorias e das ligações libidinosas com um certo Agaciel (Leicaga, ao contrário — o nome já diz tudo), foram descobertos vários parentes do clã de Ribamar recebendo salário do Senado. O jeito era varrer a sujeira para debaixo do bigode, né?

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E finalmente Sir Ney encontrou um aliado de peso: o presidente Lula, que decretou “Sarney não é uma pessoa comum”. E tem razão ao dizer isso, pois Sir Ney, além de ser o dono do Maranhão e do Amapá, é imortal da Academia Brasileira de Letras (condecorado por Millôr Fernandes). Que Lula, que nada, Obama! Sir Ney é o cara!

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Para quem acreditava que acabaria aí, mais denúncias. Dessa vez, vários atos misteriosos revelariam uma sociedade secreta operando dentro da casa.

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E não eram apenas atos. Havia também duas contas secretas que funcionavam paralelamente aos recursos orçamentários do senado e que somavam a bagatela de R$ 3,74 milhões.

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Mas não adiantou. Sir Ney perdeu apoio da base e até os DEMagogos começaram a pedir a sua saída.

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E o clima esquentou de vez quando os seguranças de Sir Ney declaram que o repórter do CQC “escorregou”.

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Entre tapas e empurrões, um respiro: Corinthians campeão da Copa do Brasil… E aí, Lula, dá pra negociar?

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Até o PT “sugeriu” a Sir Ney que pedisse uma “licença temporária”, mas Lula parece ter a solução para tentar dissuadi-los.

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O negócio era anular os 663 atos secretos… Mas como?

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E Romário foi preso por não pagar pensão alimentícia… Aí, parceiro, rola um jeitinho brasileiro?

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Ainda não se sabe o desfecho dessa saga, mas se você estudou História da Brasil, sabe que o destino das CPIs, da crise no senado e o futuro de Sir Ney já tem um destino: o forno a lenha das pizzas em série. Por enquanto, os protestos continuam.

Diogo Salles é chargista do Jornal da Tarde e colunista do DigestivoCultural.com
* Charges publicadas originalmente no Jornal da Tarde (São Paulo)

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[NO GIBI]
SÁBADO DOS MEUS AMORES: O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO
por Milena Azevedo

24 junho 2009 § 1 comentário

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Quando se está longe, a gente compreende melhor as cores do nosso país, o nosso povo, os nossos costumes.

Marcello Quintanilha, que antes assinava Marcello Gaú, comprovou que essa afirmativa é mais do que verdadeira com o álbum Sábado dos meus amores (63 páginas, colorido, capa dura, R$ 39,00), da Conrad Editora.

Morando a algum tempo em Barcelona, na Espanha, Quintanilha retrata diversas personagens brasileiríssimas, num sotaque carioca de ontem, ainda que atual, nas seis histórias em quadrinhos que compõem o já citado álbum. Algumas dessas histórias foram publicadas no Brasil, em revistas como a extinta General Visão.

quintanilha7Num tom prá lá de realista, o qual lhe rendeu o epíteto de “o Rosselini tupiniquim”, por Aldir Blanc, Quintanilha passeia nas asas de uma borboleta amarela, mostra o que uma superstição futebolística pode fazer com uma pessoa, expõe as marcas psicológicas que a escravidão deixou nos negros livres, conta como a criatividade de um coração apaixonado ajuda uma moça que está na alfabetização para adultos, brinca com os momentos nos quais a gente deixa a sorte escapar e finaliza com uma pendenga entre um policial e um “amarra-cachorro” de circo.

Escolher a história preferida de Sábado dos meus amores é complicado, mas confesso que “De como Djalma Branco perdeu o amigo em dia de jogo” foi a que mais tocou. Tenho minhas superstições e sei o quão desagradável é quando alguém as viola.

O tema “futebol”, aliás, é comum nas obras do Quintanilha. Em Fealdade de Fabiano Gorila, por exemplo, ele homenageou o seu pai, que foi jogador de futebol no Rio de Janeiro, na década de 1950.
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As histórias do Quintanilha retratam um Brasil com um quê de estética do cinema marginal, de Rogério Sganzerla e Julio Bressane, misturado com a sutil poetização da realidade, presente nos filmes de Vitório De Sica.

Há homens pançudos, crianças banguelas, mulheres de bobs no cabelo, pessoas iletradas, enfim, tudo o que não se vê em algumas HQs nacionais, pasteurizadas, que optam por copiar o modelo que vem de fora.

Por Milena Azevedo

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[NO GIBI]
PRATT E MANARA: UM BOM ROTEIRO FAZ A DIFERENÇA
por Milena Azevedo

13 maio 2009 § Nenhum comentário ainda

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Boas histórias sempre ficam na lembrança.

Um bom argumento, que tem um roteiro bem trabalhado e um desenhista que dê vida ao preto e branco das palavras, é o ponto de partida para uma obra singular.

O traço limpo e perfeito de Milo Manara, desenhista italiano que sabe como poucos retratar a anatomia feminina nos quadrinhos, muitas vezes encobre roteiros fracos, como os da série O Clic e do álbum Kamasutra. Embora a maioria dos seus roteiros seja de conteúdo erótico, isso não implica que a trama deva ser constantemente meia-boca.

Manara torna-se excelente quando encontra parceiros que conduzam o seu lápis a caminhos mais ousados, como Federico Fellini, em Viagem a Tulum, Hugo Pratt, em Verão Índio e El Gaucho, e Alejandro Jodorowsky, na inacabada série Bórgia.

Verão Índio foi uma das primeiras parcerias entre Manara e Pratt, escrito, desenhado e pintado no início dos anos de 1980, para a revista Corto Maltese, e uma das obras mais poéticas e menos explícitas do quadrinho erótico mundial.

Recém relançado no Brasil pela editora Conrad (152 páginas, capa dura, papel couché colorido, R$ 49,90), Verão Índio era um dos álbuns mais requisitados por quem aprecia quadrinhos de arte, haja vista a sua tiragem estar esgotada há anos – do tempo em que a editora Martins Fontes apostava em bons quadrinhos –, além de a edição portuguesa da Meribérica aparecer em leilões, pela internet, a preços pra lá de salgados.

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Quando o verão índio estava para chegar, os ânimos dos silvícolas norte-americanos ficavam mais exaltados. Isso levou um guerreiro índio e um holandês, ambos da tribo de Squando, a estuprarem uma jovem branca puritana, sobrinha de um pastor com reputação duvidosa, do vilarejo de Nova Canaã, na conturbada América do século XVII.

Essa sequência que abre a referida obra tornou-se clássica, toda em narrativa visual, cujo clímax é o barulho da espingarda de Abner, que atira duas vezes para matar e escalpelar os aproveitadores da sua amada.

A partir desse prólogo trágico, somos apresentados à “mulher-demônio”, a senhora Lewis, e aos seus outros filhos, os meio-irmãos de Abner.

Dos milharais, os índios da tribo de Squando veem o movimento na casa da senhora Lewis e resolvem partir para a desforra.

As cenas de luta entre índios e brancos são belíssimas, pois a aquarela de Manara dá um quê de requinte aos combates sanguinolentos.

E quando tudo parecia estar se resolvendo, velhos segredos são revelados e, dessa vez, os brancos expiam suas consciências pesadas.

O que é mais explícito em Verão Índio é a vergonha de um continente pela falsa moral de quem se dizia o “civilizador”.

Por Milena Azevedo

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[NOTÍCIA]
MOON & BÁ EXPÕEM OBRAS NA DASLU

9 março 2009 § 2 comentários

Depois da fama internacional, o jet set carioca. Foi o que conseguiram os quadrinistas brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá. Após abocanharem um Eisner Awards, o Oscar das HQs, os gêmos ganham exposição de seus desenhos na Daslu, a loja mais cara do Brasil. A moçada da high society tá mesmo querendo se enturmar.

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[NO GIBI]
WATCHMEN EDIÇÃO DEFINITIVA

6 março 2009 § Nenhum comentário ainda

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Chegou, chegou, chegou! A edição definitiva de uma das HQs mais aclamadas do mundo, lançada hoje pela Panini Books, chegou às minhas mãos. Comprei há algumas semanas, em pré-venda. Chegou, chegou, chegou!

Todo mundo que curte quadrinhos de alguma forma já passou por “Watchmen”. Quer seja pelos comentários que ouve a respeito, quer seja pelas influências que esta história mirabolante da década de 80 deixou aos seus herdeiros, quer seja pelas páginas do próprio. A questão é: “Watchmen” é uma obra fundamental pra quem curte gibi.

Com a euforia (totalmente justificada) causada pela estréia mundial do filme, que é hoje!, a Panini lançou essa pérola. Lembro que vivia ouvindo coisas sobre “Watchmen”, mas só mesmo há uns dois anos foi que tomei vergonha na cara e resolvi ler. Por incentivo de Carlos Fialho que, numa dessas bienais que a gente foi por causa do Jovens Escribas, me disse que eu tinha que ler. Mas disse com tanta convicção, que resolvi levar a sério.

Arranjei o dito-cujo, li todinho, delirei e fiquei esperando pacientemente o lançamento do filme. Eu sabia que pertinho disso sairia uma versão completa da saga. Chegou, chegou, chegou!

O livro tem 460 páginas, numa edição luxuosa, com capa dura e impressão impecável. Além da história completa, que compila todos os números da série de Alan Moore que foi publicada entre setembro de 1986 e agosto de 1987, a edição traz alguns extras imperdíveis para os fãs: estudos da criação dos personagens, trechos do roteiro, posfácios do roteirista Alan Moore e do desenhista Dave Gibbons, além de desenhos extras usados em campanhas beneficentes, testes de aprovação da DC Comics etc.

A história em si, devido a quantidade de posts que já pipocaram pela net, você já deve saber. Vou tentar não tomar seu tempo: o grupo de super-heróis Minutemen está aposentado e um assassino misterioso passa a aniquila-los. Claro, isso é a ponta do iceberg. Alan Moore imaginou um mundo em que os super-heróis realmente existem e em cima dessa premissa criou situações que mudaram pra sempre o mundo dos quadrinhos.

Como um bom nerd que sou (sim, eu admito, sou!), vou reler o volume inteiro antes de entrar no cinema para ver a adaptação. Isso porque serei, com certeza, aquele chato que fica comentando de soslaio que “isso está acontecendo por causa disso, sabia?”. Ah, se vou!

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[NO GIBI]
MISTÉRIO E VIOLÊNCIA: OS PRINCIPAIS INGREDIENTES DE “MESMO DELIVERY”

21 janeiro 2009 § Nenhum comentário ainda

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Eu levei algumas semanas para digerir “Mesmo Delivery”, a primeira HQ individual do roteirista e desenhista gaúcho Rafael Grampá. Foram semanas de pensamento vago, nada de tentar formar grandes análises, apenas tentando compreender melhor algumas peças do quebra-cabeça. A conclusão a qual cheguei foi: o cara mandou muito bem.

Rafael Grampá despontou no mundo dos quadrinhos como um dos mais promissores artistas da arte seqüencial do Brasil. Com os gêmeos também brasileiros Gabriel Ba e Fábio Moon (além dos artistas Becky Cloonan e Vasilis Lolos) criou a HQ “5”, que faturou no ano passado o Eisner Awards, mais importante premiação de quadrinhos do mundo. Com o prêmio no currículo, era de se esperar certa expectativa sobre o primeiro trabalho solo do cara. E ele não decepciona.

“Mesmo Delivery” tem um enredo curioso que já desperta o interesse. Um caminhoneiro brutamontes é contratado para levar uma carga de um lugar a outro na companhia de um senhor que funcionará como seu guarda-costas. A única condição é: jamais abrir o contêiner. Dessa forma, a tal carga é transportada e a curiosidade vai aumentando: quem contratou o serviço?, onde vai ser a entrega?, o que está sendo transportado? Grampá faz dessas perguntas um tempero de mistério para uma história recheada de violência, em seqüências tão cinematográficas que chegam a tirar o fôlego.preview_mesmo1Com apenas 30 anos, Grampá tem uma carreira sólida pela frente. Com a produção de “O Dobro de Cinco”, adaptação de uma HQ de Lourenço Mutarelli, vai estrear como desenhista de produção. E tem mais: “Mesmo Delivery” teve seus direitos vendidos ao produtor Rodrigo Teixeira, responsável pelo sensacional “O Cheiro do Ralo”.

Não poderia dar em outra. “Mesmo Delivery” tem um ritmo alucinante e ingredientes de sobra para um filme de ação e suspense de dar nó no estômago. O caminhoneiro que carrega uma carga que não pode ser revelada é o ponto de partida perfeito para seqüências de ação, violência e virtuose gráfica.

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Em tempo: pra quem ficar impressionado com a qualidade de “Mesmo Delivery”, tem mais uma surpresa: a HQ foi impressa na Gráfica Santa Marta, aqui do ladinho, em João Pessoa.

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Autor: Rafael Grampá
Editora: Desiderata
Preço: R$ 39,90
Cotação: 10

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[NO GIBI]
Y: O ÚLTIMO HOMEM

15 novembro 2008 § Nenhum comentário ainda

Depois de ler “Sandman” (e reler, e reler, e reler como eu fiz), é difícil se impactar com algum quadrinho. Por isso, leve a sério o que vou dizer: leia “Y – O último homem” de Brian K. Vaughan e Pia Guerra! Mas leia mesmo, não deixe pra depois. Porque trata-se de uma das melhores coisas que surgiram em quadrinhos nos últimos anos. Sem exageros.

A história é simples de doer (e justamente por isso é genial): um surto misterioso mata todos os portadores do cromossomo Y do mundo. Ou seja, todos os machos do planeta. O jovem Yorick e seu macaquinho de estimação são os únicos do gênero masculinos que escapam a essa aniquilição.

Enquanto as mulheres tentam reconstruir um mundo que perdeu quase metade de sua população do dia pra noite, Yorick e seu macaco fogem de feministas extremistas, gangues urbanas, agentes secretos de Israel… enfim, de todos que querem terminar o que o surto misterioso começou.

A série, em 60 edições, terminou sua publicação nos Estados Unidos em outubro do ano passado. E com o sucesso retumbante, claro, já tem roteiro pronto pro cinema. A promessa é que seja uma trilogia, com direção de D.J. Caruso (o mesmo de “Roubando Vidas” com Angelina Jolie).

Até agora, li até o número 8. E tome gangues urbanas de mulheres que arrancam um seio de si mesmas, cidades que só sobreviveram à crise mundial porque eram comandadas por mulheres há anos, intrigas na Casa Branca e Yorick fugindo de tudo e todos que querem ele mortinho da silva.

A publicação no Brasil é pela Editora Pixel. E vale cada balão de diálogo.

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