Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Ressacados, cansados, estressados, desiludidos, mas jamais fora do ar! Voltamos com o sexto episódio do PLOGCAST.
O elenco se reúne neste programa para comentar assuntos polêmicos como a retirada do apoio de Lula a Sarney, os portugueses farsantes que prometeram investir no estádio da Copa 2014 em Natal e muitas notícias bizarras como o amor impossível entre um homem e um cavalo chamado Sugar.
No elenco: Patrício Jr, Marlos Ápyus, Rosilene Pereira e Kayonara Souza.
Então, chega de papo furado e vamos logo dar play aí embaixo.
PAUTA:
- Apresentação: 00’56”
- Comentando comentários: 02’28”
- Resultado da Promoção “Comente e ganhe”: 05’45”
- Promoção “Onde está Luanda?”: 06’25”
- Platéia pede música: 06’43”
- Lula retira apoio a Sarney: 08’17”
- O bunker da contrainformação de Sarney: 13’26”
- Investidores portugueses de estádio natalense da Copa 2014 são desmascarados: 18’16”
- Notícias bizarra: 28’55”
- Despedidas: 43’00”
- Beijos pra um porrilhão de gente: 43’43”
- Considerações finais: 45’05”
- Promoção “Onde está Luanda?”: 46’26”
- Bonustrack “Gladis está dando”: 48’44”
- A participação de Luanda Holanda: 50’33”
DURAÇÃO: 50’46”
MÚSICAS:
- “Emerge”, Fischerspooner
- “Luis Inácio (300 picaretas)”, Paralamas do Sucesso
- “Bate o pé”, Roberto Leal
- “Black or white”, Michael Jackson
TRILHA:
- Álbum “Never too loud” da banda canadense Danko Jones, que estará no Festival DoSol de Natal em novembro.
E ATENÇÃO: COMENTE ESTE POST RESPONDENDO ONDE ESTAVA LUANDA QUE NÃO FOI À GRAVAÇÃO DO PLOGCAST E CONCORRA A UM EXEMPLAR DE “A CEGA NATUREZA DO AMOR” DE PATRÍCIO JR.
(Diogo Salles, chargista do Jornal da Tarde de São Paulo, escreve para o PLOG pela primeira vez. E como bom chargista, cheio de ironias sobre os fatos reais, nos traz uma retrospectiva em charge dos últimos escândalos que envolvem ele: o fenômeno, o gênio, o latifundiário do Senado, Mr. José Sarney! Divirta-se.)
Muito antes de José Ribamar Sir Ney ser o senador dos atos secretos, dos mil empregos para mil parentes, das contas fantasmas e da farra com o dinheiro público, ele já era figurinha carimbada do feudalismo nordestino. Ao longo dos últimos 50 anos, ele se consolidou como o mais célebre oligarca da política brasileira. Depois de deixar sua marca como o presidente da hiperinflação nos anos 80, ele dedicou os anos seguintes a controlar, via congresso nacional, seus feudos políticos. Ao presidir o senado pela terceira vez, ficaram expostas as rachaduras de décadas de coronelismo e fisiologismo, patrocinados por ele pelo PMDB.
Para entender como Sir Ney retornou aos holofotes, vale a pena voltar a fevereiro de 2009, quando ocorreram as eleições no congresso. Para não ficar muito chato, você acompanha aqui a saga toda em forma de charges. Lá vamos nós.
Garibaldi Alves (também do PMDB) presidia o senado substituindo o ilibado Renan Calheiros que, entre laranjas, bois e pensões para amantes, tinha renunciado ao cargo em 2007. Sir Ney começou a ser cortejado por diversas alas do partido para sucedê-lo na presidência do senado.
Não demoraria muito para governo e parte da oposição engrossarem o coro “Ribamar, Ribamar!”. Mesmo com um candidato do PT no páreo, Sir Ney ganhou apoio total de Lula. Restava cooptar os tucanos, que, para variar, estavam em cima do muro.
Não adiantou nada o senador Jarbas Vasconcelos reclamar. O fisiologismo e a corrupção eram muito maiores do que uma voz solitária e combalida dentro do partido…
O PMDB não só levou o senado, com Sir Ney, como também levou a câmara dos deputados, com Michel Temer. E o nosso mamute fisiológico engordava mais algumas arrobas.
Assim, nosso senhor feudal comemorava mais uma vitória, nos braços dos coronéis DEMófobos, a grande noiva da ocasião.
Mas o começo foi difícil para o nosso herói. Não demoraria muito para que fossem descobertos cargos e diretorias criadas apenas para acomodar uma gulosa base política.
Assim, seriam necessários vários cortes nas diretorias do Senado para dar uma enxugada na casa. Mesmo com a ameaça, o bigode de nosso Ribamar continuava vasto e vistoso.
Mas aí, uma reviravolta. Com a CPI da Petrobrás, Sir Ney vislumbrou que os holofotes da imprensa abandonariam o seu quintal político. Com a briga entre governo e oposição pelo controle da CPI, as ratazanas do PMDB aguçaram seus apetites por mais cargos no “pré-sal” da Petrobras.
E o destino dessa CPI parecia tomar o mesmo rumo de todas as outras já feitas na terra do “nunca antes nesse país”. Para comprar a pizza, o principal ingrediente do PMDB era usar seu poder no governo para conter a crise do senado. Depois de olharem o cardápio, fizeram o pedido a Renan Calheiros, o pizzaiolo-chefe do congresso: meia Petrobras, meia ONGs.
Parecia que acabaria ali, mas Sir Ney ainda enfrentaria outros percalços. Depois das diretorias e das ligações libidinosas com um certo Agaciel (Leicaga, ao contrário — o nome já diz tudo), foram descobertos vários parentes do clã de Ribamar recebendo salário do Senado. O jeito era varrer a sujeira para debaixo do bigode, né?
E finalmente Sir Ney encontrou um aliado de peso: o presidente Lula, que decretou “Sarney não é uma pessoa comum”. E tem razão ao dizer isso, pois Sir Ney, além de ser o dono do Maranhão e do Amapá, é imortal da Academia Brasileira de Letras (condecorado por Millôr Fernandes). Que Lula, que nada, Obama! Sir Ney é o cara!
Para quem acreditava que acabaria aí, mais denúncias. Dessa vez, vários atos misteriosos revelariam uma sociedade secreta operando dentro da casa.
E não eram apenas atos. Havia também duas contas secretas que funcionavam paralelamente aos recursos orçamentários do senado e que somavam a bagatela de R$ 3,74 milhões.
Mas não adiantou. Sir Ney perdeu apoio da base e até os DEMagogos começaram a pedir a sua saída.
E o clima esquentou de vez quando os seguranças de Sir Ney declaram que o repórter do CQC “escorregou”.
Entre tapas e empurrões, um respiro: Corinthians campeão da Copa do Brasil… E aí, Lula, dá pra negociar?
Até o PT “sugeriu” a Sir Ney que pedisse uma “licença temporária”, mas Lula parece ter a solução para tentar dissuadi-los.
O negócio era anular os 663 atos secretos… Mas como?
E Romário foi preso por não pagar pensão alimentícia… Aí, parceiro, rola um jeitinho brasileiro?
Ainda não se sabe o desfecho dessa saga, mas se você estudou História da Brasil, sabe que o destino das CPIs, da crise no senado e o futuro de Sir Ney já tem um destino: o forno a lenha das pizzas em série. Por enquanto, os protestos continuam.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.