Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
“As mulheres e as galinhas
São dois bichos interesseiros
A galinha pelo milho
E a mulher pelo dinheiro” Velhas virgens, “Abre essas pernas”
Ninguém faz letras escrachadas como eles. É impressionante. A banda Velhas Virgens volta a Natal depois de quase dez anos de sua última apresentação na cidade. E quem for ao show vai ter a oportunidade de conferir músicas que contém pérolas do romantismo como “Vê se goza logo pra gente voltar pro bar” ou “A gente beija com a cabeça no futuro, sonhando com o furo a ser preenchido”.
O melhor do Velhas Virgens é que eles não caem da armadilha de descambar pra escatologia. Suas músicas falam de sexo, bebidas, drogas, enfim, de tudo que todo mundo gosta, mas num universo repleto de excesso. Bom demais. Pra ir esquentando os ouvidos, vai a minha preferida. Com vocês, “Abre essas pernas”.
O show é hoje no Sancho Pub, Rua Aristides Porpino Filho, 3163 – Ponta Negra.
Os piradinhos modernetes estão prestes a receber no Brasil umas das marcas de roupas mais controversas do mundo. Trata-se da italiana De Puta Madre 69. Criada em 1992 por dois traficantes colombianos que estavam presos na Espanha, a DPM69 conquistou mercado através de roupas com estampas loucas e frases politicamente incorretas como “Eu fodo no primeiro encontro” ou “Colômbia narcotráfico”.
O nome da marca, apesar de soar agressivo para os brasileiros, é uma expressão bastante corriqueira na Espanha. “De puta madre” significa algo muito bom. É como dizer “Do caralho!”. Ok, não é necessariamente um nome singelo. Mas ao menos não está xingando a sua mãe. Já o 69… bem, o 69 é isso mesmo que você está pensando.
Presente em mais de 50 países, a DPM69 tem uma história muito incomum. Em 1991, Ilan Fernandez foi preso em Barcelona por venda de drogas e tráfico de armas. Condenado a 18 anos de prisão, começou a criar camisetas com frases inusitadas relacionadas aos seus crimes. Distribuía suas criações dentro e fora da prisão clandestinamente. Era uma tentativa de desabafar e mostrar que a vida do tráfico não valia a pena.
Ao ser solto em 1996, Fernandez passou a vender as camisetas de porta em porta. Em três meses, conseguiu comercializar 200.000 unidades. Pouco depois, conheceu investidores italianos que transformaram o desabafo em negócio. A marca tomou conta das baladas descoladas da Europa. E depois que um participante de um reality show italiano semelhante à Casa dos Artistas passou a ter essas camisetas como marca registrada, a popularização no velho continente foi total.
Apesar de manter o caráter ousado, a DPM69 jura que suas roupas não fazem apologia às drogas nem ao crime. São, sim, a tradução de um homem que errou, pagou e se arrependeu. Ou seja, trazem uma mensagem positiva. Se sim ou se não, nem importa. As roupas são realmente do caralho! E é isso que vale na moda.
No encontro da Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia, o ex-presidente defendeu a descriminalização da posse de maconha. “Essa história de guerra contra as drogas não resolve”, disse, “A posição do governo brasileiro, que eu saiba, não é contrária”.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.