Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[OPINIÃO]
EM “O LUTADOR”, QUEM VENCE É MICKEY ROURKE – por milena azevedo

Posted: fevereiro 11th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , | No Comments »

mickey0001

Corpos sarados e rostinhos bonitos foram e continuam sendo essenciais para a contratação de alguns atores em Hollywood, muitas vezes em detrimento de suas capacidades de interpretação.

Tem-se inúmeros exemplos de atores que eram esportistas famosos antes de se aventurarem no mundo do cinema, como o campeão mundial de natação Johnny Weissmuller (o Tarzan das décadas de 1930 e 1940), o astro negro do futebol americano e também lutador profissional de luta livre Woody Strode (Spartacus, Era uma vez no Oeste) e o fisiculturista “Mister Universo” Arnold Schwarznegger (Conan, Exterminador do Futuro).

Em contrapartida há astros que se cansam de atuar e viram desportistas, como Mickey Rourke.

Embora Rourke tivesse lutado boxe durante uma fase de sua adolescência, foi em 1991 que ele resolveu dar um tempo às telas e encarar o ringue como boxeador profissional. Não que ele tenha abandonado Hollywood de vez, apenas fazia um filme aqui e outro ali no intervalo de suas lutas.

Como ele já não era um garotão (e se arrebentou feio em algumas lutas, quebrando nariz, dedos do pé, costelas, precisando fazer cirurgias que lhe deformaram o belo semblante), preferiu se aposentar como boxeador e voltar a atuar, em 1995.

mickey0002

É, mas o ator de O Selvagem da Motocicleta, 9/2 Semanas de Amor e Coração Satânico também não encontrou vida fácil nesse regresso.

Foram participações desastrosas em filmes questionáveis e pouquíssimo vistos, com Rourke fora de forma (leia-se inchado) e com uma cara totalmente desfigurada. Porém, em 2005, sua sorte começava a mudar. Assim como John Travolta teve sua chance de dar a volta por cima com Pulp Fiction (Rourke recusou o papel do boxeador Butch Coolidge, que ficou a cargo de Bruce Willis), Rourke voltou à cena interpretando o grandalhão e sensível anti-heroi Marv, na adaptação cinematográfica da série de quadrinhos Sin City. Ganhou quatro prêmios de melhor ator coadjuvante pelo papel. Após Sin City, roteiros mais “classe A” foram aparecendo para ele, até que em 2008 veio O Lutador (The Wrestler).

mickey0003Em O Lutador, Rourke interpreta o fictício lutador profissional de luta livre, Randy “The Ram” Robinson, outrora famoso na década de 1980 (com direito a jogo do Nintendo e  action figure), que hodiernamente sobrevive de sua antiga glória, embora ainda suba constantemente no ringue. E é após uma dessas lutas ensaiadas que Randy sofre um enfarte e precisa parar de lutar para continuar vivo. O que se torna um grande dilema para ele, pois sua vida é a luta livre. Vê-se obrigado a arranjar trabalho em um super mercado, vai à procura da filha que ele havia abandonado durante os anos de ouro de sua fama, e tem como única amiga a stripper Cassidy (Marisa Tomei).

Numa atuação tão honesta que nocauteia quem assiste ao filme, Rourke passa toda a decadência e solidão de um homem que tenta a todo custo acertar na vida, tendo como motivação a empolgação da sua platéia, dos seus fãs (até quando está atendendo aos clientes atrás do balcão, no super mercado, ele procura “dar um show”, tratando a todos com bom humor e simpatia).

Não foi à toa que Mickey Rourke ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA de Melhor Ator esse ano, e está concorrendo também ao Oscar por O Lutador.

O papel de Randy encaixou como um golpe perfeito para Rourke, mais até do que o de Johnny Walker, o boxeador de Homeboy (cujo roteiro ele assinou), que ele interpretou no ano de 1988, porque Randy é a essência de Rourke: um cara que já esteve no topo, fez uma besteira atrás da outra e está procurando fazer as pazes consigo mesmo.

Por Milena Azevedo


[OPINIÃO]
EU E O SECRETÁRIO – por anderson foca

Posted: fevereiro 4th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , | No Comments »

cesar

Estava em casa segunda de noite, meio mareado com uma longa viagem que fiz com os Camarones no final de semana quando toca o telefone com uma voz alegre e pulsante. Era César Revorêdo, Secretário de Cultura do município de Natal. Três minutos de prosa e ele me convidou para uma visita à Capitania das Artes ontem pela manhã.

Me preparei, anotei alguns tópicos que não queria esquecer, pensei no que podia gerar tal fato e fui. Esperei um pouco no movimentado hall da Capitania, fui recebido antes pelo Coordenador de Eventos do secretário, o amigo Castelo Casado e finalmente veio o tal encontro. Eu e o secretário.

A primeira coisa que percebi na longa conversa é que César é espivitado e hiperativo, o que considero um grande trunfo para quem está a frente de um orgão tão cheio de tarefas minunciosas como a secretaria de cultura. Ele também me pareceu detalhista (deve ser comum em artistas plásticos), anotando pequenas críticas que fiz a respeito da estrutura física dos carnavais anteriores, inclusive resolvendo algumas delas imediatamente. Fui lá exatamente para isso: dar meu parecer e meu ponto de vista sobre alguns assuntos de interesse da comunidade musical potiguar.

Concordamos com o fato de que existe uma roda na economia da cultura e que não deve ser quebrada e nem interferida pelo estado. Nesta roda estão os músicos, produtores, as casas de shows, teatros e todos aqueles que estão de alguma maneira ligados a isso. Concordamos que não cabe ao estado substituir qualquer um desses itens. Cabe ao estado alimentar essa cadeia, promover mais o que já existe de bom e gerar projetos em áreas deficitárias da nossa cultura. Concordo com tudo!

Concordamos também que a Capitania das Artes não pode esperar só as verbas municipais. O orgão está lá para cavar espaços, arrumar meios de propagação da nossa cultura, abrir diálogos que seriam impossíveis para produtores comuns como eu. Que tal barganhar um Centro Cultural do BNB para Natal. Visitei três deles nesse final de semana e fiquei maravilhado. Seria uma revolução para cidade se isso acontecer e não sairia nenhum real do bolso do prefeitura.

Que tal abrir um debate com o SESC RN e perguntar porque em São Paulo ele é tão ativo na cultura e aqui não.

Discordamos também. César acha que ainda falta identidade aos artistas de Natal, não disse isso com todas as letras, mas deixou a entender. Eu acho que nossa identidade é ser cosmopolita, é cantar em inglês (ou em que língua der na telha), é ter o blues como influência e logicamente ter representantes da cultura popular como referência (e trata-los com reverência).

Fiquei animado, mas não ficarei contemplativo. Pedi para ser ouvido mais vezes, pedi para sugerir mais vezes e quem sabe o papel contestador do rock não ajude a caminharmos para um futuro melhor? Estamos aqui fazendo a nossa parte no processo. É isso…

Anderson Foca é produtor musical, agitador cultural e responsável pela marca DoSol.


[OPINIÃO]
OBAMA NÃO, OSAMA – por modrack freire

Posted: janeiro 27th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , | 5 Comments »

bushobama0001

Nada! Nada mudará em nossas vidas, nada afetará a postura bélico-imperialista dos EUA . E se realmente o Sr. Mudança conseguir recuperar a economia dos gringos, pior para nós, é mais dinheiro para comprar armas e nos oprimir.

Até hoje não engulo a forma como a imprensa tratou o pseudo-atentado de 11 de setembro, fala-se dele como algo gratuito, um ataque terrorista. Morreram nele uns 2 mil e pouco civis. Em sua posterior Guerra ao Terror, o número de vítimas (civis) já ultrapassam os cem mil. Onde está escrito que um americano vale 50 árabes? Pearl Harbor? Em um ataque a um alvo militar o Japão matou 2.403 militares estadunidenses e 68 civis. No troco americano, depois de bombardear incessantemente 67 cidades japonesas (alvos civis), soltaram as bombas em Hiroshima e Nagasaki, somando mais de 300 mil mortos, 40 mil crianças, isso sem contar as mortes após, por radiação.

Saia às ruas, comemore, leia o discurso do Messias de ébano, incessantemente, mas lembre-se do Japão, da África, do Oriente Médio, lembre-se que quem fornece poder bélico a Israel para matar palestinos armados em sua maioria de pedras são ELES, lembre-se que ele cagaram pro Protocolo de Kyoto, que eles cagam pra ONU ano após ano e que eles matam não por ideologia, não por religião, matam mesmo por dinheiro, para preservar o american way.

Novamente, me desculpem. Espero, espero mesmo, estar errado. Nada mudará, Obama, se bem intencionado deverá morrer por algumas das milhões de armas em mão de suas milícias, simplesmente por ser negro, ou por tentar fazer a diferença. Senão fará umas mudanças aqui e acolá, algo para transformar o Império do Mal em algo deglutível, simpático e passável.  Os Estados Unidos são isso, algo tão ruim e asqueroso que mesmo depois de ser varrido da face da terra por um cataclisma qualquer, deveria ter o solo esterilizado com óleo de máquina e sal grosso, para nada mais nascer ali.

Pra mim a solução não é Obama, é Osama. BUMMMMMMMMMMMMMM.

nova-imagemModrack Freire é publicitário, devora quadrinhos que é uma beleza, adora perder tempo assistindo um bom filme ruim, só dorme com a TV ligada, sempre chega atrasado e adora deixar tudo pra amanhã. É tricolor doente, fluminense até a alma, mas só gosta de assistir os jogos quando o time tá ganhando, porque sofrer por futebol é foda. Escreve no EntreRios.


[OPINIÃO]
HOLLYWOOD SE RENDE A BOLLYWOOD EM “SLUMDOG MILLIONAIRE” – por milena azevedo

Posted: janeiro 26th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , | No Comments »

slumdog_poster

A 66ª edição do Globo de Ouro, realizada no dia 11 de janeiro de 2009, surpreendeu àqueles que apostavam suas fichas em O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button), drama de fantasia estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, adaptação do conto homônimo de F. Scott Fitzgerald.

Quem roubou a cena, merecidamente, foi um filme feito por ingleses, homenageando Bollywood: Slumdog Millionaire (cujo título brasileiro é Quem quer ser um milionário?), que levou para casa os prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro e melhor trilha sonora.

O roteiro de Slumdog Millionaire também não é original. Trata-se de uma adaptação do romance de Vikas Swarup, Q & A, pelo roteirista, diretor e produtor Simon Beaufoy (De cabelos em pé), e dirigida por Danny Boyle (Trainspotting e Sunshine – alerta solar).

scene-from-slumdog-millio-0

No filme, a infância e a adolescência dos irmãos Jamal e Salim Malik é recontada quando Jamal, cujo emprego é servir chá numa operadora de telemarketing, resolve participar do programa “Quem quer ser um milionário?” – uma espécie de Show do Milhão indiano –, e é suspeito de ter fraudado as respostas. Na delegacia, ele recebe tratamento especial (apanha, é torturado, toma choque), mas convence o delegado que cada momento de sua vida continha a resposta para cada pergunta que lhe foi feita no programa, seguindo o princípio árabe do maktub. Também ficamos sabendo que Jamal não está interessado no prêmio em dinheiro. Ele quer é um meio de reencontrar o seu amor, a jovem Talika, que está sob o poder de um chefão do submundo local, para quem seu irmão trabalha.

Pela descrição acima, os mais afoitos podem pensar que se trata de um novelão mexicano que tem como cenário a Índia do ano de 2006 (período em que se passa a trama). Poderia até ser, mas o ritmo empregado por Boyle, entrelaçando sequências de passado e presente, alternando momentos dramáticos, românticos, de ação e de suspense – todos envoltos na excelente trilha sonora de A.R. Rahman – em quase duas horas de projeção, ingredientes de um legítimo bollywood (com direito até a cena de dança – o item number – no final), e o estreante Dev Patel (que antes só havia feito a série de TV Skins), como Jamal Malik, que fala ao delegado como se estivesse falando para nós, os espectadores, ora timidamente, ora de forma mais descontraída, relembrando os fatos mais significativos de sua vida e sua persistência de seguir à procura da amada.

slumdog_glododeouro

A premiação de Slumdog Millionaire é uma forma de Hollywood prestar reverência à maior indústria cinematográfica de língua hindi, extremamente popular e rentável em toda a Índia, e que vem conquistando pouco a pouco o ocidente (eita, até a nova novela de horário nobre da Rede Globo agarra com unhas e dentes essa estética!).

Na lista dos indicados ao Oscar 2009, o filme de Danny Boyle concorre em dez categorias, contra treze de Benjamin Button, inclusive batem de frente em: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor efeitos sonoros, melhor montagem e melhor trilha sonora.

Tradicionalmente, o Globo de Ouro é uma premiação menos comercial do que o Oscar – e o O Curioso Caso de Benjamin Button tem cheiro, trejeito e formato de Oscar, isso é inegável para quem o assiste –, mas aposto minhas fichas numa parelha acirrada esse ano, pois Benjamin Button é Brad Pitt e Taraji P. Henson (que concorre a melhor atriz coadjuvante), já Quem quer ser um milionário? é uma inspiração coletiva.

close_milenaMilena Azevedo é Mestre em História pela UNISINOS (RS), empresária, poeta, contista e roteirista de HQ. Tem dois livros de poemas publicados: O Perfil da Águia (1999) e Prometeu Livre – um outsider no Olimpo (2005), já ganhou prêmios no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro (participando inclusive da coletânea com os 100 melhores poemas dos anos de 2003/04 e 2004/05, além de estar presente também no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea/2005, todos da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores). Tem contos e poemas publicados aqui e acolá nessa imensa teia eletrônica que é a Internet, além de participar de antologias da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores e da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.


[ESCRIBAS]
BUDAPESTE – por fábio farias

Posted: janeiro 19th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , | No Comments »

img_1408

Os prédios cinzas, os muros pichados, o vento incessante. Budapeste ameaçava chuva. Ela me chamou para tomar um café, na cidade de Peste às margens do Danúbio. Rosto branco, cabelo preto, nariz afinado e um lindo inglês com sotaque húngaro. Eram 15h40 e o céu estava escuro. O café descia quente na minha garganta.

– Vou passar o final de semana fora, volto na segunda.

Seus pequenos olhos magiares tinham uma expressão indecifrável e seu inglês com o R puxado quase não me fez entender o que ela dizia.

– Você vai de que horas?

– Vou hoje, às 10 horas.

Quis identificar tristeza no seu olhar, mas seus dois olhinhos continuavam expressando algo que eu não entendia. Sorri, falei que tudo bem e disse que a esperaria para continuarmos a conversa que começamos assim que cheguei em Budapeste. Ela tomou um longo gole do café e agora eu pude identificar um pouco de carinho e afeto naquele belo par de olhos escuros.

Szofia era de uma beleza magnética que conseguia atrair para o seu redor tudo o que queria. Disse para mim que adorava o Brasil e queria muito conhecer o país. Me encantei com o seu jeitinho de falar inglês, a sua forma de mover os cabelos, o seu jeito de indecifrável de olhar e de sorrir. Estava há dois dias com ela, numa espécie de amor platônico autoflagelado, ao qual eu me culpava e me torturava por cada momento em que poderia me declarar mas me perdi diante dos seus encantos. Eu iria sentir falta dela.

Às 10, fui com ela na estação de trem. Fazia por volta de 2 graus na capital húngara. Ela pegaria um velho trem azul, resquício do governo comunista numa estação velha e lotada de pessoas vestidas com casacos e sobretudos pretos e sacolas e malas nas mãos, além da tristeza no rosto. Abracei-a, beijei sua pele branca e macia, desejei boa viagem e vi o trem partir com a chegada de uma forte chuva na cidade.

Budapeste chorou os três dias de sua ausência.

atgaaadeukpstls_cl8nkblx3i9zwxkt7anwpjy1qdqmw9xranobbh0-fsm9udhuzksd-3ubhqfdlmmmslnpt6pv10juajtu9vdmjlhs2ozchckhim2u-j_zx6pbew Fábio Farias
é jornalista
e escreve
no Blog do Rosk
e no coletivo Catorze.