[OPINIÃO]
JACKO, LENNON E ELVIS
por Anderson Foca

26 junho 2009 § 1 comentário

michael_jackson

Acima de tudo sou um fã incondicional de música. Por isso sempre que me deparo com uma notícia de falecimento de alguém da área me dá uma aflição e tristeza. Ontem testemunhamos o que muitos achavam impossível e impensável. Como é que pode Michael Jackson morrer? Ele é eterno, já faz parte do inconsciente coletivo das pessoas e não pode desaparecer assim. Quem coordena essas saídas e chegadas deveria saber disso. Peter Pan morre no final?

O fato é que hoje pela manhã caiu a ficha: MJ não está mais entre nós. Foi impressionante também acompanhar a morte da “celebridade das celebridades” através da maior ferramente midiática jamais pensada e imaginada por toda a história, a tão amada (e odiada) internet.  A chuva de twitters, sites, orkuts, jornais online, vídeos e todo o tipo de informação (boa ou falsa) que foi disponibilizada de 17h30, hora em que a angústia começou, até às 20h, hora em que todos os sites confirmaram a morte do cantor, foi brutal!

Jacko entra para o hall dos mitos do mundo. Na música não há muitos deles para nos representar. Quando chamo de mito, é algo muito além de uma carreira musical ou relevância artística. É mito da humanidade mesmo, daqueles caras que vão ser lembrados pelo estardalhaço que causaram enquanto vivos e que mudaram o mundo definitivamente. Michael Jackson se une a John Lennon e Elvis Presley nesse seleto grupo que representa muito bem nossa categoria. É o fim da música pop como a conhecemos e abre-se a janela dos novos tempos definitivamente. Até nisso Jacko caprichou na sua partida, escolheu bem a hora de tirar o time de campo.

Me lembro muito bem na minha infância de pedir para minha mão produzir artesenalmente uma jaqueta laranja e de comprar sapatilhas para que eu pudesse me apresentar dançando a música do ídolo ao lado dos meus amigos.

Lembro dos grooves, do impacto daquilo nas tvs, da histeria coletiva em torno de Michael, da passagem dele pelo Brasil e percebo que eu gostava bem mais de MJ do que imaginava.  Recentemente até fazia os famosos “moonwalks” quando estava muto feliz no palco ao som da minha própria banda, numa maneira de agradecer aquele momento.
Mesmo freak, doido e com caráter duvidoso Jacko deixa um maiúsculo legado para o mundo e deixa também saudades. O Portal Dosol para um dia inteiro para sauda-lo, reverencia-lo e dizer até logo para esse grande ídolo do mundo.

Por hoje não tem mais atualizações, amanhã retomamos a programação normal. ADEUS JACKO!

Por Anderrson Foca

***

Post to Twitter

[NO GIBI]
SÁBADO DOS MEUS AMORES: O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO
por Milena Azevedo

24 junho 2009 § 1 comentário

sabado_dos_meus_amores_web

Quando se está longe, a gente compreende melhor as cores do nosso país, o nosso povo, os nossos costumes.

Marcello Quintanilha, que antes assinava Marcello Gaú, comprovou que essa afirmativa é mais do que verdadeira com o álbum Sábado dos meus amores (63 páginas, colorido, capa dura, R$ 39,00), da Conrad Editora.

Morando a algum tempo em Barcelona, na Espanha, Quintanilha retrata diversas personagens brasileiríssimas, num sotaque carioca de ontem, ainda que atual, nas seis histórias em quadrinhos que compõem o já citado álbum. Algumas dessas histórias foram publicadas no Brasil, em revistas como a extinta General Visão.

quintanilha7Num tom prá lá de realista, o qual lhe rendeu o epíteto de “o Rosselini tupiniquim”, por Aldir Blanc, Quintanilha passeia nas asas de uma borboleta amarela, mostra o que uma superstição futebolística pode fazer com uma pessoa, expõe as marcas psicológicas que a escravidão deixou nos negros livres, conta como a criatividade de um coração apaixonado ajuda uma moça que está na alfabetização para adultos, brinca com os momentos nos quais a gente deixa a sorte escapar e finaliza com uma pendenga entre um policial e um “amarra-cachorro” de circo.

Escolher a história preferida de Sábado dos meus amores é complicado, mas confesso que “De como Djalma Branco perdeu o amigo em dia de jogo” foi a que mais tocou. Tenho minhas superstições e sei o quão desagradável é quando alguém as viola.

O tema “futebol”, aliás, é comum nas obras do Quintanilha. Em Fealdade de Fabiano Gorila, por exemplo, ele homenageou o seu pai, que foi jogador de futebol no Rio de Janeiro, na década de 1950.
sabado_dos_meus_amores3

As histórias do Quintanilha retratam um Brasil com um quê de estética do cinema marginal, de Rogério Sganzerla e Julio Bressane, misturado com a sutil poetização da realidade, presente nos filmes de Vitório De Sica.

Há homens pançudos, crianças banguelas, mulheres de bobs no cabelo, pessoas iletradas, enfim, tudo o que não se vê em algumas HQs nacionais, pasteurizadas, que optam por copiar o modelo que vem de fora.

Por Milena Azevedo

Post to Twitter

[OPINIÃO]
MICO-LEÃO DOURADO É O CARALHO por Breno Machado

5 junho 2009 § 4 comentários

meioambiente

Eu não acredito em quem defende o planeta. Sim, isso mesmo que você leu. Não acredito.

Defender os mares? A Floresta Amazônica? Os dragões-de-komodo? Balela. Todos estão se lixando p’ra isso.

Quem defende causas proambientais não está lutando para manter a longevidade do planeta. Está, sim, tentando garantir a sobrevivência dos seres humanos aqui. E nem são todos os seres humanos, vale salientar. O que o homem quer mesmo é preservar a si mesmo e sua linhagem (e não vou me ater a esse narcisismo, porque eu teria que incluir Freud na conversa e o texto seria no mínimo umas oito vezes maior).

Não estou dizendo que o esforço em preservar o planeta, por causa disso, perca sua legitimidade. O que eu não suporto, contudo é o discurso travestido de “salvem a Mãe Natureza”, quando na verdade quer dizer “salvem o meu rabo”. Se hipoteticamente não houvesse mais nenhum humano por aqui (e nenhuma supernova imprevista destruir todo o nosso sistema solar), a Terra possuiria plenas capacidades de recuperação. Pergunte isso a qualquer cientista da área.

Somos nós que obstamos o processo.

Sabe-se lá o motivo de termos “evoluído” a ponto de não contarmos com defesas naturais para sobrevivência. Não dispomos de garras, presas, asas, pelugem ou habitat natural. De fato, a alternativa foi lançar mão de nossa sapiência para modificar os recursos ao nosso redor e construir artefatos que facilitariam nossas vidas. O barro se transformava em cuia. O cipó se transformava em corda. A pedra se transformava em ponta de lança. E passamos a complexificar os problemas, o que demandou em soluções também mais complexas. Transformamos teares em indústrias, cavalos em automóveis e tambores em iPods. E em meio a esse processo passamos a nos considerar a coisa mais importante desse Universo. Porque só nós temos reveillón, supermercado e Jesus Cristo.

E tudo degringolou. A ponto da Terra chamar nossa atenção p’ra nos avisar que era nossa mãe, mas nós não éramos filhos de puta. Que se a gente não soubesse brincar com os outros irmãozinhos não ia mais ter banho, almoço nem quarto arrumado p’ra ninguém. Fizemos ouvidos de mercador e a situação só veio a piorar. Hoje estamos com uma situação de aquecimento global irreversível, catástrofes naturais avassaladoras e governantes que não param de poluir seus países em nome de um “progresso” que nos levará à extinção.

É fato que muitos estão aí p’ra minimizar os danos… Mas nós nunca defenderíamos o meio ambiente se não fosse por duas palavrinhas: impacto ambiental. E não é simplesmente o impacto que tal ação cause à natureza. E, sim, no que isso vai repecurtir nas vidas dos seres humanos. Mais especificamente, na minha vida.

Não me considerem um pessimista. Não estou convocando todos a um laissez-faire até que tudo exploda e não tenhamos mais chance. Apenas estou criticando o foco que os tais ambientalistas assumem como problema. Se realmente estivéssemos comprometidos em preservar toda a vida no planeta, não permitiríamos que nenhuma árvore fosse derrubada. Nem aquela que compõe o belo telhado da casa do ambientalista. Se o discurso de reposição de recursos fosse igualitário, todo mundo teria um filho novo para substituir o que foi atropelado por um ônibus.

Os únicos “ou” envolvidos nessa função são: ou a gente cuida do planeta onde vive ou viramos carta fora do baralho. Se conseguirmos salvar baleias, araras e a Mata Atlântica no processo, tanto melhor.

Um feliz Dia Mundial do Meio Ambiente para todos.

Breno Machado é psicólogo por formação, escritor por deleite e redator publicitário por teimosia. Webmaster do blog Pense no Haiti. Reze pelo Haiti, onde publica seus surtos literários.

Post to Twitter

[OPINIÃO]
O PARLAMENTO FRANCÊS QUER TAPAR O SOL COM UMA PENEIRA por Leonardo Seabra

15 maio 2009 § 3 comentários

sarkozy0001

Na França, uma proposta de lei transformou downloads em problema nacional. Nicolas Sarkozy e os parlamentares franceses bateram no peito essa semana para intimidar “piratas” com a promessa de restringir o acesso à Internet para quem violar o sagrado copyright. Um passo mais decisivo que os britânicos, onde uma proposta de três strikes antes de suspensão definitiva de acesso ainda está sendo estudada por uma série daqueles comitês governamentais ou legislativos.

Ambos, porém, garantem  apenas o que governos e políticos normalmente despertam no público: irritação. Não vão afundar a esquadra “bucaneira”, bem menos perigosa que outros inimigos supostamente mais importantes para o empenho dos representantes eleitos em nome do povo, e muito menos solucionar um problema cujos motivos vão além da simples tentativa de almoço grátis que o lobby fonográfico e cinematográfico insiste em enxergar a cada esquina.

Contudo, a proposta de lei em questão é de difícil aplicação, pois se esbarra na medida do parlamento europeu que proíbe a interrupção da conexão da internet de qualquer pessoa sem ordem de um tribunal. Outro aspecto é sobre a definição de quem será punido. O compartilhamento de arquivos entre fãs de bandas, como se faziam antes com fitas K7s, também será passível de corte na conexão?

Isso é escandaloso. Quando pelo menos 20% da população de um país como os EUA admitem fazer ou já ter feito downloads ilegais, há alguma coisa errada com a lei ou com simples criminalização de cidadãos.
Se a história realmente se repete, veremos mais um capítulo bizarro de luta insana e perdida contra tecnologias.

Leonardo Seabra é flamenguista, estudante de Radio e Tv da UFRN. Redator – descobriu o mundo publicitário há 4 meses – , Produtor da revista eletrônica Estudio Livre, envolvido em outros projetos audiovisuais, ex-blogueiro (por enquanto) e atualmente faz um estudo sobre Alt Porn.

Post to Twitter

[NO GIBI]
PRATT E MANARA: UM BOM ROTEIRO FAZ A DIFERENÇA
por Milena Azevedo

13 maio 2009 § Nenhum comentário ainda

veraoindio0001

Boas histórias sempre ficam na lembrança.

Um bom argumento, que tem um roteiro bem trabalhado e um desenhista que dê vida ao preto e branco das palavras, é o ponto de partida para uma obra singular.

O traço limpo e perfeito de Milo Manara, desenhista italiano que sabe como poucos retratar a anatomia feminina nos quadrinhos, muitas vezes encobre roteiros fracos, como os da série O Clic e do álbum Kamasutra. Embora a maioria dos seus roteiros seja de conteúdo erótico, isso não implica que a trama deva ser constantemente meia-boca.

Manara torna-se excelente quando encontra parceiros que conduzam o seu lápis a caminhos mais ousados, como Federico Fellini, em Viagem a Tulum, Hugo Pratt, em Verão Índio e El Gaucho, e Alejandro Jodorowsky, na inacabada série Bórgia.

Verão Índio foi uma das primeiras parcerias entre Manara e Pratt, escrito, desenhado e pintado no início dos anos de 1980, para a revista Corto Maltese, e uma das obras mais poéticas e menos explícitas do quadrinho erótico mundial.

Recém relançado no Brasil pela editora Conrad (152 páginas, capa dura, papel couché colorido, R$ 49,90), Verão Índio era um dos álbuns mais requisitados por quem aprecia quadrinhos de arte, haja vista a sua tiragem estar esgotada há anos – do tempo em que a editora Martins Fontes apostava em bons quadrinhos –, além de a edição portuguesa da Meribérica aparecer em leilões, pela internet, a preços pra lá de salgados.

veraoindio0002

Quando o verão índio estava para chegar, os ânimos dos silvícolas norte-americanos ficavam mais exaltados. Isso levou um guerreiro índio e um holandês, ambos da tribo de Squando, a estuprarem uma jovem branca puritana, sobrinha de um pastor com reputação duvidosa, do vilarejo de Nova Canaã, na conturbada América do século XVII.

Essa sequência que abre a referida obra tornou-se clássica, toda em narrativa visual, cujo clímax é o barulho da espingarda de Abner, que atira duas vezes para matar e escalpelar os aproveitadores da sua amada.

A partir desse prólogo trágico, somos apresentados à “mulher-demônio”, a senhora Lewis, e aos seus outros filhos, os meio-irmãos de Abner.

Dos milharais, os índios da tribo de Squando veem o movimento na casa da senhora Lewis e resolvem partir para a desforra.

As cenas de luta entre índios e brancos são belíssimas, pois a aquarela de Manara dá um quê de requinte aos combates sanguinolentos.

E quando tudo parecia estar se resolvendo, velhos segredos são revelados e, dessa vez, os brancos expiam suas consciências pesadas.

O que é mais explícito em Verão Índio é a vergonha de um continente pela falsa moral de quem se dizia o “civilizador”.

Por Milena Azevedo

Post to Twitter

[OPINIÃO]
FOTOGRAFIA POTIGUAR MOSTRA SUAS CORES EM SÃO PAULO
por paulo celestino

30 abril 2009 § 1 comentário

foto: Jean Lopes

Um apanhado da atual fotografia artística norte-riograndense. Essa é a proposta da mostra “Fotografia Contemporânea Potiguar – Imagens da Esquina do Brasil”  que levará nove fotógrafos e 77 imagens da produção de potiguares ou de profissionais radicados no estado em exposição pelas cidades de São Paulo, Brasília e Rio.

Os paulistas serão os primeiros a conferir as imagens da esquina do continente. A mostra estréia na Caixa Cultural neste dia 30 de abril em São Paulo. Segundo o fotógrafo e curador da mostra, Ricardo Junqueira, o Coletivo Potiguar se formou a partir da troca de “informações e figurinhas” entre os fotógrafos e ele viu que os interesses em relação à fotografia eram muito parecidos. A coisa evoluiu para um projeto que tem como objetivo funcionar  como  ferramenta estratégica de registro e inserção do Rio Grande do Norte no cenário nacional e internacional da fotografia.

Ainda segundo Junqueira, não houve a preocupação de buscar uma linguagem comum entre os trabalhos. “A não ser pelo fato de todos serem pessoas que trabalham e vivem de fotografia e terem um olhar “diferente”, com uma preocupação que vai além do mero registro”, explica sobre a reunião dos fotógrafos e escolha das imagens.

A diversidade de visões, técnicas e formatos marcam a exposição, que vão do preto e branco à saturação de cores, das temáticas sociais de registro e de denúncia até o despretensioso “click” em família ou em jornadas de viagem, somadas com outras técnicas artísticas intervindo no resultado final das fotografias.

foto: Ricardo JunqueiraIdealizado por Ricardo Junqueira, o Coletivo Potiguar se destaca ainda pela diversidade “geográfica” dos fotógrafos. O próprio Junqueira é brasiliense, morando em Natal desde 1996, tendo trabalhado passagens por  São Paulo e Itália. Jean Lopes é potiguar da cidade de Assu. Nuno Rama é da Paraíba. De São Paulo, José Frota e Pablo Pinheiro. Erik van der Weidje, da Holanda. Max Pereira e Hugo Macedo são natalenses e Karen Montenegro, de Alagoas.

A exposição já pode ser vista também na Internet em www.coletivopotiguar.blogspot.com.  Em São Paulo, a exposição fica até o dia 14 de junho. Depois, segue para Brasília entre 30 de julho a 31 de agosto. A exposição termina no Rio de Janeiro, de 20 de outubro a 29 de novembro.

O fotográfo Ricardo Junqueira conversou, por email,com o Internetcidade e falou também sobre a expectativa da exposição e qual é a contribuição dos olhares da esquina do continente.

Celestino: Como podemos avaliar o atual momento da fotografia potiguar?

Junqueira: Acho que estamos nos descobrindo e percebendo que a qualidade independe da geografia.

Celestino: Ao seu ver, qual a grande contribuição dos olhares da esquina do continente?

Junqueira: Minha maior preocupação é mostrar que existe uma produção de qualidade e fazer o Rio Grande do Norte aparecer um pouco mais no cenário nacional. Afinal, nós temos paisagens maravilhosas, mas não é só isso. No paraíso turístico também tem profissionalismo.

Celestino: Na sua opinião, o que vem impulsionando a fotografia no Estado?

Junqueira: Os fotógrafos – e isso não se aplica somente aos Potiguares e aos que vivem no RN -, são quase sempre apaixonados pelo que fazem e certamente é o que impulsiona essa produção.

Celestino: A exposição passa ainda por Brasília e Rio. Qual a sua expectativa?

Junqueira: Esperamos o máximo de visitação, que [a exposição] possa crescer e contribuir para que mais pessoas conheçam o trabalho que nós fazemos. E outros possam se interessar por fotografia.

Paulo Celestino é jornalista dissonante e cognitivamente perdido entre São Paulo e Natal. Gosta de ver aviões passando, seja no poluído ar de São Paulo ou nas calçadas da praia de Ipanema. Ainda em Sampa, descobriu o samba e a feijuca (não era para ser no Rio?). Hoje, nas horas quase vagas, toca o blog Internetcidade entre as escritas para sobreviver.

jaba-mano-celo1


Post to Twitter

[RESENHA]
PRESSÁGIO: QUANDO NICOLAS CAGE BRINCA DE NOSTRADAMUS por milena azevedo

23 abril 2009 § Nenhum comentário ainda

pressagio2

Nicolas Cage quer ser um heroi a todo custo.

Ele já perdeu o papel de Superman, errou a mão ao manusear as correntes e pilotar a moto do Motoqueiro Fantasma, foi ladrão de carro forçadamente cool, chegou a ser um vidente bonzinho, e em Presságio ele encara o fim do mundo.

Presságio (Knowing, 2009) é a nova produção de Alex Proyas (Eu, robô, O Corvo), e traz Nicolas Cage como o astrofísico viúvo e solitário John Koestler, cujo filho Caleb começa a escutar ruídos e a ver um homem com um capote preto, após abrir o envelope de Lucinda Embry, que ao invés de ter desenhado como seria o futuro em 2009 – quando era uma garotinha, cinquenta anos atrás, para a cápsula do tempo de sua escola –, preencheu o papel com uma porção de números aparentemente sem sentido.

John descobre que os números são datas de graves acidentes ao redor do mundo, nos últimos cinquenta anos. Ele pensa que se tivesse como saber desses acidentes, com antecedência, poderia ter salvado a sua esposa. Como restam três datas que informam sobre eventos atuais, algumas marcando inclusive a latitude e a longitude exata do local a ser atingido, John agarra com unhas e dentes a chance de poder alertar e salvar as pessoas.

pressagio1

Com o futuro da humanidade em jogo, ele parte para encontrar a filha de Lucinda, Diana (Rose Byrne, da excelente série de TV Damages), e descobre que ela tem uma menina chamada Abby, da mesma idade de Caleb e tão inteligente quanto.

Diante da situação inusitada, John passa a rever seus posicionamentos teóricos e começa a aceitar a possibilidade de uma força maior que atua no universo, interferindo na natureza das coisas, quando se faz necessário.

O ponto alto de Presságio são os efeitos sonoros e as tomadas de câmera nas cenas dos acidentes, as quais nos colocam na pele de John Koestler, sentido bem de perto o perigo (a gente até chega a movimentar a cabeça, num reflexo involuntário, para se proteger). No entanto, nas duas horas de filme, o que se vê mesmo é Nicolas Cage passando de um sujeito apático a candidato a mártir do planeta Terra, correndo pra lá e pra cá.

Alex Proyas é um diretor que gosta de mesclar ação e suspense em seus filmes, e  Presságio não foge à regra. Porém, se você for ao cinema querendo algo mais, pode se decepcionar.

Por Milena Azevedo

jaba-mano-celo1

Post to Twitter

[OPINIÃO]
ENTRE OS MUROS DA ESCOLA: E A EDUCAÇÃO Ó
por Milena Azevedo

6 abril 2009 § Nenhum comentário ainda

entre-os-muros-da-escola2

Educar é uma tarefa árdua, principalmente educar a quem não recebe educação em casa. Como consolo, fica a máxima “quem educa sempre aprende”. Os professores, sejam eles do ensino fundamental, médio, superior, aprendem que paciência é a palavra-chave para contornar todos os problemas pelos quais perpassam a educação hodierna, incrivelmente pós-moderna, centrada nos “direitos” dos alunos, buscando assim concertar erros do passado, os quais privavam os discentes de voz dentro da sala de aula.

De uns anos pra cá, as novas teorias pedagógicas apontam que o ensino deve ser mais “humano”, ou seja, que o professor deve procurar compreender e estimular os seus alunos, facilitando o processo da aprendizagem, além de respeitar e lidar com as diferenças intelectuais, étnicas, culturais e socais de cada aluno. A voz do professor precisava diminuir para que a dos alunos começasse a ser escutada. Foi uma conquista e tanto dos estudantes, pois se antes temiam os castigos físicos e psicológicos que os professores empregavam, agora já podem denunciar abusos de quaisquer tipo, praticados pelos seus mestres.

Entre os Muros da Escola (Entre Les Murs – 2008), filme do diretor politizado Laurent Cantet (Recursos Humanos, Em Direção ao Sul), ganhador da Palma de Ouro em Cannes ano passado, dramatiza escancaradamente o que acontece numa sala de aula de uma escola pública francesa nos dias de hoje. Essa visão tão próxima do real ocorre porque o filme é uma adaptação do romance homônimo, escrito pelo professor François Bégaudeau que, além de assinar o roteiro junto com Cantet, interpreta o professor François Marin.

O início do filme mostra a reunião dos professores antes de começar o semestre letivo. Todos os professores se apresentam e recebem seus horários, os professores “da casa” aconselham os novatos, informando sobre os alunos bem comportados e sobre os mais trabalhosos. A partir de então, Cantet nos conduz às aulas do professor de francês François Marin.

Marin é um professor bacana, empenhado em fazer com que seus alunos assimilem o conteúdo das aulas de forma dinâmica, seguindo à risca a cartilha da pedagogia do século XXI. O mínino que Marin exige dentro da sala de aula é respeito, tanto de aluno para professor quanto de aluno para aluno e de professor para aluno.

entre-os-muros-da-escolaDesde o início das aulas já se pode notar o clima tenso (disfarçadamente descontraído) que vai aumentando até chegar ao ponto de Marin perder a cabeça e insultar duas alunas. Esse incidente termina por gerar uma grande confusão quando um aluno negro se revolta e sem querer acerta a mochila no supercílio de uma colega, fazendo o seu rosto ficar ensangüentado, e termina saindo da sala sem a permissão do professor. Tal incidente vai parar em um Conselho Disciplinar, que é o único resquício de poder que a escola tem.

Ao final do semestre, Marin questiona seus alunos sobre o que cada um aprendeu nas disciplinas que cursaram, fazendo-os perceber como é prazeroso conhecer um pouco sobre algum assunto, mostrando porque eles precisam da escola para crescer tanto intelectualmente quanto como seres humanos.

A realidade mostrada em Entre os Muros da Escola, apesar de enfocar o ensino público francês, não é muito distante da nossa. Lá, pelo menos, os professores ainda recebem um salário digno, enquanto aqui receber o contra-cheque no fim do mês equivale a ganhar na loteria para o corpo docente das escolas públicas municipais e estaduais.

Filmes como esse servem para abrir os olhos da sociedade.

Ser professor no século XXI é para poucos abnegados, porque a velocidade e a democratização da informação trazidas pela internet estão aí, fazendo com que o valor da transmissão do conhecimento dentro da sala de aula seja menosprezado, o que afeta diretamente o status de poder do professor. Mas é justamente aí que a figura “humana” dos docentes é requisitada, embora as modernas teorias pedagógicas ainda não enxerguem isso. Haja paciência.

close_milenaMilena Azevedo é Mestre em História pela UNISINOS (RS), empresária, poeta, contista e roteirista de HQ. Tem dois livros de poemas publicados: O Perfil da Águia (1999) e Prometeu Livre – um outsider no Olimpo (2005), já ganhou prêmios no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro (participando inclusive da coletânea com os 100 melhores poemas dos anos de 2003/04 e 2004/05, além de estar presente também no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea/2005, todos da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores). Tem contos e poemas publicados aqui e acolá nessa imensa teia eletrônica que é a Internet, além de participar de antologias da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores e da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

Post to Twitter

[OPINIÃO]
CLINT EASTWOOD E “GRAN TORINO”: O PONCHO, O CHAPÉU E UM FORD 1972
por Milena Azevedo

31 março 2009 § 2 comentários

gran-torino-poster

Clint Eastwood é um dos nomes mais “up” em Hollywood nessa primeira década do século XXI. Apesar de ter começado sua carreira cinematográfica em faroestes spaghetti e se popularizado como o policial durão Dirty Harry, na maturidade é que tem se mostrado como artista completo, pois se permitiu deixar aflorar o seu lado mais sensível – mesmo assim não perdendo nunca a pecha de machão –, fosse atuando ou dirigindo seus próprios filmes.

A aventura atrás das câmeras começou na década de 1970, mas Eastwood teve que esperar alguns anos para ser reconhecido como diretor. O primeiro passo foi Bird (Bird – 1988), uma cinebiografia do saxofonista Charlie Parker, depois veio a consagração com Os Imperdoáveis (Unforgiven – 1992), quando Eastwood revisitou o gênero faroeste, e Menina de Ouro (Million Dollar Baby – 2004), drama sobre uma mulher cujo sonho era ser boxeadora profissional. Mas ele queria mais.

Em 2006, Eastwood dirigiu dois dramas históricos, revisitando a Batalha de Iwo Jima, um sob o ponto de vista norte-americano (A Conquista da Honra/Flags of Our Fathers) e o outro sob o ponto de vista japonês (Cartas de Iwo Jima/Letters from Iwo Jima). O Oscar praticamente ignorou ambos os filmes, mas a crítica foi justa e soube valorizar o trabalho do diretor que já ostentava cabelos brancos, muitas rugas e marcas de expressão, porém que tinha um porte físico de fazer inveja aos garotões de hoje em dia.

Seus dois filmes mais recentes são: A Troca (The Challeging – 2008) e Gran Torino (Gran Torino – 2008), esse último em cartaz nos cinemas brasileiros nesse mês de março.

Gran Torino marca a despedida de Eastwood como ator, e no filme ele interpreta um velho chato, quadrado e preconceituoso, chamado Walt Kowalski, que guarda velhas feridas da Guerra da Coreia e não consegue se aproximar dos dois filhos e dos netos. Após a morte de sua esposa, passa os dias conversando com amigos ou sentado em sua varanda, tomando cerveja e observando a rua, lastimando a “invasão” asiática e latina ao outrora pacato bairro em que vive.

O bem mais precioso de Kowalski é um Ford Gran Torino, modelo 1972, bem cuidado e conservado em sua garagem – simbolizando o seu apego aos valores do passado. Uma noite, o vizinho Thao (descendente da etnia Hmong), tenta roubar o Gran Torino, como uma prova de iniciação à gangue de seu primo, mas é surpreendido por Kowalski e seu rifle. A família se sente humilhada pelo gesto do rapaz e passa a encher Kowalski de presentes, mas esse rejeita tudo o que recebe. A aproximação entre Kowalski e a família Hmong só acontece através da irmã de Thao, Sue, que enfrenta com bom humor a antipatia do velho ranzinza e ainda lhe diz umas verdades. Aos poucos, o gelo vai se quebrando e Kowalski tem a chance de fazer boas ações e se livrar dos fantasmas que o perseguem há tanto tempo.

gran_torino

A trama pode ser previsível, a história pode ser clichê, mas o que torna Gran Torino um filme marcante é justamente a atuação de Clint Eastwood, cujo timing é preciso tanto em momentos cômicos (Kowalski enfrentando três rapazes negros que estavam incomodando Sue) quanto em instantes de emoção intensa (Sue chegando em casa após ter sido estuprada pela gangue do seu primo).

Em Gran Torino, Kowalski (e a América do Norte como um todo) reconhece o valor dos imigrantes, quando se dá conta de que são apenas seres humanos, e assim percebe que há imigrantes de boa índole e imigrantes mal caráter. No entanto, na hora do “vamos ver”, quem parte pra briga e resolve a parada é o heroi/mártir estrategista e individualista norte-americano, bem ao estilo John Wayne.

Em sua despedida da frente das câmeras, Clint Eastwood faz uma volta ao seu começo, ou seja, um valentão que defende com unhas e dentes o seu quinhão, fazendo valer os ensinamentos da velha escola, da velha América, frente às ressignificações culturais, étnicas, políticas e econômicas que vem ocorrendo no mundo todo; embora dê algum crédito ao novo, deixando que ele siga o seu caminho, sob algumas concessões, é claro.

close_milenaMilena Azevedo é Mestre em História pela UNISINOS (RS), empresária, poeta, contista e roteirista de HQ. Tem dois livros de poemas publicados: O Perfil da Águia (1999) e Prometeu Livre – um outsider no Olimpo (2005), já ganhou prêmios no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro (participando inclusive da coletânea com os 100 melhores poemas dos anos de 2003/04 e 2004/05, além de estar presente também no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea/2005, todos da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores). Tem contos e poemas publicados aqui e acolá nessa imensa teia eletrônica que é a Internet, além de participar de antologias da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores e da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

Post to Twitter

[ARTIGO]
WATCHMEN: A RESENHA DE QUEM NÃO LEU A HQ
por rosilene pereira

23 março 2009 § 6 comentários

Watchmen

- Você já ouviu falar em “Watchmen”?
- Não.
- Ótimo!
- É o quê?
- Um filme. E a gente vai escrever uma resenha sobre ele!
- Vou escrever assim, sem nem saber que filme é esse?
- Sim!

Esse foi o diálogo emeesseênico entre mim e Patrício, no qual eu topei essa espécie de “teste-cego” pra escrever sobre Watchmen – O Filme. A essa hora (terceiro intervalo do dominical “Fantástico”) penso que ele, fã da HQ que originou a película já, deve ter uma resenha rebuscada, profunda e toda amarradinha com argumentos convincentes sobre as suas impressões. Eu fui pro cinema sabendo apenas que era um filme inspirado nos quadrinhos desenhados por Dave Gibbons e escrito por Alan Moore pelos idos de 1985 (o que, de fato, não quer dizer nada a quem vive à margem desse tipo de revista, como eu). Mas senti a importância da matéria quando estava indo, atrasadíssima, ao Cinemark pegar a sessão das três e cinco, e por acaso comentei com meu sobrinho de quinze anos que estava indo ver o tal longa.

- Ai, eu quero ir com você!
- Pois então corra!

Chegamos a tempo, mas ele não pôde entrar. Não imaginei que um filme “de desenho” pudesse ser proibido para menores de dezoito anos. Mas era. E não adiantou dizer que eu era responsável por ele, nem mostrar a identificação de jornalista, que iria escrever um texto, nada. A bilheteira sugeriu que ele fosse assistir ao besteirol “Um hotel bom pra cachorro”, o que lhe soou como um insulto à sua inteligência. À contragosto, teve que se contentar com “Jogo entre Ladrões”, para não ficar boiando durante as mais de duas horas e meia de “Watchmen” que eu tinha pela frente.

Mais ou menos, a ficção mostra uma realidade futurista – só que ambientada nos já passados anos oitenta – na qual super-heróis que curtem uma merecida aposentadoria se reúnem para investigar a morte de um colega. Nisso, descobrem um traidor no grupo e por aí se desenrola uma trama com focos oscilantes os quais o espectador tem que ficar ligado para acompanhar. O fim da Guerra Fria e um relógio que mede a tensão entre os Estados Unidos e a falecida União Soviética está sempre parado nos cinco minutos para a meia-noite, anunciando que uma tragédia pode acontecer a qualquer momento.

A garota da fila de trás não devia ter capacidade intelectual mínima para entender a história e, por isso, se refestelava fazendo comentários óbvios o tempo inteiro. O herói fora assassinado? Ela dizia que ele havia sido assassinado. Em voz alta, friso. Eu, que nunca fui fã de desenhos nem nada, e já estava ali com a capacidade máxima da minha boa vontade, fui ficando aborrecida. Para que o leitor não diga que eu estou sendo injusta, conto que a excelente trilha sonora me fez desistir de abandonar a sala lá pelo final da segunda hora. Me alegrou o coração ouvir a romântica “The Sounds of Silence”, de Simon e Garfunkel; a melódica “Hallelujah”, de Leonard Cohen; e alguns clássicos do trio de inquestionável qualidade Jimmy Hendrix, Janis Joplin e Bob Dylan. E nas horas em que subia o áudio, iupi!, não se podia ouvir a comentarista para quem eu já havia pedido silêncio duas vezes.

A produção jorra um pouco de sangue demais, é verdade, e mostra uma cena de sexo – mas nada que não se veja em um canal de TV aberta, por exemplo. Por isso não vi motivos para uma classificação etária tão alta.

Quando saí, meu sobrinho Mateus já me esperava à porta, com a pergunta ansiosa na ponta da língua:
- E aí?
- Ah, a trilha é muito boa, mas resumindo, eu não gostei não…
- Deve ser mais interessante pra quem gosta mesmo de quadrinhos, como eu, né?
Resumiu o meu conceito final.

Para saber mais sobre “Watchmen”, que lá pelas salas inglesas já desbancou o vencedor do Oscar desse ano, indico acessar a bíblia dos filmes, o IMDB.

Para ler a resenha de quem já leu o gibi “Watchmen”, clique aqui.

Post to Twitter

Where Am I?

You are currently browsing entries tagged with colaboração at PLOG.