Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[NO CINE] “UP – ALTAS AVENTURAS” MERECE SER MELHOR FILME DO OSCAR 2010

Posted: fevereiro 10th, 2010 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , , , , , , | 1 Comment »

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Há muitos deve causar estranheza uma animação concorrendo ao Oscar de melhor filme. Foi o que aconteceu com “Up – Altas aventuras”, aposta da Pixar com direção de Pete Docter e Bob Peterson. De todos que comentei sobre a indicação, ouvi a pergunta: “Está concorrendo a melhor animação?”. Também. Mas o prêmio de maior envergadura que a película disputa é outro: o de melhor filme. Com fortes concorrentes como “Avatar”, “Amor sem escalas”, “Guerra ao terror” e “Bastardos inglórios”.

O fato é que a indicação inédita (a segunda de melhor filme para uma animação, e a primeira nesta categoria para a Pixar) pode, sim, render um Oscar inédito. “Up – Altas aventuras” tem todos os elementos do que chamam de “filme de Oscar”. Uma história universal, protagonistas carismáticos, um enredo cheio de reviravoltas, um roteiro bem amarrado e original, e um final de tirar o fôlego, que mescla aventura, comédia e drama de forma que poucos filmes conseguem.

Tudo começa quando Karl Fredricksen (dublado em inglês por Ed Asner e em português por Chico Anysio), um vendedor de balões de 78 anos, finalmente realiza seu grande sonho: conhecer as Cataratas do Paraíso, na América do Sul. Para isso, Karl prende milhares de balões à sua casa e voa com ela para as florestas. Mal decola, descobre que um escoteiro de 8 anos chamado Russell embarcou com ele na aventura. E a criança é tão otimista, mas tão otimista, que de cara percebemos que essa viagem será um martírio.

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O enredo estapafúrdio de um velhinho voando por aí com sua casa-balão acompanhado de um escoteiro otimista rende seqüências eletrizantes, emocionantes e inesquecíveis. E a condução do filme não cai na roubada de explorar unicamente a relação dos dois (naquele esquema “duas pessoas completamente diferentes presas numa situação cômica). Não. “Up” vai além e constrói um panorama muito mais universal dessa relação, ao ponto de conseguir a façanha de fazer cachorros falantes, pássaros gigantes e livros de memória em branco não soarem como elementos bizarros dentro da narrativa.

Para preservar a força do enredo, não contei o principal fio condutor que une todas essas pontas e transforma “Up” numa história sobre reaprender a viver, descobrir novos sentidos e valorizar a própria trajetória de vida. Assistam o filme, é isso que posso afirmar sem estragar nenhuma surpresa.

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Além do prêmio de melhor filme, “Up” ainda concorre a mais quatro estatuetas: melhor animação, melhor trilha sonora, melhor roteiro original e melhor edição de som. A julgar pela tradição do Oscar (e também pela força do fenômeno “Avatar”) somente uma zebra muito grande daria o Oscar máximo a “Up”. Provavelmente a Pixar terá de se contentar com uma das outras quatro indicações. Uma pena. Sem comparar com seus concorrentes, “Up” é um filme que merece o prêmio de melhor do ano. Assista e você vai entender.

Só pra contextualizar, segue lista completa de indicados a melhor filme do Oscar 2010:
“Avatar”, de James Cameron
“Um sonho possível”, de John Lee Hancock
“Distrito 9″, de Neill Blomkamp
“Educação”, de Lone Scherfig
“Guerra ao terror”, de Kathryn Bigleow
“Bastardos inglórios”, de Quentin Tarantino
“Preciosa”, de Lee Daniels
“Um homem sério”, de Ethan e Joel Coen
“Up – Altas aventuras”, de Pete Docter e Bob Peterson
“Amor sem escalas”, de Jason Reitman


[CINEMA]
VALSA COM BASHIR: LEMBRANÇAS DE UMA GUERRA QUE SE QUER ESQUECER
por milena azevedo

Posted: maio 4th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , | 1 Comment »

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O cérebro humano é mesmo algo incrível. Para nos salvaguardar de experiências traumáticas, simplesmente deleta as imagens, confundindo a nossa memória. Mas o que fazer quando pequenos flashes de lembranças desagradáveis se manifestam em forma de sonhos?

O cineasta Ari Folman resolveu fazer um documentário em formato de animação, desenhado por David Polonsky, chamado Valsa com Bashir – que também resultou numa história em quadrinhos, publicada recentemente, no Brasil, pela L&PM (colorido, papel couché, R$ 46,00) –, para contar ao mundo a sua experiência com os mistérios da falta de memória sobre a sua participação na Guerra do Líbano, mais especificamente no massacre ocorrido nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, no ano de 1982, quando os cristãos falangistas mataram sem dó nem piedade os palestinos muçulmanos.

A história toda tem início quando um amigo de Folman lhe relata um estranho sonho com cachorros, intrigando-o porque esse sonho remetia à lembranças da Guerra do Líbano, lembranças essas que ele não tinha, mesmo sabendo que esteve lutando, como soldado, por lá.

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Não entendendo o que está acontecendo e sendo perturbado por um sonho recorrente, onde ele e mais dois amigos, dos tempos da citada guerra, saiam do mar e caminhavam nus, em direção à Beirute, parte para encontrar esses amigos e descobrir o que é real e o que é “construção” da sua memória.

Para surpresa de Folman, alguns desses amigos também não lembram de várias passagens da Guerra do Líbano. Isso faz com que ele fique ainda mais confuso, até que conversa com a professora Zehava Solomon, a qual lhe explica sobre o “evento dissociativo”, um trauma de guerra bastante comum.

Apesar de tudo o que descobre, as memórias sobre o massacre de Sabra e Chatila ainda não são claras. Folman averigua mais um pouco. Sua mente culpada não lhe permitia enxergar, então ele relembra que esteve mesmo lá, disparando sinalizadores noturnos, mas logo declara que não viu nada da matança. E então, quando as memórias mais dolorosas regressam à sua mente, as imagens passam a ser fotografias, não mais desenhos. Foi real. Foi desumano. Foi algo a ser esquecido, mas que não podia ser apagado dos olhos do mundo.

Por Milena Azevedo

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