[ARTIGO]:
UMBIGOSFERA: A PERIGOSA TENDÊNCIA DA BLOGOSFERA
Posted: abril 8th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: blogosfera, internet, polêmica, rosana hermann, scrpt, twitter | 6 Comments »
Um post sobre um tal script de popularidade no Twitter deixou a blogosfera em polvorosa. Posts irados, mensagens de ódio, notas de repúdio por toda a internet. Mas a verdade verdadeira, a mais contundente, a que ninguém quis postar, é: isso não tem a menor importância. Exatamente, não tem.
O tal post foi de autoria da jornalista Rosana Hermann. Popular na internet, Rosana é blogger do Querido Leitor (um blog pra lá de ruim, que vive de renoticiar o que já foi noticiado). Foi lá que ela postou, no dia 05 de abril, o texto intitulado Um robô de fazer sucesso no Twitter.
Esse “robô” é o tal script que falei. Ou seja, um código que agrega novas funções ao Twitter. Neste caso, a função é simples: adicionar automaticamente todos os seguidores de um determinado perfil. O truque da popularidade vem aí: como é tendência natural que passemos a seguir quem nos segue, o script faz o perfil de quem o usa subir astronomicamente de importância dentro do site.
A questão é essa: dentro do site.
Ao contrário do que muitos alardearam por aí (chegaram a falar em “ética 2.0”, minha gente!), o que Rosana Hermann fez não é nada demais. Nada mesmo. É tão “nada” que tem impacto zero sobre o mundo real. Afinal, que diferença faz ser a mais ou menos seguida no Twitter? Aliás, que diferença faz o Twitter? Apesar da falta de importância, falaram em credibilidade, em ética, em moral. Esqueceram de falar em relevância. O debate sobre métodos honestos de conseguir popularidade no Twitter é tão irrelevante que já está me dando vergonha de escrever esse post. Mas vamos lá.
Pra quem não enxerga o mundo como um código de html, o texto na verdade começa aqui. A blogosfera (e todos os seus derivados, a saber: twittosfera, orkutosfera, fotologosfera, etc) demonstra uma perigosa tendência de se fechar em seu seu próprio mundo e se trnasformar numa umbisgofera. Muito blogs começam interessantes, falam sobre assuntos legais, mas com o ganhar de popularidade acabam caindo na pior das metalinguagens: passam a falar somente sobre blogs. Acontece também em outras redes sociais. Já se nota que os mais populares do Twitter não têm outro assunto a não ser o Twitter. No Orkut, nem se fala: a importância de um scrap respondido, para alguns, ganhou status de buquê de flores. Patético. E chato demais.
A briguinha pela “popularidade honesta” no Twitter, incitada pelo post de Rosana Hermann, lembra em muito os primórdios do Orkut. Era um tal de “quanto amigos você tem? 20? Eu tenho 499” que dava pena. Parecia pré-adolescente medindo o tamanho do pau. No Twitter, a briga se torna ainda mais bizarra porque envolve um suposto poder de persuasão sobre as massas. Explico.
Marcelo Tas (que já era famoso bem antes do Twitter e ancora um dos programas mais legais da TV brasileira, o CQC), assinou recentemente um contrato com a Telefônica para postar mensagens no seu Twitter sobre um novo serviço da empresa. Foi o suficiente para encher os olhos de ambição das twitcelebrities. Todos acham que vão ganhar uma boquinha com seu perfil. Mas não vão. Caiam na real, por favor. Marcelo Tas existe no mundo real. Tem influência real sobre a opinião pública. É um comunicador com um lastro de popularidade que vem desde os anos 80. Marcelo Tas não é apenas um avatar com 10.000 seguidores no Twitter.
A revolta pelo truque que Rosana Hermann usou é uma bobagem. Uma infantilidade. Uma falta do que fazer da blogosfera. Poderiam investir energias em assuntos mais interessantes. Tá parecendo a Globo, que lança um programa e noticia em seus telejornais. A blogosfera tá virando isso: uma Rede Globo. A diferença é que o único programa da blogosfera é o Vídeo Show. E eu não vou mais tomar seu tempo com isso. Prometo.



Parece tanto discussão sobre o tamanho do pau que já existe um site para calcular o tamanho do seu e-penis no twitter [ http://www.epenis.nl/ ]. Pode, um negócio desses?
E esse post foi retuitado… concordo com uma coisa: o que os usuários do script fazem não teria nenhuma importância se no final das contas as pessoas escolhessem mesmo quem elas seguem. Eles que adicionaram em massa… só conseguiram seguidores porque as pessoas adicionadas por eles através do script se “interessaram” em segui-los de volta.
O que está pegando mesmo, que deixou a coisa FEIA, é que todos após verem seus índices aumentando, dão unfollow nos novos seguidores, afinal, impossível ler tantos tuítes!
Além disso, Rosana Hermmann nega até o fundo do narigão dela que tenha feito isso, afinal, era tudo apenas uma brincadeira… que foi crescendo… etc.
Ela alega ter sido um “estudo”.
Quem faz experiência, faz com cobaia, não no perfil oficial.
Quando a merda espalhou no ventilador ela pegou a saída mais rápida pela esquerda… e deu no buxixo que deu.
Errada ela não tá, só agiu de forma infantil e FEIA. Mas é tão fácil de resolver essa bobagem toda, bastava quem achou ruim, parar de segui-la… não fala nada que aproveite mesmo!
Enfim… vou trabalhar que ganho mais…
Rapaz, quanta comoção por algo tão tacanho. Temos que ter cuidado para que o mundo virtual não seja “a caverna” dos dias de hoje.
Frases matadoras: “Pra quem não enxerga o mundo como um código de html, o texto na verdade começa aqui.” – “Parecia pré-adolescente medindo o tamanho do pau.” – “Caiam na real, por favor. Marcelo Tas existe no mundo real. Tem influência real sobre a opinião pública.”.
Porra Patrício, a realidade (ou irrealidade, como cada um prefere) é cruel. As citações antropocentristas da mídia digital nos afastam de boas discussões e nos jogam em problemas pessoais, individuais e de interesses que deveriam ser exlusivamente nossos.
Bom post.
Este post é o mais real e profundo que já li a respeito do mundo virtual…
Essa constante busca, excêntrica, egocêntrica e esquizofrênica por status é ridícula. E o lance da metalinguagem é fato: os assuntos vão ficando cada vez mais chatos, e isso é tendência.
Antes chamavam a internet 2.0 de agregadora de conteúdo e interativa, agora devemos nos dirigir a ela como “geradora de conteúdo auter-egoativa”, se me permitem o neologismo.
Patrício, você não deveria ter perdido seu tempo escrevendo esse texto. E eu nem deveria perder meu tempo comentando, mas…
Bem, é interessante ver na internetosfera alguns padrões de relações de poder que simulam as relações de poder do “mundo real”. Se bem que às vezes o capital de poder que alguém tem na “vida real” pode influenciar sua aquisição de poder “virtual”, algumas pessoas que nunca tiveram o nome renomado “lá fora” o conseguem “aqui dentro”, e acabam constituindo uma trama de relações de poder (seria uma objeto de pesquisa muito interessante para Michel Foucault) com suas próprias regras, papéis e atores.