[ARTIGO]
CAMINHO DAS ÍNDIAS: LIXO EM HORÁRIO NOBRE
Posted: fevereiro 13th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: artigo, televisão | 13 Comments »

>>>>>>>>>> "Todos os anos milhares de garotas indianas são assassinadas só porque são garotas". Anistia Internacional.
A Globo é especialista em forçar a barra. Mas com “Caminho das Índias” foi longe demais. A novela tem o claro objetivo de se tornar uma moda e emissora nem disfarça: antes da estréia, já alardeava que os motivos indianos estavam tomando conta das ruas. Seria muito bom que fosse um fracasso, pra ensinar a Globo umas boas lições sobre os limites da formação de opinião. Pelos índices do Ibope, resta uma esperança: a trama de Glória Perez patina com uma média de 36 pontos. “A Favorita”, a antecessora, teve média de 45 (que já foi baixa pros parâmetros globais).
A Globo está fazendo de tudo. Matérias sobre a índia no Fantástico, Globo Repórter especial, Jornal Hoje noticiando que as roupas de Maya conquistaram as mulheres. Só o que não fez foi o principal: investir numa boa história.
“Caminho das Índias”, como toda novela de Glória Perez, é uma sucessão de acontecimentos sem sentido falsamente baseados em uma cultura distante. Ou seja, a Índia não é daquele jeito. Em uma entrevista, comparando-se à Janete Clair, Glória Perez disse que era uma ficcionista e não uma jornalista. “Eu invento histórias, elas não precisam ser reais”, argumentou a autora. Eu discordo taxativamente. As melhores histórias que já li, por mais inventivas que fossem, jamais perdiam uma característica primordial: a verossimilhança. De “O Estrangeiro” de Alberto Camus (um homem não demonstra emoções com a morte de sua mãe e é preso como suspeito) até “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley (no futuro, a reprodução é assistida, o amor é proibido e os seres humanos são criados segundo a função que vão desempenhar), todas as histórias eram plausíveis.
Assisti apenas ao primeiro capítulo de “Caminho das Índias” e foi o suficiente. Se eu só assistir ao último, entenderei a história por completo. Primeiro, a facilidade com a qual os personagens voam do Brasil pra Ásia – sem demonstrar cansaço ou desconforto com o fuso horário, sem ter problemas de visto, muito menos qualquer preocupação com o dinheiro – é irritante. O fato de todo mundo falar português (independente do país em que está) e de vez em quando soltar uma expressão em indiano é outra coisa que me tira do sério. Outro ponto fraco é o didatismo sobre a cultura hindu. Já falaram tanto de brâmanes e coisas afins, que fica difícil torcer pelos personagens: eles parecem mesmo catedráticos de cultura indiana num mestrado chatíssimo sobre culturas exóticas (aliás, a própria expressão “cultura exótica”, repetida à exaustão nos telejornais da emissora, me dá náuseas).
Mas tudo isso é o de menos, afinal defeitos aparecem em diversas obras da televisão e a gente passa por cima e continua achando bom. “Lost”, “Heroes”, “CSI”, até mesmo meu xodó “Fringe”, dão lá suas escorregadas. Mas compensam por nos apresentar tramas bem boladas, muitas delas originalíssimas. Não é o caso da história da Globo.
Toda novela de Glória Perez é igual. Compare. A começar pela cultura distante. “Explode Coração” e os ciganos, “O Clone” e os árabes, “América” e os estadunidenses, e agora nos empurram a Índia. O segundo passo da receita de bolo de Glória Perez é uma protagonista que quer ir contra as tradições. Dara, Jade, Sol, Maya: todas elas são iguais. Além de terem nomes de cachorro poodle, foram obrigadas a se casar com um homem que não amam e são apaixonadas por outro. Dara tinha o cigano Igor (numa atuação histórica, na qual a tentativa de ator Ricardo Macchi expressava emoções com o pâncreas), Jade tinha Saydi, Sol tinha o americano sem graça e Maya tem Márcio Garcia. Elas passam a novela toda sofrendo para se adaptar a uma cultura estranha, de onde quer que ela seja, e no final, após litros e mais litros de lágrimas, provam que correr atrás dos próprios sonhos vale a pena. Acho que vou vomitar.
“Caminho das Índias” é mais um excremento viscoso escorrendo de nossas telinhas. E não incomodaria tanto se a Globo deixasse de tentar empurrá-lo nossa garganta abaixo. Apesar de não estar assistindo à novela, sei de tudo que acontece nela. É impossível permanecer alheio. A índia está em todos os lugares, de comerciais no meio da programação a sites de notícias. Uma pena. Gosto de histórias. Gosto de novelas. O problema é que as nossas estão cada vez piores. Sinto uma imensa saudade de quando ninguém sabia quem matou Odete Roitmann.


Se a novela mostra os podres da Índia ninguém assiste? Também estou revoltada em não ver mais o Malvino Salvador no ar… fazer o q?
* Dara tinha o cigado Igor, Jade tinha Sayid …
Jade estava em “O Clone”, Sayid em “Lost” agora falando em “Heroes” pq vc não comenta sobre a novela “Mutantes” que graças a meu bom Deus vai acabar (ou será que já acabou?) depois de quase dois anos testando a minha paciência.
Você tocou num ponto muito importante, verossimilhança e aprendi com meu mestre Hunter Thompson, que não importa se é uma historia real ou não, mais quanto mais verossímil mais verdadeira e autêntica.
É mais uma novela baseada na estética sem conteúdo algum e cheia de preconceitos e idéias distorcidas.
Há muito tempo eu não via uma “novela das oito”. Aí, vi uns capítulos dessa e fiquei de bobeira constatando como o nível caiu. Lembro de grandes novelas como “Vale-Tudo”, “O Dono do Mundo”… Hoje é bobagem por cima de bobagem, tramas absurdas, figurinos exóticos para vender quinquilharia, sem contar a trama, que é frágil, inverossímel – como disse você, Patrício – inverossímel, repito, não porque é ficção, mas porque não tem coerência dramática interna. E tem uns atores que são péssimos, como essa moça que faz a namorada brasileira rejeitada pela família do indiano, ou personagens estereotipados como o pai “sem noção” do boy agressivo e burro. Continuo procurando diversão televisiva para a noite de sexta-feira, sem uma série boa no canal pago, exceto “In Plain Sight”, que com dois capítulos apenas ainda não me ganhou.
Realmente, Glória Perez não tem o menor talento para escrever histórias. Essa sobre a Índia é péssima. Pena que tem bons atores. Não sei como se submetem a essses papéis ridículos. Não aguento mais ouvir “HARE BABA’. Meu Deus, acuda-me!!!
Realmente, Glória Perez não tem o menor talento para escrever novelas. Esta sobre a índia, me dá nojo. Pena que tem bons atores. Não aguento mais ouvir “HARE BABA”. Deus me acuda…
que mal exemplo a novela esta dando para os jovens no geral.podem bater ,roubar ,fazer o que acham que podem e nao tem problema nenhum. estou muito triste com essa novela, que tipo de pai pode aprovar tantos erros de um filho?
[...] Lugar: CAMINHO DAS ÍNDIAS: LIXO EM HORÁRIO NOBRE “Caminho das Índias”, como toda novela de Glória Perez, é uma sucessão de acontecimentos [...]
Vai te fuder, é a melhor novela que ja assisti. (-’-)
Cara, novela é pra se divertir e não pra ficar horrorizado com os problemas da Índia, que não são poucos. De desgraça já basta a realidade. Se você está tão preocupado com os problemas de lá ou do Brasil, o que você faz pra ajudar o mundo? Toda novela de Glória Perez aborda algum problema social. A atual fala dos doentes mentais. Você mesmo diz que não vê a novela, então está sendo preconceituoso, obtuso e finalmente recalcado.
Tem toda razão! Essa novela é um lixo! Não sei como essa bobagem ridícula travestida de novela e divertimento ainda provoca tanta repercussão.
eu adoro esta novela, voçe esta a ser preconceituoso, porque e que nao vai fazer a sua propia novela para eu ver. essa novela nao tem de ser verdadeira so tem de entreter as pessoas.
É, de longe, a pior novela já escrita. Não é mesmo crível que atores de tanto talento tenham se sujeitado a prestarem tais papéis. Lamentável!
A rede globo como a grande formadora de opinião que é deveria se preocupar com as pessoas que assistem a novela e pensam que a índia é tudo aquilo de maravilhoso que eles mostram.
É como retratar o Brasil lá fora mostrando apenas os bairros nobres das maiores cidades.
A última novela que me encheu os olhos foi Senhora do destino, que apesar dos pesares, foi salva pela maravilhosa atuação da Renata Sorrah.