[ARTIGO]
A SKOL NÃO SABE RIR DA VIDA

13 março 2009 § 4 comentários

redondo

Sabe aquelas campanhas publicitárias que têm tudo pra ser sensacionais, mas quando vão pro ar ninguém acha a menor graças? Pois é, esse é o caso do concurso cultural “Redondo é rir da vida”, criado pela agência paulista F/Nazca pra Skol.

A idéia é de primeira: convocar o público a enviar vídeos em que contem histórias engraçadas pelas quais passaram (do tipo “um dia ainda vou rir disso tudo”). Todos os vídeos serão hospedados no site da ação. E os melhores virarão peças publicitárias da Skol e serão veiculados na TV aberta. Para divulgar o concurso, vídeos com estrelas do stand-up comedy nacional (no caso, Rafinha Bastos e Danilo Gentili, ambos do CQC) contando histórias engraçadas foram postados na internet.

Foi com esse tipo de vídeo que os dois (e mais uma galera afiada) fez fama na internet e passou a lotar teatros por todo o Brasil. O stand-up comedy chegou para ficar. Um ator, um palco, um bom texto: pronto, garantia de gargalhadas. E foi essa fórmula que a F/Nazca quis reutilizar em seus vídeos para a Skol. Como exemplo, peguei a peça estrelada por Rafinha Bastos.

Como você mesmo pôde ver, não funcionou. Qualquer outro vídeo de Rafinha Bastos (incluindo aí os excelentes esquetes do espetáculo Improváveis postados no YouTube) é mais engraçado que essa peça produzida pela F/Nazca. A exemplo do que aconteceu com Ruth Lemos (lembra dela?), tiraram a espontaneidade do cara e deixaram tudo com gosto de plástico. Pra quem não lembra de Ruth Lemos, ela foi aquela nutricionista que gaguejou numa entrevista ao vivo e virou uma das primeira webcelebridades do Brasil. A companhia telefônica Intelig contratou a coitadinha pra fazer um comercial e resultado deu vergonha alheira. O mesmo sinto ao ver esse vídeo do Rafinha Bastos.

Não é culpa dele, claro. Nem de Danilo Gentili. Ambos já provaram que têm talento de sobra pro stand-up comedy, fazendo as platéias se rasgarem em gargalhadas com seus textos. O problema é que algumas agências ainda pensam que basta reproduzir fórmulas. Esquecem que o público já está mais que atento às pasteurizações da publicidade. E não engole qualquer coisa.

Pra completar o festival de arrogâncias, um fato triste acabou colado à campanha. O comediante Ronald Rios (que inclusive é amigo de Rafinha Bastos) resolveu postar uma paródia da campanha na internet. No vídeo, ele conta histórias de desastres de automóveis e espancamentos de um pai alcoólatra como se fossem a coisa mais engraçada do mundo. A intenção era apenas fazer rir. Mas a F/Nazca provou – pela segunda vez, inclusive – que não tem senso de humor. Enviou e-mail pro cara pedindo a retirada do vídeo do ar, alegando uso indevido da marca Skol. Ou seja, a agência cagou para o fato de que estava fazendo uma campanha pretensamente viral – e que um dos efeitos de uma bem-sucedida campanha viral é justamente a paródia. Sem querer confusão, Ronald Rios substituiu o vídeo por uma versão “censurada”, sem menções à Skol. E quer saber? É muito mais engraçado que a versão original.

Fica a pergunta: se redondo é rir da vida, porque escolher uma ag~encia que não sabe rir de si mesma?

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4 Comentários

  • At 2009.03.13 18:53, Tiago Moralles said:

    Porra, o stand-up é bacana mas já está ficando gasto para a propaganda. E essa iniciativa da F/Nazca foi realmente bem mal humorada.

    • At 2009.03.16 18:18, leo seabra said:

      Eles não sabem brincar…
      Toda campanha que gera uma ‘polemicazinha’, as agências batem o pé quando levam alfinetadas..

      • [...] do usuário ou banir um conteúdo gerado por ele é ir contra a lógica da rede. Esse é o tipo de ação que se viraliza rapidamente e pode causar sérios danos para a [...]

        • At 2009.11.20 21:17, OCAPPUCCINO said:

          Muito bom o texto, hoje fizemos um posto no blog e citamos a referência do teu PLOG.

          MATEUS

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