Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[ARTIGO]
A ARTE DA INVERDADE (OU: TALITA NÃO, FIALHO, THAÍSA)

Posted: abril 16th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , | 55 Comments »

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Em seu texto Como vencer na crise, Carlos Fialho fala das tramóias que alguns famosos natalenses usam para ganhar dinheiro. Mas meu querido amigo Fialho, movido por sua elegância, prefere usar pseudônimos, técnica que já virou sua marca registrada. Eu, deselegante e sem técnica, não tenho o mesmo escopo moral do meu amigo: assim, leia-se Thaísa Galvão onde vemos Talita Pavão.

Fiz esse preâmbulo para justificar uma coisa: faz tempo que sinto vontade de escrever umas palavrinhas sobre Thaísa Galvão. Por sua parcialidade disfarçada de imparcialidade; por seu talento em manipular a verdade; por sua maestria em conseguir anunciantes de peso pro seu blog (do qual não postarei o link por uma simples questão: não quero dar mais acessos a ela); e também porque apesar de não ser a única a fazer jornalismo tendencioso, se tornou um exemplo dessa prática detestável.

Ovacionada como comentarista política, sem lastro para tal, Galvão conquistou audiência na internet, grandes anunciantes e renome. Mas nem por isso sacramentou um compromisso com a verdade. A blogueira é um exemplo clássico do subproduto gerado da relação promíscua entre jornalismo e poder. Afinal, qual a credibilidade de um blog sobre política no qual os principais anunciantes são Prefeitura do Natal, Governo do Estado e Câmara Municipal?

Mas ela não ataca de tendenciosa só na política. Pelo que se nota, basta oferecer uma contrapartida interessante para que Galvão fique do lado de alguém. Um exemplo: em nota publicada dia desses sobre Marina Elali, a jornalista enaltece o fato de a tentativa de artista supostamente estar numa lista de poderosos da indústria fonográfica mundial. “Marina Elali é mesmo o poder”, inicia ela sua prestação de serviço. Mas em nenhum momento Galvão menciona que a tal lista é, na verdade, uma compilação dos clientes do produtor musical Dana Jon Chapelle. E que o único critério para estar ali é ter contratado o cara. Terá sido um deslize do dia-a-dia? Uma falta de checagem de informação? Não. O link que ela disponibiliza leva direto a tal lista, no site do produtor. E está bem claro do que se trata pelo título da página: “Dana Jon Chappelle – Selected Discography”. Ou seja: jabá, amigos, jabá.

Já na eleição municipal de 2008, Galvão foi além de todos os conceitos de antijornalismo. Repercutia caminhadas felizes de Micarla enquanto dava destaque para acusações de abuso de poder da coligação de Fátima. Mas como uma boa antiprofissional da comunicação, não mentia. Porque pseudojornalista que se preze usa somente a verdade: manipulada, distorcida, filtrada, mas a verdade.

Me dei ao trabalho de ir ao blog de Thaísa Galvão e fazer uma busca por notícias referentes a Micarla e Fátima durante o período eleitoral. Coletei referências sobre os dois lados publicadas sempre no mesmo dia. Compare:

02.10
- Micarla lembra voto de Fátima a favor de taxar os salários dos aposentados e inativos.
- Tribuna do Norte publica pesquisa que aponta vitória de Micarla no primeiro turno.

03.10
- Fátima é massacrada por todos os candidatos no debate.
- Micarla é aplaudida ao entrar na capela e ganha presentes de seminaristas.

04.10
- Fátima ultrapassa Miguel Mossoró e assume liderança entre os mais rejeitados.
- Pesquisa garante vitória de Micarla no primeiro turno.

05.10
- Fátima ignora lei eleitoral e visita seções de votação.
- Filhos de Micarla testemunham voto da mãe candidata.

Ninguém vive sem ganhar dinheiro. Nenhum veículo de comunicação sobrevive sem anunciantes. Por isso, em respeito aos seus leitores, muitos blogueiros sinalizam com “post pago” as notas que foram patrocinadas por alguma empresa. É uma questão de transparência. Outros, entretanto, preferem bancar os imparciais para ganhar credibilidade e, assim, conseguir mais benesses pessoais de seus, vá lá, patrocinadores. É a forma como essas relações entre imprensa e poder são tratadas (claramente ou de maneira obscura) que definem o caráter de um veículo. Ou, no caso do blog de Thaísa Galvão, a falta de.


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