Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
Participei como escritor-convidado de dois proveitosos encontros de literatura lusófona: o primeiro em Sintra, Portugal, no final dos anos 90; o segundo, na Ilha de São Miguel, nos Açores, anos depois. De olhos e ouvidos bem abertos, honrado por estar ao lado de artesãos da palavra, aprendi – e muito – com nomes excepcionais como Mia Couto, José Craveirinha, Pepetela, Germano de Almeida, Vasco Graça Moura etc. Portanto, só posso ficar pasmo com a tímida programação oficial do 1º Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Natal (EELP). Afinal, nem de longe traduz o evento alardeado pela Fundação Capitania das Artes (Funcarte), ou seja, de união e difusão da cultura lusófona.
O talentoso angolano José Eduardo Agualusa representará todas as feras estrangeiras de língua portuguesa? O meu conterrâneo João Ubaldo Ribeiro levará nas costas a ausência de figuras expressivas da literatura brasileira? Grande responsabilidade. Cadê os mais conceituados emissários da palavra de Moçambique, Timor-Leste, Cabo Verde, Angola, Portugal e Guiné Bissau? Quais os resultados positivos que serão extraídos deste desencontro lingüístico/literário em hora tão ingrata e com tantas ausências sentidas? Serão concretizados projetos culturais que visam o bem de todos?
Para além das conferências, não se vê no EELP lançamentos de livros, workshops, leituras, espetáculos de teatro, exposições de artes plásticas etc. Está mais para reunião de notáveis escritores/jornalistas do Rio Grande do Norte com duas ou três ricas belezuras de fora para enfeitar o bolo, justificando a grana preta investida. Esta é a intenção real? Então, tudo bem, mas não se deve vender ao público a inverdade de um suposto encontro lusófono internacional. O EELP nem de longe lembra a qualidade (e a organização) do Encontro Natalense de Escritores (ENE), promovido pela gestão municipal anterior. Sei que a “idéia” não é dar continuidade ao ENE, mas onde está a sabedoria em deixar de lado o que funciona com relevância para investir no superficial, na mesmice? Isso é o que chamam de “renovação”?
Dizem que a coordenação está nas mãos do padrasto da prefeita Micarla de Souza e a Funcarte nada apita. Sendo assim, pergunto: é oferta familiar de mão beijada, sem consultoria especializada, sem nenhuma preocupação com o público ou com os escritores interessados no fazer literário ou na discussão da língua portuguesa? Mas dá no mesmo.
Se a Funcarte apitasse sua equipe saberia a diferença entre um Luandino Vieira e um Antônio Lobo Antunes? Duvido. Antonio Nahud Júnior é escritor e jornalista. Autor de nove livros. Três deles publicados em Portugal. Participou como escritor-convidado do ENE, da Bienal do Livro da Bahia, da FLIP, da Bienal Internacional do Livro de São Paulo e da Feira do Livro de Porto Alegre. Escreve também no blog Cinzas e Diamantes.
E finalmente o tal Encontro de Escritores da Prefeitura de Natal parece estar saindo do papel.
Depois de deixar de ser ENE para ser ELE, o encontro passou por mais uma reformulação e virou EELP – Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Natal.
Agualusa é uma das estrelas do EELP
Ao contrário do que foi alardeado, nada de teleconferência com José Saramago nem de show de Gilberto Gil. Mas a programação, apesar de tímida, parece que vai render boas discussões.
A crítica maior fica quanto à data e horário: as principais conferências ocorrem no meio da semana, às três da tarde. Ou seja, se você tem uma vida normal, com trabalho de 44horas/semana, por exemplo, nem pense em participar. Fico na dúvida se a literatura será realmente fomentada ou se ficará restrita ao âmbito de quem já a produz.
Mas enfim, pelo menos temos um encontro de escritores. O evento se realizará nos dias 28, 29 e 30 de abril, no Teatro Alberto Maranhão.
Segue programação abaixo.
1º ENCONTRO DE ESCRITORES DE LÍNGUA PORTUGUESA EM NATAL
PROGRAMAÇÃO OFICIAL:
Dia 28 de abril:
14h00 – Entrega de credenciais
14h30min – Apresentação do Hino Nacional brasileiro pela Orquestra de Violoncelos da UFRN
15h – Solenidade de Abertura
15h30 – Debate: Literatura Lusófonas: Elo entre continentes e culturas
Conferencista: Carlos Reis – Professor universitário e escritor
Moderador: Professor da UFRN
Mesa formada por representantes das cidades participantes da UCCLA.
17h00 – Intervalo com coquetel
17h30 – Continuação do debate
19h00 – Concerto Orquestra de Violoncelos da UFRN
Dia 29 de abril:
15h00 – Debate: Cosmopolitismo, expressões populares e globalização
Conferencista: João Ubaldo Ribeiro – escritor brasileiro
Moderador: Professor da Universidade Potiguar – UnP
Mesa formada por representantes de vários continentes
16h00 – Intervalo com coquetel
17h00 – Continuação do debate
19h00 – Espetáculo musical “No ar” com Valéria Oliveira
20h30min – Encerramento
Dia 30 de abril:
15h00 – Debate: Os desafios das novas tecnologias na literatura
Conferencista: José Eduardo Agualusa – escritor angolano
Moderador: Representante do Ministério da Cultura
Mesa formada por representantes de vários continentes
16h30 – Intervalo com coquetel
17h00 – Continuação do debate
19h00 – Espetáculo musical “FFF” com Chico César
21h30min – Encerramento
“Num deserto de almas também desertas,
uma alma especial reconhece de imediato a outra.”
Caio Fernando Abreu no conto “Aqueles dois”
Esteticamente não é correto começar uma resenha entre aspas, mas quando se fala em Caio Fernando de Abreu a estética é um detalhe íntimo de um casamento de palavras pontual.
Bem, perdoem os detalhes, não sou critica literária, nem teatral, logo não dêem o desconto se eu deixar transpirar a minha idolatria de fã por cada ponto e vírgula que Caio Fernando de Abreu escreve – escreve, no presente.
O SESC, dentro do seu projeto do Palco Giratório, criado em 1998 com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas do Brasil, trouxe ontem ao Teatro Dix-huit Rosado, em Mossoró, o espetáculo “Aqueles dois”, adaptado do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, escritor que, com sua escrita fragmentária e dramática, já contribuiu muito para o teatro contemporâneo. Contemporâneo. É isso.
Ao entrar no Teatro Dix-huit Rosado, que já é charmoso por si só, o impacto das cortinas abertas, causando o efeito contrário do frisson, abriu-se as portas, entrou o público. O Teatro claramente iluminado, o cenário detalhadamente aconchegante, o público que nem estava concentrado porque luzes acesas não acalmam e não foi ocasional – Caio agita mesmo – parou. Parou quando os quatro atores jovens – e vou frisar, SARADOS – entre 30/40 anos, entraram para se aquecer diante dos olhares perplexos.
1ª chamada – A arrumação dos LPs, o conhaque, as réplicas de Van Gogh.
2ª chamada – Arquitetura, Audrey e Shirley, Gene Kelly, Almodóvar.
3ª chamada – Tú Me Acostumbraste.
Raul e Saul, até rimar, rima. No conto, um amor desenvolvido de laços de cumplicidade entre dois colegas de trabalho. No palco, duelos improvisados por quatro personagens que viviam um, que viviam dois.
Emoção.
Monólogos.
Solidão.
Diálogos.
Uma coreografia de improviso. Um ensaio sem adornos. Simples. Limpo. Um exagero clássico, eu diria. Talvez, quem não conhece Caio, não entenda a agonia.
Aqueles Dois – Aqueles Quatro – Sem diretor. Cada ator realiza a sua proposta de direção acumulando edição de roteiro. Com música e ações vocais claras, o elenco consegue simplesmente dar gestos ao processo mental de Caio Fernando de Abreu.
A entrega do público foi sincera e honestamente total.
A trajetória da Companhia Luna Lunera, formada de atores do Curso de Teatro do CEFAR – Centro de Formação Artística do Palácio das Artes, de Belo Horizonte, merece flores. Ontem, na madeira do Teatro Dix-huit Rosado, comemorou sua 172ª apresentação. Até o fim do Circuito 2010 do Palco Giratório, completará 200.
Eu queria que o mundo visse. Mas o futuro do pretérito é um verbo cheio de vontade.
Larissa Gabrielle Araújoé publicitária/marketóloga, pós graduanda em Gestão da Comunicação Empresarial e uma amante de Caio Fernando de Abreu. Atualmente está Gerente de Marketing do Jornal de Fato e Assessora da Prefeitura Municipal de Mossoró. Também tem um blog.
A arte urbana é uma das expressões da arte contemporânea mais populares que existem. Foi através dela que vedetes atuais da propaganda, como o flash-mob e o ambient media, surgiram e se popularizaram. Parece incrível, mas o flash-mob da T-Mobile, por exemplo, só foi possível por causa da influência da arte contemporânea na comunicação.
Sendo assim, não estranhe se logo mais algum anunciante (Sony? Canon? Nikon?) usar de algo muito semelhante ao Wallpeople para divulgar sua marca. A iniciativa começou em Barcelona, na Espanha, através das mãos de dois publicitários muito a fim de fazer arte. David Marcos e Pablo Quijano pretendem compor uma obra urbana inspirada na Internet: o maior mural fotográfico da cidade. O projeto, entretanto, já ganhou o mundo: até agora, cidades como Madri, Valência, Lisboa, Roma, Budapeste, Buenos Aires e Cidade do México já aderiram ao Wallpeople, que se realizará dia 10 de abril de 2010, simultaneamente em todos esses lugares.
Através de páginas no Facebook, pessoas serão convocadas a levar suas fotos para o local em que o Wallpeople acontecerá em cada cidade. Lá, elas colaram seus retratos lado a lado, montando um gigantesco mural coletivo. Segundo David Marcos, em entrevista ao blog Yorokobu, “A exibição desses pequenos fragmentos da vida, reais ou irreais, sempre foi uma atividade própria de espaços fechados. Está na hora de sair às ruas”.
O grande objetivo é resgatar o espírito artístico das cidades, muito atrapalhado por legislações que impediram o desenvolvimento da arte urbana. A inspiração, óbvio, vem do Flickr, maior site de compartilhamento de fotos da atualidade. Para saber mais, busque a ação na internet: tem site, blog, Facebook e Twitter.
Ano passado, no Festival Agosto de Teatro, os mineiros da Cia Luna Lunera apresentaram em Natal o espetáculo “Aqueles dois”, baseado no conto homônimo de Caio Fernando Abreu. Amanhã, terça, 6 de abril de 2010, os mossoroenses terão a oportunidade de ver essa peça dentro do projeto Palco Giratório, do Sesc. A companhia se apresenta no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, a partir das 20h e a entrada será apenas 1kg de alimento não perecível. O programa é imperdível.
Caio Fernando Abreu é uma grande influência minha. Li quase todos os seus livros, alguns inclusive repetidas vezes (como foi o caso de “O ovo apunhalado”). Por isso, fui ao teatro conferir a peça com grande desconfiança sobre o sucesso da transposição do conto para os palcos.
A história gira em torno da relação de Raul e Saul, dois servidores públicos que em meio à rotina de uma repartição, entre máquinas de datilografar e pausas para o cafezinho, descobrem-se apaixonados um pelo outro. No conto, Abreu carrega as tintas na atmosfera opressiva que a repartição representa, com as maledicências comuns em ambientes onde convivem pessoas frustradas. Incrivelmente, os mineiros conseguem levar toda essa atmosfera para os palcos com sucesso.
O trabalho cênico, focado num cenário multifuncional, que se transforma em repartição, apartamento, rua, tudo num piscar de olhos, faz a história fluir exatamente da maneira como flui no conto: poeticamente, sem apelações, dando muito mais destaque aos sentimentos do que aos atos. A cena final, quando finalmente “Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre”, é de um impacto visual fortíssimo. Estranhamente, em Natal ela provocou risos nervosos e um ensaio de vaia infantil. Dêem-me notícias sobre as reações em Mossoró.
Se ficou curioso, veja um trechinho da peça:
O projeto Palco Giratório levará ainda uma oficina de atores para Mossoró, com os próprios rapazes da Cia Luna Lunera. A programação completa segue abaixo.
Projeto Palco Giratório
Programação
Dia 05/04
Oficina “Ator Criador” – Cia. Luna Lunera (MG).
(Classificação: 17 anos)
Local: Sala de Ensaio do Teatro Dix-Huit Rosado
Horário: 18h às 22h
Inscrições pelo telefone: 3316-3665
Dia 06/04
Oficina “Ator Criador” – Cia. Luna Lunera (MG).
(Classificação: 17 anos)
Local: Sala de Ensaio do Teatro Dix-Huit Rosado
Horário: 14h às 17h
Inscrições pelo telefone: 3316-3665
Espetáculo “Aqueles Dois” – Cia. Luna Lunera (MG).
(Classificação: 16 anos)
Local: Teatro Municipal Dix-Huit Rosado
Horário: 20h
Entrada: 1kg de alimento não perecível.
(Senhas antecipadas no SESC-Mossoró e no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado)
O projeto Le tour du monde en quatre-vingts secondes (“A volta ao mundo em 80 segundos”) é uma dessas idéias ‘zecacamargueanas’: o fotógrafo francês Alex Profit caminhou mais de 32km a pé, por diferentes cidades do mundo, sempre registrando com uma câmera fotográfica as suas andanças; depois, reuniu tudo num vídeo de 80 segundos, que é uma grande caminhada por cidades como Cairo, Hong Kong, Londres e São Francisco.
Foram tiradas 640 fotografias a uma velocidade de 8 por segundo, em 8 semanas de viagens intensas. Zeca Camargo total! O projeto foi patrocinado pela Sony e o site da ação está hospedado dentro do site da marca. É o supra-sumo do advertainment: divertido pra quem assiste e mais ainda pra quem produziu. Vejam o vídeo abaixo.
Alex Profit: “Le tour du monde en quatre-vingts secondes”:
O SINDJORN – Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte divulgou no último dia 1º de abril nota de repúdio à agressão sorfida pelo repórter do Novo Jornal Fábio Farias, noticiada aqui no PLOG no texto Jornalista do Novo Jornal é agredido por militantes da Governadora Wilma de Faria. A agressão foi feita por militantes do PSB, quando Fábio cobria a inauguração do Complexo Cultural na zona norte de Natal. O repórter levou um soco e um tapa no rosto quando anotava a placa da van que recolhia militantes após a inauguração feita pela Governadora Wilma de Faria, também do PSB. Segue a nota.
NOTA DE REPÚDIO
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN, no uso do pleno direito que lhe confere a Constituição Brasileira, vem a público repudiar as agressões praticadas contra o repórter do Novo Jornal, Fábio Farias, quando fazia a cobertura da inauguração do Complexo Cultural de Natal, no conjunto Santarém, na zona Norte da capital, na última terça-feira à noite.
Ao mesmo tempo, o SINDJORN se solidariza com o profissional agredido, em pleno exercício de sua atividade jornalística e, disponibiliza, caso considere necessário, o setor jurídico da entidade. É inadmissível que em pleno estado democrático de direito, os jornalistas ainda se deparem com cenas de agressão que são cometidas por pessoas contratadas para fazer a segurança dos convidados e do evento.
Resgatar a truculência como instrumento de intimidação do trabalho jornalístico é uma prática que merece a condenação não apenas da categoria e do SINDJORN, mas também de toda a sociedade. Entendemos que, num momento desses, em que o exercício profissional tenta ser cerceado por meio da agressão física, calar-se pode significar não somente omissão, mas conluio com a violência, o que seria totalmente injustificável em se tratando de uma entidade que defende os jornalistas do Rio Grande do Norte. Aproveitamos para reforçar que não pode haver sociedade justa e livre com a imprensa sob ameaça.
Nelly Carlos Maia
Presidente Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN
Capa clássica: há milhões de réplicas dela pela internet
Com um mote desses, surge a pergunta: como celebrar os 43 anos do álbum da melhor forma?
O release enviado pelo Sgt Peppers responde: “Nada mais interessante que movimentar a produção musical da cidade e fãs de carteirinha dos Beatles num festival, que tivesse muita música, qualidade, surpresas e prêmios para todo mundo sair ganhando nessa história”. Fãs de carteirinha do quarteto de Liverpool é o que mais tem. Então, perfeito.
Assim, o Sgt Peppers abre esta semana as inscrições para as bandas que desejarem participar do Sgt Peppers Beatles Fest. O festival que acontecerá em 3 etapas. Até 15 de abril, os interessados devem se inscrever para o festival que no mês de maio terá as seletivas e na semana de 01 a 05 de junho chegará às finais.
A banda vencedora ganhará um prêmio de R$ 3.000,00 e as 8 finalistas gravarão músicas dos Beatles num álbum promocional que será produzido pelo Sgt Peppers juntamente com o Rocket Estúdio.
Excelente forma de comemorar, né?
O Edital e as fichas de inscrição estão disponíveis no site do Sgt. E para mais informações ée só entrar em contato pelo 8855-3916 ou pelo inscricao@sgtpeppers.com.br.
Pra quem se animou, deixo um trecho do excelente Across the universe, filme americano de 2007 que conta a história de um grupo de jovens através de músicas dos Beatles. O trecho abaixo é de “All you need is love”. Vai esaquentando aí pro Sgt Peppers Beatles Fest.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.