Violência contra a imprensa é uma coisa que deve ser repercutida ao máximo, à exaustão, sem pena contra os agressores. E é por acreditar nisso que me solidarizo com o repórter Fábio Farias e o fotógrafo Magnus Nascimento, do Novo Jornal. Ambos foram agredidos – física e verbalmente – na noite de ontem, 30 de março, por militantes do PSB, partido da Governadora Wilma de Faria, quando cobriam a inauguração do Complexo Cultural da Zona Norte, em Natal.
Segundo reportagem do Novo Jornal, os jornalistas foram cercados por três jovens e sofreram ameaças verbais. Segundo Fábio, pelo Twitter, no momento ele tomava nota do número da placa da van que recolhia militantes após a inauguração. O agressor, o rapaz de vermelho na foto abaixo, ainda tentou intimidar os profissionais dizendo eles não sabiam com quem estavam mexendo.
Militante do PSB (de vermelho) agride repórteres do Novo Jornal
Fábio Farias acabou levando um tapa e um soco enquanto fazia seu trabalho de jornalista. Conta Fábio, nas páginas do Novo Jornal desta quarta-feira: “Nos identificamos, mas o cara que me bateu falou que eu não sabia com quem estava mexendo e mandou a gente apagar a foto da máquina e as anotações do número da placa da van que eu fiz”. Depois, não satisfeitos, os agressores ainda disseram aos jornalistas que eles iam se arrepender. Em seguida, foram retirados do local por outros militantes do PSB.
Ainda segundo o Novo Jornal, o grupo de agressores faz parte do que ficou conhecido como “pittboys do PSB”: grupo de jovens, identificados por broches do partido, que marca presença na maratona de inaugurações que o ocaso do Governo Wilma registrou, entoando aplausos, palavras de ordem e, pelo visto, ameaças.
Magnus Nascimento, o fotógrafo agredido, tem inclusive experiência em ter seu trabalho perturbado por truculências. Foi ele o fotógrafo expulso da coletiva de Micarla de Souza, em junho de 2009, quando tentou fotografar a Prefeita de Natal comendo um bolo (absurdo denunciado aqui no PLOG, no texto Jornalista é expulso de coletiva por fotografar Prefeita de Natal).
Jornalistas agredidos por “pittboys do PSB”: repúdio
A violência contra a imprensa é repudiada no mundo inteiro. Não porque jornalistas são espécies raras acima dos outros, mas sim porque necessitam de liberdade para cumprir o nobre papel de registrar a verdade.
A coisa fica ainda mais feia quando se trata do embate Novo Jornal x PSB: o jornal vem fazendo uma oposição declarada ao Governo Wilma, denunciando obras que são inauguradas sem estar terminadas, por exemplo. A própria Wilma de Faria, em seus discursos, tem dirigido críticas diretas ao Novo Jornal, falando que aos veículos de comunicação controlados por políticos não interessa divulgar o trabalho do seu governo. A Governadora se desimcompatibiliza do cargo hoje para tentar uma vaga no Senado ainda este ano.
A agressão, aqui, não pode ser entendida como um simples arroubo de juventude. Foi uma tentativa de intimidar os profissionais do Novo Jornal e fazer calar uma voz de oposição. Contra isso, devemos nos insurgir. Perigoso. Muito perigoso.
Acabei de falar com Nelly Carlos, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte – SINDJORN. Segundo ela, o que aconteceu é inadmissível e deve ser punido. “Acredito que nos dias de hoje esse tipo de agressão é ridícula. O SINDJORN repudia totalmente esse tipo de atitude”, disse-me por telefone. Segundo ela, o SINDJORN vai emitir uma nota de repúdio ainda hoje.
Fábio Farias já prestou queixa e agora o assunto será tratado na Justiça. Como deve ser numa verdadeira democracia.
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Em seu blog, o jornalista Fábio Farias contou em detalçhes o que lhe ocorreu. Para ler, clique aqui.
Essa semana, finalmente, caiu na rede a polêmica performance do artista Pedro Costa. Dentro do Salão de Artes de Visuais de Natal, organizado pela Funcarte, o artista tirou a roupa, ajoelhou-se e retirou um terço de dentro do ânus. Lentamente. Sob o olhar de toda a platéia. E tudo devidamente registrado pela curadoria do evento.
Depois, com a polêmica que a performance gerou, Pedro Costa explicou em matéria publicada no site Revista Catorze: “É uma forma de expressar a descolonização do corpo através da excretação do terço, um dos símbolos do domínio colonialista. E, ao mesmo tempo, expurgar a interdição católica sobre o prazer anal e afirmar o prazer da sodomia”.
Performance de Pedro Costa:
Há muito tempo – muito mesmo, pra lá de 10 anos – que eu não via meus companheiros de trabalho discutindo arte contemporânea. Veja bem, discutindo – apaixonadamente, defendendo seus pontos de vista, concordando e discordando. E olha que trabalho num meio que, teoricamente, tem alto nível cultural. A provocação da discussão, a meu ver, foi a grande contribuição de Pedro Costa para a – combalida – cultura local. A performance dele despertou opiniões iradas no Twitter, gerou discussões em mesas de bar, foi contada como piada, como episódio bizarro, como absurdo. Mas ninguém ficou indiferente. Isso é bom.
A parte ruim – e sim, sempre há uma parte ruim – é que é difícil enxergar arte na tal performance, por mais legendas e explicações e sobrescritos que se coloquem nela. Peço desculpas a meus amigos e leitores que, por ventura, tenham se solidarizado com Pedro Costa. Mas, sinceramente, de arte a coisa toda tem muito pouco. Talvez protesto. Arte, meus amigos, é um pouco mais.
Não estava em Nalva Melo no dia da performance, por isso esperei pacientemente ver o vídeo antes de emitir qualquer opinião. Não esperava que a performance fosse essa coisa seca de sentidos, recheada de aplausos nervosos, desprovida emoções. Quando soube do terço descomido, imaginei algo mais elaborado. Talvez o ponto culminante de um poema sobre sodomia. Ou, quem sabe, o gran-finale de coreografia visceral que revelava um erotismo velado. Mas não. Foi – como se pode ver no vídeo – simples assim: em dado momento, ele tirou a roupa, se prostrou de joelhos e retirou um terço do ânus.
E eu fiquei com essa cara de trouxa que estou até agora, pensando que passo mais de dois anos escrevendo um romance, suando em noites de insônia, cansado em minhas lesões por esforço repetitivo, para ver algo tão pobre ser chamado de arte.
(Arte, pra mim, é a confusão mental e o embrulho no estômago que dá quando encaramos de frente o quadro “Guernica”, de Pablo Picasso, que retrata a matança da Guerra Civil Espanhola num cubismo embasbacante – pessoas mutiladas, sangue, carrancas diabólicas, tudo misturado e tão harmônico que se torna lindo. Perfeito. Numa tela gigante, que mede mais de 7m x 3m. Que nos mostra como somos pequenos em relação aos gênios.
Arte é a sensação de completude que a gente sente quando sai de um Clarice Lispector, após sermos arrebatados pelo talento mágico da escritora em trabalhar seu texto como se fosse um organismo vivo, tudo tão perfeitamente encaixado para soar bem, fazer sentido, ser esteticamente agradável na página. Como quando no romance “Perto do coração selvagem”, ela compôs: “Ainda não se cansara de existir e bastava-se tanto que às vezes, de grande felicidade, sentia a tristeza cobri-la como a sombra de um manto, deixando-a fresca e silenciosa como um entardecer.”
A gente sai dessas coisas sem dúvida de que viveu arte. E pra mim, em minha pouquíssima experiência artística, a arte não deixa dúvidas de que é arte. Contestadora, sim. Gratuita, jamais.)
Parabenizo Pedro Costa pelo ato de coragem, pela polêmica que gerou, pelo choque elétrico de realidade que deu numa cidade acostumada a nunca ser perturbada em seu eterno sono de final de tarde. Mas não pela arte. É preciso mais que um terço excretado para provocar meu aplauso.
Dia 01 de Abril, no TAM, Tripé da Comédia, formado por Murilo Gun, Nil Agra e Hugo Esteves e a presença especial de Rogério Morgado (SP).
- MURILO GUN
Murilo Gun é o pioneiro do stand-up comedy no Nordeste. Integra o grupo TriPÉ da Comédia, que se apresenta semanalmente em Recife, e já participou dos grupos Comédia em Pé (RJ), Clube da Comédia Stand-up (SP), Comédia ao Vivo (SP), Santa Comédia (PR) e Cabaret do Diogo Portugal (PR). Seus vídeos de humor no YouTube já foram vistos por 2 milhões de pessoas e, recentemente, participou por duas vezes do quadro “Quem chega lá” do programa Domingão do Faustão e da Risospectiva 2008 do Fantástico. Aos 14 anos, Murilo ganhou o prêmio iBest com o melhor site pessoal do Brasil (sendo inclusive entrevistado no programa do Jô Soares) e recentemente participou novamente do programa do Jô no quadro Humor na Caneca.
- NIL AGRA
Nil Agra é uma das revelações do stand-up em Recife. Integra o grupo TriPÉ da Comédia, que se apresenta semanalmente em Recife, e comanda o Comédia de Quinta, um laboratório de stand-up comedy que abre espaço para apresentação de comediantes amadores. Já participou de diversos grupos como Comédia em Pé (RJ), Divina Comédia (SP), ImproRiso (SP) e Santa Comédia (PR).
- HUGO ESTEVES
Hugo Esteves é jornalista da Rede Globo do Recife (PE), ator, radialista, músico e comediante stand-up. Integrante do Tripé da Comédia.
- ROGÉRIO MORGADO
Rogério Morgado iniciou sua carreira em 2005 como locutor de radio em São Paulo fazendo um programa de humor diário com imitações e personagens criados por ele. No inicio de 2007 dedicou-se a fazer outro tipo de humor, o “Stand-Up Comedy”, com a influncia de Danilo Gentili que sempre acreditou que seu blog renderia bons textos para o palco, se apresenta inicialmente no show “Comédia Ao Vivo”. Atualmente integra o elenco do show “Divina Comédia”, tendo um publico de 20 mil espectadores em um ano. Participou recentemente da seleção do Oitavo Elemento do CQC (Tv Band) onde chegou ate a semi-final, lugar de destaque que rendeu bons frutos ao seu trabalho como comediante.
O evento tem apoio da rede InterCity Hoteis.
Vendas antecipadas na NOBEL Livraria (Petrópolis, ao lado do CCAB), no telefone 3222-2565 e na bilheteria do TAM.
Meia: R$ 25,00
Inteira: R$ 50,00 (informe-se pelo telefone de possíveis promoções!)
Poucas organizações conseguem usar o marketing viral de forma tão contundente e impactante como as ONGs ambientais. Lembra do cartaz gigante do Greenpeace na Ponte Rio–Niterói durante a reunião do G20? E da piscina de sangue do PETA em Berlim, para protestar contra a matança de animais? Lembra das pessoas de gelo que derretiam lentamente nas escadas do Gendarmenmarkt, em Berlim, em protesto da WWF contra o aquecimento global? Pois é, eles são fodas em criar burburinho e chamar a atenção de todo mundo pras suas causas.
Protesto na Ponte Rio-Niterói: “Clima e pessoas primeiro”
Piscinas de sangue contra a matança de animais
Figuras de gelo derretem em protesto da WWF contra o aquecimento global
Mas nas duas últimas semanas, os protestos ultrapassaram os limites da mera curiosidade e despertaram nas pessoas a vontade de reagir contra abusos cometidos por empresas. Tudo começou com um VT do Greenpeace veiculado dia 17 de março. Nele, um jovem entediado resolve fugir das agruras do seu dia-a-dia moroso comendo um chocolate Nestlé. Quando abre a embalagem, percebemos que o chocolate, na verdade, é um dedo de orangotango! Que o rapaz come naturalmente, derramando sangue sobre o teclado, deixando seus companheiros de escritório chocados. A mensagem final explica a situação absurda: “Exija que a Nestlé não elabore mais seus chocolates com óleo de palma procedente da destruição das selvas da Indonésia”.
Veja o vídeo:
Poderia ser apenas mais um VT grotesco, que vemos por simples curiosidade, não fosse a reação desencadeada na página da Nestlé no Facebook. Os internautas se sensibilizaram com a mensagem e passaram a deixar centenas de comentários no muro da Nestlé, pedindo que ela parasse de destruir florestas para fazer chocolates. Neste ponto, então, a ação tomou um caminho totalmente inusitado.
A Nestlé, por meio dos assessores que cuidam da página, passou a responder os internautas de forma raivosa. Agindo como se fosse uma pessoa sendo agredida, a Nestlé partiu pro mano a mano com o público, respondendo coisas como “Nós temos que ser educados o tempo todo, mas vocês podem se referir a nós como idiotas e até filhos de Satã, com obscenidades e acusações de práticas sexuais incomuns”. Se fosse o perfil de um adolescente vítima de bullying, a resposta não causaria reação alguma. Mas trata-se da página de uma gigante multinacional. E o público não deixou barato.
O fato é que as respostas mal educadas da Nestlé repercutiram muito, muito, muito mal. E sua página passou a receber, ao invés de centenas, milhares de comentários depreciativos. Em média, 10 novos comentários são postados por minuto, segundo o blog Yorokobu.
Resultado: uma séria crise de comunicação na Nestlé; extração do óleo de palma na berlinda da imprensa; marca do Greenpeace valorizadíssima perante o público. Quem quer saber mais sobre a campanha, pode visitar a página do Greenpeace especialmente criada pra ação, denominada Nestlé Killer. Ou, ainda, protestar também na página da Nestlé no Facebook.
Ainda há quem diga que protestos não levam a nada, não é mesmo?
O advertainment é a união máxima entre o entretenimento e a publicidade. E esse método “novo” de fazer publicidade já tem até seus clássicos, como o curta de Guy Ritchie (de sucessos como “Jogos trapaças e dois canos fumegantes” e “Rock’n’Rolla”) pra BMW, de 2001, estrelado por ninguém menos que Madonna. Usei “novo” assim entre aspas porque o tal advertainment existe desde o início dos anos 2000 e já extrapolou os limites do cinema, migrando para vídeo-games, webséries, RPG etc.
Entretanto, a fórmula “diretor consagrado + marca fodástica” é a maneira tradicional de fazer advertainment. E é a que, em geral, gera mais buzz (em outras palavras, propaganda boca a boca pra marca patrocinadora). Embora seja comum que o produto figure no roteiro (o filme com Madonna, por exemplo, se passa todo dentro de uma BMW), algumas marcas querem mesmo é causar impacto com uma obra de arte e não com uma propaganda longa. Daí, nada estranho que o curta que uniu a vodka Absolut e o diretor Spike Jonze (que tem no currículo obras-primas do cinema contemporâneo como “Quero ser John Malkovich” e “Onde vivem os monstros”) tenha estreado no Festival de Sundance, o mais importante do cinema independente.
“I’m here”, trailler:
“I’m here – a love story in an absolut world” é o título do curta. E as menções à Absolut terminam em seu nome. A história mostra o amor entre dois robôs num mundo em que ser robô não é nada fácil. Claro, muitas supresas fazem parte desde roteiro, incluindo aí o site da ação. Lá, você tem duas formas de assistir ao curta: a versão light, em que você tradicionalmente dá play e assiste ao filme; e a versão absolut, em que você se conecta ao Facebook, convida seus amigos pra uma sessão de cinema virtual, marca a hora em que o filme vai começar e espera todos se conectarem na mesma hora, cada um em seu computador, para assistir “I’m here”.
Em qualquer uma das duas opções, o que vale mesmo à pena é o filme. E ele é Spike Jonze do início ao fim – leia-se: trilha impecável, protagonistas desajustados, elementos dissonantes (como um robô gay que namora namora um ser humano) e um lirismo que poucos diretores da atualidade conseguem extrair de situações estapafúrdia como um robô perdendo um braço num show de punk rock.
Ficou curioso? Duas opções: vá ao site de “I’m here” ou assista o curta todinho, em três partes, aqui mesmo no PLOG.
“I’m here”, parte 1:
“I’m here”, parte 2:
“I’m here”, parte 3:
Bônus track: minha opinião como publicitário
Para um cliente pode ser difícil entender como um curta-metragem que fala de robôs apaixonados pode aumentar as suas vendas. A resposta é: pertinência. A Absolut foca num público jovem, descolado e bem-sucedido financeiramente. E não há melhor maneira de atingir este público do que contando uma história que carrega diversos códigos que estão de acordo com seus perfis. Mesmo sem menções diretas à vodka (um merchanzinho sequer), o curta é uma puta estratégia de marketing. E já nasceu clássico.
A Estante Virtual é uma idéia genial do carioca André Garcia. E, como tudo que é genial, é bem simples: um site que reúne o acervo de centenas de sebos espalhados por todo o Brasil. Ou seja, qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, pode comprar aquele livro fora de catálogo que busca há séculos. E com precinhos muito atrativos.
Pois bem, em 2009 a Estante Virtual deixou de ser virtual durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Um estande oferecia, entre outras coisas, um serviço de troca de livros que deu o que falar. Funcionava assim: você levava um livro que você já leu pra Bienal e trocava no estande por qualquer livro da estante gigante (ou seja, do acervo que reuniu na Bienal livros de sebos de todo o Brasil).
Pois bem, agora a Estante Virtual, sob o comando desse cara aí em cima, promete fazer mais barulho com mais uma ação inédita. De 22 a 26 de março, a Estante vai ter postos de busca em mais de 70 universidades de todo o país. De Pelotas/RS a Boa Vista/RR, passando por Natal/RN, os estandes serão pilotados por sebos, livreiros virtuais e até mesmo leitores, que se engajaram nessa divulgação, como Samia, de Rio Branco/AC, e Tiago, de Santa Maria/RS.
Em cada posto de busca, os visitantes terão um desafio: descobrir um livro que não esteja no portal. O desafio de achar algum título que não está na Estante Virtual será recompensado: quem conseguir realizar a proeza, preencherá um cupom eletrônico para concorrer a R$ 100 em livros por posto de busca. Para tornar as coisas mais emocionantes, o tempo será limitado: 1 minuto, medido por uma ampulheta (de verdade, com areia), que será também presenteada ao ganhador, como troféu. Já quem encontrar todos os livros que procurar (que, garante André Garcia, é o caso mais comum) também vai concorrer a 10 vales de R$ 100 em livros, sorteados entre todos os visitantes, de todos os 70 stands. Os nomes dos ganhadores serão divulgados no blog da Estante Virtual no dia 31/03/2010.
Abaixo, a lista completa das cidades que terão estandes da Estante Virtual (em ordem alfabética):
Aracaju/SE
Belém/PA
Belo Horizonte/MG
Boa Vista/RR
Brasília/DF
Camaçari/BA
Campina Grande/PB
Campinas/SP
Campo Grande/MS
Canoas/RS
Criciúma/SC
Cuiabá/MT
Curitiba/PR
Dourados/MS
Florianópolis/SC
Fortaleza/CE
Goiânia/GO
Ijuí/RS
Iratí/PR
João Pessoa/PB
Juiz de Fora/MG
Leme/SP
Londrina/PR
Macapá/AP
Maceió/AL
Manaus/AM
Mauá/SP
Natal/RN
Palmas/TO
Pelotas/RS
Petrópolis/RJ
Piracicaba/SP
Porto Alegre/RS
Porto Velho/RO
Recife/PE
Ribeirão Preto/SP
Rio Branco/AC
Rio de Janeiro/RJ
Salvador/BA
Santa Maria/RS
São Bernardo do Campo/SP
São José dos Campos/SP
São Leopoldo/RS
São Luis/MA
São Paulo/SP
Sorocaba /SP
Teresina/PI
Tubarão/SC
Uberlândia/MG
Vitória da Conquista/BA
Vitória/ES
Pra quem não leu, um resumo: adquiri um computador de alto valor no site e comi um dobrado pra receber minha encomenda. Quando da publicação do texto, já fazia mais de 20 dias do pedido e nada do PC chegar. A bem da verdade, a encomenda só chegou depois da repercussão do texto na internet (porque, seguindo o conselho de um amigo, enviei o link para todos os e-mails do Compra Fácil a que tive acesso). Enfim, tive que fazer barulho para garantir meus direitos de consumidor. Infelizmente, nem todos têm colunas e blogs na internet pra repercutir suas insatisfações.
Foi o que percebi com o passar dos meses, quando o citado texto continuou recebendo comentários dos leitores, muitos deles contando seus casos de mau atendimento e má prestação de serviço do Compra Fácil.
A leitora que se identifica como Karine, por exemplo, contou que fez uma compra no site de uma piscina no dia 09/11/09, que foi faturada dia 10/12. Após encerramento do prazo de entrega, ela pediu explicações no atendimento via chat, mas não obteve nenhuma resposta. “A atendente ainda teve a coragem de me fazer esperar um tempão para fazer várias perguntas que constam no meu cadastro. Eu perguntei: essa foi a sua forma de resolução? Por que não tenta rastrear a encomenda junto à transportadora? Resposta: Não há essa opção”. Essa, inclusive, é uma falha grave do Compra Fácil: a ausência de rastreamento de encomendas faz o cliente se sentir um idiota. Na minha espera pelo PC, por exemplo, eu ficava imaginando por onde ele estaria, se estava sendo bem tratado, se estavam transportando com cuidado… enfim, um idiota.
A leitora Leca conta que seu caso guardava semelhanças extremas com o meu: “Estou vivendo uma tormenta por uma compra feita dia 22/10/09 e até hoje – 23/11/09 – estou esperando a entrega do produto que teve também um alto custo! E detalhe, além de eu já estar pagando, o pedido consta como entregue!”. Leca também reclama do atendimento do site: “O descaso dos atendentes é o pior! Ainda por cima as ligações são interurbanas e os atendentes te fazem esperar um tempão! Hoje mesmo liguei lá para resolver esse problema e fiquei 25 minutos esperando a atendente me dizer que em todas as outras ligações que fiz me passaram informações erradas e que ela abriria uma solicitação para averiguar onde o pedido foi entregue, por quem e quando!”. Dá pra imaginar um site que compras com uma logística assim?
Além dessas duas leitoras, muitos outros contaram seus casos nos comentários. Hoje mesmo, quase cinco meses após a publicação do texto, recebi mais um comentário para ele: O leitor Fernando Santos conta que comprou móveis para seu escritório “pensando que tinha feito um ótimo negocio”. Mas a novela seguiu exatamente o mesmo roteiro da minha: “Fiz a compra dia 07/03/10 e só dia 10/03/10 que autorizou o pagamento via cartao on-line”. E então, a demora na entrega: “Meu pedido foi expedido no dia 11 de março com prazo de entrega – pasmem – para dia 23 de março!”. Lamento informar, Fernando, mas apesar do prazo enorme, ele não será cumprido. Prepare-se para dias de calvário.
A minha novela terminou quando enviei a história para a coluna “Seus direitos” do Estadão – através do e-mail consumidor.estado@grupoestado.com.br. Os responsáveis pela coluna entraram em contato comigo, pegaram mais detalhes e então enviaram e-mail pro Compra Fácil pedindo explicações. A partir daí, o maremoto de incompetências virou um dia claro de eficiência dentro do Compra Fácil. Rapidinho, acharam meu computador em algum ponto do Brasil e no dia seguinte ele já estava em minha casa. Dias depois, o departamento de marketing do site enviou-me um pen-drive de brinde, como pedido de desculpas. Mas o estrago já havia sido feito: não compro mais com eles, e nem aconselho que vocês comprem. A não ser que gostem de se sentir como idiotas.
Ok, eu tive que ouvir. E depois, eu tive que ver. E mais tarde, umas cervejinhas na cabeça, eu tive que dançar. Estou falando de Lady Gaga. O mais recente fenômeno da música pop, que tanto repele os que não acreditam em previsões do tipo “ela é a nova Madonna”. Não, não é. Não é a nova nada. Mas está num excelente caminho artístico.
Antes de ouvir a tal Gaga, eu tive preconceitos. Mas cedi aos encantos dos amigos que repetiam como um mantra: ouça, ouça, ouça. Ouvi “The Fame Monster” todinho. Tirando um ou outro hit bem dançante, desses que sacolejam qualquer festinha (“Poker face”, “Paparazzi”, “Beautiful dirty rich” e a irresistível “Bad romance” são minhas preferidas), não vi nada demais em Lady Gaga. Popzinho bem feito, batidinhas na medida, atmosfera estranha – mas bem familiar pra quem passou os anos 90 ouvindo o álbum “Debut” de Björk.
Mas eis que me alertam: veja os clipes dela. Foi Marcílio Amorim, DJ e produtor cultural, numa reunião de amigos. Ele foi enfático: veja e você vai se apaixonar. Ok, lá vou todo cético procurar os clipes de Lady Gaga no Youtube. E pronto. Pirei.
A atmosfera estranha de “The fame monster” é elevada à quinta potência nos clipes da cantora. Tudo limpo, plástico, ultrassaturado e muito, muito, muito bizarro. Lady Gaga faz do grotesco a matéria-prima de seus clipes e isso rende imagens realmente impactantes.
Em “Paparazzi”, por exemplo, ela faz a coreografia com muletas, enquanto cenas de modelos lindas (e mortas) entrecortam-se na edição. Em “Bad romance”, a magreza da cantora é explorada de forma perturbadora, enquanto um efeito pra lá de bizarro aumenta os olhos de Lady Gaga. Tem ainda a farra de dinheiro em “Beautiful dirty rich” que chega a ser medonha.
Veja o clipe de “Paparazzi” antes de seguir lendo. Vai fazer você entender melhor o que estou dizendo.
Lady Gaga: “Paparazzi”
Enfim, não me apaixonei pela música de Lady Gaga, mas sim pelo seu senso estético. Distorcido, cruel, perturbador. Lembrei de uma amiga que sempre dizia: “Essa semana saiu o clipe da próxima música que você vai amar”. Pois é, os clipes de Lady Gaga fazem você gostar da música.
Falei tudo isso pra você chegar em “Telephone” com certo conhecimento do universo de Lady Gaga. Em parceria com Beyoncé, o clipe é uma profusão de bizarrices atrás da outra: desde óculos escuros feito com cigarros acesos (!) até uma aula de culinária que ensina como fazer sanduíches envenenados (!!!). Mas o melhor detalhe é a caminhonete que as duas dirigem: a “Pussy wagon”, picape que Uma Thurman rouba quando foge do hospital em “Kill Bill II”. Clássico!
Lady Gaga e Beyoncé: “Telephone”
Não é uma obra-prima, mas garante boas risadas. E, no fim das contas, é justamente pra isso que o pop serve. Não é?
É o osso do teu calcanhar tocando quase suave semi-rude no meu. Esse incômodo do qual tenho medo, recolho os pés, decanto o balé de nossas pernas sob os lençóis. É teu osso. Que não é bem do calcanhar, é um pouco mais acima, é aquele osso arredondado bem no fim da perna início do calcanhar. O que fica na mesma lateral do polegar. Arredondado, saltando de dentro da pele, como dizendo existo. Ressoando no meu osso a vida que corre em você dessa maneira pulsante, desnecessária, bem-vinda. Bem viva. Teu osso que tanto evito, que tomo cuidado, que fujo. Porque é como um alerta de que você existe. Por mais que eu finja às vezes esquecer que ao meu lado há outro corpo, que pela vida sou dois, que pelas estradas sempre terei uma mão instintiva ladeando a minha se por acaso a estendesse. Se por acaso necessitasse. Lá vem teu osso me alertar, quando nós sonolentos, que olha, estou aqui, supervivo em você, posso tocar teu osso do calcanhar quando bem entender. E não é encantador como se procuram nossos pés em meio ao morno das cobertas? Não é realmente intrigante que antes, nas infâncias do que éramos nós, estes mesmos ossos tivessem dificuldade em se bater? E não é realmente surreal que agora, maturados na falta de velocidade dos dias, se encontrem tão facilmente, sem dificuldades, quase como ensaiados? É a síntese perfeita do que é conhecer-se: sei exatamente, sem precisar de olhares, onde está o osso do teu calcanhar. E sei quando está ressecado, apertado pelos pisantes da luta diária por vencer na vida. E sei quando levam cremes para amenizar as rachaduras que você escondia por medo que denunciassem a falta de tua perfeição – como se acaso fôssemos perfeitos ainda estivéssemos juntos (posto que já sabemos, nessa luta de calcanhares diária, que a utopia da perfeição não sustenta a imprecisão da vida). Pisamos firmes, meu calcanhar, pisamos firmes pelos duros caminhos que perseguimos. Sabemos do amargo de alguns olhares, do descaso de alguns dias, da oscilação inevitável do que chamamos sentir. E nos puxamos sem covardias para os itinerários mais ensolarados. Estamos do mesmo lado desse cabo-de-guerra. Estamos, como dizíamos quando descrentes do que nos habitava, encantados. É o osso. O osso do teu calcanhar. Que toca no meu e me alerta. Não é dor. É puro sentir. Destilado sentir. É que se parecem muito.