[NO TORRENT]
VERSÃO 2009 DE “V” NÃO É MAIS TRASH, É CULT MESMO

14 novembro 2009 § 1 comentário

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Se você tem mais de 30 anos (não que eu tenha, que fique claro!), você com certeza se lembra da primeira versão de “V”. Exibida na Globo nos anos 80 e posteriormente reprisada à exaustão no SBT, essa série ficou mais conhecida como “V – A batalha final” e também por escatologias como pessoas lindas e esculturais comendo ratos vivos. Lembrou? Pois é, está de volta. Mas na era pós-Lost, nada no mundo das séries de TV pode ser resumido. A nova versão de “V”, portanto, ganhou finalmente a produção que o enredo merecia. E os atores, e a direção, e a tensão… Enfim, “V” deixou de ser uma série trash. Sua nova versão faz jus às idéias até hoje originais do roteiro. Então vamos a elas. Às idéias.

Tudo começa quando na manhã de uma terça-feira qualquer o mundo inteiro é surpreendido pela chegada de gigantescas naves espaciais, que passam a fazer sombra sobre as maiores cidades do mundo. De Nova York a Rio de janeiro, a humanidade literalmente pára com a chegada inesperada dessas naves. Após um tempo de tensão, finalmente os extraterrestres fazem contato. E eis que a surp´resa é geral: através da líder Anna, uma belíssima morena de fala calma, eles se autodenominam “Os Visitantes” e insistem que vieram em paz. São idênticos aos seres humanos, mas com um detalhe: todos são lindos. Se dizem surpreendidos, porque até então acreditavam que eram a única raça inteligente do universo, e propõem algo irrecusável: em troca de água e outros minerais que necessitam para seguir viagem pelo universo, eles oferecem tecnologia à humanidade. Tecnologia no mais amplo sentido da palavra: cura de doenças, aparelhos eletroeletrônicos que deixam o iPhone com cara de telégrafo, domínio sobre a gravidade, etc.

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É neste ponto que temos contato com os personagens principais da série. Erica Evans, agente do FBI; e Padre Jack Landry, responsável por uma pequena paróquia em Nova York. Como dizem por aí, quando a esmola é de mais o santo desconfia. E esses dois descobrirão mais rápido que qualquer outro ser humano que não é apenas água e alguns minerais o que desejam os visitantes.

Pra não estragar surpresa alguma da série, e manter você tenso desde o primeiro episódio, me resumirei a dizer o seguinte: a chegada dos visitantes abala a estruturas da humanidade de uma forma muito profunda. E os roteiristas são felizes ao explorar todos os matizes desse abalo sísmico. Logo nos primeiros minutos do episódio de estréia, já temos uma excelente questão: o que a Igreja diz a respeito? O Vaticano insiste em afirmar que todos são filhos de Deus, mas a ausência absoluta de menção aos Visitantes nas Escrituras Sagradas deixa até o Padre Jack com uma pulga atrás da orelha. Outra vertente interessante explorada no roteiro é a do terrorismo: a chegada dos Visitantes monopoliza todas as atenções da humanidade, desde os adolescentes até às Forças Armadas. Um prato cheio para que atentados terroristas se proliferem com a velocidade de um 11 de Setembro. Mas o detalhe primordial, que dá um nó ainda mais cego nessa trama, é a revelação de que os Visitante não chegaram naquela terça-feira: estão entre nós há anos e anos, disfarçados de seres humanos, ocupando cargos altos na hierarquia mundial. Ah, sim, e não são tão lindos quanto aparentam.

Como dizia no início, “V” finalmente recebeu uma versão à altura de seu roteiro. Com a tecnologia dos anos 80 e a mania que a TV tinha de deixar tudo explicadinho – subestimando o telespectador – a primeira versão parece muito mais uma chanchada que uma série de ação e suspense. A versão 2009, entretanto, faz justiça às idéias contidas no original. E estão todas lá: a dúvida sobre quem é extraterrestre e quem é ser humano; o fascínio que os Visitantes exercem na humanidade, em especial nos jovens, convertendo-se lentamente em devoção; a sensação de incapacidade que todos sentem diante de um inimigo que banca o bonzinho (mas que pode destruir a Terra apertando apenas um botão); enfim, “V” é uam série que fala de extraterrestres, mas não é apenas sobre eles.

A série está apenas no seu segundo episódio e já consigo escrever laudas e mais laudas sobre ela. É porque a premissa é tão boa que dá margem a criar inúmeras histórias paralelas, interessantes, instigantes e originais. Ao seu lado, neste exato momento, pode ter um ser humano. Ou um Visitante. E como se pode saber?

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[CRÔNICA]
COMPRA FÁCIL: MAS PODE CHAMAR DE COMPRA DIFÍCIL

12 novembro 2009 § 1 comentário

Imploro que não comprem nada no Compra Fácil (www.comprafacil.com.br). O site, na verdade, deveria se chamar Compra Difícil. Braço de e-commerce da famosa revista Hermes, usam de muita incompetência para tornar uma compra pela internet mais complicada que uma compra ao vivo. Eu adquiri um computador no referido site há 15 dias e sei do que estou falando. E se fosse só a complicação, ainda passaria. Mas ainda tem o risco de receber um calote dos grandes. Acreditem: o Compra Fácil não é confiável.

Primeiro, foi uma verdadeira novela para conseguirem faturar meu pedido no cartão. Fiz a compra no dia 22 de outubro de 2009 e até dia 25 do mesmo mês não tinha recebido confirmação de compra. Já imaginou? Com a velocidade que a internet proporciona hoje, você esperar 3 dias pra saber se sua compra foi aceita pelo cartão de crédito? Já pensou se uma loja de roupas, por exemplo, trabalha com esse nível de incompetência? Você vai na C&A, escolhe as roupas, passa seu cartão e espera três dias pra saber se poderá levar a compra pra casa.

O site colocou a culpa em tudo que pôde: no meu cadastro, na operadora de cartão, até num misterioso envio de arquivos! Mas nada disfarçou o real motivo: incompetência pura e simples. E descaso com o consumidor.

Depois de faturada a compra, passei a esperar pela chegada do produto. Pediram-me 7 dias úteis (que já é um absurdo) a contar da data de faturamento. Eu, então, esperei. Contando no calendário, 7 dias úteis como prazo máximo de espera para a entrega seria até ontem (4 de novembro de 2009). Mas nada chegou. Liguei ainda há pouco para o site.  E me informaram algo que não acreditei: o prazo de entrega mudou para o dia 11 de novembro. Como assim mudou? Isso, eles mudaram o prazo de entrega ao bel prazer deles. Como se o consumidor fosse apenas um detalhe (“Ah, se ele esperou 15 dias, espera mais um pouquinho”).

Não obstante, a atendente desligou o telefone na minha cara logo que passei a reclamar da demora na entrega. Liguei de novo. Outra atendente me informou o mesmo absurdo com a desfaçatez típica de quem não liga pro consumidor depois que ele consome. E ainda se negou a informar o nome da transportadora, apesar de estar colocando a culpa nela. “Senhor, foi um problema com a transportadora, não com o site”. Assim é fácil se safar de todo tipo de acusação, né? “Vocês me deram esse flagrante segurando a arma do crime com minha esposa morta aos meus pés e eu gargalhando diabolicamente, mas não fui que matei: foi a transportadora”.

Eu, sinceramente, não tenho mais certeza se o site realmente entregará o produto. E já estou temendo receber um grande calote de 4.000 mil reais (que foi o valor da minha compra). Nunca mais comprarei neste site, recebendo ou não o que adquiri. E amanhã mesmo, vou abrir um processo no PROCON e no Tribunal de Pequenas Causas. É o mínimo que posso fazer para receber um pouco de respeito.

Peço que você também não entre nessa furada. Acredite: não é legal se sentir um idiota ao ouvir a atendente dizer “Senhor, é preciso ter paciência” – como se a entrega do que comprei fosse um favor da empresa para mim! Se não têm competência para fazer e-commerce, que não o façam. Agora, tratar o consumidor como um pulha é algo inaceitável.

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[CRÔNICA]
A POLÊMICA DO DIA

12 novembro 2009 § 1 comentário

Estamos vivendo uma era perigosa. Ou deliciosa. A era da superexposição. Amanhã, você pode ser o pivô da próxima polêmica na internet. Basta vestir uma saia curta e provocar uns neanderthais na universidade. Ou brigar pela prioridade de entrevistar um secretário de Estado. Ou fazer um escândalo na porta da casa do seu ex, pedindo que ele te devolva o chip. Em suma, basta existir. A internet fez com que qualquer um possa se transformar em celebridade instantânea. Não precisa nem de teste do sofá. No futuro, ninguém terá nem cinco minutos de anonimato.

A mais recente webceleb atende pelo nome de Coronel Marcondes Rodrigues. Este ilustre desconhecido é comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e seu mais notório feito até hoje foi dançar a intragável música “Mexa que é de ameixa”, do grupo potiguar Grafith. O coronel estava fardado, em cima de um palco, na formatura dos novos PMs do Estado. Como é de praxe, alguém filmou. Como é de praxe, caiu na internet. Como é de praxe, instaurou-se a polêmica da semana (do dia?, da hora?): como fica a reputação da PM após a dancinha do Coronel Marcondes?

Pra não me alongar no assunto, o baile de Coronel Marcondes não muda nada. Ele não foi, como alguns disseram, flagrado em uma dança sensual. Ele estava numa festa, num ambiente fechado, cercado de pessoas conhecidas e apenas agiu como um ser humano normal: dançou, no auge da alegria, calibrado ou não por algumas canjimbrinas. Isso não importa. O que o fato realmente deve levar a pensar é: e amanhã, será que o flagrante será com você?

A superexposição que a internet causa, obviamente, é o deleite de muitos internautas. Tem gente que reza pra abrir o computador de manhã e já ter acesso ao fato do dia: quer seja a estudante hostilizada da Uniban, quer seja o PM alegre do RN. Nossa ânsia pelas videocassetadas do dia-a-dia não se satisfaz apenas com o Faustão. Precisamos de mais. E tome ex-mulher de Ronaldinho transando na praia, nutricionista gaguejando em entrevista ao vivo, criança voltando dopada do dentista. Quando será que vai chegar a sua vez?

O mais interessante é perceber que nem sempre o flagrante de terceiros é o culpado por expor figuras ao ridículo. Tome-se como exemplo o caso do vereador natalense Paulo Wagner (PV-RN). Eleito em 2008 como vereador mais votado da cidade, Paulo Wagner protagonizou um pequeno escândalo na net esta semana: dirigindo-se ao enterro de um ex-companheiro de profissão, publicou em seu Twitter (@pwagner43) a seguinte pérola: “Tou indo pra Mossoro enterrar uma bicha que morreu era antiga no rádio virou purpurina [sic]”. Paulo Wagner poderia estar apenas confundindo o público e o privado, expondo na internet uma forma carinhosa de tratar um amigo.

Mas o que se seguiu a isso provou que não.

Ricardo Rosado, do blog FatorRRH, reproduziu o que Paulo Wagner publicou em seu Twitter. E foi aí que o vereador mostrou que a linguagem chula e a falta de decoro não são dispensadas apenas aos seus mais próximos. Em resposta ao post do jornalista, que – reafirmo – limitou-se a reproduzir o que o vereador havia escrito sem tecer nenhum comentário a respeito, veio uma enxurrada de impropérios no Twitter do representante do povo. Numa das

mensagens mais leves, Paulo Wagner dirigiu-se ao jornalista da seguinte forma: “Ricardo Rosado bicha da Holanda vai tomar no cu”. O “bicha da Holanda” foi uma alusão ao nome completo do jornalista, Ricardo Rosado de Holanda – um exemplo de como o nosso vereador domina bem as figuras de linguagem.

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Em poucas horas, a mensagem foi retuitada inúmeras vezes, com críticas pesadas ao comportamento indecoroso do parlamentar. Ao ver o estrago, Paulo Wagner apagou as mensagens e se confundiu nas explicações: uma hora disse que havia perdido a senha do Twitter e que as mensagens não eram de sua autoria, outra hora pediu desculpas afirmando que errar era humano. Mas o esforço em se retratar foi em vão. A verdadeira face do vereador,. Que não sabe a difedrença entre linguagem popular e linguagem de baixo calão, já tinha vindo à tona. Num caso clássico de flagrante internético provocado por si mesmo.

Como podemos ver, a era da superexpsoição tem suas vantagens.

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