Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.

[CRÔNICA]
JOVENS ESCRIBAS: UMA IDÉIA MALUCA

Posted: junho 5th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , , , | 3 Comments »
>>>>>>>> Patrício Jr, Thiago de Góes, Carlos Fialho e Daniel Minchoni: lançamento do JE em São Paulo

>>>>>>>> Patrício Jr, Thiago de Góes, Carlos Fialho e Daniel Minchoni: lançamento do JE em São Paulo

Era 2004 e eu recebi um telefonema meio estranho. Carlos Fialho me chamando pra uma reunião. Tinha uma idéia pra me contar. Éramos então não mais que meros conhecidos. Em comum, apenas alguns amigos. Pensei sinceramente: o que esse playboy quer comigo? Mal sabia eu que Fialho não era playboy. E estava falando sério quando dizia que tinha uma idéia.

A tal idéia se chamava Jovens Escribas. E a tal reunião foi entre eu, ele e Daniel Minchoni (Thiago de Góes, do qual dizíamos que era um amigo imaginário de Fialho, só apareceu de verdade algumas semanas depois). Esmiuçando a idéia: ele queria se reunir conosco para criar uma coleção de quatro livros, cada um assinado por um de nós. Topamos.

E então foi pesquisar sobre leis de incentivo, papel pra livro, tipos de capa, formatos, distribuição. No meio do caminho, percebemos que aquilo que estávamos fazendo poderia ser maior. Poderia ir além de uma coleção de quatro livros. Poderia ser algo realmente grande. A maior coisa que todos nós já tinham feito na vida.

Assim, marcamos uma reunião na AS Livros. Chamamos todos os amigos, colegas e conhecidos que sabíamos que escreviam. Estavam presentes umas 30 pessoas. Falamos sobre a idéia de começar a publicar autores inéditos, de mudar a forma como se consumia literatura no RN, de ir além. Alguns acreditaram, outros não.

Pois bem, a idéia maluca está completando 5 anos. E foi coroada com o lançamento de “Mano Celo”, terceiro livro de Carlos Fialho e décimo livro do Jovens Escribas. A coleção de quatro exemplares virou selo literário. Já fomos pra grandes eventos de literatura, já lançamos livros em São Paulo, já percorremos muito chão. Abaixo, você tem um vídeo que conta um pouco dessa história. E se um dia um playboy te ligar com uma idéia maluca, pare pra ouvir. Pode mudar sua vida.

Ps.: Receber a ligação de Fialho hoje me passando o link desse vídeo foi especialmente marcante. Estou finalizando meu segundo livro, o 11º do Jovens escribas. Chama-se “A Cega Natureza do Amor” e deve ir pra gráfica amanhã. Lançamento em julho. Fez todo o sentido repassar a nossa história hoje.


[OPINIÃO]
MICO-LEÃO DOURADO É O CARALHO por Breno Machado

Posted: junho 5th, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , | 4 Comments »

meioambiente

Eu não acredito em quem defende o planeta. Sim, isso mesmo que você leu. Não acredito.

Defender os mares? A Floresta Amazônica? Os dragões-de-komodo? Balela. Todos estão se lixando p’ra isso.

Quem defende causas proambientais não está lutando para manter a longevidade do planeta. Está, sim, tentando garantir a sobrevivência dos seres humanos aqui. E nem são todos os seres humanos, vale salientar. O que o homem quer mesmo é preservar a si mesmo e sua linhagem (e não vou me ater a esse narcisismo, porque eu teria que incluir Freud na conversa e o texto seria no mínimo umas oito vezes maior).

Não estou dizendo que o esforço em preservar o planeta, por causa disso, perca sua legitimidade. O que eu não suporto, contudo é o discurso travestido de “salvem a Mãe Natureza”, quando na verdade quer dizer “salvem o meu rabo”. Se hipoteticamente não houvesse mais nenhum humano por aqui (e nenhuma supernova imprevista destruir todo o nosso sistema solar), a Terra possuiria plenas capacidades de recuperação. Pergunte isso a qualquer cientista da área.

Somos nós que obstamos o processo.

Sabe-se lá o motivo de termos “evoluído” a ponto de não contarmos com defesas naturais para sobrevivência. Não dispomos de garras, presas, asas, pelugem ou habitat natural. De fato, a alternativa foi lançar mão de nossa sapiência para modificar os recursos ao nosso redor e construir artefatos que facilitariam nossas vidas. O barro se transformava em cuia. O cipó se transformava em corda. A pedra se transformava em ponta de lança. E passamos a complexificar os problemas, o que demandou em soluções também mais complexas. Transformamos teares em indústrias, cavalos em automóveis e tambores em iPods. E em meio a esse processo passamos a nos considerar a coisa mais importante desse Universo. Porque só nós temos reveillón, supermercado e Jesus Cristo.

E tudo degringolou. A ponto da Terra chamar nossa atenção p’ra nos avisar que era nossa mãe, mas nós não éramos filhos de puta. Que se a gente não soubesse brincar com os outros irmãozinhos não ia mais ter banho, almoço nem quarto arrumado p’ra ninguém. Fizemos ouvidos de mercador e a situação só veio a piorar. Hoje estamos com uma situação de aquecimento global irreversível, catástrofes naturais avassaladoras e governantes que não param de poluir seus países em nome de um “progresso” que nos levará à extinção.

É fato que muitos estão aí p’ra minimizar os danos… Mas nós nunca defenderíamos o meio ambiente se não fosse por duas palavrinhas: impacto ambiental. E não é simplesmente o impacto que tal ação cause à natureza. E, sim, no que isso vai repecurtir nas vidas dos seres humanos. Mais especificamente, na minha vida.

Não me considerem um pessimista. Não estou convocando todos a um laissez-faire até que tudo exploda e não tenhamos mais chance. Apenas estou criticando o foco que os tais ambientalistas assumem como problema. Se realmente estivéssemos comprometidos em preservar toda a vida no planeta, não permitiríamos que nenhuma árvore fosse derrubada. Nem aquela que compõe o belo telhado da casa do ambientalista. Se o discurso de reposição de recursos fosse igualitário, todo mundo teria um filho novo para substituir o que foi atropelado por um ônibus.

Os únicos “ou” envolvidos nessa função são: ou a gente cuida do planeta onde vive ou viramos carta fora do baralho. Se conseguirmos salvar baleias, araras e a Mata Atlântica no processo, tanto melhor.

Um feliz Dia Mundial do Meio Ambiente para todos.

Breno Machado é psicólogo por formação, escritor por deleite e redator publicitário por teimosia. Webmaster do blog Pense no Haiti. Reze pelo Haiti, onde publica seus surtos literários.


[NOTÍCIA]
JORNALISTA É EXPULSO DE COLETIVA POR FOTOGRAFAR PREFEITA DE NATAL

Posted: junho 3rd, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , , | 19 Comments »

micarla

A preocupação com a imagem está passando dos limites na administração da pop-star Micarla de Sousa (PV-RN). Agora, nas coletivas de imprensa, os fotógrafos devem seguir a direção do secretário de assuntos parlamentares (!), Eugênio Bezerra, nas fotos que tiram da prefeita. Ao menos é isso que podemos concluir com o episódio registrado na coluna de João Ricardo Correia, no JH Primeira Edição desta quarta, 3 de junho.

João Ricardo conta que o repórter-fotógrafo Magnus Nascimento foi expulso da sala onde a prefeita Micarla de Sousa dava uma entrevista coletiva. Quem o expulsou foi Eugênio Bezerra, secretário municipal que na prática é assessor da prefeita – e que já está famoso no meio jornalístico por seu deslumbramento com o cargo. O motivo da expulsão foi a foto acima: segundo a coluna de João Ricardo, “Eugênio alegou que ‘não queria’ que a prefeita fosse fotografada comendo um bolo”. O repórter, entretanto, tirou a foto antes de se retirar.

O episódio se junta a uma série de outros desagravos cometidos por Eugênio Bezerra desde que chegou ao cargo de secretário de assuntos parlamentares. A despeito de não estar clara a sua função (pesquisei no site da Prefeitura sobre a Secretaria de Assuntos Parlamentares e não há informação alguma que explique a utilidade desse órgão, muito menos link para as atividades da secretaria, tampouco um endereço físico do local), Eugênio vem colecionando antipatia de jornalistas por sua truculência em afastar todo e qualquer ser vivo de Micarla de Sousa. Há quem o chame de Kevin Costner, em alusão ao filme “O Guarda-costas” de 1992.

Mais que chafurdar na lama do disse-me-disse, deixo um alerta: o cuidado com a imagem pessoal de um político não pode nunca interferir no trabalho livre da imprensa. O direito de reportar fatos, quer seja um escândalo em Brasília, quer seja a prefeita pop-star comendo um bolo, é inexpugnável. E vale perguntar: se agiram assim com algo tão sem importância, como será quando os jornalistas precisarem cobrir algo realmente desabonador à prefeita?

Micarla é dona da TV Ponta Negra, jornalista formada (assim como Eugênio Bezerra) e filha de um dos mais famosos comunicadores de Natal, o finado Carlos Alberto. Até agora, com falácias e mais falácias, vinha agindo de acordo com sua cartilha populista. Mas esse fato é uma aberração que não tem explicação. E um alerta: imagem não é tudo.


[NA REDE]
COMENTARISTA DA CBN DIZ QUE TWITTER É INÚTIL

Posted: junho 3rd, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: CALEIDOSCÓPIO | Tags: , , , | 3 Comments »

homer0001

Arthur Xexéo, juntamente com Carlos Heitor Cony, tem uma das colunas de comentários mais legais da rádio CBN. Às vezes falam besteira, mas muitas vezes são esclarecedores. Não chego a ser fã dos caras, mas me agrada ouvir suas opiniões (e até discordar delas) sempre que estou indo ao trabalho.

Mas ontem, fui além de discordar de Xexéo: eu simplesmente duvidei da capacidade dele de estar ali. Talvez tenha sido pela ausência de Cony, seu contraponto e escada; talvez tenha sido só mau humor matinal. Enfim, Xexéo meteu o pau no Twitter (e em todas as outras redes sociais) ignorando todos os argumentos a favor dessa tecnologia. E sem usar um só argumento plausível contra.

Clique aqui para ouvir a coluna de Xexéo:

O que me espantou no comentário não foi “o Twitter é inútil”. Afinal, ele tem o direito de dizer isso e, vamos e convenhamos, para muitas pessoas o Twitter realmente é inútil. Meu espanto veio do fato de ter percebido que Xexéo simplesmente não sabe o que é o Twitter.

A opinião dele, por rasa e sem embasamento, me lembrou certos blogueiros que não têm do que falar e acabam trocando alhos por bugalhos. Mas Xexéo é um jornalista experiente, um comentarista de renome. Não entendo como teve coragem de falar de um assunto que não domina, resumindo o Twitter a algo que já não existe mais há tempos: um microblog onde você diz o que está fazendo.

Xexéo ignorou o poder do Twitter para o jornalismo. Ignorou que diversas tragédias foram cobertas primeiro lá para poder chegar à imprensa tradicional. Ignorou que um comentarista não deve falar do que não entende. E provou que está velho. No pior sentido da palavra.


[CRÔNICA]
QUE BOM SER UMA SUBSEDE DA COPA

Posted: junho 2nd, 2009 | Author: Patrício Júnior | Filed under: TELESCÓPIO | Tags: , , , | 4 Comments »

arenadasdunas0001

Eu quero ir pra Rancagua. Aliás, eu tenho que ir pra Rancagua. Há diversos e infinitos motivos para querer conhecer essa cidade. Um deles é que ela se localiza no Chile, um dos países mais legais da América do Sul. Mas a principal razão para querer gastar todas as minhas economias em Rancagua é que ela foi uma das cidades-sede da Copa do Mundo do Chile, realizada em 1962. Só isso já é motivo suficiente para largar tudo e ir pra lá.

Por ter sido subsede de uma Copa da FIFA, Rancagua deve ser uma cidade moderníssima. Deve ter VLT, metrô, trânsito perfeito, ruas sempre limpas, aeroporto internacional, zero de analfabetismo, zero de mortalidade infantil, zero de prostituição. Rancagua deve o ser o paraíso. Já posso antever minha chegada à cidade, desembarcando num dos aeroportos mais modernos que já conheci, para ser saudado por gente educada e bem nutrida, que não enfrenta problemas comuns ao terceiro mundo como tráfico de drogas, violência urbana, fome, corrupção e falta de saneamento básico. Mas lá não. A Copa colocou definitivamente Rancagua no mapa das grandes cidades do mundo. Que subsede, gente, que subsede!

Você já deve ter ouvido falar dessa cidade-modelo, com certeza. Afinal, uma subsede de Copa do Mundo entra definitivamente para o imaginário popular como um El Dorado de perfeição e desenvolvimento. Rancagua faz parte de um roteiro turístico disputadíssimo de cidades-sede da Copa, exaustivamente divulgado e internacionalmente conhecido. E disputa atenções do mundo inteiro com outras cidades-sede como Toluca, Middlesbrough, Ibaraki, Valladolid, Norrköping, Gelsenkirchen e sua maior concorrente nesse multimilionário mercado turístico: Busan, na Coréia do Sul. Você já deve ter ouvido falar de Busan. Tenho certeza.

Ah, como eu quero deslizar macio pelas ruas de Rancagua, no seu asfalto sem buracos, sem imperfeições, sem engarrafamentos. Como eu quero passear pelos parques da cidade, desfrutar da vista panorâmica que a torre de Oscar Niemeyer propicia. Claro que deve haver uma torre com vista panorâmica assinada por Oscar Niemeyer em Rancagua. Afinal, toda cidade realmente desenvolvida tem uma torre com vista panorâmica assinada por Oscar Niemeyer.

Nos fins de tarde, vou passear pelas praias urbanas de Rancagua e ver como a Copa do Mundo de 1962 trouxe à cidade um amplo entendimento de que aquilo deve pertencer aos moradores de lá e não aos turistas. E vou notar que não há prostituição infantil, nem tráfico de drogas, nem conivência das autoridades com delitos que mancham a paisagem de Rancagua com vergonha e pedofilia e exploração sexual e subserviência ao poder do euro.

Antes de sediar uma Copa, imagino, Rancagua deveria ser um caos. Trânsito estrangulado, disputas inócuas pelo poder, prefeitura inoperante, gente que se importava muito mais com a aparência do que com a essência. Mas depois da Copa de 1962, nossa, tudo deve ter mudado. Buracos foram extintos das ruas, favelas foram 100% urbanizadas, a cidade como um todo foi beneficiada pelo frenesi que tomou conta da região em pouco mais de um mês de Copa do Mundo.

Ah, sim, e o estádio! Nossa senhora, que estádio! O antigo Tenientón deve ter sido substituído pelo suntuoso Estádio El Teniente, numa obra faraônica que foi uma das principais responsáveis por elevar a cidade a um dos centros mundiais do esporte bretão. Crianças, jovens, adultos, todos devem ter sido tomados pela alegria efusiva e incontrolável de ser uma subsede. E completamente envoltos por esse sentimento, passaram a praticar esportes todos os dias, sem tréguas (sábados domingos e feriados inclusos), para elevar a população de Rancagua ao posto de povo mais saudável do planeta. Tomara que tenha alguma partida do América de Rancagua contra o ABC Rancaguense. Seria realmente inesquecível.

Já comprei minhas passagens. Ninguém me segure. Vou passar férias em Rancagua de qualquer jeito. E se por acaso eu não voltar, não se preocupe, é normal. Dizem que os gringos costumam ficar por lá. Não deve ser pelas mulheres fáceis, nem pela vista grossa das autoridades a delitos leves como prostituição infantil, nem muito menos pela falta de fiscalização sobre o que entra e sai do país através do aeroporto da cidade. Deve ser pelo ar. Dizem que Rancagua tem o 2º ar mais puro das Américas. Você já deve ter ouvido falar disso.