Sou escritor, jornalista, publicitário e um dos fundadores da Editora Jovens Escribas. Já publiquei dois livros: o romance Lítio e a coletânea de contos A Cega Natureza do Amor. Aqui no PLOG escrevo sobre tudo. E até sobre nada.
De: Patrício Júnior
Para: dep.sergiomoraes@camara.gov.br
Data: 12 de maio de 2009, 09:16
Assunto: Não me lixo
Eu não me lixo para vossa excelência. Nem me lixarei. Não, jamais. Sua declaração, ao invés de despertar em mim a ira da vingança, a vontade de dizer “a recíproca é verdadeira”, fez com que eu acordasse para sua tentativa de colocar a responsabilidade pela crise moral política que vivemos nas costas da imprensa. Não me lixo para vossa excelência. Pelo contrário. Agora, estou atento aos seus passos, vigilantes aos seus deslizes, mais interessado em vossa excelência que qualquer um.
Acusar a imprensa de publicar somente inverdades é uma clara tentativa de desviar o foco e confundir a opinião pública – essa mesma para qual o vossa excelência se lixa. A imprensa, assim como o Judiciário, está fazendo esse país andar. Ambos assumiram o papel que deveria ser do Legislativo – fiscalizar e legislar, respectivamente. Há jornais tendenciosos, sim. Há revistas irresponsáveis, sim. Mas são o mal necessário de uma democracia e vossa excelência, como representante do povo eleito através de um sistema democrático, deveria saber que não há povo livre sem imprensa soberana.
Vossa excelência, com sua empáfia na tribuna, vociferando que foi ameaçando por uma jornalista, não percebeu que não tem o direito de responsabilizar a imprensa pela falta de moral de seu bando. Bando sim. E mais: depois, amansado pelas lentes da Globo, falou baixinho, deu explicações, tentou consertar o que não tinha conserto – será mesmo que vossa excelência se lixa para a opinião pública?
Eu espero que nas próximas eleições a opinião pública se lixe para vossa excelência. Mas até lá, que a opinião pública esteja colada em seus atos, presente em cada um de seus deslizes, disposta a pegar vossa excelência com a boca na botija. Que vossa excelência não tenha mais um dia sequer de sossego, acossado, amedrontado, sufocado pela força dos que não têm importância para vossa excelência. Depois disso, aí sim, poderemos nos lixar. Ostracismo, é o que vossa excelência merece.
Discurso de Sérgio Moraes
Sérgio Moraes tenta se explicar
Envie você também um e-mail para Sérgio Moraes:
dep.sergiomoraes@camara.gov.br
E depois, claro, publique aqui nos comentários.
Muito bem, muito bem, internautouvintes, voltamos com o segundo PLOGCAST.
Neste programa, nossas línguas afiadas voltam seus venenos para assuntos como os 100 mil reais que Edir Macedo está pedindo pra manter o site da Igreja Universal, a sugestão de Lula de criar o “Dia da Hipocrisia” e a proibição da justiça para a Marcha da Maconha.
Além disso, tem notícias bizarras como a Veja copiando na cara dura uma matéria do Wall Street Journal, Courtney Love vendo 700 mil reais se transformarem em pó e a mudança de nome da gripe suína para H1N1.
Por trás dos microfones, Luanda Holanda, Patrício Jr., Marlos Ápyus, Rosilene Pereira e algumas cervejinhas e petiscos (que ninguém é de ferro).
O programa foi gravado sábado, 9 de maio de 2009. E a gente esqueceu de mandar beijo pras nossas mães! Então, lá vai: beijos, mamães!!!
Agora, é dar play aí embaixo e se preparar para detonar nos comentários. Boa audição.
Pauta:
- Comentários sobre primeiro programa e texto A arte da inverdade: 00’48”
- Universal pede 100 mil reais para manter seu site: 12”18
- Justiça proíbe a Marcha da Maconha: 21’00”
- Notícias bizarras: 28’01”
- Bonustrack: exclusiva entrevista com um porco: 41’59”
Vou correr o risco de fazer uma previsão errada. Mas vamo lá: “White lies for dark times”, mais recente álbum de Ben Harper, é o melhor disco de 2009. Acredite.
Dito isso, corra para ouvi-lo. Harper retorna a fontes como Jimi Hendrix e Neil Young, deixa a chatice de lado, acrescenta um pouco de fúria e faz um álbum redondinho de puro rock’n’roll. Puro mesmo. Gravado em parceria com a banda Relentless 7, ao ouvir você tem a nítida sensação de que retornou alguns anos no passado, no tempo do rock arte, do rock moleque, não esse rock de resultados.
O disco abre com “Number with no name”, rockzão dos clássicos que em muito lembra a cadência do Led Zeppelin. A voz, quase rasgada, tem muito pouco do parceiro de Vanessa da Mata em “Boa sorte/Good luck”. “Up to you now” continua o álbum, que toma um viés mais radiofônico. Mas rádio das boas. O rock ainda está lá e a gente sente na forma nervosa com que ele canta. Em “Shime and shine”, terceira música, a pedreira vem com tudo. Tem horas que lembra Lenny Kravitz do tempo de “Fly away”, mas Harper está mesmo é com o pezinho lá atrás, em Jimi Hendrix.
“Lay there and hate me” já bebe na fonte de Marvin Gaye, com um balanço funk muito bem aplicado ao som de guitarras distorcidas e bateria bem marcada. Em “Why must you always dress in black” o que toma forma é um rock de bater o pé, uma espécie de blues mais acelerado.
O momento açúcar fica com “Thin skin”, balada das boas, daquelas feitas pra sofrer. Como diria uma amiga, “é uma música que dá vontade de começar a namorar e acabar o namoro em seguida só pra poder sofrer com ela”.
(Confesso que fui ouvindo o CD e anotando num bloquinho quais músicas iria destacar neste texto. Com meia hora de audição, percebi que estava anotando o nome de todas.)
“Fly one time” continua o tom suave iniciado com “Thin skin”. É boa de ouvir, passa uma coisa legal, tem uma certa melancolia ali por trás. Mas o momento docinho termina com “Keep it together (So I can fall apart)”, que já inicia com um indomável Ben Harper gritando seu “yeah” cheio de rock. Dá vontade de bater a cabeça como faziam em Woodstock, juro!
“Boots like this” é meio folk mas me agradou bastante. E tem ainda, terminando o CD, duas excelentes músicas: “World suicide”, que é lentinha, sofrida e tem até um coral semi-gospel; e “Faithfully remain”, essa sim muito Ben Harper, mas nem por isso ruim.
Exagerado? Deslumbrado? Sem noção? Não importa do que me taxem. Eu digo que desde “All that you can’t leave behind”, do U2, não tinha essa sensação de estar diante de um clássico dos tempos modernos. Ben Harper mandou muito bem. Crasse A.
Em duas sessões, uma no sábado e outra no domingo. Ambas às 20h. O espetáculo é do Grupo Carmin e as entradas custam $8. Precinho camnarada mesmo. Mais info: 3211-7710.
A Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto) está abrindo inscrições para uma turma de “Oficina Fotográfica”, destinada para aquelas pessoas que são apaixonadas por fotografia, mas não sabem as técnicas e regras corretas para captar uma boa imagem.
A Oficina de Fotografia da APHOTO vai ensinar passo a passo tudo que se deve saber para o domínio da técnica fotográfica, com inúmeros exemplos e ilustrações de alta qualidade. E o melhor: com qualquer câmera fotográfica você pode acompanhar as aulas, pois o curso é destinado justamente aos amantes amadores.
As aulas começam no próximo sábado, dia 9 de maio, no horário das 8 às 10 h da manhã. A Oficina de Fotografia tem duração de dois meses e vai abordar as técnicas de composição, enquadramento, resolução, armazenamento, flash, entre outros temas, em aulas teóricas e práticas. As aulas serão monistradas por Alex Gurgel, conhecido fotógrafo potiguar.
Segundo ele, “Qualquer máquina fotográfica digital servirá para o aluno aprender a fotografar. Com a oficina, ele ficará apto a fotografar com qualquer câmera que chegue às suas mãos”.
Oficina de Fotografia
Duração: 02 meses
Dia: aula somente aos sábados
Horário: das 08h às 10h
Investimento: R$ 300,00 (ou 2x R$ 150,00)
Info e reservas: 3211-5436 / 8817-3359
Já temos os três ganhadores da promoção “PLOG/Mano Celo” que ganharão um exemplar do novo livro de Carlos Fialho. Os vencedores são:
- Maria José Azevedo
- Ana F.
- Tete Bezerra
Os vencedores já foram avisados por e-mail e devem estar no lançamento do livro hoje para receber seus exemplares.
O sorteio aconteceu da seguinte maneira. Conforme fui recebendo os comentários, organizei todos numa lista em ordem numérica. Cada comentário, portanto, tinha um número. Quem comentou mais, tinha mais chances de ganhar.
Às 18h30, postei a seguinte mensagem no Twitter: “Me ajudem a realizar o sorteio PLOG/Mano Celo. É só me dizer um número de 1 a 120. Vamo lá, aguardo os replys”. A primeira resposta veio de Milena Azevedo (@MilenaAzevedo), indicando o número 3, que deu o primeiro exemplar para Maria José Azevedo. Em seguida, Leonardo Seabra (@leonardoseabra) indicou o número 23, sorteando o segundo livro para Ana F.
O terceiro número foi polêmico. Milena Azevedo, mais uma vez, indicou um número: 100. Isto deu o livro para Tiago Moralles. Mas uma das regras da promoção é que para ganhar o livro o sorteado deveria comparecer ao lançamento de hoje à noite. Como Tiago mora em São Paulo, sua presença seria impossível. Assim, aguardei a indicação de mais um nome.
Pouco depois, Roberto Wolvie (@RobertoWolvie) indicou o número 6. E o terceiro exemplar, foi portanto, para Tete Bezerra. Que, espero, more em Natal.
Assim, aguardo os três vencedores hoje, a partir das 18h, na Siciliano do Midway Mall, para o lançamento de Mano Celo – O rapper natalense” de Carlos Fialho. Os nomes de vocês estarão com Carlos Fialho. Assim, é só seguir os passos que indico por e-mail para receber seu exemplar autografado.
Obrigado a todos que participaram dessa promoção, quer seja comentando ou ajudando no sorteio. E até a próxima.
“Mano Celo – O rapper natalense”, 3º livro de Carlos Fialho e 10º do selo Jovens Escribas, será lançado amanhã na Siciliano do Midway Mall, a partir das 18h. Excelente programa pra quem curte literatura.
Vivemos uma época de transição, em que a tecnologia muda tão rapidamente (e afeta tão rapidamente nossas vidas que só nos deixa uma saíde: experimentar. Propor o novo. Fomentar algo que talvez não tenha significado agora, mas que pode abrir portas para infinitos significados no futuro. É mais ou menos isso que o coletivo paulista C.A.O.S (Coletivo de Amor e Ódio em Segundos) está fazendo ao unir Twitter, blog e QR Codes (aquele novo código de barras que pode ser lido por câmeras de celular) num só projeto.
Trata-se do auto-intitulado livro vivo “Instantes de Amor e Ódio”. Uma inteligente brincadeira que leva às ruas os instantes de amor e ódio coletados diretamente do Twitter. Como? Usando criatividade e tecnologia para compor arte.
Explico…
O coletivo criou um perfil no Twitter (@caos_euconcordo). Se você passa a seguir este perfil, concorda automaticamente em ceder os direitos das postagens que contêm as palavras AMOR ou ÓDIO. Essas postagens são republicadas no site do projeto e de lá ganham as ruas em cartazes que usam tecnologia QR Code (ou seja, as pessoas, na rua, poderão ler os instantes de amor e ódio simplesmente fotografando os cartazes). Mas por enquanto, os tais cartazes só estão espalhados por São Paulo.
No manifesto do projeto, o coletivo C.A.O.S. enfatiza que este será “o primeiro livro vivo do mundo. escrito por imagens que só podem ser lidas em um celular”. E completa: “Páginas vivas, de conteúdo efêmero, mudando randomicamente a cada semana. Frases verdadeiras, vindas do mundo virtual, invadindo o mundo real por meio de uma enigmática poesia visual”.
Pode não ter significado algum hoje. Mas é essencial que experimentemos esse tipo de convergência de tecnologia para descobrir até onde elas poderão nos levar. Afinal, quando inventaram o raio laser ele não tinha utilidade alguma.
A promoção “Jabá do Mano Celo” está chegando ao fim. Então é bom se adiantar e comentar feito louco no PLOG. A promoção só vale até às 18h de amanhã.
Pra participar é simples. É só comentar em qualquer texto do PLOG e seu nome já entra na lista de concorrentes. Cada vez que você comenta, seu nome entra mais uma vez na lista de concorrentes.
Amanhã, às 18h, o sorteio acontece através do Twitter. Como a lista está sendo feita em ordem numérica, pedirei aos meus seguidores para me dizerem um número. Cada número que receber como resposta indicará um vencedor. Ao todo, três livros serão sorteados entre os leitores do PLOG.
“Mano Celo – O rapper natalense”, de Carlos Fialho, é o décimo livro lançado pelo selo Jovens Escribas. O lançamento será na quinta, dia 7, na Siciliano do Midway Mall. Recheado de histórias absurdas desse personagem que quer mudar o mundo através do rap, o volume segue bem o estilo já conhecido de Carlos Fialho: textos bem humorados e provocativos.
Para divulgar seu novo álbum, intitulado “Relapse”, Eminem retorna às polêmicas. O cara sabe fazer os focos se voltarem para ele e dessa vez não é diferente. “Relapse” será lançado oficialmente dia 19 de maio, mas aos poucos clipes do novo álbum vão sendo lançados na internet.
A polêmica da vez é com o clipe da música “3 am”. No vídeo, Eminem (sempre no papel do badboy que lhe rendeu fama e fortuna) interpreta um paciente de um hospital psiquiátrico que sai matando pessoas com uma faca de cozinha. Em outras palavras, um serial killer. A música é meio enjoadinha e a polêmica fica muito mais pro público americano, que adora bancar o conservador. Mas vale a pena assistir pela edição bem amarrada e pelo banho de banheira com, sangue do protagonista.
Essa história de clipe polêmico me fez lembrar algumas pérolas que já pintaram por aí no quesito “censura essa coisa”. Uma delas foi o clipe de “Favourite Game”, da banda Cardigans. Depois do sucesso avassalador do hit Lovefool (com clipe fofinho e direito a muitos suspiros), a banda deu uma aloprada. E colocou sua vocalista, a sueca Nina Persson, dirigindo um carro em alta velocidade na contramão – numa clara tentativa de se matar. O vídeo foi acusado de fomentar o suicídio e em decorrência disso diversos finais alternativos foram criados, na intenção de amenizar a coisa toda. Não sei se funcionou.
Outro clipe que gosto bastante e tem um quê de polêmico é “Until it sleeps” do Metallica. Recriando o jardim do Éden em versão heavy metal, os caras tentaram contar a história de Adão e Eva de um jeito bem peculiar.
Também famoso por suas polêmicas, o grupo de música eletrônica Prodigy costuma aloprar em seus clipes. Já colocou gente cheirando cocaína, tentativa de esturpo, violência explícita. Mas nada, ao meu ver, é mais perturbador que o clipe de “Voo doo people”. Uma corrida é organizada no meio da cidade. Mas todos os competidores estão vendados. E cada trombada em poste, cada atropelamento, cada queda em bueiro causa calafrios em qualquer um.
A mestre das polêmicas, entretanto, continua sendo Madonna. Em seus vídeos, já beijou Jesus Cristo na boca, já fez sadomasoquismo, já cometeu atos de vandalismo. A mulher é uma verdadeira máquina de chocar. Por isso a dificuldade em escolher um vídeo dela. Fiquei com “Erotica”, no qual ela não é nem um pouco sutil em relação ao sexo e pega geral.
E você, tem um clipe polêmico na cabeça? Comenta aí.
Mais uma semana em que não cumpri totalmente meu objetivo.
“A ponto de explodir”, do autor mineiro Sérgio Fantini, apresenta contos ágeis e por vezes bem curtos, daqueles que a gente lê em uma sentada. O efeito dessa concisão é devastador. E foi devastador também para minha meta: livros de conto dão a chance de pular algumas partes e ler só o que realmente interessa naquele momento. Não era minha intenção e por isso estou sendo honesto: pulei alguns contos, mas li quase todos.
Tive a oportunidade de conhecer Fantini em outubro de 2011, quando ele veio a Natal a convite do Jovens Escribas para ministrar uma oficina de contos dentro da Ação Potiguar de Incentivo à Leitura. Sua fala tranquila e seu jeito sem afetações destoa totalmente da linguagem que exibe em seus contos: direto, por vezes violento, sem meneios desnecessários, Fantini exibe personagens fortes e controversos, que nos dão uma boa visão sobre os tipos urbanos mais comuns dos dias de hoje.
A leitura é recomendadíssima por dois motivos. O primeiro: a linguagem livre, sem editorialismos, permite mergulhar fundo no universo do autor a cada nova história. O segundo: Fantini sabe contar histórias. E mesmo naquelas mais pós-modernas, em que o conto passeia apenas por uma cena, sem nos dar muitas informações sobre os personagens, não deixa a sensação de incompletude. Suas histórias, por mais pós-modernas que sejam, sempre têm começo-meio-fim. O cara sabe o que está fazendo.