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[AGENDA]
25ª EDIÇÃO DO FEIJÃO COM ROCK É NESTE DOMINGO
31 março 2009 § Nenhum comentário ainda
[ARTIGO]
POLÊMICA: SINDICATO DOS RADIALISTAS PROÍBE CRIAÇÃO DO SINDICATO DOS PUBLICITÁRIOS DO RN
31 março 2009 § 9 comentários
Ser publicitário é um calvário. Ser publicitário no Rio Grande do Norte, então, é um exercício diário de paciência, devoção e certeza de que não sabe fazer outra coisa. Começo o texto assim para justificar algo: já temos dificuldades demais na profissão. A saber: clientes com pouca verba e nenhuma noção de marketing, veículos viciados na política da boa vizinhança, concorrência desleal e antiética de alguns publicitários entre aspas. Mas a dificuldade da qual quero falar hoje é uma antiga reivindicação da categoria: a formação do SINTAPP – Sindicato dos Trabalhadores em Agência de Publicidade e Propaganda do Estado Rio Grande do Norte.
Há algumas semanas, um grupo de publicitários se reuniu para tornar essa ausência numa presença. Airton Minchoni, Marcílio Mariz e Rodrygo Rennyer juntaram esforços, colocaram algumas idéias no papel, correram a burocracia e conseguiram a publicação do Edital de Convocação para a 1ª assembléia do SINTAPP/RN. Essa assembléia deveria acontecer hoje. E nela, seriam convocadas as primeiras eleições para presidência do sindicato. Acontece que esta assembléia não aconteceu. Isto porque o Sindicato dos Radialistas conseguiu uma liminar proibindo a realização do encontro.
O que o Sindicato dos Radialistas tem a ver com isso? Explico: há anos, os profissionais de agências de publicidade do Estado são representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão, Televisão e Publicidade do RN, mais conhecido pela errônea alcunha de Sindicato dos Radialistas. Esse erro gramático – pra não dizer dramático – no apelido da organização é, na prática, um reflexo do que o sindicato representa para os publicitários. Ou seja, um erro.
Apesar da contribuição sindical não falhar (um dia de trabalho por ano de cada publicitário vai religiosamente para a entidade), nenhum publicitário é verdadeiramente engajado neste sindicato. Os motivos são muitos, que vão do desinteresse à falta de espaço no órgão. Mas pode ser resumido numa questão: juntar radialistas, jornalistas e publicitários num mesmo sindicato é como juntar médicos, dentistas e veterinários num mesmo Conselho Regional. Apesar de estarmos em áreas relacionadas, jornalistas, radialistas e publicitários têm necessidades diferentes. Por isso, pedem representações diferentes.
Hoje, as agências de propaganda são filiadas ao Sindicato das Agências de Propaganda do RN – Sindapro. Na prática, os patrões formam esse sindicato e pela falta de representação direta das necessidades dos publicitários, acabam tomando decisões que são simplesmente comunicadas ao Sindicato dos Radialistas. Muitas vezes unilaterais. Quase sempre, sem reações. Obviamente, não se pretende instalar uma guerra de classes no mercado publicitário local. O Sintapp apenas equilibraria as regras do jogo. Uma categoria sem representação coesa e realmente ligada ao dia-a-dia profissional não tem esperanças de ver suas demandas atendidas. O resultado é devastador para a profissão como um todo. A insatisfação gera publicidade ruim, desvios de conduta, êxodo de profissionais para outros mercados, dentre outras conseqüências terríveis.
Em carta aberta, enviada hoje para o CC-NAT (grupo de discussão por e-mail que reúne os publicitários de Natal), Airton Minchoni disse que o Sindicato dos Radialistas “alega que, por já existir um sindicato que represente nossa categoria, não necessitaria ter um segundo, o que violaria o princípio da unidade sindical”. E acrescenta: “Essa alegação soa como uma piada. Primeiro por não sermos representados, apenas estamos vinculados ao atual sindicato. Não conheço alguém que seja publicitário e que tenha filiação real a esse sindicato. Portanto, ele não nos representa”.
Airton ainda apresenta um outro forte argumento para que a liminar soe absurda. Segundo ele, a criação do Sintapp não tem a intenção de extinguir o Sindicato dos Radialistas, pois este continuaria representando os publicitários autônomos. “É apenas uma representação mais específica e focada nos problemas e necessidades reais de nossa área. Estamos saindo do generalista para algo mais específico”.
A confusão agora vai pra Justiça. Apesar da liminar a favor do Sindicato dos Radialistas, Airton afirmou que a iniciativa não vai parar por aqui. Ironicamente, recebi meu salário hoje. No meu contracheque, um desconto que eu não via há meses me chamou atenção. Era a contribuição sindical. Entendo que o Sindicato dos Radialistas não queira perder a fatia do bolo que lhe cabe. Mas como representantes de classe, deveriam seguir a máxima de que ninguém representa quem não quer ser representado. Uma atitude contraproducente dessas só deixou todos com mais vontade ainda de fundar o Sintapp. Mesmo que isso signifique, desde já – e antes da sua fundação –, uma luta sindical.
[NA REDE]
GMAIL DISPONIBILIZA FERRAMENTA PRA “DESENVIAR” E-MAILS
31 março 2009 § Nenhum comentário ainda
O Gmail, ferramenta de e-mail do Google, já disponibiliza o botão “Desfazer”, que “desenvia” e-mails recentemente enviados. Ou seja, se você enviou aquela mensagem cheia de desaforos ao seu chefe e em seguida lembrou que o aluguel vence amanhã, é só clicar em “Desfazer”.
O sistema habilita o cancelamento do e-mail até 5 segundos após você clicar em “Enviar”. Ou seja, é pouco tempo para pensar direitinho se o conteúdo do e-mail não vai te prejudicar, mas é mais tempo do que você dispunha anteriormente.
Para ativar a novidade, lançada essa semana pelo Google, você precisa ir até o menu “Configurações” e procurar por “Cancelar envio”. Quando você envia uma mensagem, apaqrece no topo da página logo após o envio o botão “Desfazer”. Mas em cinco segundos, ele some. Portanto, pense rápido.
Segundo Jon Perlow, engenheiro do prometo, este novo serviço serve para quando você enviar um e-mail para uma aniversariante dizendo que vai faltar à sua festa surpresa. Piadas a parte, vai ser muito útil para os famosos e-mails que dizem “Veja as fotos em anexo” e não contêm nenhum anexo. Modéstia à parte, sou campeão em enviar esse tipo de e-mail.
[OPINIÃO]
CLINT EASTWOOD E “GRAN TORINO”: O PONCHO, O CHAPÉU E UM FORD 1972
por Milena Azevedo
31 março 2009 § 2 comentários
Clint Eastwood é um dos nomes mais “up” em Hollywood nessa primeira década do século XXI. Apesar de ter começado sua carreira cinematográfica em faroestes spaghetti e se popularizado como o policial durão Dirty Harry, na maturidade é que tem se mostrado como artista completo, pois se permitiu deixar aflorar o seu lado mais sensível – mesmo assim não perdendo nunca a pecha de machão –, fosse atuando ou dirigindo seus próprios filmes.
A aventura atrás das câmeras começou na década de 1970, mas Eastwood teve que esperar alguns anos para ser reconhecido como diretor. O primeiro passo foi Bird (Bird – 1988), uma cinebiografia do saxofonista Charlie Parker, depois veio a consagração com Os Imperdoáveis (Unforgiven – 1992), quando Eastwood revisitou o gênero faroeste, e Menina de Ouro (Million Dollar Baby – 2004), drama sobre uma mulher cujo sonho era ser boxeadora profissional. Mas ele queria mais.
Em 2006, Eastwood dirigiu dois dramas históricos, revisitando a Batalha de Iwo Jima, um sob o ponto de vista norte-americano (A Conquista da Honra/Flags of Our Fathers) e o outro sob o ponto de vista japonês (Cartas de Iwo Jima/Letters from Iwo Jima). O Oscar praticamente ignorou ambos os filmes, mas a crítica foi justa e soube valorizar o trabalho do diretor que já ostentava cabelos brancos, muitas rugas e marcas de expressão, porém que tinha um porte físico de fazer inveja aos garotões de hoje em dia.
Seus dois filmes mais recentes são: A Troca (The Challeging – 2008) e Gran Torino (Gran Torino – 2008), esse último em cartaz nos cinemas brasileiros nesse mês de março.
Gran Torino marca a despedida de Eastwood como ator, e no filme ele interpreta um velho chato, quadrado e preconceituoso, chamado Walt Kowalski, que guarda velhas feridas da Guerra da Coreia e não consegue se aproximar dos dois filhos e dos netos. Após a morte de sua esposa, passa os dias conversando com amigos ou sentado em sua varanda, tomando cerveja e observando a rua, lastimando a “invasão” asiática e latina ao outrora pacato bairro em que vive.
O bem mais precioso de Kowalski é um Ford Gran Torino, modelo 1972, bem cuidado e conservado em sua garagem – simbolizando o seu apego aos valores do passado. Uma noite, o vizinho Thao (descendente da etnia Hmong), tenta roubar o Gran Torino, como uma prova de iniciação à gangue de seu primo, mas é surpreendido por Kowalski e seu rifle. A família se sente humilhada pelo gesto do rapaz e passa a encher Kowalski de presentes, mas esse rejeita tudo o que recebe. A aproximação entre Kowalski e a família Hmong só acontece através da irmã de Thao, Sue, que enfrenta com bom humor a antipatia do velho ranzinza e ainda lhe diz umas verdades. Aos poucos, o gelo vai se quebrando e Kowalski tem a chance de fazer boas ações e se livrar dos fantasmas que o perseguem há tanto tempo.
A trama pode ser previsível, a história pode ser clichê, mas o que torna Gran Torino um filme marcante é justamente a atuação de Clint Eastwood, cujo timing é preciso tanto em momentos cômicos (Kowalski enfrentando três rapazes negros que estavam incomodando Sue) quanto em instantes de emoção intensa (Sue chegando em casa após ter sido estuprada pela gangue do seu primo).
Em Gran Torino, Kowalski (e a América do Norte como um todo) reconhece o valor dos imigrantes, quando se dá conta de que são apenas seres humanos, e assim percebe que há imigrantes de boa índole e imigrantes mal caráter. No entanto, na hora do “vamos ver”, quem parte pra briga e resolve a parada é o heroi/mártir estrategista e individualista norte-americano, bem ao estilo John Wayne.
Em sua despedida da frente das câmeras, Clint Eastwood faz uma volta ao seu começo, ou seja, um valentão que defende com unhas e dentes o seu quinhão, fazendo valer os ensinamentos da velha escola, da velha América, frente às ressignificações culturais, étnicas, políticas e econômicas que vem ocorrendo no mundo todo; embora dê algum crédito ao novo, deixando que ele siga o seu caminho, sob algumas concessões, é claro.
Milena Azevedo é Mestre em História pela UNISINOS (RS), empresária, poeta, contista e roteirista de HQ. Tem dois livros de poemas publicados: O Perfil da Águia (1999) e Prometeu Livre – um outsider no Olimpo (2005), já ganhou prêmios no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro (participando inclusive da coletânea com os 100 melhores poemas dos anos de 2003/04 e 2004/05, além de estar presente também no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea/2005, todos da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores). Tem contos e poemas publicados aqui e acolá nessa imensa teia eletrônica que é a Internet, além de participar de antologias da Câmara Brasileira dos Jovens Escritores e da AGEI – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.
[CRÔNICA]
COMO SOBREVIVER A UMA BALADA VIP
27 março 2009 § 4 comentários
Por alguma circunstância inexplicavelmente benéfica ao seu futuro, você ganhou entradas VIPs para uma festa. VIP mesmo. Pulseirinha com cores fosforescentes, camiseta com logomarca de cerveja ou até mesmo carimbo no pescoço que só aparece sob a luz negra: não importa como seu eu foi apartado do resto da multidão e erigido ao topo da cadeia alimentar das baladas. Só importa uma coisa: você é VIP.
A primeira coisa a fazer é escolher a roupa. Tenha em mente uma verdade irreversível: os VIPs são sempre VIPs. O que leva à seguinte conclusão: por mais que esta balada tenha todas as potencialidades para ser a melhor da sua vida, não vá vestido como se não houvesse amanhã. Tente um visual (juro que quase escrevi look, juro) que equilibre elegância e despretensão. Traduzindo: não vá vestido como se fosse a primeira vez que sai de casa, muito menos como se estivesse indo a um churrasco na laje do Waldécio de Dona Nena, aquela de Seu Juvenal de Creusa, que casou com Toinha antes de engravidar Jerusa do armarinho de Tota. Enfim: esqueça, ao menos uma vez na vida, que você é pobre.
Outro cuidado que você deve ter com a indumentária (juro que quase escrevi look), é fazer com que o símbolo máximo de seu apartheid baladístico esteja à mostra, bem visível, independente dos acessórios que você usar. Portanto, se vai colocar bijuterias, use apenas em um dos braços. O outro deve estar livre para a pulseira VIP. Se vai usar camisa de manga longa, arregace-as. O importante é que todos vejam (do segurança da área VIP ao vendedor do carrinho de cachorro-quente que você vai jantar) que agora você não é como o resto do mundo. Você é uma very important person.
Ao chegar na tal balada, é bom ter em mente que os VIPs entram por outra porta. Então nada de entrar na fila comum perguntando se estão distribuindo sopão. Deixe essa piada infame pra fazer semana que vem, quando você tiver que se acotovelar para conseguir entrar na feijoada de Dodô no Clube de Mães. Esta noite, tudo será diferente. Entre pela porta VIP. Geralmente, não há filas. Mas se houver, não entre nela jamais. Parafraseando Veríssimo, VIP que é VIP nunca entra numa fila. Seguindo os passos da etiqueta vipística, você fica por ali por fora, vendo e sendo visto, bebericando de sua vodka ice (que foi 7 mangos no posto vizinho ao cachorro-quente de Tota) enquanto torce para que seja open bar e você não tenha que se desfazer dos cinco contos que lhe restam.
Quando não há mais resquício algum de aglomerações, você se dirige à entrada VIP. O segurança olha pra você como se te conhecesse, mas você ignora. Claro. Os VIPs não cumprimentam seguranças, muito embora este seja Eunapiano, neto de Jerusa, filho de Nina com Seu Irineu. Você ignora.
Claro que você não entra na festa diretamente na área VIP. Não teria graça nenhuma. O bom é dar uma circulada mostrando sua pulseirinha pra todo mundo, como dissesse “reles mortais, na hora do empurra-empurra estarei bem longe da sub-raça que vocês representam”. A melhor forma de dizer isso sem precisar efetivamente dizer é ser simpático com os VUPs (very unnecessary people). A simpatia dos VIPs com os VUPs é semelhante às cestas básicas que os podres de rico distribuem aos mais necessitados no Natal enquanto ceiam uma costela de vitelo com couscous de trufas brancas: é repleta de uma complacência que diz “ajudo” e “fique longe de mim” ao mesmo tempo.
Depois dessa circulada, você finalmente vai pro camarote. Ah, tinha esquecido de dizer, camarote é a tradução pro português de VIP area. Mas pode significar muitas outras coisas. O que você entra pode ser apelidado, por exemplo, de fábrica da Matel. É, amigo, na área VIP ninguém tem a personalidade glútea de Juciara, nem as curvas de Jecylésia, muito menos os cachos fartos de Ralyssa Maiara (aquela de Seu Juvenal, que casou com Toinha antes de engravidar Jerusa do armarinho de Tota). Todas as mulheres do camarote são exatamente iguais: cabelos esticados e loiros, vestidos presos por um cinto grande, costas nuas, sorrisos de plástico. Não que elas sejam ruins. Não mesmo. Enquanto depositórios de esperma, funcionam perfeitamente – e ainda têm a vantagem de ser mais quentinhas do que uma boneca inflável. Quanto ao resto, não espere mais delas que das supracitadas bonecas: o que preenche a cabeça de ambas é exatamente a ausência da mesma coisa.
Circulando entre elas, você começa a se animar. Obviamente, elas exalam para suas narinas o feromônio do pecado, o ardiloso odor da volúpia, o insensato torpor da periquita em chamas. Mas sua excitação dura pouco quando você nota que as Barbies nunca ficam com o Senhor Batata: elas querem mesmo é o Ken. Que são, também, todos iguais: malhados, cabelos partidos no meio, camisetas coladinhas, calças da Gap. Você, definitivamente, não está nesse grupo. Mas nem é por sua barriguinha de chope, nem por seu corte de cabelo fora de moda (quase escrevi old fashion, quase). O que definitivamente coloca você para fora do Clube do Ken é sua camiseta da Riachuelo.
Desiludido com as bonecas infláveis, você decide beber. Eis, então, o primeiro grande percalço da noite. Você não pode chegar no bar e simplesmente perguntar se a bebida é de graça. Que humilhação! Seria como assinar um atestado de liso (pré-impresso na sua camiseta). Então, você faz o caminho mais inteligente: se aproxima do garçom e, como se estivesse prestando atenção em outra coisa mais importante que comprar uma dose de uísque, pergunta quanto custa a garrafa do 12 anos. Veja bem, a garrafa. O garçom olha instintivamente para a sua camiseta (porque a futilidade das grifes não acomete apenas aos ricaços) e, sem acreditar que você tem dinheiro para pagar sequer por um copo d’água, responde: “Hoje é open bar”.
Fogos espocam em seu cérebro, tambores rufam em seu peito, seu olhos lacrimejam espontaneamente, você diz a si mesmo que nunca mais voltará a se acostumar com o sabor do rum Montila. E então, contendo a emoção, você faz um ar blasé e fala sem notar que uma lágrima já desce por suas maçãs: “Me dá um uísque com energético”. E já completamente tomado pelo frenesi, acrescenta quase num muxoxo de dor: “12 anos, viu?”.
O que acontece nas próximas horas é um misto de apresentação de balé contemporâneo e concentração do bloco Filhos de Gandhi. Resumindo: você se joga. Em menos de uma hora, você já passou do uísque-com-energético para o zuísgue-gom-enerzédigo. Isso depois de: cair por cima de um grupo de meninas que requebrava ao som do tuntz-tum (duas vezes); fazer o garçom derrubar uma bandeja de copos sujos sobre um Ken que sorria faceiro a outro Ken (duas vezes); usar o banheiro feminino intrigado com o fato de todos os homens, de repente, mijarem sentados e gritarem escandalosamente ao te ver (cinco vezes); fazer amizade com uma pilastra e comentar ironicamente o fato dela ignorar suas perguntas mas, contraditoriamente, não sair do seu lado (10 vezes). A vida é uma festa. Mas na terceira vez que você esbarra no garçom e o líquido azul do copo longo voa pelo ar, seu destino nesta balada VIP muda completamente.
O drink voa diretamente a um casal que se beija encostado na parede. Você pensa rápido e resolve impedir que o incidente destrua o penteado da pobre garota (que, certamente, faria um escândalo ao ver sua escova arrasada, fato que culminaria em sua expulsão da boate). Você se joga em direção ao copo – com os braços juntos para diminuir o atrito do ar com seu circunférico ser – e num giro olímpico que deixaria qualquer Diego Hypólyto roxo de inveja, você rebate o copo no ar e desvia sua trajetória. O líquido se derrama sobre as lisas madeixas do rapaz. Que, ao perceber seus cachos de Maria Betânia emergirem de uma escova destruída, faz um escândalo.
Deitado no chão, com o bico de papagaio latejando, você tem certeza de que ele ficou melhor de cabelos encaracolados. Antes era a cara Senhor Miyagi, agora está que nem o Cauby Peixoto. Mas antes que seu raciocínio possa ser vebalizado, seguranças invadem o camarote. As pessoas VIPs parecem apontar pra você e dizerem “está ali o representante dessa sub-raça”. Você é erguido por um rapaz que você tem certeza que já viu em algum lugar. Na porta da boate, você lembra o nome dele. E grita: “Eunapiano, neto de Jerusa, filho de Nina com Seu Irineu”. Antes de chutar seu traseiro, ele sussurra cruelmente em seu ouvido: “Eunaciano, panaca”.
Bêbado, caído no chão, sentindo o gosto de terra, sem forças para se levantar (um farrapo humano, enfim), você acaricia a pulseirinha VIP que ainda repousa em seu braço. E sorri. Porque é muito bom ser VIP.
***
Leia também:
Como sobreviver a um hotel de luxo
Como sobreviver a um vôo transcontinental
[DESABAFO]
SOBRE A BRIGA ENTRE ÔNIBUS E ALTERNATIVOS
27 março 2009 § Nenhum comentário ainda
Kelps Lima, secretário da STTU: “O que está ocorrendo é uma briga entre sindicatos. E o Sitoparn (dos alternativos) quer na ‘marra’ se inserir ao sistema implantado pelo Seturn (dos ônibus)”. Pelo visto, o secretário já escolheu de qual lado da briga está. Tsc, tsc, tsc.
[NA PASTA]
CELULAR REVOLUCIONÁRIO QUE FAZ ATÉ CAFÉ
26 março 2009 § Nenhum comentário ainda
O Pomegranate NS08 é um celular que vai deixar o iPhone e o Blackberry no chinelo. Com tecnologia canadense, o lançamento promete revolucionar o mercado de telefonia móvel mundial. E não é pra menos.
O aparelho com design inovador reúne diversas funções até então jamais postas num celular. Além das tradicionais – telefone, e-mail, navegador de internet, câmera digital, localizador GPS e MP3 player – o Pomegranate, “the all-in-one device”, tem outras funções inimagináveis até então. Pode ser usado como projetor de slides, projetor de filmes, tradutor de voz em tempo real, barbeador, gaita e cafeteira. Isso mesmo. Até cafeteira!
No genial site de lançamento do produto – que ainda não tem data para chegar ao Brasil – todas as funções estão devidamente explicadas, com vídeos de demonstração e exemplos da utilização.
Se você ainda não clicou no link acima e continuou lendo a notícia, relaxe que seu iPhone ainda não vai ficar obsoleto. É que toda a campanha de divulgação do Pomegranate (que significa “romã” em português) nada mais é que uma campanha viral para divulgar a região da Nova Escócia, no Canadá. Não achou a ligação? Vou explicar.
Após cada vídeo que você visualiza no site do Pomegranate, aparecem dois botões: “continuar explorando” e “já vi o suficiente”. Se você clica no primeiro, volta ao site e continua vendo as maravilhas do celular revolucionário. Mas se clica no segundo, é redirecionado ao site de Nova Escócia, que inicia com a seguinte mensagem: “Um dia você terá tudo que precisa num só dispositivo. Hoje você tem tudo que quer num só lugar”. Então, as belezas de Nova Escócia surgem pros internautas.
Uma ação original e muito divertida. E que chegou até mim através de uma amiga que mora na França (valeu, Tereza!). O site é muito bem feito, apesar de demorar pra carregar. Mas vale cada frame descarregado, porque é um show de navegabilidade.
Aos que acharam a ação indireta demais, uma pergunta: quando é que uma propaganda turística da Nova Escócia no Canadá me atingiria aqui no Brasil?
[MICROARTIGO]
THAISA GALVÃO ÀS VEZES FORÇA
25 março 2009 § 5 comentários
A jornalista, em seu blog, noticiou que a tentativa de artista Marina Elali está numa lista de poderosos da indústria fonográfica mundial. Só não disse que a tal lista é, na verdade, dos clientes do produtor musical Dana Jon Chapelle. E que o único critério para estar ali é ter contratado o cara. Tsc tsc tsc.
[DIÁRIO]
FAÇA DO PLOG UM LUGAR MELHOR
25 março 2009 § 1 comentário
Acessos lá em cima, coments sempre bons. Mas não recebi muitas críticas sobre a navegabilidade do novo PLOG. Então, se quiser ajudar, me envia um e-mail, um tuíte, um coment. Mas opina aí sobre a estrutura do PLOG, pq ainda é versão beta e tudo pode mudar. Pra melhor, claro.
[ARTIGO]
WATCHMEN: A RESENHA DE QUEM NÃO LEU A HQ
por rosilene pereira
23 março 2009 § 6 comentários
- Você já ouviu falar em “Watchmen”?
- Não.
- Ótimo!
- É o quê?
- Um filme. E a gente vai escrever uma resenha sobre ele!
- Vou escrever assim, sem nem saber que filme é esse?
- Sim!
Esse foi o diálogo emeesseênico entre mim e Patrício, no qual eu topei essa espécie de “teste-cego” pra escrever sobre Watchmen – O Filme. A essa hora (terceiro intervalo do dominical “Fantástico”) penso que ele, fã da HQ que originou a película já, deve ter uma resenha rebuscada, profunda e toda amarradinha com argumentos convincentes sobre as suas impressões. Eu fui pro cinema sabendo apenas que era um filme inspirado nos quadrinhos desenhados por Dave Gibbons e escrito por Alan Moore pelos idos de 1985 (o que, de fato, não quer dizer nada a quem vive à margem desse tipo de revista, como eu). Mas senti a importância da matéria quando estava indo, atrasadíssima, ao Cinemark pegar a sessão das três e cinco, e por acaso comentei com meu sobrinho de quinze anos que estava indo ver o tal longa.
- Ai, eu quero ir com você!
- Pois então corra!
Chegamos a tempo, mas ele não pôde entrar. Não imaginei que um filme “de desenho” pudesse ser proibido para menores de dezoito anos. Mas era. E não adiantou dizer que eu era responsável por ele, nem mostrar a identificação de jornalista, que iria escrever um texto, nada. A bilheteira sugeriu que ele fosse assistir ao besteirol “Um hotel bom pra cachorro”, o que lhe soou como um insulto à sua inteligência. À contragosto, teve que se contentar com “Jogo entre Ladrões”, para não ficar boiando durante as mais de duas horas e meia de “Watchmen” que eu tinha pela frente.
Mais ou menos, a ficção mostra uma realidade futurista – só que ambientada nos já passados anos oitenta – na qual super-heróis que curtem uma merecida aposentadoria se reúnem para investigar a morte de um colega. Nisso, descobrem um traidor no grupo e por aí se desenrola uma trama com focos oscilantes os quais o espectador tem que ficar ligado para acompanhar. O fim da Guerra Fria e um relógio que mede a tensão entre os Estados Unidos e a falecida União Soviética está sempre parado nos cinco minutos para a meia-noite, anunciando que uma tragédia pode acontecer a qualquer momento.
A garota da fila de trás não devia ter capacidade intelectual mínima para entender a história e, por isso, se refestelava fazendo comentários óbvios o tempo inteiro. O herói fora assassinado? Ela dizia que ele havia sido assassinado. Em voz alta, friso. Eu, que nunca fui fã de desenhos nem nada, e já estava ali com a capacidade máxima da minha boa vontade, fui ficando aborrecida. Para que o leitor não diga que eu estou sendo injusta, conto que a excelente trilha sonora me fez desistir de abandonar a sala lá pelo final da segunda hora. Me alegrou o coração ouvir a romântica “The Sounds of Silence”, de Simon e Garfunkel; a melódica “Hallelujah”, de Leonard Cohen; e alguns clássicos do trio de inquestionável qualidade Jimmy Hendrix, Janis Joplin e Bob Dylan. E nas horas em que subia o áudio, iupi!, não se podia ouvir a comentarista para quem eu já havia pedido silêncio duas vezes.
A produção jorra um pouco de sangue demais, é verdade, e mostra uma cena de sexo – mas nada que não se veja em um canal de TV aberta, por exemplo. Por isso não vi motivos para uma classificação etária tão alta.
Quando saí, meu sobrinho Mateus já me esperava à porta, com a pergunta ansiosa na ponta da língua:
- E aí?
- Ah, a trilha é muito boa, mas resumindo, eu não gostei não…
- Deve ser mais interessante pra quem gosta mesmo de quadrinhos, como eu, né?
Resumiu o meu conceito final.
Para saber mais sobre “Watchmen”, que lá pelas salas inglesas já desbancou o vencedor do Oscar desse ano, indico acessar a bíblia dos filmes, o IMDB.
Para ler a resenha de quem já leu o gibi “Watchmen”, clique aqui.








